segunda-feira, 21 de abril de 2014

Estabilidade de Emprego nas Universidades dos Estados Unidos


Mudanças são sempre necessárias, simplesmente porque é arrogância julgar que alguém ou alguma instituição é capaz de atingir a perfeição em seus ideais e em suas ações.

Neste contexto, o presente blog está novamente mudando. A mais recente novidade é a internacionalização de algumas das postagens, começando com esta. Afinal, são leitores de mais de noventa países que acessam este site. Como nenhuma pessoa ou instituição é uma ilha em meio à sociedade, há a necessidade de atingirmos, em um primeiro momento, a seguinte meta neste processo de internacionalização: colocar ao alcance do brasileiro o conhecimento sobre como opera o mundo civilizado. Sem informação e conhecimento não existem bases para mudanças relevantes e construtivas.

Pelos motivos acima expostos, convidei Steven Krantz para contribuir com uma postagem para o blog Matemática e Sociedade. Krantz é um dos nomes mais conhecidos da matemática contemporânea. Professor da Washington University, ele é autor de quase duzentos artigos científicos e setenta e três livros. Ganhador de diversos prêmios e honrarias, entre eles o Distinguished Teaching Award, UCLA Alumni Association, Steven Krantz é ou foi editor dos seguintes periódicos: Notices of the American Mathematical Society, Journal of Mathematical Analysis and Applications, Bulletin of the American Mathematical Society, entre outros.

Expliquei a Krantz que no Brasil a estabilidade é garantida de forma indiscriminada nas universidades públicas. E, levando em conta que o tema da estabilidade na vida acadêmica tem sido motivo de calorosas discussões nos Estados Unidos, pedi para que ele publicasse algo sobre o assunto neste blog.

Imediatamente ele escreveu uma versão preliminar de quatro páginas (em LaTeX), deixando claro que não se tratava de sua palavra final. Krantz queria, a partir de seu texto, discutir comigo. Trocamos diversos emails até o momento em que ele finalmente apresentou a versão final, com cinco páginas. Vale observar que recebi esta versão no domingo de Páscoa, deixando mais um exemplo claro (e pouco conhecido no Brasil) de que trabalho sério se faz permanentemente, independente de feriados.

Krantz fez um pedido pessoal, após a entrega da versão final de sua contribuição: avisá-lo quando ocorrer a publicação, para que ele possa incluí-la em seu Curriculum Vitae. Justamente por este motivo, espero que todos os leitores contribuam não apenas para a divulgação deste esclarecedor texto, mas também com a discussão responsável sobre o tema. 

O Brasil é um país imaturo sob vários aspectos fundamentais. E um dos principais responsáveis por esta imaturidade é a classe de professores universitários, os quais deveriam transformar a realidade brasileira para que nosso país deixasse de ser uma mera promessa. A classe de professores de universidades públicas somente se torna socialmente visível em movimentos de mendicância, comumente chamados de greves. Isso tem que acabar.

Existe excelência sim no Brasil. Mas esta excelência está completamente desarticulada. 

Segue abaixo o texto traduzido de Krantz, bem como a versão original de sua preciosa contribuição. Um dos aspectos mais notáveis deste artigo é a breve discussão sobre o trabalho dos Comitês Financeiros, os quais estabelecem uma importante conexão entre universidades e comunidades locais. Espero que o leitor aproveite esta oportunidade para compreender melhor o mundo em que vive.

Boa leitura.
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Ode à Estabilidade
escrito por Steven G. Krantz


Estabilidade acadêmica é considerada como um dos grandes trunfos da docência. Muitos de nós gostam de dizer que recebemos salários correspondentes à metade do que valemos, mas isso é compensado pelo fato de que temos férias de verão e estabilidade.

O que é estabilidade acadêmica e como e quando ela começou? O propósito da estabilidade acadêmica, pelo menos nos Estados Unidos, é oferecer segurança de trabalho a professores, de modo a permitir que eles explorem (sem medo de represálias) questões difíceis ou controversas em seu trabalho acadêmico. Embora tenham existido noções sobre estabilidade até mesmo na Idade Média, esta modalidade de trabalho não surgiu nos Estados Unidos até meados do século 19. Naquela época professores começaram a perceber o fato de que pais e outras pessoas queriam exercer influência e até mesmo imposições sobre a natureza do currículo escolar no ensino superior. Professores e, frequentemente, seus administradores, perceberam fortemente que eles eram qualificados e capazes de desenvolver e administrar o currículo. Não precisavam da ajuda de amadores que não pertenciam à torre de marfim.

O movimento em favor da estabilidade adquiriu força nos Estados Unidos com a criação da American Association of University Professors (AAUP). Criada em 1915, a AAUP é dedicada à monitoração e à defesa da qualidade de vida de professores universitários. Logo após à sua criação, a AAUP se transformou em uma forte defensora da estabilidade. Curiosamente, a noção de estabilidade adquiriu grande impulso no período que imediatamente sucedeu a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados retornavam aos seus estudos e havia uma considerável carência de professores em universidades. Mesmo assim muitas das principais universidades não contavam com políticas formais de estabilidade até a década de 1970. 

De acordo com a AAUP um Professor Assistente deve ser avaliado para fins de estabilidade pelo menos até o seu sétimo ano de trabalho. Se for cometido algum erro burocrático e o candidato chegar ao oitavo ano sem revisão sobre seus direitos, então ele deve se tornar automaticamente estável. E às vezes isso acontece. Esta é uma questão que preocupa muito os administradores universitários. Ninguém quer um processo na justiça contra a AAUP.

