segunda-feira, 16 de abril de 2012

Educar é não saber



Aos seis anos de idade meu filho estudava em uma escola de padres. Um dia, voltando da aula, ele me disse de forma empolgada que a professora ensinou os alunos a ouvir Deus. Fiquei preocupado. Perguntei como isso era possível. Ele disse que bastava ficar de olhos fechados e prestar bastante atenção. Em poucos segundos era capaz de ouvir claramente a voz de Deus. 


Aquilo me deixou seriamente perturbado. A professora estava se aproveitando, de forma extremamente covarde, da inexperiência de seus alunos com relação à vida. Escola, seja mantida por instituições religiosas ou não, é ambiente para exercer o tirocínio crítico. E estimular crenças cegas a partir de técnicas elementares de sugestão, ainda mais sobre crianças, está muito longe dos objetivos de uma educação crítica.


Resolver o problema com meu filho foi muito fácil. Como o garoto era fã incondicional do músico norte-americano Michael Jackson, pedi a ele para fechar os olhos e se concentrar no rei do pop. Eu lhe disse que desta forma seria capaz de ouvir claramente a voz de Michael Jackson. Ele fez isso e quase instantaneamente a expressão em seu rosto mudou de empolgamento para decepção. Abriu os olhos e me disse que escutou a voz do cantor de forma clara. 


Mesmo com seis anos, meu filho sabia que Deus deveria ser mais importante do que Michael Jackson. E se ele era capaz de ouvir a voz do compositor de Billie Jean, seria capaz de ouvir o que bem entendesse, assim que fechasse os olhos e se concentrasse. 


Até hoje meu filho diz aos amigos que perdeu a fé aos seis anos. Hoje ele encara este episódio com muito humor. Mas esta foi uma das experiências que mais me preocupou em toda a minha vida. A dúvida que martela minha mente até hoje é se tomei a atitude certa. 


Que a professora cometeu um grave erro, me parece claro. Mas aquele erro me forçou a tomar uma atitude que não estava acima da crítica. Afinal, usei exatamente a mesma técnica de sugestão. Na época fiz uma reclamação formal na escola para garantir que ela jamais tentasse aquilo novamente. Mas o fato é que a educação de crianças na escola e em casa tem um papel fundamental para definir a vida adulta dessas pequenas criaturas. 


Meu filho é hoje uma pessoa que não demonstra o menor interesse em religião ou religiosidade. E o que questiono é o papel deste breve incidente na escola, quinze anos atrás, sobre o atual perfil dele. É saudável uma pessoa ser absolutamente desprovida de qualquer sentimento de religiosidade? Simplesmente não sei.


As pessoas mais tolas que conheço são aquelas que têm certeza inquestionável sobre o valor de suas ideias e atitudes. Um indivíduo que tem certeza sobre a importância de Deus no mundo é tão ingênua quanto aquela que tem certeza sobre a inexistência de Deus. E em educação algo semelhante ocorre. A certeza é inimiga do senso crítico e, consequentemente, da ciência. Mas é fato que ciência não é o único alicerce de nossa sociedade. 


O problema do episódio acima descrito é que ele envolve uma variável naturalmente polêmica: Deus. E a maioria absoluta das pessoas tem uma opinião própria a respeito de Deus. No entanto, não vejo o mesmo entusiasmo para discussões quando os temas sociais são matemática, ciências, línguas, filosofia, artes. 


No Brasil praticamente não existe ensino de filosofia. O que existe é o estudo de história da filosofia. E ainda assim este estudo não se fundamenta em referências originais, mas em traduções e exegeses escritas por supostos especialistas. Ou seja, a palavra desses especialistas é final. Onde está o estímulo ao pensamento filosófico original? No Brasil o ensino de matemática é doutrinário, como as palavras da professora de meu filho: "Faça como eu faço e tudo ficará bem." O Brasil é um país cuja educação é dominada por certezas no dia-a-dia, ainda que essas certezas sejam frequentemente contraditórias.


