quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Cultura do Medo


Na edição deste mês de Scientific American Brasil foi publicado um artigo sobre a Polyteck. Enquanto eu negociava com Ulisses Capozzoli (editor da revista) sobre minha proposta e redigia o texto, pedi para Laïs Marcelino (pronuncia-se Laís), estudante de artes visuais, fotografar a equipe Polyteck. A sessão de fotos foi feita com dois meses de antecedência, no campus Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná. Uma das fotos foi selecionada e publicada junto com o artigo. 

Pois bem. Neste mesmo mês de abril Lais Marcelino foi vítima de um assalto. E nesta postagem discuto sobre a cultura do medo em nosso país, usando este sádico evento criminoso como gancho para a discussão.

Na madrugada do dia treze deste mês Lais participou de uma festa. Às cinco horas e quarenta minutos da manhã do mesmo dia ela voltava para o apartamento onde vive com os pais, acompanhada de uma amiga. Já em frente ao prédio onde mora, ambas foram abordadas por um homem alto, com cerca de trinta anos. Ele se colocou no caminho das duas e, abrindo a jaqueta, exibiu um objeto preto, alegando que era uma arma. Em seguida, o homem anunciou, falando em tom baixo e com muita calma: "Isso é um assalto."

Lais reagiu e foi fortemente agredida no rosto diversas vezes. Segundo ela, o assaltante demonstrava prazer ao agredi-la. Em seguida um segundo homem surgiu por trás, o qual tentava examinar o que havia na bolsa de Lais. A amiga rapidamente colaborou com os assaltantes, entregando telefone celular e dinheiro. Chegou então um terceiro homem. Os três tinham a mesma faixa etária. Lais e amiga estavam cercadas por três assaltantes, a dez passos de casa.

O porteiro do prédio onde Lais mora estava dormindo na portaria. Do outro lado da rua havia um posto da polícia militar. Mas estava fechado. Segundo uma moradora da região, aquele posto abre somente às nove horas da manhã, por motivos de segurança. 

O primeiro homem era claramente o mais agressivo e sádico. Ele queria que as duas os acompanhassem para longe daquele lugar. Em um dado momento, Lais gritou pelo nome do porteiro. Este acordou e correu na direção delas. Os três assaltantes fugiram, levando dois telefones celulares e quatro reais. 

O porteiro imediatamente telefonou para a polícia militar, a qual apareceu uma hora depois. Isso tudo ocorreu no Batel, um bairro de classe média de Curitiba, muito próximo do centro da cidade. 

Enquanto Lais e amiga aguardavam pela polícia no apartamento, os pais da primeira estavam muito preocupados. O pai queria perseguir os assaltantes. A mãe estava angustiada.

Quando a viatura policial finalmente chegou, os dois policiais militares não desceram do carro. Ficaram apenas esperando, enquanto olhavam para o prédio. O porteiro avisou Lais, por interfone, que havia uma viatura do outro lado da rua. Ela desceu, acompanhada da amiga. 

Apenas Lais prestou depoimento. Ela teve que se agachar ao lado da viatura, pois os policiais se recusavam a sair do carro. O Boletim de Ocorrência foi preenchido em quinze minutos. O evento todo foi descrito em cinco linhas, com uma caligrafia graúda. [Posteriormente Lais soube que uma via do Boletim de Ocorrência ficaria disponível para ela em cinco dias úteis. Cinco dias úteis para emitir um documento de cinco linhas.]


Quando o pai de Lais apareceu, os policiais finalmente desceram da viatura. Neste momento eles foram atenciosos. Segundo Lais, um dos policiais disse algo como "Curitiba está complicada. Sei que vocês são jovens e gostam de se divertir. Mas nunca voltem sozinhas. Peça para os pais buscarem vocês. Há casos de velhinhas que são cegadas, moças que são estupradas, pessoas que são aleijadas." 

A reação imediata da amiga e dos pais de Lais foi simplesmente concordarem com o policial. A mãe chegou a afirmar que a filha nem deveria ter saído de casa. 

