domingo, 14 de outubro de 2012

Última Postagem: Sonhos e Frutos



Este blog nasceu em outubro de 2009. Mas somente a partir de novembro de 2011 que ele se tornou mais ativo. As postagens podem ser divididas em três grandes categorias: textos técnicos, depoimentos e críticas. O foco principal é a matemática. No entanto, como esta ciência está intimamente presente em inúmeras manifestações culturais, torna-se inevitável a presença de textos de caráter social. 

Quando este blog começou, eu alimentava a esperança de promover construtivo uso da rede internacional de computadores (internet), a qual permite, em princípio, ampla e acessível conexão com o país e o mundo. No entanto, com o passar do tempo, percebi que ainda existe a forte tendência para a formação de nichos sociais praticamente isolados entre si, mesmo em um mundo no qual a comunicação em tempo real é extremamente facilitada. O sintoma mais claro deste fenômeno de isolamento é o fato de que as postagens mais visualizadas deste blog são aquelas que tratam de eventos acontecidos aqui, em Curitiba, Paraná, mais especificamente na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Alguém poderia criticar esta conclusão, assumindo que a visão retratada nas postagens deste blog se limita à miopia pessoal do próprio administrador. Afinal, o administrador deste site deve conhecer de forma mais detalhada sua realidade local do que aquela que permeia outros cantos deste imenso Brasil, o que é obviamente verdade. No entanto, há sistemáticas críticas aqui veiculadas sobre erros graves de matemática cometidos por autores de livros e apostilas e professores. E tais erros ocorrem em toda a literatura especializada do país e não apenas em Curitiba. Portanto, por que essas postagens não alcançaram popularidade comparável àquelas que tratam de problemas locais da UFPR? A resposta que encontro é o limitado interesse sobre aspectos técnicos ligados à matemática. E essa limitação parece ocorrer até mesmo entre estudantes e professores de matemática. 

Sou do tempo da falecida bitnet, uma rede brasileira de computadores que pretendia ser uma resposta à internet, a qual nasceu décadas antes de sua popularização mundial no início dos anos 1990. Já naquela época era possível perceber essa tendência ao isolamento, mesmo diante de uma rede supostamente mundial de computadores. O próprio facebook, hoje a maior rede social eletrônica do mundo, colabora na formação desses nichos isolados. A proposta original do facebook era a de um clube eletrônico exclusivo entre indivíduos das grandes universidades norte-americanas. E apesar do facebook contar hoje com centenas de milhões de membros, ainda se percebe o aglutinamento de meros nichos sociais isolados, seja por limites geográficos, ideológicos ou de meros interesses pessoais. Dificilmente um usuário de facebook de índole mais voltada a atividades culturais terá contato frequente com aquele cujos interesses pessoais estão mais voltados a encontros íntimos com pessoas do sexo oposto. Ou seja, a formação desses nichos é simplesmente natural. Portanto, o suposto alcance global da internet ainda é algo que transcende nosso egoismo. Afinal, egoísta, por definição, é aquele que não pensa em mim. Esta é a trágica contradição sobre o conceito de egoismo! 

Já observei tanto em alunos como em professores, e mesmo pesquisadores, uma desenvoltura maior para opinar sobre assuntos não técnicos. A maioria das pessoas parece ter uma opinião bem definida sobre o trabalho da Presidente Dilma Rousseff ou sobre as acusações de pedofilia contra o falecido cantor Michael Jackson. A maioria das pessoas consegue discutir detalhadamente sobre a influência de Deus em nossas vidas ou sobre políticas educacionais locais e nacionais. No entanto, essa mesma maioria jamais acompanhou de perto o trabalho de um Presidente da República ou a vida pessoal do autodenominado Rei do Pop. Essa mesma maioria tem a pretensão de opinar sobre Deus sem que seja capaz de distinguir revelação de alucinação. E essa mesma maioria se considera capaz de julgar a respeito de políticas educacionais, sem conhecer de fato o que são atividades genuinamente científicas e culturais. Quando o assunto é técnico, poucos tentam acompanhar. Menos ainda opinam. Mas o fato é que é impossível discutir sobre políticas educacionais sem que se conheça realmente bem os temas da educação. Como criticar educação matemática sem saber matemática profundamente? Como opinar sobre políticas científicas sem conhecer ciência intimamente? 