Administradores acadêmicos pensam em termos de dinheiro, e estabilidade é uma ideia aceitável. Se eu sou um diretor acadêmico e hoje concedo estabilidade ao Professor X, então isso custará pelo menos cinco milhões de dólares ao longo de anos. Como sei disso? Bem, salário e benefícios ao longo de trinta e cinco anos somam este montante. Portanto, universidades levam muito a sério a estabilidade. Tipicamente um processo de estabilidade para um candidato começa no departamento onde ele está lotado. O departamento coleta cartas de recomendação de pesquisadores renomados (externos à instituição) de universidades de prestígio, reúne dados sobre as habilidades didáticas, bem como informações sobre os serviços prestados pelo candidato ao departamento e à universidade. O departamento promove uma intensa discussão sobre o caso e, então, decide por meio do voto. Para que o processo seja levado adiante, o corpo docente deve votar favoravelmente por considerável maioria. Quaisquer votos contrários são levados em conta de maneira muito séria e devem ser avaliados. Alguns departamentos (e faculdades) exigem votação unânime.

Em seguida o Chefe do Departamento encaminha o processo de pedido de estabilidade para o Diretor da unidade administrativa à qual o departamento está imediatamente subordinado. Em muitas universidades, incluindo a minha, o Chefe do Departamento tem o poder e o direito de vetar um processo de pedido de estabilidade e não levá-lo adiante. De fato, quando fui Chefe de Departamento, eu deveria ter vetado o primeiro caso de pedido de estabilidade que caiu em minhas mãos. Mas eu era inexperiente e não o fiz. Quais são as considerações aqui? O que acontece é que às vezes um departamento concede estabilidade para alguém simplesmente porque os colegas de trabalho gostam do candidato. O indivíduo parece ser um bom professor, um bom cidadão e as pesquisas dele parecem ser OK, portanto, por que não? Mas o Chefe de Departamento pode ver além disso tudo e perceber que a apresentação de um caso frágil perante o Diretor enfraquecerá o departamento e colocará em risco futuros processos de pedido de estabilidade. Por isso o Chefe de Departamento tem o poder de veto.

Se o Chefe de Departamento decidir pelo encaminhamento do processo, então o Diretor e o Comitê de Estabilidade examinam o caso. Estes são indivíduos inteligentes que podem rapidamente perceber o âmago da solicitação e detectar pontos fracos no processo. Na audiência com o Chefe de Departamento, o Diretor e o Comitê de Estabilidade farão muitas perguntas estratégicas e serão rígidos em suas deliberações. Ao final, o Comitê de Estabilidade faz uma recomendação ao Diretor e este toma uma decisão.

O próximo passo é o Diretor da Faculdade. Enquanto o primeiro Diretor e o Comitê de Estabilidade examinam todos os aspectos do caso (incluindo particularmente pesquisa), o Diretor da Faculdade não leva em conta pesquisa, mas sim aspectos mais sutis - especialmente aqueles relativos a ensino. Quando eu estava na Penn State, havia vários casos cientificamente merecedores que foram negados na instância da Direção de Faculdade porque foi percebido que os candidatos não sabiam lecionar. 

Por fim, o processo é finalmente colocado diante do Comitê Financeiro e do Reitor. Na maioria dos casos esta etapa é uma formalidade. O Comitê Financeiro consiste de investidores e líderes da comunidade. Eles certamente não podem avaliar os méritos científicos de um processo e conhecem pouco sobre atividades acadêmicas. Portanto, em geral aceitam a recomendação do Diretor da Faculdade.

Tivemos um caso em minha universidade, cerca de quarenta e cinco anos atrás, envolvendo um biólogo que era um proeminente cientista. Ele não teve problema algum com seu pedido de estabilidade, nem no Departamento, nem na instância seguinte e nem mesmo na Direção da Faculdade. No entanto, era comunista. Ele havia trabalhado nas lavouras de cana-de-açúcar com Fidel Castro. E o Comitê Financeiro se perturbou com este fato. O comitê não queria conceder estabilidade para este candidato. Ao final, o Reitor se impôs sobre o comitê e disse: "Se vocês não concederem estabilidade a este homem, então deverão procurar por outro Reitor." E este foi o fim da história.

Toda universidade conta com uma legislação na qual são explicitados o conceito de estabilidade, bem como condições para obtê-la e perdê-la. Poucos docentes leem este documento, mas ele está disponível para qualquer interessado. Ele claramente governa nossas vidas de maneira decisiva e deveria ser conhecido por todos.

É natural perguntar quais são os critérios para a estabilidade. A maioria dos documentos regulamentadores sobre estabilidade define que os critérios são pesquisa, ensino e serviços. E frequentemente assume-se de forma implícita que esses três fatores são ponderados igualmente em um processo de pedido de estabilidade. Mas qualquer um que tenha vivenciado a realidade acadêmica perceberá que este não é o caso. Pesquisa é muito importante - frequentemente muito mais do que ensino e serviços. Mesmo em instituições nas quais ensino é a atividade prioritária, pesquisa tem um papel muito grande nas decisões sobre estabilidade. Fico satisfeito em dizer que, atualmente, o ensino tem desempenhado um papel ainda mais importante nas decisões sobre estabilidade do que no passado. Por exemplo, hoje em dia um professor ruim simplesmente não consegue estabilidade na minha universidade. Serviços representam um aspecto pequeno, não muito significativo. O motivo para pesquisa ser tão importante em tais processos é que a reputação de uma universidade não depende da qualidade de suas aulas de cálculo, mas do perfil acadêmico e dos resultados de seu corpo docente. Harvard e Princeton não são universidades de destaque por causa de suas aulas, mas por conta de seus extraordinários pesquisadores. Muitas pessoas não gostam desta descrição sobre como as coisas funcionam, mas ela é apenas a verdade.