Recentemente perguntei aos meus alunos por que optaram realizar o curso de física. Um deles justificou sua escolha afirmando que a física explica tudo. Perguntei então se a física explicava o motivo para ele estar com o dedo indicador da mão direita encostado em seu rosto. Ele disse que a física explicava isso, sem dúvida. De onde vem esta mentalidade? Como pode um jovem ter a mente tão fechada para o questionamento? Qual tipo de lavagem cerebral foi promovida nele para se transformar nisso? O que se espera de jovens é uma mentalidade mais aberta, para questionar o que se faz hoje. Mas não é assim que meus alunos agem. A maioria deles simplesmente deposita absoluta confiança no que professores e autores afirmam em aulas e livros. E essa confiança alimenta um ciclo eterno de certezas e mais certezas. 


Vejo o mesmo ocorrer entre professores e autores de livros. A maioria desses profissionais afirma em sala de aula: "Espaço vetorial é um conjunto munido de duas operações, satisfazendo os seguintes axiomas..."; "Conjunto é uma coleção de objetos distintos entre si"; "Lógica é o estudo das inferências." etc. Ou seja, espaços vetoriais não podem ser fundamentados em teorias de categorias? Não percebem que na teoria de conjuntos de Zermelo-Fraenkel o conceito de conjunto não é definido e sequer está no elenco dos conceitos primitivos? Não sabem que a lógica se ocupa de muito mais áreas do saber do que apenas inferências? 


Até quando vamos insistir nesses discursos prontos e jamais questionados de que matemática é isso ou aquilo? 


Em escolas de periferia dos grandes centros urbanos encontramos tráfico de drogas, batidas policiais semanais, estupro de professoras e alunas, assassinato de professores e alunos e outros horrores que fazem o discurso acima parecer uma absoluta perda de tempo. Mas pelo menos nos ambientes que zelam por uma civilidade mínima poderíamos estar empenhados em uma educação crítica. E educação crítica é aquela que se revisa e questiona a cada momento. Somente assim poderemos sonhar com um futuro melhor no qual se elimine de uma vez por todas as atrocidades óbvias que ocorrem em nossas escolas de periferia.


Todos os dias nossas crianças e jovens estão voltando de suas escolas com cabeças doutrinadas. O exemplo de Deus dado acima é apenas um desses incontáveis casos. Aqueles que leram e analisaram obras como Pensamentos, do matemático francês Blaise Pascal, sabem que até mesmo religião pode ser estudada de forma crítica. Ou seja, não assumo a postura radical de Richard Dawkins, o qual se declara abertamente como inimigo da religião. Religião não é problema. Falta de senso crítico, isso sim é problema grave. 


Mesmo que Deus possa ser mais importante do que matemática, ainda a crença cega em sua existência é menos relevante do que as demais crenças cegas que estão sendo doutrinadas em nossas escolas. A questão é quando e quem vai perceber isso a tempo.

38 comentários:

  1. Em 2011 fiz uma pesquisa com 500 alunos da 2ª série do ensino médio (um considerável espaço amostral). Dentre os ítens da pesquisa, 2 perguntas:

    1. O que você espera do seu ensino médio?

    2. O que você espera que esse colégio faça por você no ensino médio?

    Diferente de outros ítens da pesquisa, essas perguntas eram abertas justamente para que os alunos pudessem responder qualquer coisa.

    Analisando as respostas, que surpreenderiam muitos estudantes de licenciatura ou ainda alguns colegas de profissão que não são capazes de fazer uma boa leitura da educação no Brasil, os resultados foram basicamente o seguintes:

    1. Cerca de 95 % dos alunos respondeu que espera passar no vestibular

    2. Cerca de 95% dos alunos respondeu que espera que o colégio o ajude a passar no vestibular.

    O problema começa lá atrás.... quando em 1750 o Estado cria uma instituição normatizadora da socidade - chamada escola - e define um curriculo, organiza os alunos em fileiras como linhas de montagem, coloca um sinal como o das fábricas, numera e uniformiza... os efeitos hoje são devastadores.