A amiga de Lais sentia tanta vergonha que sequer queria conversar com policial algum. Isso porque ela usava um vestido com decote e estava fortemente maquiada. Certamente ela sabia que, nestas condições, sua credibilidade seria afetada. 

Lais não se conformou com essas reações. Afinal, os culpados eram os assaltantes e não elas! 

Posteriormente Lais conseguiu convencer os pais e a amiga de que elas não tinham motivo para vergonha alguma. Mas a reação imediata dessas pessoas, bem como dos policiais, demonstra claramente o absoluto domínio da cultura do medo em nosso país. 

Este é um blog focado em educação, com especial ênfase em matemática. No entanto, como estudar matemática em uma nação na qual as pessoas são reféns do medo? 

Janelas de residências em nosso país são cobertas por grades. Alarmes e cercas eletrificadas fazem parte do cotidiano. Em um país com impostos tão altos, não temos educação, nem saúde, nem justiça e nem segurança. 

É claro que este discurso já foi repetido milhares de vezes em milhares de veículos ao longo de milhares de ocasiões. Mas a cultura brasileira de se submeter ao medo todos os dias certamente alimenta a ineficiência dos serviços públicos.

Se não existe segurança em nossas ruas, isso não é culpa apenas de governos e da polícia. A culpa é também de todos aqueles que se submetem a este sistema. Se não existe educação de elevado padrão, isso é culpa de todos aqueles que não exigem nada melhor. Se não existe saúde pública de qualidade, isso é culpa de todos nós. Se não existe justiça, que façamos a justiça!

Lais reagiu. Sua reação poderia ter-lhe custado a vida. Mas ela reagiu! Ela não aceitou! E admirável é aquele que não se curva diante do medo. O Brasil precisa reagir. O Brasil precisa reagir. O Brasil precisa reagir.

Se o povo brasileiro, como um todo, não reagir de forma drástica contra a cultura do medo, continuaremos a contar com serviços públicos inaceitáveis para qualquer padrão civilizado. Afinal, vale observar que muitas horas depois do assalto a Lais, uma segunda viatura policial chegou à sua residência. Outros dois policiais militares, completamente desinformados, queriam registrar o Boletim de Ocorrência. Tarde demais.

30 comentários:

  1. A reação da Lais poderia ter resultado em morte. Entendo que reagir é necessário, mas a que preço? Viramos reféns de bandidos e da conivência da polícia que não quer se arriscar ou mesmo se incomodar (ao menos a descer da viatura e prestar um serviço menos porco!). Estamos perdidos e sem esperança. E viva a Copa do Mundo.

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    1. Adriane

      É muito mais fácil ensinar matemática a uma pessoa do que mudar seu espírito, sua índole. Uma das piores fraquezas do brasileiro é a covardia. E covardia não justifica vida.

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  2. Especificamente nesta situação, sinto discordar de vc Adonai.

    A reação dela foi super hiper perigosa e, como vc mesmo disse, ter-lhe custado a vida!!!!!!!!!

    Quando a vida da pessoa está em jogo, honestamente não consigo visualizar a atitude da reação como algo admirável, mas sim como, no mínimo, imprudente!!!!!!!!!

    Ao meu ver, nada vale mais do que uma vida, mesmo que de alguma forma isso representasse um esforço nobre para mudar a cultura de um país, esforço este que poderia ser em vão e em nada resultar para melhor!!!!!!!!

    Quando se trata de vida (ainda mais se for a minha) sou egoísta ao extremo: dane-se tudo, pois prefiro ser um covarde vivo do que um herói morto!!!!!!!!

    Inclusive, não vejo glória alguma na atitude de pessoas que literalmente morrem por um ideal. Isso, ao meu ver, significa desperdiçar a vida em vão!!!!!!!!

    Entretanto, em outras questões que não envolvem risco de morte, concordo plenamente contigo!!!!!!!!

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    1. Leandro

      Sua crença é compartilhada pela maioria das pessoas deste país.

