segunda-feira, 13 de julho de 2015

O que e quem realmente cansa


Não é fácil. É cansativo, extremamente desestimulante. A postagem imediatamente anterior a esta foi considerada por uns poucos leitores como a melhor já publicada neste blog. Por quê? Porque trata de um dos temas da mais alta importância: amor. Sem amor, não há compreensão alguma. E sem compreensão, não há como amar. Quem realmente ama uma pessoa, deve naturalmente compreendê-la. Quem realmente ama uma área do conhecimento ou da cultura, deve naturalmente compreendê-la. Como justificar a incessante busca pelo conhecimento se não for por amor a este conhecimento ou, pelo menos, por amor àquilo que será beneficiado pelo conhecimento? No entanto, a mesma postagem em questão está entre as menos visualizadas. E neste texto discuto o motivo disso. 

Vejamos, antes de mais nada, as dez postagens mais visualizadas neste blog desde a sua concepção em outubro de 2009. 

Em primeiro lugar, temos o Depoimento de um Superdotado. Trata-se de uma contribuição anônima que já confundiu muita gente. Alguns interpretaram como um desabafo pessoal meu, como se eu fosse capaz de considerar a mim mesmo um superdotado. Outros perceberam no relato do autor um vitimismo, sendo que está claríssimo não ser o caso. Por sorte a maioria dos comentaristas entendeu que esta postagem é uma crítica ao imbecilizante sistema de ensino em nosso país. Ou seja, trata-se de um retrato de podridão social. 

Em segundo lugar temos a reprodução de artigo que publiquei em Scientific American Brasil sobre as mazelas das universidades federais. Novamente uma crítica. 

Em terceiro está a infame postagem a respeito de dicas para aqueles que passam pelo processo de entrevistas na seleção em programas de pós-graduação brasileiros. São sugestões superficiais para programas de pós-graduação superficiais. Esta postagem tem uma característica ímpar em relação a todas as demais. Ela consistentemente cresce em visualizações ao longo dos anos. Ou seja, tem demonstrado ser bastante útil, em um país de pouca utilidade para o desenvolvimento científico e tecnológico mundial.

Em quarto lugar está o texto sobre a pobre visão científica do auto-intitulado filósofo Olavo de Carvalho, um indivíduo que simplesmente exala ódio (apesar de algumas de suas críticas sobre educação serem relevantes). Ironicamente seu ódio se tornou maior quando ele mesmo divulgou a postagem sobre o superdotado, despertando o interesse de seus seguidores a respeito deste blog. Isso ocorreu após a publicação da postagem sobre ele. Aparentemente Carvalho não percebeu isso na época. 

Em quinta posição temos oito sugestões para se conquistar respeito acadêmico sem grande esforço. Trata-se de uma lista baseada naquilo que já se pratica há muito tempo em nossas universidades, tanto públicas quanto privadas. Houve aqui uma divulgação feita pelo jornalista Maurício Tuffani (em site da Folha de São Paulo) que ajudou bastante na repercussão da postagem. Não foi tão impactante quanto o ódio de Carvalho, mas ajudou muito na visibilidade do blog. Porém, novamente é uma crítica.

Em sexto lugar, está a postagem que mostra detalhadamente a baixa produtividade da maioria dos pesquisadores do CNPq, nível 1A, na área de filosofia. Novamente denúncia e crítica.

Em sétimo, uma grande surpresa. É um texto sobre as diferenças entre física e filosofia da física. Não há qualquer denúncia. Apesar do caráter informativo, o que realmente atraiu a atenção sobre esta postagem ainda foi o efeito Olavo de Carvalho, uma vez que tal artigo foi escrito como resposta a ele e seus seguidores. 

Em oitava posição, uma mera continuação da postagem sobre os pesquisadores do CNPq em filosofia. É tão somente um esclarecimento sobre o fato de que filósofos do mundo civilizado publicam sim em periódicos de circulação internacional, apesar dos discursos rançosos de muitos "filósofos" brasileiros. Logo, mais crítica.