Hoje em dia, se você navegar na internet e ler sobre estabilidade, perceberá que o tema está sob intensa discussão, e até mesmo ataque, em muitas universidades. A percepção geral é a de que docentes estáveis não estão cumprindo com os seus papéis. Os supostos "riscos acadêmicos", dos quais a estabilidade deveria proteger, não parecem reais. Existe pelo menos uma universidade pública na qual foi cogitada a mudança de status de um docente de "estável na universidade" para "estável no departamento". Desta forma, se o departamento for extinto, então o candidato pode ser demitido. Existe outra universidade pública bem conhecida na qual a legislação de estabilidade foi alterada da seguinte forma: onde se lia "um docente pode perder a estabilidade pelos seguintes motivos específicos" lê-se agora "um docente pode perder a estabilidade por qualquer motivo que sejamos capazes de criar." Algumas faculdades famosas de medicina chegaram a eliminar a estabilidade. Na Inglaterra, Margaret Thatcher extinguiu completamente a estabilidade nas universidades. Um amigo meu, britânico, obteve estabilidade no dia N e então a perdeu (graças a Thatcher) no dia N+1. 

Nos últimos anos têm ocorrido alguns casos notórios que suscitaram questionamentos sobre a estabilidade. Ward Churchill, da University of Colorado, despertou atenção instantânea ao alegar que algumas das vítimas dos ataques terroristas do onze de setembro eram "pequenos Eichmanns". Houve muitas manifestações contra Churchill e, no final, ele foi demitido - não por sua polêmica declaração, mas por outra desonestidade acadêmica. Lawrence Summers, Reitor de Harvard, ficou em apuros ao afirmar que a carência de mulheres em ciência e engenharias poderia ser devida a uma "disponibilidade diferenciada de aptidão, no final das contas" e não a padrões de discriminação social. Summers não perdeu sua estabilidade, mas foi obrigado a renunciar de seu cargo como Reitor. De fato, existem plagiadores bem conhecidos que ainda mantém seus cargos estáveis em instituições de ensino superior.

Muitos anos atrás, quando uma vaga com estabilidade era disponibilizada em um departamento, havia o entendimento com o Diretor imediato que aquele profissional seria substituído. Em particular, se um professor assistente não conquistasse a estabilidade, então ficava garantido que o departamento manteria aquela vaga - para ter a certeza de que o departamento não concederia estabilidade apenas para manter aquela vaga. Infelizmente, com a infusão de valores comerciais nas universidades e com o clima de cortes orçamentários, tais garantias não existem mais.

Em muitas instituições de ensino superior (graças a Deus, não na minha, a qual é uma privada com muitos recursos) existe uma tendência para diminuir o número de vagas com estabilidade e aumentar o número de vagas temporárias (indisponíveis sequer para posições de pós-doutorado). É claro que isso é feito exclusivamente por motivos financeiros. Uma vez que professores com contrato temporário não têm salas próprias, eles não participam de demais atividades acadêmicas (além das aulas), não usam recursos da instituição, não contam com benefícios (como seguro-saúde, aposentadoria etc.) e recebem salários muito baixos (geralmente pagos por disciplina lecionada).

[A parte realmente triste é que docentes com contrato temporário são frequentemente professores muito bons - melhores do que aqueles com estabilidade! Isso porque suas atividades docentes são o ponto forte de suas carreiras e eles querem genuinamente fazer um bom trabalho.] Um resultado desta realidade é que muitas instituições americanas de ensino superior estão adotando um modelo europeu - no qual existe um pequeno núcleo de docentes permanentes cercado por um exército de profissionais com contratos temporários. É claro que o corpo docente permanente é o responsável pela elaboração e pela manutenção do currículo escolar, representando a essência do que define o departamento. Logo, os professores permanentes são fundamentais. Os profissionais com contrato temporário contribuem muito pouco sobre aquilo que tenha algum valor perene; mas eles garantem que muitas disciplinas básicas, jamais cobiçadas, sejam efetivamente lecionadas.

Na qualidade de matemático, raramente estive sob o perigo de me ver com problemas ao explorar ou discutir sobre perigosas crenças políticas ou sociais. O mais próximo disso aconteceu quando escrevi um ensaio (agora famoso) criticando a geometria fractal. Enquanto meu ensaio conquistou considerável atenção internacional, ao mesmo tempo em que algumas pessoas discordavam veementemente dele, posso dizer com certeza que minha estabilidade nunca foi questionada. E ainda a tenho.