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  3. Pois é, basta olhar as estatísticas para saber que reagir a um assalto é má ideia. Incentivar as pessoas a fazê-lo chega a ser irresponsável. Além disso, se a população em massa seguisse o conselho, a reação dos bandidos poderia ser jogar seguro e matar primeiro e perguntar depois.
    Concretamente, Adonai, como você sugere que as pessoas reajam à falta de segurança?

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    1. Caro Stafusa

      Certamente não podemos usar estatísticas para justificar certas ações individuais. Estatísticas espelham ações normais, usuais. Sua opinião pode ser válida em um país civilizado, no qual existam polícia e justiça eficientes. Mas não no Brasil. Sem ações reais e violentas da população, não vejo outra forma de vencer a inércia da incompetência e da falta de empatia de governos com o povo.

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    2. Claro que estatísticas ajudam o indivíduo a tomar decisões: se eu sei que dirigir bêbado aumenta (estatisticamente, em média) em muito minhas chances de sofrer um acidente, é perfeitamente justificável levar essa informação em conta e pegar um táxi.
      Antes das pessoas decidirem pegar em armas e reagir a assaltos, é bom que elas saibam que, em média, enquanto 1 a cada 668 vítimas de assalto acabam mortas quando não reagem, o número sobe para 1 em cada 4 quando há reação [ http://veja.abril.com.br/especiais/seguranca/p_040.html ]. Metade dos que reagem com armas a assaltos acabam seriamente feridos - sem reagir, isso só acontece em 1% dos casos.
      Mas minha impressão, também de outras postagens suas, é que você não está exatamente sugerindo que as pessoas reajam a assaltos, mas sim que acredita que uma revolução (violenta) poderia resolver a situação. Me parece uma crença excessivamente otimista. O país já passou por algumas revoluções violentas, e a mediocridade nunca deixou de imperar. Deve haver jeito sim, mas não vejo porque não possa ser pacífico.

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    3. Stafusa

      Com relação ao primeiro parágrafo de seu último comentário, apenas reforço o emprego da expressão:"não podemos usar estatísticas para justificar *certas* ações individuais."

      Com relação ao seu segundo parágrafo, é possível que você tenha razão ao afirmar que revolução alguma mudaria o quadro de mediocridade. Mas é a única alternativa que consigo perceber, por uma série de motivos que ainda não apresentei aqui. Resolução pacífica? Infelizmente não acredito, levando em conta a atual inércia. O sistema se tornou realmente enorme e impenetrável. Mas, é claro, estou pensando somente em soluções a curto e médio prazo.

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    4. Adonai


      Não sou contra uma reação popular violenta, ao contrário da impressão que possa ter sido passada em minha postagem.

      Só penso que *individualmente* seria perigoso demais e arriscaria a vida de modo praticamente em vão!!!!!!!

      Agora, é claro, se houvesse uma reação violenta *em grupo*, nas quais a chance de sair ferido (ou morto) fossem mínimas, naturalmente eu reagiria em conjunto, com chutes, socos e pontapés!!!!!!!!

      A vida é uma só e vale muito, Adonai.

      Que sentido tem reagir e, de repente, acabar morto?????

      Se for para dar uma de justiceiro, que seja num grupo de pelo menos vinte pessoas, e não sozinho!!!!!!!!!

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    5. Leandro

      A questão é o escopo de sua avaliação. Como desejamos ser lembrados, uma vez que cedo ou tarde todos morreremos?

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    6. "O frouxo unido, jamais será um indivíduo" Lobão

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  4. Para que quiser ler, assistir e refletir...

    «Por que a esquerda gosta tanto de assassinos?