A nona postagem mais visualizada é uma autêntica surpresa. Pelo menos esta é uma boa notícia para o Brasil. Trata dos primeiros passos da equipe Polyteck, um grupo de jovens que estão realizando uma verdadeira façanha nos meios acadêmicos de nossas terras. Pelo menos aqui não há tantas críticas. O que domina é o tom de otimismo. 

Finalmente, a décima posição é ocupada pelo texto sobre a prática filosófica entre crianças. Outro raro exemplo de texto muito visualizado que sinaliza para novas perspectivas educacionais. 

Mas a esta altura o leitor já deve ter percebido que são as más notícias as mais atraentes para o público. Basta ver o que se passa nos próprios veículos de comunicação em massa. Em geral, o que se percebe são tragédias, críticas, denúncias, pessimismo.

Por que isso? Tenho uma impressão pessoal a respeito do tema. E aqui a coloco. Acompanhar notícias na internet e demais meios de comunicação, no fundo, não é muito diferente de acompanhar episódios da série de TV Os Simpsons. Todo mundo adora Homer Simpson, a personagem principal do show. Isso porque todos nos sentimos melhor com nós mesmos, ao vermos a estupidez de Homer Simpson. Ninguém pode ser mais imbecil do que ele. 

Quando descobrimos que quase 40% dos estudantes universitários de nosso país são analfabetos funcionais, nos sentimos melhor com nós mesmos. Afinal, quem consegue entender a frase "quase 40% dos estudantes universitários de nosso país são analfabetos funcionais" provavelmente não se sentirá um analfabeto funcional. Ninguém pode ser mais imbecil do que esse bando de criaturas intelectualmente exóticas. 

Vejo muita gente culpando a Presidente Dilma Rousseff pela crise sócio-econômica que apenas começamos a vislumbrar. Ninguém pode ser mais imbecil do que Dilma Rousseff. Logo, falar mal de nossa Presidente deve fazer muito bem. 

Mas quem realmente percebe seu lado Homer Simpson, seu lado disfuncional, seu lado Dilma? Ninguém, claro!

E por que isso? Agora sim vem o X da questão. O motivo é um só: vivemos a cultura do amor a nós mesmos e não do amor à verdade.

Ninguém, absolutamente ninguém, é mais importante do que a verdade. Mas não é esta a cultura dominante. A cultura dominante é: "Eu sou mais importante do que qualquer outra pessoa ou coisa! Eu tenho direitos! Eu penso! Eu não posso ser magoado! Minha felicidade está acima da felicidade de minha esposa, de meu marido, de meus filhos! Eu sou, fui e serei! Eu!" 

Em uma sociedade de duzentos milhões de Eus, fica difícil encontrar um norte comum a todos. Cada indivíduo tem as suas próprias necessidades, suas próprias características peculiares, suas próprias exigências. Sim, sem dúvida! Mas a prioridade sobre o Eu é a prioridade sobre uma mentira. Ilustro abaixo:

"Não posso contar para a minha esposa que a estou traindo com outra mulher.", "Não posso dizer aos meus alunos que sou ignorante sobre a matéria que leciono.", "Não posso admitir para os meus colegas de trabalho que não tenho competência profissional.", "Não posso admitir publicamente que soneguei impostos.", "Não posso devolver o dinheiro que roubei dos cofres públicos."

Por que esses "não posso"? Porque é apenas o indivíduo transgressor que interessa. E interessa apenas para ele mesmo e mais ninguém. 

Quem coloca a verdade acima de si mesmo não é necessariamente uma pessoa incorruptível. Mas é uma pessoa que, em algum momento não muito distante, reconhece a própria falha (quando cometida) e a admite. E se o amor à verdade for dominante, a tendência é que menos falhas de caráter sejam cometidas com o passar do tempo. 

Certamente são fundamentais as denúncias e críticas em qualquer meio social. Mas muito mais fundamental é a busca pela verdade. Verdades fluem. Mentiras sempre precisam ser impostas. Esta é a diferença entre verdade e mentira!

Quem tenta se impor, está mentindo. Quem fala a verdade, apenas deixa ela encontrar caminho entre aqueles que a buscam. A verdade tem vida própria. A mentira depende de gritos, imposições, negações.  