    O problema é ver algumas pequenas janelas nesse "caos" todo que possibilitam mudanças... mas elas não acontecem... e não acontecem porque temos um bando de professores medrosos e que nem sabem direito o que estão fazendo na sala de aula.

    Diante da possibilidade de confrontar a tradição que vem formatando os alunos, alguns professores dizem: "Não posso me revoltar contra o sistema de ensino e arriscar perder o emprego, porque eu tenho um filho pra criar"

    Para todos esses e aqueles que tem pensamento similar eu digo: "Quando seu filho tiver idade para entender, você olha bem nos olhos dele e pede desculpa... pede desculpa por ele ter tido uma m%$#% de educação porque o pai dele foi um frouxo... porque o pai dele não teve coragem pra fazer alguma coisa para melhorar as coisas".

    As salas de aula (sejam de universidade ou de ensino médio) são lugares estranhos.... Quando você vai ao médico, a um médico profissional, ao entrar na sala para consulta, ele te pergunta o que você tem, o que você está sentindo, há quanto tempo tem exibido os sintomas. Depois disso ele pode sugerir uma medicação, pedir mais exames para se certificar de qual tratamento ministrar. De certa forma, podemos dizer que o ponto máximo do tratamento seria uma intervenção cirúrgica.

    Já quando você vai para escola, ao entrar na sala, ninguém te pergunta o que você quer, o que você já sabe, o que quer saber, como você está. Já vão te dando "remédio". Os professores em geral simplesmente vão vomitando todo aquele conteúdo na cabeça dos alunos. Na escola, damos remédios sem saber pra quê. Combatemos doenças que sequer sobemos diagnosticar ou perceber sintomas.

    Como se não bastasse a alienação, falta de profissionalismo daqueles professores estúpidos que fazem isso, o que mais me incomoda é que os alunos aceitam tudo isso calados.

    Pensa comigo, você entra em um consultório médico. admita por hipótese que você foi lá porque tá doente (seja lá o que isso signifique). Você senta na sala do médico e ele diz pra você:
    - Bom, então vamos operar esse joelho!

    Como assim operar o joelho po%%@?????

    Tenho certeza que nenhum paciente deixaria isso acontecer no consultório médico.

    Então porque deixam acontecer na sala de aula?!

    95% dos alunos da minha pesquisa tiveram seus joelhos operados... e o pior é que acreditam estar curados...

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    1. Marlucinante

      Posso copiar este depoimento e publicar na forma de postagem neste blog? Se quiser redigir nova redação para fins de adaptação, fique à vontade. Mas eu gostaria muito de veicular seu texto como postagem.

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    2. Olá Adonai.

      Fique a vontade para veicular o texto. É um prazer poder contribuir. Vou mandar para o seu email uma nova versão. Não me dei conta que meu nome de usuário não estava com meu nome... rsrsrs.

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    3. Marlon

      Grato pela colaboração. Quero começar a veicular textos de outros autores por aqui.

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    4. Adonai,
      "O problema do episódio acima descrito é que ele envolve uma variável naturalmente polêmica: Deus. E a maioria absoluta das pessoas tem uma opinião própria a respeito de Deus. No entanto, não vejo o mesmo entusiasmo para discussões quando os temas sociais são matemática, ciências, línguas, filosofia, artes."

      Gostaria da sua opinião sobre este video que vi no youtube "Divaldo Pereira Franco - A Ciência Perante o Espiritismo". Uma aula de experiência e estudos aos 80 anos. Admirável, já conhece ? se sim gostaria de sua opinião, se não, não deixe de assistir...
      Forte Abraço
      JCSA

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    5. JCSA

      Vi o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=KehfqhLQz9M

      Mais um falando sobre ciência sem compreender o tema.