O que motiva a existência deste blog é um interesse meramente pessoal e, portanto, egoísta. Do ponto de vista racional, não consigo encontrar justificativas para esta iniciativa. É claro que uns poucos frutos foram colhidos por aqui. Contatos importantes e até amizades foram feitas. Pessoas com interesses em comum se conheceram e trocaram ideias. Leitores aprenderam algumas coisas por aqui e eu aprendi muito com diversos desses leitores. Recentemente fiz um apelo para que simpatizantes divulgassem na mídia jornalística a respeito do desperdício de intelectos no Brasil e muitos atenderam a este pedido. Alguns foram até além, sugerindo que eu participasse de programas televisivos. E ainda estamos aguardando os frutos dessas iniciativas, as quais evidentemente não podem parar jamais.

No entanto, um primeiro resultado concreto aconteceu recentemente, após três anos de atividades deste blog. Fui transformado em associado da APUFPR contra a minha vontade. 

Lembram da postagem sobre a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR)? Pois é. Na época aquele texto deixou algumas pessoas bastante irritadas. Basta ver os comentários postados. E, recentemente, por mágica coincidência, abri meu contracheque e lá encontrei um desconto inédito em meu pagamento (após quase 23 anos como professor da UFPR): mensalidade da APUFPR. Aparentemente alguém desta associação ficou suficientemente irritado a ponto de me tornar associado. Ou seja, a própria APUFPR reconhece como um castigo ser membro desta organização sindical. Ainda assim, devo confessar que este tipo de atitude produz um certo cansaço. 

Por um lado, percebe-se que muita gente reclama com propriedade sobre nosso sistema educacional como um todo. Por outro lado, pouca gente percebe que é nos detalhes que reside o verdadeiro mal. Daí a necessidade do envolvimento íntimo com educação e ciência. Ainda encontramos professores que insistem verborragicamente que axiomas não podem ser demonstrados. Ainda encontramos autores que definem seno a partir de uma razão entre medidas de lados de um triângulo retângulo. Ainda encontramos alunos que não demonstram interesse real pelos cursos que realizam. E ainda encontramos órgãos sindicais que agem da mesma maneira maliciosa e ilícita que eles acusam como condutas típicas do Governo Federal. 

Os colaboradores que escreveram textos aqui veiculados são pessoas que já passaram por situações realmente estressantes em seus ambientes de estudo e trabalho. Os leitores que comentam aqui são, em geral, indivíduos com o mesmo perfil: profissionais, estudantes e familiares e amigos de estudantes que lutam quase sozinhos por uma educação melhor, apesar das fortes adversidades. Já vi gente comentando em outros círculos que os depoimentos do superdotado e do Doutor Bolivar Alves são meros exageros, casos muito particulares que não merecem alarde. Essas mesmas pessoas são incapazes de perceber que o ato de pensar com originalidade, por si só, é um evento muito raro, muito particular. E sensibilizar a maioria a partir de um blog como este é, talvez, uma atividade tola. Por isso mesmo postei o Pequeno Tratado da Tolice. Isso porque eu esperava que fosse percebido que todos somos tolos. Afinal, apesar da união tecnológica promovida pelas telecomunicações no mundo todo, ainda somos um mero amontoado de pequenas tribos. Ainda somos socialmente isolados, sozinhos e, portanto, tolos. A própria UFPR, minúscula célula invisível perante o resto do mundo, é um amontoado de tribos. E assim todos navegamos juntos, cada um remando para uma direção diferente.

A única esperança que ainda deposito, nesta fase de minha vida profissional, é sobre os jovens. Não consigo ter fé na maioria dos jovens. Mas consigo ter fé em uma minoria que ainda espero fazer a diferença real em algum futuro distante. Isso porque nosso sistema de hoje é simplesmente podre. Mas ainda é uma podridão que permite, eventualmente, desabrochar pessoas como Newton da Costa, Cesar Lattes, Carlos Chagas, Milton Santos e tantos outros exemplos que temos para seguir. Espero que esses jovens se espelhem nestes exemplos. Se o país não os receber bem, que saiam daqui. Se não quiserem ou não puderem deixar a terra natal, que formem seus próprios nichos, aglutinando aqueles que compartilham dos mesmos sonhos. Isso porque a realidade do isolamento não mudará tão cedo. Mas jamais deixem de investir naquilo em que acreditam. 