Para nos livrarmos das mentiras, precisamos primeiramente abrir mão de nós mesmos. Todos nós, enquanto indivíduos, somos compelidos a mentir: "Oi, tudo bem?", "Sim, estou ótimo!".

Não. Ninguém está ótimo! É impossível alguém estar ótimo. Todos dependemos de todos. Se alguém neste mundo passa fome, pode ter certeza de que ninguém está ótimo. Se alguém entra na universidade sem saber interpretar um texto, certamente ninguém está ótimo. Somos uma sociedade e não um bando de indivíduos. Danem-se os indivíduos! Dane-se você, leitor! Dane-se eu! 

O que torna uma pessoa realmente interessante é a sua capacidade de abrir mão de si mesma em favor da verdade. É desta revolução cultural que o Brasil e o mundo ocidental precisam. É desta revolução cultural que cada um de nós precisa. Quando isso acontecer, até a própria mídia mudará. Teremos muito mais informações que permitam construir do que apenas criticar e fofocar.

Mas, claro, estou escrevendo mais uma postagem que será lida por muito menos gente do que aquelas que mostram como o leitor é melhor do que um pesquisador do CNPq, um aluno universitário ou a Presidente Dilma. Paciência. É a única coisa que resta nesta época tão sensível e instável. Paciência.

28 comentários:

  1. Já fiz a pipoca aqui pra assistir aos comentários dos que esse tipo de texto vai atrair, entre outras coisas por falar em "revolução cultural" que o ocidente "precisa"...

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    1. "Como justificar a incessante busca pelo conhecimento se não for por amor a este conhecimento ou, pelo menos, por amor àquilo que será beneficiado pelo conhecimento?"

      Mera curiosidade já me basta...

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    1. Com todo respeito, sua última frase já diz tudo meu caro."Mera curiosidade já me basta.."

      É o seu "Eu" falando mais alto,

      Buscar conhecimento apenas com o intuito de se vangloriar, é que é o problema. Compartilhá-lo com outros como você tem feito com os assuntos de matemática e física, é que realmente transforma.

      Amor é uma questão de atitude, não de palavras. Muita gente ama ou amou sem nunca mencionar a palavra "amor".

      Espero que entenda o que eu quero dizer e estimule essa sua curiosidade com seus alunos (supondo que seja professor).

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    4. Mera curiosidade, busca despretensiosa pelo conhecimento, não tem nada a ver com vangloria-se, muito pelo contrário. Quem não percebe a obviedade dessa afirmação está precisando rever conceitos e valores...

      Como um grande amigo bem colocou na dedicatória de sua dissertação de mestrado:

      "Aos que se dedicam ao ensino e à pesquisa simplesmente por ser divertido.

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  3. Essa discussão sobre o amor à verdade me lembrou um artigo do filósofo americano Richard Rorty, que opõe dois modos de ver a verdade - um modo secular, que a interpreta como solidariedade dentro de uma comunidade humana e outro modo de ver, dominante e com raízes em anseios teológicos, que a vê como uma ligação entre o humano com o não-humano:

    "Há dois modos principais pelos quais seres humanos reflexivos tentam, colocando suas vidas em um contexto maior, dar sentido a elas. O primeiro é contando a história de sua contribuição a uma comunidade. Esta comunidade pode ser a comunidade histórica real na qual eles vivem, ou uma outra comunidade real, distante no tempo ou espaço, ou uma comunidade imaginária, consistindo talvez em uma dezena de heróis e heroínas selecionados da história ou ficção, ou de ambas. O segundo modo é descrever a si mesmos como encontrando-se em relação imediata com uma realidade não humana. Esta relação é imediata no sentido de que não deriva de uma relação entre tal realidade e sua tribo, ou sua nação, ou seu imaginado grupo de companheiros. Eu afirmarei que histórias do primeiro tipo exemplificam o desejo de solidariedade e histórias do último tipo exemplificam o desejo de objetividade. Enquanto uma pessoa está buscando solidariedade, ela não pergunta sobre a relação entre as práticas da comunidade escolhida e algo fora daquela comunidade. Enquantobusca objetividade, ela se distancia das pessoas reais à sua volta não por recusar-se como um membro de algum outro grupo imaginário ou real, mas sim por ligar-se a algo que pode ser descrito como sem referência a quaisquer seres humanos particulares."