Hoje em dia diversas universidades têm adotado um sistema de revisão pós-estabilidade. Isso significa que, a cada cinco anos (ou um período similar), os docentes estáveis são submetidos à mesma investigação que ocorre com um candidato à estabilidade: O que esta pessoa tem publicado ultimamente?; Como é a sua atividade de docência?; Que tipo de serviço tem prestado?; E assim por diante. Raramente um docente será ameaçado de perder sua estabilidade, como resultado de tal avaliação. Provavelmente ele será submetido a algum tipo de punição, como aumento de carga horária de ensino, demais tarefas extras, diminuição de benefícios ou até possivelmente redução salarial.

Algumas das mais importantes universidades chegam a aplicar exames de competência sobre professores estáveis. Por lei, não se pode aplicar exames apenas sobre os mais velhos, mas sobre todo mundo. Logo, aqui está você, com 55 anos, tendo que demonstrar que ainda conhece a regra da cadeia e frações parciais. É tudo muito humilhante, e ainda não está claro qual é a vantagem disso.

Falando como um docente e pesquisador de destaque, que tem desfrutado da estabilidade por trinta e quatro anos, posso dizer que não penso sobre o assunto em meu dia-a-dia. Mas a estabilidade me confere certa confiança, equilíbrio e tato para perceber que tenho este tributo e que a sociedade me abençoou. Gosto de pensar que conquisto minha estabilidade todos os dias e que a mereço. Mas também reconheço que é um privilégio especial, que precisamos continuar conquistando para que possa valer a pena.

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Ode to Tenure

by Steven G. Krantz


Academic tenure is considered to be one of the major perks of the professoriate. Many of us like to say that we are paid only half of what we are worth, but this is compensated by the fact that we get summers off and we have tenure.

What is academic tenure and how and when did it begin? The purpose of academic tenure, at least in the United States, is to give professors job security and to enable them to explore (without fear of reprisal) difficult or controversial lines of inquiry in their scholarly work. While there were inklings of tenure even during the Middle Ages, tenure did not become an issue in the United States until the mid-nineteenth century. At that time, professors were becoming sensitized to the fact that parents and others wanted to influence, and sometimes even to dictate, the nature of the college curriculum. Professors, and often their administrators, felt strongly that they were the ones who were qualified and able to create and administer the curriculum. They did not need help from amateurs outside of the ivory tower.

The tenure movement really got under way in the United States with the creation of the American Association of University Professors (AAUP).  Started in 1915, the AAUP is dedicated to the monitoring and defending of the quality of life for professors.  Soon after its inception, the AAUP became a strong advocate for tenure. Interestingly, the concept of tenure got a big boost in the post-World-War-II period when so many soldiers were returning to school and there was a great shortage of university professors. Even so, many major universities did not have formal tenure policies until the 1970s.

According to the AAUP, an Assistant Professor must go up for tenure not later than his/her seventh year of service.  If a clerical error is made and the candidate slips into the eighth year without tenure review, then he/she is supposed to be tenured automatically. And sometimes that happens.  It is a matter that university administrators worry about quite a lot.  Nobody wants a lawsuit with the AAUP.

University administrators think in terms of money, and tenure is a bankable idea. If I am a Dean and today I tenure Professor X, then that is going to cost me at least $5 million over the years. How do I figure? Well, the salary and benefits over 35 years add up to that amount. So universities take tenure very seriously. Typically a tenure case for a candidate is initiated in the candidate's department. The department collects outside letters of recommendation from top scholars at prestigious universities, it collects data on the candidate's teaching ability, and it gathers information about the person's service to the department and to the university. The department has a vigorous discussion of the case, and a vote is taken. In order for the tenure case to move ahead, the vote must be a very strong majority of the faculty. Any dissenting votes are taken very seriously, and must be accounted for.  Some departments (and schools) require a unanimous vote.

It is the Chair of the Department who puts the tenure case together and forwards it to the Dean.  At many universities, including my own, the Chair has the power and the right to veto a tenure case and not send it on.  In fact, when I was Chair, I should have vetoed the first tenure case that I handled.  But I was inexperienced and I did not.  What are the considerations here?  It sometimes happens that a department will tenure someone just because they like him/her. The person seems to be a good teacher and a good citizen and the research looks OK so what the heck?   But the Chair can see further and realize that putting a weak case up to the Dean will weaken the department and risk the failure of future tenure cases.  And that is why the Chair has the veto power.

If in fact the Chair decides to send the case ahead, then the Dean and the Dean's tenure committee examine the case.  These are smart people who can quickly get to the heart of the matter and see any weaknesses in a case.  In the hearing with the Department Chair they will ask a lot of hard questions, and they will be tough in their deliberations. In the end, the Tenure Committee makes a recommendation to the Dean and the Dean renders a decision.

The next step is the Provost.  Wherease the Dean and the Dean's Committee will have examined all aspects of the case (including particularly the research), the Provost looks not at the research but at the softer aspects---particulary at the teaching. When I was at Penn State there were a number of scientifically deserving cases that got shot down at the Provost's level because it was perceived that the candidate could not teach.

Finally the case goes before the Board of Trustees and the Chancellor.  In most instances this is a formality. The Board of Trustees consists of businespeople and civic leaders.  They certainly cannot evaluate the scientific merits of a case, and they do not know much about teaching or academic service.  So they generally accept the recommendation of the Provost.

We did have a case at my university about forty-five years ago of a Biology candidate who was a very strong scientist.  He had no trouble getting the tenure mandate from his Department, from the Dean, and from the Provost.  The trouble is that he was a Communist.  He had worked in the sugar fields with Fidel Castro. And the Trustees took umbrage with this situation.  They did not want to give him tenure. In the end the Chancellor stared down the Trustees and said, "If you do not give this man tenure then you will be looking for a new Chancellor.''  And that was the end of that story.