Se o jovem buscar por motivos racionais para perseguir seus sonhos, provavelmente desistirá muito cedo. O melhor a fazer é admitir que apenas a paixão pelo conhecimento justifica a sua busca. Em geral, a recompensa é meramente pessoal. Ainda assim, mais vale a pena viver lutando do que se entregar à mera satisfação com tão pouco. Carro na garagem e casa na praia não são sonhos que valem a pena. O único sonho que vale a pena é aquele que podemos olhar para trás, em nosso último suspiro nesta terra, e ainda sentir que valeu a pena. Geralmente este tipo de sonho não é alcançado. Porém, mais vale a pena seguir a estrada do que parar na primeira zona de conforto que encontramos. 

O papel das universidades federais no desenvolvimento da nação é fundamental. Aquilo que as universidades federais realizam ou deixam de realizar se reflete nos ensinos fundamental e médio e até mesmo nas universidades privadas. Por isso, faço mais um apelo estratégico aos jovens que estudam em instituições federais de ensino superior: colem na parede, logo acima da lousa de sua sala de aula, um cartaz com a seguinte frase: "Este professor tem seu emprego garantido, independentemente da qualidade de suas aulas." Este cartaz deve ser literalmente colado e legível para todos que estiverem na sala. Se alguém conseguir retirar, cole novamente. É de gota em gota que se derruba a barragem. Ainda que seu professor seja substituto, não há problema. A maioria dos docentes das instituições federais é concursada. E esses docentes morrem de medo de perder a tal da estabilidade.

Não postarei mais textos neste blog enquanto eu não receber fotos desses cartazes. Meu e-mail pode ser encontrado no topo da página.
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Poucos minutos após a publicação desta postagem, Aline Pêgas Pereira concebeu a imagem abaixo. Incentivo a todos que esta imagem seja divulgada em todas as redes sociais. 

22 comentários:

  1. Professor Adonai, alguns anos atras, nas eleições do lugar onde estudo, os alunos colaram cartazes em todas as salas contra o atual diretor ditador.... Logo após o termino da eleição(q fora totalmente ilegal) as portas das salas de aula apareceram todas trancadas a chave...

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    1. Portanto, esse tipo de atitude pode surtir efeitos práticos. A chave é a insistência.

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    2. Então, cole na porta que foi fechada.

      Colem em todos os lugares. Ponham nos murais. Exijam o respeito de se expressar e, principalmente, de pensar.

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  2. A garantia de emprego é uma necessidade para que os professores em todos os níveis possam expressar suas ideias sem sofrer punições (como a perda do emprego). É para o bem e para o mal pois muita gente ruim se cria e se beneficia desta situação. Mas vale lembrar que grande parte do magistério é dedicada e muito comprometida com seu oficio e seus alunos.

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    1. Solange

      Este medo de perseguições é um fenômeno inerentemente latino-americano, herança de instabilidades políticas de nosso passado não muito distante. Em nenhuma das nações que se destaca internacionalmente em termos de qualidade de ensino existe a tal da estabilidade. É por isso que existe o poder judiciário. O fim da estabilidade provavelmente provocaria uma avalanche de processos na justiça, o que obrigaria este poder a se tornar mais moderno, ágil e confiável. Caso contrário, haverá desobediência civil em massa. Se não começarmos a mudar de verdade, jamais cresceremos como sociedade. A cada dia que passa estamos ficando cada vez mais para trás em relação ao mundo desenvolvido.

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    2. Concordo que a estabilidade é retrograda, mas sei de fonte segura que muitas colegas só não passaram maus bocados em suas carreiras por estarem amparadas pela estabilidade, sei também de uma colega que se "rebelou" contra as posturas de um certo secretário de educação e foi posta na "geladeira" durante anos, nem em concurso de remoção ela passava, tinha indeferimentos em coisas que eram direitos já conquistados como a licença premio. A queda da estabilidade virá e será benéfica, mas junto com ela teremos que ter outras medidas de proteção para garantir nosso sagrado direito ao trabalho. Não tenho o benefício de conhecer outras realidades, jamais saí do Brasil, mas acho que antes de perdermos nossa estabilidade seria de bom tamanho que toda sociedade olhasse para a educação e visse a escola, principalmente dos pequenos, não como um depósito de crianças, mas como um caminho de real emancipação social, política, pessoal e econômica. No país da bolsa família, a criança só tem ido pra escola pra não perder o benefício, a escola está desacreditada, mas não creio que seja por causa da nossa estabilidade funcional e sim pela total irresponsabilidade de quem detém o poder que usa essas artimanhas chamadas bolsas para dizer que indo na escola, estudar está fora de questão, o dinheiro vem. Tenho percebido que o dinheiro das bolsas está indo direto pra mão dos traficantes e vendedores de cachaça nos "butiquins" dos guetos que se tornaram nossa vila pobres e sem assistência. Acabar com nossa estabilidade pode e deve acontecer mas tem muita coisa que deve vir antes para que isso não vire o calvário de um magistério trabalhador e incansável nas vilas sofridas desse país de desigualdades.