    O coletivismo da esquerda ignora vidas humanas como a de Victor Hugo Deppman. Mas pessoas como Sakamoto se consideram defensoras dos direitos humanos.»

    http://www.implicante.org/artigos/por-que-a-esquerda-gosta-tanto-de-assassinos/


    «A esquerda e a criminalidade: dois pesos, duas medidas, um método

    O discurso da esquerda culpa a desigualdade social pela violência. Mas quem podem culpar quando o assassinado não é rico, ou é da mesma classe do assassino?»

    http://www.implicante.org/artigos/a-esquerda-e-a-criminalidade-dois-pesos-duas-medidas-um-metodo/


    Não se pode esperar que o Estado seja onisciente, onipresente e onipotente, senão o mesmo se torna uma ditadura totalitária... é pra onde se está caminhando com o desarmamento do cidadão de bem enquanto a bandidagem faz a festa e ainda ganha regalais atrás de regalias...


    «A ESQUERDA CONSEGUIU: BANDIDO SOLTO, POLÍCIA AMARRADA»

    http://youtu.be/QK2-lcy9Qr4


    «PELO DIREITO DE ANDAR ARMADO E PROTEGER MINHA VIDA»

    http://youtu.be/kc-BwId1OiQ


    «Convidado fala sobre a posse das armas de fogo no Brasil

    Bene Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil fala sobre as armas de fogo. Segundo ele, a grande maioria das armas e munições são contrabandeadas.»

    http://videos.r7.com/convidado-fala-sobre-a-posse-das-armas-de-fogo-no-brasil/idmedia/50b94eccfc9b5a0dcfc1fc6d.html


    «Fogo cruzado: saiba como agir no meio de um tiroteio»

    http://noticias.r7.com/fala-brasil/videos/fogo-cruzado-saiba-como-agir-no-meio-de-um-tiroteio-11042014


    A população (que não é bandida!) quer uma coisa, enquanto o establishment quer outra...

    «Referendo 2005

    O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?

    Apuração realizada no TSE até as 10h29min do dia 25 de outubro de 2005

    Resultado Nacional

    Não: 59.109.265 (63,94%)
    Sim: 33.333.045 (36,06%)
    Em branco: 1.329.207 (1,39%)
    Nulos: 1.604.307 (1,68%)
    Comparecimento: 95.375.824 (78,15%)
    Abstenção 26.666.791 (21,85%)»

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Referendo_no_Brasil_em_2005

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    1. "O discurso da esquerda culpa a desigualdade social pela violência. Mas quem podem culpar quando o assassinado não é rico, ou é da mesma classe do assassino?"

      Este argumento (que você caricaturou) não é apenas defendido pela "esquerda".
      As pessoas são produtos do ambiente onde se desenvolvem. Alguém que nasceu em uma favela nos anos 80 é diferente de alguém que nasceu em um bairro de classe média na mesma época. A educação não é a mesma, as influencias não são as mesmas e as oportunidades também são diferentes.
      Será que ao julgarmos alguém não devemos considerar estes fatores?

      O fato de "pobre" assassinar um "pobre" não refuta este argumento pois o argumento diz que todos os valores do indivíduo são afetados pelo ambiente.
      Será que este argumento explica todo o mal no mundo? Não, devem existir outros motivos, mas como saber se alguém é bandido por desigualdade ou por "safadeza"? Não dá para saber, outro motivo para defendermos os direitos humanos, dessa forma não cometemos mais injustiças.

      Devemos parar de classificar as pessoas em "direita" e "esquerda" pois estes termos são muito redutores. Se nos pautássemos apenas por eles Rawls estaria no mesmo grupo de Stalin e Nozick no mesmo grupo de Pinochet.

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    2. Não em milhões de mortes...

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  5. Adonai me conhece há anos e sabe que eu sempre reagi nas 5 ou 6 tentativas de assalto ou roubo. Sempre levei "bronca" dos policiais por reagir. Mas é algo instintivo MEU. Não sei se reflexo da época do tae kwon do ou se apenas meu jeito de ser. Nunca consegui controlar a indignação. E já avisei diversas vezes a minha família. Prefiro morrer lutando do que ficar depois chorando que fui estuprada ou outra coisa qualquer. Não recomendo a ninguém, mas sei que vou continuar reagindo. Há muito que nada me acontece porque estou SEMPRE observando o que há ao redor. Mas também sei que continuarei reagindo.