Every university has a Tenure Document that lays out the chapter and verse of what tenure is, how you get it, and how you can lose it. Few faculty members have ever seen this document, but it is available to one and all.  It clearly governs our lives in decisive ways, and we should all become familiar with it.

It is natural to ask what are the criteria for tenure. Most any Tenure Document will tell you that these are research, teaching, and service. And often the veiled implication is that these three factors are weighted equally in a tenure decision. But anyone who has been around universities for a while will know that this is not so. Research counts a lot---often much more than teaching and service. Even at schools where teaching is the primary faculty activity, research plays a notable role in the tenure decision. I am happy to say that, in modern times, teaching is playing an ever more prominent role in tenure decisions (in former times it did not). For instance, a poor teacher simply could not get tenure at my university today. Service plays a small role, but not a very significant one. The reason that research counts so much towards tenure is that the reputation of a university depends not on the quality of its calculus teaching, but rather on the academic profiles and achievements of its faculty.  Harvard and Princeton are not prominent universities because of their teaching, but rather because of the distinguished scholars on their faculties. Lots of people are not very happy with this description of how things are, but it is accurate.

These days, if you go on the Internet and read about tenure, then you will learn that tenure is under close scrutiny, and sometimes even under attack, at many universities.  The general perception is that tenured faculty are not pulling their weight. The perceived "academic risks'' that tenure is supposed to protect against do not really seem to be there. There is at least one public university where they considered changing a faculty member's tenure from "tenure to the university'' to "tenure to the department.'' That way, if the department is eliminated, then the candidate can be fired.  There is another prominent public university where they modified the Tenure Document so that, whereas it formerly read "a faculty member can lose tenure for these specific reasons,'' now it reads "a faculty member can lose tenure for any reason that we are able to cook up.''  There are some prominent medical schools that have eliminated tenure.  In England, Margaret Thatcher completely eliminated tenure at the universities. A British friend of mine got tenure on day N and then lost it, thanks to Thatcher, on day N+1.

There have been some notorious cases in recent years that called tenure into question. Ward Churchill of the University of Colorado achieved instant notoriety by alleging that some of the victims of the 9/11 terrorist attacks were "little Eichmanns.'' There was a great hue and cry against Churchill and in the end he was fired---not for his inflammatory statement, but rather for other academic dishonesty. Lawrence Summers, President of Harvard, got into trouble for asserting that the under-representation of women in science and engineering could be due to a "different availability of aptitude at the high end,'' and less to patterns of discrimination and socialization. He did not lose his tenured position, but he had to resign the Presidency. There are in fact well-known plagiarists who still hold their tenured faculty positions.

In the old days, when a tenure-track position was vacated, there was an understanding with the Dean that certainly that person would be replaced. In particular, if an Assistant Professor did not get tenure, then the department was guaranteed to get the position back---this to ensure that the department would not tenure a weak candidate just to retain the position. Unfortunately, with the infusion of business values into universities, and with the overall atmosphere of budget cuts and belt-tightening, such assurances are no longer in place.

At many schools now (thank God not my school, which is a wealthy private one), there is a tendency to cut down on the number of tenured positions and increase the number of temporary positions (not even postdocs, but rather part-timers). Of course this is done strictly for financial reasons. Because part-timers do not have offices, they do not use staff time, they do not use supplies, they do not have benefits (health insurance, retirement, etc.), and they have a quite low pay scale (in fact they are usually paid by the course).

[The really sad part is that the part-timers are often very good teachers---better than the tenured faculty! This because their teaching activities are the big thing in their lives, and they really want to do a good job.] A result of this is that many American schools are headed towards a European model---where you have a small core of permanent faculty surrounded by an army of temporary faculty. Of course it is the permanent faculty who design and maintain the curriculum and who represent the essence of what the department is about. So they are critical. The part-time faculty contribute very little that is of lasting value; but they ensure that a lot of basic courses that nobody else wants to teach actually get taught.

As a mathematician, I have rarely been in danger of getting myself into trouble for either exploring or voicing dangerous political or social beliefs.  The closest I ever came was when I wrote an (now famous) essay criticizing fractal geometry. While my essay garnered considerable international attention, and while some people disagreed with it vigorously, I can say with confidence that my tenure was never called into question.  And I still have it.

Nowadays a number of universities have put into place a system of post-tenure review.  This means that, every five years or so, tenured faculty are put through the same sort of screening that a tenure candidate experiences:  what has this person been publishing lately, how is his/her teaching, what kind of service has been performed, and so forth?  It is rare that a faculty member will, as a result of such a review, be threatened with loss of tenure. More common is that the faculty member will receive a punitive raise, an increased teaching load, extra service duties, a decrease in amenities, or possibly even a salary reduction.

Some top universities now even give competence exams to tenured faculty. By law they cannot give exams just to the old guys---they have to give the exams to everyone.  So here you are 55 years old and you have to demonstrate that you still know the chain rule and partial fractions.  It is all rather humiliating, and it is not clear how much good it does.

Speaking as a prominent academic who has enjoyed tenure now for 34 years, I can say that I do not think about tenure from day to day.  But it gives me a certain confidence and poise and savoir faire to know that I have this encomium, and that society has given me this blessing. I like to think that I earn my tenure every day, and that I deserve it.  But I also acknowledge that it is a special privelege, and one that we need to keep earning in order to be worthy of it.