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    3. Solange

      Seu argumento se aplica à iniciativa privada? Na iniciativa privada não existe estabilidade irrestrita.

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  3. Eu também não sou associado à APUFPR e tive igualmente um desconto no meu contracheque. Fui à sede da entidade, entreguei uma carta solicitando a devolução do dinheiro e, depois de algumas semanas de espera, recebi de volta. Embora esteja escrito "mensalidade" no contracheque, trata-se de uma contribuição ao tal "fundo de greve" (foi a terceira vez que fizeram isso comigo). Os associados se reúnem, decidem descontar dinheiro do nosso salário e a PROGEPE faz o desconto sem nem ao menos nos consultar... Francamente!

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    1. Luis Diniz

      Então a situação é pior ainda. Já passei por várias greves da UFPR, enquanto professor. Esta foi a primeira vez que ocorreu tal desconto. A vida política da UFPR é dominada por gente que pensa de maneira realmente medíocre e covarde.

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  4. "Legitimate Power in Society

    No society can function as a society unless
    the decisive social power is legitimate.

    Legitimate power stems from the same basic belief of society regarding
    man’s nature and fulfillment on which the individual’s social status
    and function rest. Indeed legitimate power can be defined as rulership that finds its justification in the basic ethos of society. In every society there are many powers that have nothing to do with such a principle, and institutions that in no way are either designed or devoted to its fulfillment. In other words, there are always a great many “unfree” institutions in a free society, a great many inequalities in an equal society, and a great many sinners among the saints. But as long as the decisive social power that we call rulership is based upon the claim of freedom, equality, or saintliness, and is exercised through institutions that are designed toward the fulfillment of these ideal purposes, society can function as a free, equal, or saintly society.
    For its institutional structure is one of legitimate power.

    action point: Think about the problem of creating legitimate power in
    Iraq after the fall of Saddam Hussein. What “unfree” institutions are likely to remain? What inequalities are likely to persist once legitimate power is established?"

    -Peter F. Drucker

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  5. Já temos duas fotos de um colaborador. Precisamos de mais.

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  6. É uma pena que cogita parar de postar textos. Acho que a crença de que cada um deve fazer sua parte, ainda que os resultados obtidos não sejam sobremodo expressivos de um ponto de vista mais amplo, é uma boa justificativa (racional?) para o seu trabalho. Cito a mim mesmo como exemplo. Não entrarei em detalhes, mas posso dizer que a contribuição que seus textos me deram e estão dando para minha formação é realmente significativa.

    Não estudo em federal, mas creio que suas críticas se adequam a todas as públicas (inclusive a minha). Mas infelizmente, apesar da vontade, jamais colocaria uma placa destas na minha sala de aula. Talvez você concorde que alunos que batem de frente com professores medíocres/ignorantes/incompetentes tendem a se dar mal (apenas um exemplo: este ano alguns alunos resolveram expor as opiniões deles sobre um assunto bem delicado e isso andou incomodando algumas pessoas do departamento. O resultado é que hoje, na classe dos envolvidos, estão quase todos reprovados em determinada disciplina. Talvez seja só coincidência...).

    É claro que esta placa não seria uma acusação explícita, pois só atingiria quem, digamos assim, conseguisse "vestir a carapuça". Mas a mim, sinceramente, falta coragem. A propósito gostaria de perguntar se na sua época de estudante o sr. se preocupou com estas questões da qualidade das instituições e tentou enfrentar o mal como sugere para os jovens fazerem hoje.

    PS: o 11º parágrafo me motivou bastante!

    AAnooniimoo

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  7. AAnooniimoo

    Pode crer que entendo perfeitamente bem a sua preocupação e não o reprovo. No entanto, é fato que o Brasil é um país no qual muito se reclama e pouco se faz a respeito. A possibilidade de eu agir como uma espécie de Dom Quixote a combater moinhos de vento não soa agradável. É claro que na qualidade de professor de universidade federal tenho muito menos a perder do que um aluno, o qual está sujeito aos caprichos de professores mesquinhos e covardes. Mesmo assim, o que peço nesta postagem é algo que não demanda tanto risco. Basta o aluno ser cauteloso. É muito fácil descobrir os melhores horários para colocar tais cartazes.