    "Solidariedade ou Objetividade?", tradução em português brasileiro aqui:
    http://novosestudos.uol.com.br/v1/files/uploads/contents/70/20080625_solidariedade_ou_objetividade.pdf

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  5. Adonai, há anos tenho notado uma incrível capacidade dos brasileiros de admitirem culpa, erro etc. Admitirem que podem perder numa discussão, ou aprender muito com ela. Tem gente que cria polêmica em redes sociais, nos veículos de comunicação, mas depois se exime de responder ao alvoroço que afirmações bombásticas e categóricas criam (tanto pró quanto contra). Já ouvi gente dizer: “Não vou discutir isso porque esta é a minha opinião”. Uma opinião, pensamento ou doutrina que não merece ou não pode ser discutida não é opinião, e ela não merece ser expressa. Argumentos não são feitos para receberem palmas. Tem gente que fala da boca para fora que não é dono da verdade, mas em seguida afirma que não vai haver discussão. Claro, discutir dá trabalho.

    Achei interessante a sua posição sobre a verdade porque assume que ela existe, enquanto que muita gente assume que ela é tributária e derivada do poder (Nietzsche, Foucault e cia.), nas suas interpretações mais vulgares. Não compartilho desta última opinião, e, na verdade, tenho-me mais como adepto da posição (antiquada?) escolástica, a não ser que alguém me prove o contrário.

    Agora compare essa posição de negar a verdade quanto ela é inconveniente, essa posição legalista de que alguém não pode produzir provas contra si mesmo, onde um interrogado não é instado nem a dizer a verdade e nem ao menos a responder a uma pergunta... (Pergunto-me onde estaria o perjúrio numa hora dessas, mas nem sei se essa figura existe no direito brasileiro.) Compare essa posição com admissões de culpa em países orientais, ou pelo menos a vergonha de estar implicado em um escândalo de corrupção. Veja, p. ex., o caso da Coreia: http://www.bbc.com/news/world-asia-32393657 Estamos num país de sem-vergonhas, de caras-de-pau, de egos inflados e self-entitlement. Abnegação é uma atitude que não se vê muito por aí, em nenhum nível.

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    1. Excelente comentário, inclusive pela iconoclastia com os ídolos da intelligentsia e do establishment...

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    2. Errata: "incrível INcapacidade".

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    3. Youssef

      Não creio que seja necessário assumir a existência da verdade. Mas creio que seja necessário buscá-la, acima de tudo.

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  6. Individualismo é o resultado secular de dois mil anos de cristianismo no ocidente, à grosso modo.

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  7. Individualismo é o resultado secular de dois mil anos de cristianismo no ocidente, à grosso modo.

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    1. Sim e não. Mais uma afirmação *bombástica* que não explica nada... O cristianismo no Ocidente só começou a ser politicamente importante depois do século IV; só dominante na Europa inteira (fora o Império Romano) séculos depois. Por exemplo, porque o individualismo só surgiu há uns 500 anos, e não nos outros 1500 de cristianismo no Ocidente? Talvez seja mais um resultado do secularismo que um resultado secular (tá bom, vá lá, uns 3 séculos de secularismo, mais ou menos).

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    2. Youssef, o iluminismo teve sua contribuição nisso?

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  8. Claro, veja a constituição americana, por exemplo... Mas é equivocado crer, ao meu ver, que o individualismo liberal dos séculos XVIII e XIX tenham a ver com o individualismo pós-moderno, de meados do século XX para cá. O individualismo iluminista é muito mais balanceado que o sentimento de dispersão atual.

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  9. Prezado Prof. Youssef Cherem,

    Se me permite, fugirei ao tema em discussão no post, para perguntar o seguinte:

    O senhor conhece a obra do Prof. Bill Warner (info aqui: http://www.politicalislam.com/ ) sobre o Islã? Ele é um autor recomendável?

    P.S: Tenho interesse no islamismo, mas sou um completo jejuno sobre o assunto.