11 comentários:

  1. Sem dúvida, uma contribuicao substantiva ao debate, mas seria preciso contrabalancar esse ponto de vista com a "invisibilidade" da base no processo e sua massa de assistentes e adjuntos, uma categoria equivalente ao "fast food" academico, ou, na designacao do sociólogo alemao Robert Kurz, "a nova intelligentsia academica africanizada". Do ponto de vista técnico, sequer uma carreira academica existe na Alemanha. Mesmo a tentativa nos últimos anos de institucionalizar uma "Juniorprofessor" fracassou. A estabilidade como ele mesmo descreve historicamente é uma relíquia, Prof. Sant´Anna, uma categoria de uma Universidade e de uma lógica de producao do conhecimento que nao existe mais e nao deve haver tabu em questoná-la, ou mesmo aboli-la. É um mito também acreditar que ela tenha sido responsável pela era de ouro da Great Science, porque a lógica material que a produziu nas décadas de crescimento evaporou-se no horizonte recessivo desde os anos setenta. Mas quando pensamos na realidade brasileira e em todos os nichos de subculturas nas Humanidades, reitero, naquela "reserva de mercado", falar em establidade é uma alucinacao.Aprendi há trinta anos na USP, durante greves de quatro meses, que "estabilidade", em Humanidades, era o mantra dop proselitismo daquela ADUSP. 30 revolucoes da Terra em torno do Sol, ja na Fisica do Higgs, essas pessoas continuam ensinando o mesmo mingau requentado, nao aprenderam nada, absolutamente nada, menos que o vacuo quantico, alias, regrediram, é inacreditavel, 30 anos depois. Mesmo as constantes universais já mudaram na historia deste universo. Last but not least, nao acho moralmente defensavel, a despeito das credenciais impecaveis do autor, este ponto de vista. Há uma séria questao e desafio moral à Universidade do futuro, Prof. SantÁnna, a saber, a questao sempre recolocada em seu blog de que a verdadeira revolucao de pontos de vista comeca em cada indivíduo, portanto, o corolário implica despedir´se de privilégios, vantagens e de qualquer prerrogativa real ou imaginária, ou mesmo da ideia de que uma carreira academica tenha de ser "atraente", ou mesmo que qualquer grupo ou comunidade academica, mesmo quando logre revolucionar seu setor, esteja fora de qualquer logica de capitalizacao e fora do controle social, além da lógica dos pares. Como já lhe disse, cogita-se já na Alemanha doutorado com prazo de validade por 10 anos. Em outras palavras, precisamos desficcionalizar também a "excelencia" a priori e a aura de santidade do conhecimento em qualquer nível, do CERN, Harvard, Cambridge até as nossas faculdades de Pedagogia na Idade da Pedra e a metodologia das saúvas do Freire.Os dois vídeos abaixo sao o contraponto:
    What's It Like Being An Adjunct College Professor?
    http://www.youtube.com/watch?v=edJQvltkPwY
    Your average college professor earns less than a sanitation worker.....
    http://www.youtube.com/watch?v=WnN6va06eTw

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    1. Caríssimo José

      De fato já percebi a impenetrabilidade de noções elementares de sustentabilidade social na mente da vasta maioria de professores universitários deste país. Minha única esperança (assumindo que tenho alguma) está nos jovens, ainda não contaminados pelo comodismo que assola o Brasil. Mas, realmente, como você aponta, há uma crescente crise no mundo inteiro. A única diferença entre Brasil e nações como Alemanha, EUA e Rússia é que nós jamais tivemos idade áurea alguma. De resto, estamos sendo arrastados pela enchente.

      Em breve retomaremos nosso contato. Você enviou vasto material e ainda não consegui ver os vídeos (incompatibilidade de formato). Mas darei um retorno. Peço apenas um pouco de paciência.

      Grato pelas contribuições acima.

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    2. Caro Professor,
      (Parte 1) Os vídeos estao em formato FLV, podem ser lidos pelo programa VLC Media Player, uma plataforma aberta e segura de aceitacao universal. Mesmo em questoes aparentemente técnicas de pequeno significado, sempre percebemos como a Microsoft é criminosa, pois assim pensa a Uniao Européia num processo de 500 bilhoes de euros a respeito da incompatibilidade deste inofensivo player. 25 anos depois, todos aqueles sonhos democráticos do software aberto e do acesso irrestrito a banco de periodicos pulverizou-se. Professor, eu me esquecera de dizer algo importante, já que minha visao do Brasil está filtrada apenas por dois blogs, o seu e o do Prof. Paulo, mas venho fazendo uma pesquisa já ha um ano, justamente em funcao da odisséia "Axecalíptica" de meu depoimento pesoal, sobre as sauvas do Freire. Eu era completamente "virgem" nesse assunto até ser picado por uma delas. Nunca havia lido na minha vida nada a respeito, pois meu mundo era o "sistema" USP/UNICAMP, centrado exclusivamente em Sao Paulo, mas descobri um pesquisador mineiro, cujo trabalho foi premiado na Inglaterra. Chama-se Gustavo Castanon da Federal de Juiz de Forahttp://quemtemmedodademocracia.com/colunas/non-abbiate-paura/a-educacao-de-mentira/ Entre em contato com ele, será uma enorme contribuicao ao debate.Foi só entao que me ficou claro que a assim chamada metodologia oficial do MEC é inimiga declarada do Sistema da CIencia e de todas as Matemáticas. Estou fora do Brasil há 20 anos, mas, como li nos textos de Castanon, e como pude experimentar na pele de maneira axecalíptica aquilo que esta nos meus depoimentos, percebi qie a queda brutal no PISA e no ranking das 200 universidades tinha a ver , sim, com a década petista no MEC. A Alemanha também, a despeito do abismo que a seprada do Brasil, tambem esta numa encruzilhada e assimila todos os golpes negativos do PISA, como vergonha nacional.