    Quanto à sua pergunta, a resposta é sim. Fiz muito pouco em termos de ações efetivas contra o sistema educacional, até porque os colegas que queriam realmente se manifestar estavam mais preocupados com passeatas. E nunca gostei de passeatas. Considero esse tipo de movimento ridículo. Tanto é verdade que apenas uma vez participei de um movimento dessa natureza. Foi uma passeata em branco, com cartazes em branco e panfletos em branco. Chegou a ser noticiada na televisão.

    Mas cito um exemplo. Em meu primeiro ano de graduação houve reprovação em massa em uma das disciplinas. Fui aprovado, mas a maioria de meus colegas ficou com média baixíssima. Os alunos se revoltaram contra o professor, indo reclamar na Coordenação do Curso. Como eu percebi que aquele docente era realmente incompetente como profissional do ensino, juntei-me aos colegas para apoiá-los. Se bem lembro, fui o único aprovado na disciplina que fez isso. Reconheço que é pouco. Mas na época não contávamos com liderança inteligente alguma. Procurei contato com centros acadêmicos e até mesmo com o DCE. No entanto, o DCE era dominado por figuras realmente limitadas.

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    1. Em face do que disse me ocorreram mais duas perguntas:

      - será que se o sr. tivesse se preocupado mais com questões educacionais em vez de com a ciência propriamente dita, teria chegado a fazer pós-doutorado em universidade estrangeira?

      - será que se o sr. não usufruísse da tão criticada estabilidade profissional (ou seja, consciência de que nada do que diga fará com que perca o emprego), ousaria fazer tão pesadas críticas ao sistema (as quais, por certo, incomodam muita gente)?

      AAnooniimoo

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    2. AAnooniimoo

      1) Perguntas do tipo "e se..." são meros exercícios de futilidade. Parecem com meras desculpas para justificar a falta de ação dos jovens de hoje.

      2) Participei ativamente de certas manobras políticas em meus tempos de graduação que lamentavelmente não posso discutir aqui. Da mesma maneira, há muitas informações que tenho à minha disposição que mesmo hoje não posso expor, envolvendo certas unidades da UFPR. Isso porque os bastidores da universidade são muito mais complexos do que usualmente se pensa. Pode parecer estranho para você, mas certas atividades ilícitas ainda conseguem se sustentar justamente pelo bem comum que geram à sociedade. A maioria das pessoas não percebe isso justamente porque jamais vivenciou os bastidores de grandes instituições.

      3) Se deseja um exemplo vivo de que falta de estabilidade não é desculpa para covardia, este exemplo virá em breve neste mesmo blog. Já encomendei uma postagem especial que será divulgada em breve aqui, vindo de alguém que jamais contou a tal da estabilidade.

      4) A busca por justificativas externas para o próprio medo é um ato de desespero, para dizer o mínimo.

      5) Admito que fiz pouco e admito que ainda faço pouco. Mas e os demais? O que fazem? E você? O que você faz, além de se manter no anonimato?

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    3. A postagem prometida já está no ar, a partir de hoje mesmo. Decidi também não permitir mais comentários anônimos. Chega de tanto medo!

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  8. Concordo plenamente e apenas tenho uma certeza: caso se queira tomar medidas contra irão demitir os que prestam.

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    1. Anônimo

      É claro que uma mudança radical inevitavelmente produziria injustiças radicais. Mas tais injustiças teriam uma resposta muito mais rápida e eficiente do que a inércia hoje existente, que nada de bom produzirá em futuro algum. Por que este povo é tão covarde?

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  9. Quem explica a situação das nossas universidades públicas é um experimento já realizado que consistiu em introduzir um grupo de macacos em habitat com dois montes de bananas, sendo um de boas e outro só dessas já podres. E toda vez que algum se dirigia para as bananas boas levava um banho de água gelada até desistir e ir comer das podres. Quando todo não mais se dirigia para as bananas boas era introduzido um novo grupo e quando algum do novo se dirigia para o monte de bananas boas os demais lhe davam uma sorva, e a paz no grupo era atingida quando nenhum fazia mais isso, coisa que rapidamente acontecia. Depois disso, só depois da décima geração é que algum conseguia comer alguma banana boa sem apanhar muito.