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    1. Susan

      Para poder reagir a um assalto com segurança, a pessoa precisa ter muito sangue frio, segurança, confiança e, principalmente, habilidade para poder agir!!!!!!!!!

      Talvez com tais qualidades, o risco de ser abatido seja reduzido bastante.

      Entretanto, este não é o caso meu e de grande parcela da população!!!!!!!!

      Talvez por isso as recomendações de não se reagir a um assalto, dadas as estatísticas!!!!!!!!!

      Provavelmente, se eu tivesse algum treinamento, preparo especial, segurança, etc, quem sabe o impulso de reagir me fizesse tomar uma iniciativa num momento de assalto!!!!!!!!

      No entanto, se analiso a situação e vejo que minhas chances podem ser pequenas, naturalmente prefiro não arriscar!!!!!!!!!

      Entendo que vc seja assim e prefira morrer lutando, mas quanto a MIM, honestamente amo demais minha vida e tenho apego DEMAIS a ela para tentar algo do gênero!!!!!!!!!

      Meu apego à minha vida é tamanho que, para vc ter uma ideia, quando me perguntam se quero ser enterrado ou cremado, digo que gostaria de ser congelado a uma temperatura menor do que -196ºC, em nitrogênio líquido, para conservar o meu corpo, na esperança de que em algum futuro distante, descubram como reviver alguém que tenha seus tecidos razoavelmente conservados para poder trazê-lo de volta!!!!!!!!

      Gosto tanto da minha vida que, se houvesse uma chance mínima de viver milhares de anos, lutaria com todas as forças e potencial para conseguir isso!!!!!!!!!

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  6. Se pelo menos eu tivesse 2 vidas, quem sabe arriscaria uma delas.

    Entretanto, como não é o caso, prefiro viver!!!!!!!!

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  7. Acredito que ela escolheu a opção correta:

    Ou reage agora ou não reage.
    Se reagir agora, as chance de sobreviver são maiores.
    Se não reagir, será levada a outro local onde as chances de sobreviver são menores.
    Logo, ou ela escolhe por chances maiores de sobrevivência ou chances menores de sobrevivência.

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  8. Adonai

    Alguém (quem quer que seja) mal é lembrado quando faz algo realmente importante em prol da Humanidade, ainda mais em se tratando de Brasil!!!!!!!!

    Com exceção de Einstein, Newton e alguns outros altamente populares, muitos homens da Ciência que mereceriam ser bem mais lembrados do que são, sequer se ouve falar deles, mesmo em outros lugares que não o Brasil.

    Se se tratar de Brasil então, a situação é ainda pior!!!!!!!!!

    Vide o Newton da Costa, por exemplo. Quem no mundo acadêmico brasileiro sequer ouviu falar de Newton da Costa, a não ser um grupo restrito de pessoas na Matemática, na Física e talvez na Filosofia?????

    Se a comunidade acadêmica brasileira sequer conhece o pessoal da Academia Brasileira de Ciências, que dirá o Newton da Costa, que sequer faz parte de tal Academia!!!!!!!!

    Quando conheci vc pessoalmente (em 2008), não fazia a mais remota noção de quem era Newton da Costa. Dado meu histórico de bom aluno e de quem frequentava um mestrado na área de Ciências Naturais, vc falou para mim, na época, que o fato de eu não ter ouvido falar do Newton era algo "preocupante vindo de alguém como vc, que faz mestrado numa área de Ciências Naturais"!!!!!!!!!

    Embora o Newton da Costa tenha contribuído de modo importante até mesmo para certas áreas em Humanas, duvido que o pessoal de Humanas (com raras exceções) tenha ouvido falar dele, em qualquer universidade brasileira que seja!!!!!!!!

    Vejamos: se alguém como Newton da Costa já tem severas dificuldades para ser lembrado no próprio meio acadêmico (quiçá na população em geral) com o importantíssimo trabalho que realizou, como alguém como eu (ou qualquer um que seja deste blog) poderia ser lembrado pela coragem de ter reagido a um assalto e, com isso, talvez acabasse morto?????