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    3. (Parte 2) O colapso do sistema básico é mundial, mas eu nao sabia, eu nao tinha a menor ideia de que essa metodologia brasileira estivesse em guerra declarada com a Matematica, ou com os fundamentos empíricos da Ciencia Moderna desde Galileu. A questao dos "privilégios" da estabilidade também é tema TABU na ALemanha em funcao da hierarquia medieval. A pressao vem de fora, do mercado de trabalho, da assim chamada "máquina social", o Job Center e o Arbeitsamt, que nao conseguem recolocar os desempregados academicos, depois que os contratos de 2 anos vencem. Sao milhares de academicos na "miséria africanizada", vivendo da ajuda social mínima, porque nao existe carreira academica, sequer do ponto de vista legal, no papel, num sistema federativo com muito mais autonomia que o Brasil. A Alemanha vem tentando repratiar parte de sua nata de pesquisa da América. Muitos retornaram pela Sociedade Planck. Sao essas ilhas que ainda funcionam, como o Genoma da Fapesp, o seu grupo de estudos, mas a Universidade enquanto tal, no seu gigantismo, aqui, nao é mais viavel. A diferenca deste pais maravilhoso chamado Alemanha, 5000 anos-luz no futuro em termos de civilizacao do Brasil, a diferenca é que na Alemanha este tema é discutido a cada dois meses na SPIEGEL! Na Alemanha, impera a racionalidade weberiana e a sobriedade. Eles encaram esta crise como uma questao de seguranca nacional. É o prato principal da TV pública e de todos os midias. Tenho aqui no meu aprtamento mais de 3000 edicoes da Spiegel desde 1994 e a cada 2 meses uma capa e dedicada à derrocada do ensino. A Alemanha se orgulha de forma feroz de seu passado glorioso da Relatividade Gera e da Mecanica Quantica. eles nao aceitam ser nada menos do que isso, mas sabem que a Idade do Ouro acabou, que a America e suas universidades corporativas sao a alternativa para o novo modelo, o tema nunca morre e torna-se cada vez mais dramatico. Nao e como o Brasil, Prof. SantA nnta, nos portais UOL e GLOBO. Por 20 anos, fui "bombardeado" com essa derrocada por aqui e pude testemunhar o desencanto dessa juventude com a "estabilidade" e os priivilégios anacronicos, imorais, diante de quem vive abaixo da linha da pobreza, porque este pais é uma Disneylandia do desemprego tecnologico. Os robos da VW estao no Vale do Paraiba. e em Bratislava. Apenas para finalizar, uma grande amigo meu, doutoradoi em Fisica, perdeu o emprego temporario de assitente depois de 10 anos de renovacoes, quando seu grupo de estudos foi dissolvido e vive num trailer hoje. O Professor Titular lutou com todos os recursos, mas simplesmente nao deu e ele e seus colegas vivem ja ha anos da ajuda social minima. Se eu traduzir o texto do Prof Krantz para ele, posso ate apanhar. Nao existe nenhum blog no Brasil como o seu que queira dar nome aos bois na Torre de Marfim tupiniquim, a Ivory Tower dessa Sibéria tropical, que é uma ilsuao perigosa da qual o mundo civilizado esta se despendido de forma democratica. A campanha americana de 2016 tem como mote: "um cientista na Casa Branca". O Mundo Livre e a civilizacao exigem que a Nova Sociedade do Conhecimento tenham um cientista na Presidencia dos Estados Unidos com a Fisica do higgs e do cilco das revolucoes na Astrofisica ! Nao é mais ficcao cientifica, o mercado de trabalho e o capital corporativo o exigem. um abraco

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    4. Caro José

      Nos últimos dias tenho enfrentado alguns problemas de conexão com internet. Mas tenha certeza de que vou procurar pelo programa VLC para ver os vídeos. Enquanto isso, insisto com sua contribuição para este blog. A perspectiva de um brasileiro morando há tanto tempo na Alemanha é fundamental. Um ex-aluno meu vive e trabalha hoje na Alemanha e enfrenta problemas muito parecidos com aqueles que você relata. Isso ocorre apesar de ele ser realmente brilhante. Há a possibilidade de você fazer uma análise sobre o problema da estabilidade acadêmica na Alemanha? Poderia usar como ponto de partida este excepcional comentário que você escreveu em duas partes.

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    5. Sem dúvida posso confirmar a má situação para os acadêmicos na Alemanha.

      Conheço pelo menos dois pesquisadores alemães de sucesso, que são professores em universidades britânicas de prestígio mas prefeririam estar na Alemanha natal deles - só não estão por simplesmente não haver vagas.