    Sérgio

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    1. Sérgio, obrigado pelo interesse. O assunto é muito amplo, depende de sua área de interesse. Você pode entrar em contato comigo através do site academia.edu ou de meu e-mail acadêmico. Em todo caso, há a "The New Cambridge History of Islam", The Prophet and the Age of the Caliphates, de Hugh Kennedy; The Formation of Islam: Religion and Society in the Near East, 600–1800, de Jonathan P. Berkey. Para uma introdução sucinta, temos Islam e Islamic History da série Very Short Introductions.

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  10. Só pra registrar uma coisa curiosa. Há mais ou menos uma ano e meio, eu escrevi num blog que eu mantinha (e em que nunca mais escrevi) um looongo texto sobre filosofia e amor à verdade. Engraçado ver um texto sobre isso por aqui também.

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    1. Leonardo

      Você pode colocar aqui o endereço de seu blog? Fiquei curioso.

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    2. Claro. O post em questão é este:

      http://www.ideiasazuis.com/2013/11/brincando-de-filosofo-parte-1-postura.html

      Seria parte de uma série de posts, mas acabei deixando pra lá. Talvez um dia eu retome.

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  11. "Não. Ninguém está ótimo! É impossível alguém estar ótimo. Todos dependemos de todos. Se alguém neste mundo passa fome, pode ter certeza de que ninguém está ótimo. Se alguém entra na universidade sem saber interpretar um texto, certamente ninguém está ótimo. Somos uma sociedade e não um bando de indivíduos."

    Adonai, isso soou quase comunista. Ou pelo menos anti-capitalista. Sei que você não vai concordar, mas que soou soou. E foi ótimo.

    (Brasileiro)

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    1. (Brasileiro)

      Esses rótulos são realmente limitantes. O fato de eu defender meritocracia, pelo menos da forma como defendo, me afasta de qualquer ideologia comunista. O fato de eu defender a empatia para com o próximo, me coloca mais perto de uma visão comunista. Talvez eu seja apenas uma pessoa pouco prática.

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    2. Adonai, a empatia comunista é tão patente que, deliberadamente, produziu mais de 100 milhões de cadáveres no século XX.

      E ainda hoje, como na referência que lhe passei outro dia (Fuga do campo 14) e não sei se interessastes por lê-la, continua cometendo as piores atrocidades...

      «Essa mentalidade tem história. Num texto intitulado "A moral deles e a nossa", Trotsky explica por que os bolcheviques podem, e devem!, cometer crimes, inaceitáveis apenas para seus inimigos. Ele imagina um "moralista" a lhe indagar se, na luta contra os capitalistas, todos os meios são admissíveis, inclusive "a mentira, a conspiração, a traição e o assassinato".

      E responde: "Admissíveis e obrigatórios são todos os meios, e só eles, que unam o proletariado revolucionário, que encham seu coração com uma inegociável hostilidade à opressão, que lhe ensinem a desprezar a moral oficial e seus democráticos arautos, que lhe deem consciência de sua missão e aumentem sua coragem e sua abnegação. Donde se conclui que nem todos os meios são admissíveis".»

      http://pocket.co/soP_Ck


      Dado o teor do texto, as coisa estão se dando como previsto no primeiro comentário...

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    3. "Empatia com o próximo" nunca se coadunou com visões "comunistas" (embora o marketing retórico comunista alegue o contrário). Como o Kynismós! postou acima, ao citar Trotsky, os sedizentes "comunistas" não passam de sofistas tão embevecidos pelas próprias ideias, que seguem a máxima: se a realidade contraria a minha teoria, dane-se a realidade! Eles bem que tentam monopolizar as virtudes, mas tudo não passa de embuste (ora, o sujeito ter "empatia" pelo seu semelhante significa que ele é comunista? Por que ele não pode ser um cristão ou um budista, por exemplo? É como diria Edmund Burke: "Loves mankind, hates his kindred" ("ama a humanidade, detesta seu semelhante"). Desconfiem dos "salvadores do mundo" (como não lembrar do Eric Hobsbawm — tão endeusado em Pindorama —, que disse, certa feita, que os crimes perpetrados por Stálin na URSS seriam "justificados", caso tivessem engendrado uma "genuína sociedade comunista". Haja "empatia" pelo próximo... ).

      Chicosa

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