    Dito isso, a ditadura tinha um drama: não queria educação de qualidade para o povo e precisava, ante suas propagandas de progresso tecnológico, de doutores/pesquisadores. Para tanto, tomou empréstimos bilionários no exterior e fez dois investimentos:
    1 - para o povo uma coisa chamada Mobral, que consistia de cartilha e o docente podia ser qualquer que que soubesse ler, pois o povão só precisa saber o essencial para escrever o próprio nome e pegar ônibus, porquanto, coisa de custo quase zero.

    2 – Para a elite, já que o diploma daria acesso aos altos cargos, e atender os seus propósitos em tecnologia investiu em universidade pública. E foram logo duas no mesmo corpo: uma de graduação sob o auspício leniente do MEC (lembro que o importante era diploma e não o saber) e outra em pós na tutela do CNPq/Capes/MCT com investimento, bolsa para aluno e pagamento extra para docente, e processos razoáveis de acompanhamento de desempenho.

    Como essas duas partes se equacionam, no geral, é da seguinte forma: para produzir em condições de atender pós, 10% de cada turma de ingressante já uma produtividade estupenda. E nisso, a graduação das públicas sempre foram soberbas. Pois, somos a nação que mais diploma em doutorado no mundo. Nesse tocante USP é o carro chefe, reconhecida mundialmente como a que mais diploma em doutorado e em todo curso deste há gente de várias públicas.
    E que acontece com os 90% restantes de cada turma? Vira lixo acadêmico. Mas... não é disso que se vai produzir docente para a escola básica? Desde de quanto a ditadura quis isso? Um jato de água fria que essa jogou em todos foi para destruir o mínimo do que compõe formação docente quebrando preceitos essenciais disto: isolando-os e criando a imbecilidade de ser possível diplomar numa área um sujeito que sabe tudo. Ou seja, o processo de diploma docente leva o sujeito a desenvolver até preconceitos contra as demais outras áreas - caso até de briga pelos corredores entre licenciandos de cursos diferentes, porquanto, quando estiverem na escola não vão interagirem-, além de leva-los acreditar a graduação lhe deu tudo que precisava por toda vida de docente, porquanto, nunca mais precisarão aprender mais nada, não vão quere mais de fato e, no máximo, apenas tirar mais diploma para ter aumento de salário.

    Por que isso explode com rede pública e deixa rede privada quase salva, pelos menos em condições de faturar um pouco? Quem tiver interesse em ensinar na rede privada vai estudando por fora e essas mesmas oferecem estágios, quase sempre não remunerado, para os que essas acharem com algum rendimento razoável.

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    1. Anônimo

      Sua visão é clara e sóbria. Lamentavelmente clareza e sobriedade induzem à desesperança.

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  10. Prezado Adonai,

    Meu nome é Américo Augusto Nogueira Vieira (estou na base Lattes - UFPR/UFPB) e também tenho interesses bastantes convergentes aos seus (já ouvi alguns professores de Filosofia da UFPR muito te elogiarem - já lecionei Lógica para ali a convite do Breno).

    Tenho interesse em conhecer vários de seus artigos e capítulos de livros (o que é definição o que é axioma, etc.). Se puderes fornecer os links (isso facilitaria muito vir a conhecer melhor seu trabalho - li somente sua "história/desventura na Biologia")


    Este mês serão publicados dois artigos meus (um sobre o ensino de Cálculo e a percepção de Berkeley sobre a "nova matemática" em 1730, e o outro sobre o violações de direitos de propriedade intelectual no Brasil a respeito da Lei do Software). Mantenho uma rede de parceiros brasileiros pesquisadores sendo um destes outro Professor da UFPR (como eu Ex-COPPE/UFRJ - mestrado e doutorado - e também docente na UFPR).

    Não sei se você está ou não interessado em verificar a possibilidade de ampliar suas parcerias (o colega da UFPR mencionado está animado e já comprou passagens para JP agora em agosto para combinarmos pessoalmente sobre um livro de Lógica, Teoria dos Conjuntos, e Probabilidade). Seria um livro básico de "Fundamentos", porém voltado para uma formação em Estatística e não a sequência Cálculo/Eq. Dif. (que, no meu tempo de estudante, era o caminho mais usual nos departamentos de Matemática Aplicada). Caso verifique um mínimo de interesse de sua parte em me conhecer um pouco mais, então vou te dar um e-mail provisório (americo_uepb@yahoo.com.br); depois te dou o que eu uso diariamente (não gosto de publicizar na rede - não tenho facebook).


    De qualquer forma (retornando ou não) um sincero abraço e meus parabéns por nunca desistires!


    Américo Vieira

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    1. Américo

      Grato pelo contato. Será um prazer conversarmos por email.

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