      A situação é parecida no mundo todo mas na Alemanha é talvez um pouquinho pior: os pesquisadores - depois da graduação, do mestrado e do doutorado - passam até doze anos submetidos a uma série de contratos temporários de trabalho, de um ou dois anos normalmente, sempre na incerteza sobre se haverá um próximo contrato em algum lugar ou se se tornarão desempregados. E, depois desses anos todos de uma vida nômade cara e difícil de conciliar com família, a incerteza é ainda maior: não há nenhuma garantia de emprego na academia - pelo contrário até, porque novas posições são raríssimas - e, na indústria, as chances são frequentemente menores que as de um recém graduado, que é mais jovem, mais barato, e não é acadêmico "em excesso"...

      Há no momento uma petição online apelando ao governo por alterações legais que possam melhorar a situação:
      https://www.openpetition.de/petition/online/perspektive-statt-befristung-fuer-mehr-feste-arbeitsplaetze-im-wissenschaftsbereich

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    6. Grande Stafusa

      Era plano meu encaminhar os comentários de Galisi Filho para você. Fico contente que já tenha visto. Historicamente falando, nunca foi uma boa ideia qualquer forma de opressão social sobre o povo alemão.

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    7. Do texto do tal Castañon, que já conhecia por defender o indefensável:

      «Acusa-se às vezes, sem maiores análises, o construtivismo pedagógico e a pedagogia de Paulo Freire como responsáveis pela tragédia educacional brasileira. Mas o que esses acusadores não sabem (ou fingem não saber) é que nos grupos hegemônicos das faculdades de pedagogia não resta nada de Piaget, e de Freire, só a reverência.

      Não, também não é o marxismo. Antes fosse. Se as faculdades de pedagogia tivessem sido tomadas pelo realismo materialista marxista nossas crianças estariam sendo doutrinadas, mas ao menos estariam aprendendo matemática e ciência moderna: física, química, biologia.»

      É muita cara de pau, seria muito bom pra ele e asseclas se as crianças estivessem sendo doutrinadas, e pior que estão...

      Tive o desprazer de pagar 5 disciplinas num centro de educação duma universidade federal e as palavras chaves eram: pedagogia do oprimido, pedagogia da autonomia, luta de classes, educação como prática política, marxismo, anticapitalismo, antiamericanismo etc.

      O que Paulo Freire e seus discípulos do miolo mole deixaram para o país foi a progressão continuada, ciclos, aprovação automática, construtivismo, métodos de alfabetização emburrecedores e muita ideologização...

      Milagrosamente uma única coisa que se aproveita no texto, o desastre que se anuncia na inserção de crianças com necessidades especiais nas turmas regulares, porém esse absurdo é defendido com unhas e dentes apenas pelos que professam da mesma ideologia tacanha, do ódio e da inveja, do autor... quem duvidar é só dá uma olha no perfil dele:

      https://www.facebook.com/gustavoarjacastanon

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  2. Somente para efeitos de comparação, o sr. poderia descrever como funciona o processo de estabilidade nas universidades públicas brasileiras? E nas particulares, alguma delas oferece estabilidade para os docentes ou trabalham somente com contrato temporário?

    Lembro me de uma conversa que tive com um professor da uPenn sobre o assunto. Ele me explicou que após um professor receber estabilidade, em geral não existem muitos mecanismos, oficiais, que garantam que ele continue cumprindo bem as suas funções de pesquisa e ensino. Porém existe uma certa pressão social, na qual outros professores do departamento pressionam todos os docentes a manterem elevados níveis de produção acadêmica. Se por um acaso um professor começa a ter um mau desempenho, o departamento começa a isolar e dificultar a vida desse professor. Dificultando o seu acesso a equipamentos, laboratórios e inserção em grupos de pesquisa.

    É uma espécie de punição imposta pelos próprios colegas: "Já que você tem estabilidade e não podemos te demitir, faremos a tua vida miserável até que você peça demissão". Assim o departamento se "autoprotege" e garante que só os bons professores fiquem na instituição.

    Infelizmente não vejo nada disso acontecer aqui no Brasil...

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    1. Andre

      Sobre estabilidade em universidades brasileiras escrevi um pouco no link abaixo:

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2013/01/universidades-federais-finalmente.html

      Nas universidades privadas brasileiras não existe a cultura da estabilidade, nos moldes do que ocorre nos EUA. No entanto, algumas fazem contratos de tempo integral (algo equivalente à Dedicação Exclusiva das instituições federais). Tais contratos conferem um status especial aos professores que os assinam.

      Com relação à pressão social que você menciona, de fato ela ocorrem nos EUA. Mas nem sempre. E não acho que existam estudos que apontem para a eficiência de tais pressões sociais.

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  3. Muito bom o artigo do Krantz. Na minha opinião é importante reconhecer que os problemas que requerem discussão formam um tensor e não apenas um simples item. A estabilidade certamente faz parte do tensor, achar que resolvendo-a de forma isolada daremos um grande passo para melhorar o sistema é falso e servirá aos interesses menores. A maneira mais simples e direta é usar o exemplos de ídolos, ícones, pessoas que obtiveram o reconhecimento da sociedade pelo trabalho realizado, pelo avanço conquistado. No Brasil, não temos muitos que se destaquem pelo lado acadêmico e também pela liderança. Em Cambridge, a Inglaterra, existe a cadeira do Sir Isaac Newton, atualmente pertencente ao Hawking ... alguma contestação ? Tem outras ... e aqui, aqui temos Bancos ... (trocadilho)

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