    Simples: em primeiro lugar, só seria lembrado por amigos e familiares próximos!!!!!!!!

    NINGUÉM MAIS, NINGUÉM MESMO se lembraria de mim!!!!!!!!!

    Segundo: mesmo entre os poucos que se lembrassem de mim, ainda assim o fariam de modo degradante, com alguns deles inclusive pensando "bem feito, quem mandou se arriscar dessa jeito, foi um tolo mesmo"!!!!!!!!

    Portanto, não, muito obrigado. Prefiro ser covarde e continuar com a minha vidinha "sem sentido"!!!!!!!!

    Quanto a altruismo e coisas do tipo "querer morrer pela pátria" ou "querer morrer por um bem estar maior e coletivo, em detrimento do individual", sinto muito, mas isso simplesmente NÃO EXISTE!!!!!!!!!!

    Todo mundo, no final das contas, pensa SOMENTE EM SI MESMO!!!!!!!!

    Antes que me indaguem algo do tipo "ah, mas se é assim, então por que o mundo avança e a coletividade também?????"

    Simples: porque mesmo pensando somente em nós mesmos, o que fazemos para sobreviver (que pode ser inclusive aquilo que gostamos) acaba sendo em prol do coletivo, mesmo que não desejemos isso!!!!!!!!!

    O suposto altruismo de que tanto se fala surge de uma necessidade INDIVIDUAL de fazer algo para melhor!!!!!!!!!

    Do contrário, sequer existiria tal altruismo!!!!!!!!!

    Portanto, tudo remete ao INDIVIDUAL no fim das contas!!!!!!!!!!

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    1. Leandro

      Pode crer que entendo seu ponto de vista. Mas espero que entenda também que em momento algum houve o propósito de promover ataques pessoais. Meu ponto, nesta postagem, é que o povo brasileiro simplesmente não reage diante da opressão. Como foi dito no texto, usei o evento com Laís apenas como gancho para uma discussão mais importante: a cultura do medo. Por enquanto, o único comentarista que demonstrou perceber isso foi Stafusa (comentário de 24 de abril).

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    2. Leandro

      Houve um comentário seu que excluí, por julgar que continha ataque pessoal. Entendo que meu julgamento é questionável e posso estar exagerando. Mas se você pudesse reescrevê-lo de forma menos pessoal, eu ficaria grato. Afinal, em seu texto você questionou o confronto entre o que se diz e o que efetivamente se faz na hora da pressão. Portanto, é tema extremamente relevante.

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    3. Entendo, mas o Stafusa é o Stafusa.

      Se eu tivesse o nível intelectual dele, estaria quase na NASA, e não apenas na UFPR!!!!!!!!

      Vc não pode esperar de mim o mesmo que espera do Stafusa!!!!!!!!

      Infelizmente, meu cérebro não é tão brilhante para enxergar as coisas no mesmo nível dele.

      Do contrário, muitas coisas teriam sido diferentes para mim, tanto no âmbito pessoal quanto profissional!!!!!!!!!!

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    4. Hmm... me vejo obrigado a esclarecer que estou desempregado. :-/

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  9. Olá Profº Adonai

    Ótimo e inesperado este post em seu site.

    Sou morador da cidade de São Paulo, meus país e minha irmã mais velha residem na cidade de Mairiporã (um dos 39 municípios da Grande São Paulo). Há quase três anos (final de 2011) Mairiporã – cidade com aprox. 75000 habs. - viveu uma onda de assaltos a residências sendo mais de 30 num único mês, nem a casa do prefeito da cidade foi poupada – um corrupto como todos que o precederam nos últimos 20 anos. Infelizmente a residência da minha irmã foi vítima de um destes assaltos. Na ocasião quatro homens armados invadiram a sua casa e ameaçaram o tempo todo colocar fogo em sua filha – uma criança de 3 anos na ocasião – caso ela dissesse alguma mentira. Mas Felizmente, minha irmã conseguiu manter a calma o tempo inteiro e simplesmente entregou tudo o que os assaltantes pediram, e após uma hora eles limparam a residência e se retiraram sem fazer nada de mal a ela e a minha sobrinha.