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    6. Adonai,
      Desculpe, talvez esse "mais um falando sobre ciência" não tenha os calculos de matemática na cabeço como o senhor, mas vasculhei a biografia dele é de se tirar o chapeu pelas AÇÕES E ATIVIDADES deste senhor de 84 anos..
      Se tiver tempo de uma analisada.
      Forte Abraço
      JCSA

      Divaldo tem recebido inúmeras homenagens, ao longo de sua vida. Destacam-se, entre estas:

      * Doctor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade de Montreal (Canadá)
      * Doctor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (Brasil)
      * Doctor in Parapsychology pela Cyberan University (Illinois, EUA)
      * Diploma de Ordem do Mérito Militar-distinção federal (Brasil)
      * Medaille de Reconnaisance Franco-Americaine-Classe Especial (Instituto Humaniste, França)
      * Medalha da Câmara Municipal de Leiria (Portugal)
      * Medalha do Município de Lobito (Angola)
      * Mais de 80 títulos de cidadania honorária conferidos por Estados e Municípios do Brasil (16 Capitais)
      * 590 homenagens de entidades da sociedade civil organizada (148 de 64 cidades do Exterior, de 20 países, e 442 do Brasil, de 139 cidades)
      * Foi concedido a Divaldo Franco e a Nilson de Souza Pereira o Título de "Embaixador da Paz no Mundo". Título concedido pela "Embassade Universalle Pour la Paix" em Genebra, na Suíça, em 30 de dezembro de 2005, passando Divaldo Franco a ser, a partir de então, o duocentésimo-quinto "Embaixador da Paz no Mundo" e Nilson de Souza Pereira, o duocentésimo-sexto.

      ..."Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto com Nilson de Souza Pereira, a casa de assistência Mansão do Caminho, responsável pela ORIENTAÇÃO e EDUCAÇÃO de mais de 33 MIL CRIANÇAS E ADOLECENTES CARENTES.
      Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Em um levantamento preliminar suas atividades no exterior foram:

      Mais de 11 MIL conferências proferidas no Brasil e no exterior percorrendo mais de 62 países.

      América: Esteve em 18 países, em mais de 119 cidades, onde realizou mais de 1.000 palestras, concedeu mais de 180 entrevistas de rádio e TV para cerca de 113 emissoras, inclusive por 3 vezes na Voz da América, a maior cadeia de rádio do continente. Recebeu cerca de 50 homenagens de vários países, destacando-se o honorífico título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, concedido pela Universidade de Concórdia em Montreal, no Canadá, em 1991. Por 3 vezes fez palestras na ONU, no departamento de Washington e fez conferências em mais de 12 universidades do continente.

      Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades européias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.

      África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.

      Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.

      Em 31 de agosto de 2000 participou, a convite da ONU, do Primeiro Encontro Mundial da Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de expressão internacional para se discutir e formular proposta de paz.

      É considerado um dos maiores divulgadores do espiritismo no Brasil e no exterior. Na península ibérica se destacou pela assistência ao movimento espírita português e espanhol durante a ditadura fascista de ambos os países.

      Suas palestras promovem o pacifismo, comparam a doutrina espírita com correntes filosóficas niilistas, hedonistas e orientais, estabelecem pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia) e incentivam a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina espírita.

      Seu curriculum é muito extenço...

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    7. Boa noite Adonai.
      Alguns comentários, com muito respeito as suas opniões.

      “Tempestada em copo d´água”

      Ele me disse de forma empolgada que a professora ensinou os alunos a ouvir Deus.
      (Ensinou ouvir a Deus = Ensinou AMOR)

      O pai fica seriamente pertubado.
      (Talvez já estivesse pertubado)

      A professora aproveitando de forma extremamente covarde.
      (para crer e falar em Deus hoje em dia ou a 15 anos, tem que ter muita coragem)

      Resolver o problema com meu filho foi muito fácil.
      (Seu filho tinha algum problema por estar empolgado “feliz” ?