    Uma de minhas tias também reside em Mairiporã, e no lugar onde mora ela já teve sua casa roubada várias vezes por alguns integrantes de uma família de criminosos que moram próximo a sua residência. A policia vive prendendo e soltando os integrantes dessa família e as coisas não se resolvem. Numa das ocasiões minha tia flagrou uma dessas pessoas escalando o muro de sua casa junto com seu filho – uma criança de 4 anos de idade – carregando frutas e os utensílios que ela usa para cultivar e trabalhar na terra, ou seja, se já não bastasse o indivíduo ter roubado a casa da minha tia várias vezes, nesta ocasião ele já estava ensinando o seu próprio filho a prática de roubos.

    Agora eu Leonardo tenho 31 anos de idade, moro em São Paulo há uns 4 anos e ando nesta cidade desde os 13 anos. Mesmo com este histórico nunca fui assaltado ou vitimado por qualquer ato de violência direto!!! Apenas surrupiado numa ocasião andando de ônibus, mas eu não vi coisa alguma, o ladrão foi muito ágil e levou minha carteira sem eu perceber. No entanto quase todos os meus conhecidos, colegas e amigos já foram vítimas de assaltos ou outros crimes violentos, sendo que alguns tiveram que ir direto para o hospital devido a lesões ou ferimentos graves ou gravíssimos, e isso mesmo sem eles terem reagido.

    Meu pai é agente penitenciário com mais de 15 anos de experiência e seu começo de carreira foi na famosa detenção do Carandiru (onde houve o famoso massacre e que hoje é um parque). Também tenho um tio que é policial civil com mais de 20 anos de experiência e que já atuou em 4 cidades diferentes da Gde. SP (entre elas Franco da Rocha). Meu avo foi policial civil na cidade de Lavras-MG por mais de 15 anos falecendo como subtenente nesta instituição.

    Embora eu não seja policial, posso dizer que tenho um conhecimento prático razoável da área de segurança e com base nesse conhecimento posso afirmar com tranquilidade que não existe segurança pública no Brasil e a área penitenciária é um caos quase total (salvo algumas penitenciárias federais e outras novas frutos de iniciativas diferentes).

    Continua...

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  10. Fala-se muito em Educação, Saúde, Segurança, Economia e outros temas. Porém a Segurança é sempre apenas citada e nunca devidamente tratada, e é justamente a Segurança a área MAIS DEFICITÁRIA das seis ou sete fundamentais. Junte a este quadro de desconhecimento:

    (1) A incapacidade quase total dos governos (Federal, Estadual e Municipal) em lidar com esta área, pois estes vivem num eterno jogo de empurra empurra e ninguém faz coisa alguma. Não há um plano nacional segurança e nem uma articulação qualquer entre as esferas para criá-lo e implementá-lo, apenas uma infinidade de ações pontuais (operações das policias) ou alguns planos isolados (UPPs no Rio de Janeiro, por exemplo) que não resolvem o problema definitivamente.

    (2) Nosso Ordenamento Jurídico e Sistema de Justiça horrorosos:

    i) O Primeiro Mensalão Brasileiro da Era democrática: a Constituinte de 1988

    Profº Villa pergunta ao Jurista e Profº Miguel Reale Jr. :

    - Aqueles que escreveram nossa constituição, não sabiam corretamente ou não refletiram direito sobre as próprias leis que elaboraram? Mais, os que hoje criam as leis atuais não as leem!? Como isso???

    Profº Miguel Reale responde: http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-miguel-reale-junior-26-08-2013-bloco-3 (de 20'00'' até 26'23'') http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/roda-viva-miguel-reale-junior-26-08-2013-bloco-4 (inteiro, especialmente de 03'20'' até 05'15'' e 07'03'' até 10'10'')

    ii) A FARRA com o dinheiro PÚBLICO no Poder Judiciário

    Jornal da Cultura - Edição de 22/07/2013 http://tvcultura.cmais.com.br/jornaldacultura/videos/jornal-da-cultura-22-07-2013-1 (De 44'43'' até 51'38'')

    STF, STJ, TJ-SP e outros tribunais Brasil a fora
    http://www.marcovilla.com.br/2012/01/o-judiciario-e-as-movimentacoes-suspeitas.html http://www.marcovilla.com.br/2012/01/o-desembargador-paulista-so-recebeu-um-milhao-e-meio-de-reais.html http://www.marcovilla.com.br/2012/01/desembargador-recebe-150-mil-reais-para-reforma.html http://www.marcovilla.com.br/2011/12/stj-e-os-salarios-milionarios-de-seus-ministros.html http://www.marcovilla.com.br/2011/12/mais-abusos-no-judiciario.html http://www.marcovilla.com.br/2012/04/duas-justicas-bem-diferentes.html http://www.marcovilla.com.br/2013/07/stj-eles-estao-de-brincadeira.html#comments

    iii) A Lentidão da Justiça
    http://jus.com.br/artigos/4306/o-poder-judiciario-morosidade
    http://dimensaojornal.com.br/como-acabar-com-a-lentidao-do-judiciario/
    http://www.advogado.adv.br/artigos/2003/fredericojosecardosoramos/lentidaojustica.htm

    iv) Deixa disso, deixa pra lá...
    Reportagem Brilhante do Jornal da Cultura
    http://tvcultura.cmais.com.br/jornaldacultura/videos/jornal-da-cultura-25-03-2014 (34’58’’ até 42’02’’)

    (3) A ideia de que a Educação resolverá tudo, porém se esquecem que isso é a longo prazo. No nosso caso (dado o passo e a maneira que caminhamos) eu diria longuíssimo prazo.

    Continua...

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  11. O resultado disso tudo é a total ausência real de segurança que vivemos todos os dias.

    Diante dessa situação só há duas soluções:

    1. Sair fora do Brasil e ir para um país realmente civilizado.

    2. União e luta da população;

    Um exemplo real e prático de como isso é totalmente possível:

    Comunidade desafia ideia de que educação é responsabilidade SÓ do governo

    http://g1.globo.com/fantastico/videos/t/edicoes/v/comunidade-desafia-ideia-de-que-educacao-e-responsabilidade-do-governo/3249051/

    Para terminar concordo com suas ideias Profº Adonai sobre reagir a situações de violência, mas sobre a ótica do Leandro Martins, ou seja, é necessário um certo preparo para isso, e quem não o tiver é melhor não tentar. No mais parabéns Knismós estou totalmente com você, sou defensor do direito a posse de armas, da pena de morte e odeio esses vermes asquerosos defensores dos Direitos Humanos (Direitos Humanos para Criminosos no caso) e suas ONGs desgraçadas. Graças a esses vermes malditos os presos hoje tem direito TODA SEMANA, dentro do próprio estabelecimento prisional, a visita intima e diversões sexuais através das próprias mulheres de alguns deles que são vendidas para um grupo. Mais, só precisam cumprir apenas 1/6 da pena, a família do lado de fora tem uma ajuda do Estado de mais ou menos R$ 1000,00 enquanto a família da vítima (ou as famílias das vítimas) do criminoso NÃO RECEBE AJUDA ALGUMA, e por aí vai. Isso é um ABSURDO TOTAL!!!

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    1. Leonardo

      Seria possível seu pai e você escreverem uma postagem em parceria? Seria realmente interessante perceber a ótica de um agente penitenciário sobre a violência e o crime em nosso país.

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    2. Boa Noite Profº Adonai.

      Vou lhe responder por e-mail em adonai@ufpr.br, tudo bem?

      Att, Leonardo.

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  12. Que absurdo, ensinando as pessoas a reagirem de assaltos. Somente os vivos podem mudar a educação do Brasil. Os ladrões na maioria dos casos só querem a carteira, reagir apenas aumenta o risco de morte.

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