      Ele fez isso e quase instantaneamente a expressão em seu rosto mudou de empolgamento para decepção.
      (Foi fácil tirar o doce da boca da criança)

      Até hoje meu filho diz aos amigos que perdeu a fé aos seis anos.
      (Quem realmente na prática, ação, contribuiu para isso ?)

      A dúvida que martela minha mente até hoje é se tomei a atitude certa.
      (Bem, pela dúvida já se sabe a resposta, atitude errada, mas errando também se aprende)

      Que a professora cometeu um grave erro, me parece claro.
      (Mais dúvida “parece claro”)

      Mas aquele erro
      (Foi realmente um erro?)
      me forçou a tomar uma atitude que não estava acima da crítica. Afinal, usei exatamente a mesma técnica de sugestão.
      (Isso foi um erro, e grande)

      Meu filho é hoje uma pessoa que não demonstra o menor interesse em religião ou religiosidade. E o que questiono é o papel deste breve incidente na escola, quinze anos atrás, sobre o atual perfil dele.
      É saudável uma pessoa ser absolutamente desprovida de qualquer sentimento de religiosidade? Simplesmente não sei.
      (Com certeza seu filho recebeu um ótima educação, o fato de não demonstrar nenhum sentimento de religiosidade, não implica que ele não o tenha. Talvez porque a marca do desapontamento aos 6 anos tenha bloqueado, inibido a vontade de exprimir tais sentimentos, mas tenha certeza que eles estão guardados na sua consciência e podem vir a tona algum dia).

      A humanidade se desenvolve e progredi, justamente por haver diversas opniões sobre um mesmo assunto.

      Forte Abraço
      JCSA

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    8. JCSA

      O que me intriga é que o ensino dogmático de trigonometria, teoria de conjuntos e física (temas também abordados por aqui) não despertou sua atenção da mesma forma que o ensino dogmático sobre Deus. Por que este tema interessa a tantos? É porque não exige qualificação para discutir?

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    9. Com relação ao Divaldo, você usa o argumento da autoridade. Além disso, o que você lista realmente não impressiona. Se quiser discutir, avalie os argumentos do discurso. Posso apontar erros grotescos na visão científica dele.

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    10. Professor Adonai, como diz um ditado "cada um pucha a sardinha pro seu lado", embora eu seja leigo nos dois assuntos. Apoio suas declarações quanto ao fraco conteúdo que a escolas minstram nas disciplinas de física, matemática, ciências... Admiro sua extensa bagagem em "saber" matemática. O tema Deus interessa a tantos, é justamente por isso, não exige qualificação acadêmica para discuti-lo, somente sentimentos.


      Quanto ao Sr. Divaldo, não entendi quando diz que uso o argumento da autoridade ?.

      Divaldo, responsável pela ORIENTAÇÃO e EDUCAÇÃO de mais de 33 MIL CRIANÇAS E ADOLECENTES CARENTES. Falando em educação creio que seja um número que impressione.

      Gostaria que apontasse um erro grotesco na visão científica dele, mesmo sabendo que Divaldo cursou somente a Escola Normal Rural de Feira de Santana-BA, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943.

      Mais uma vez reitero minha admiração pela sua preocupação pelo ensino, seu saber e profissionalismo.

      Forte Abraço!
      JCSA

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    11. JCSA

      Seu objetivo parecia ser a divulgação das ideias de Divaldo. E parte de seu argumento se sustentou em títulos conquistados por ele. Por isso deixou a impressão de que você estava usando o argumento da autoridade. Além disso, orientação e educação de 33 mil crianças pode impressionar pelo número, mas não pela qualidade. O Governo Federal exerce influência sobre milhões e não tem feito um bom trabalho. Quanto aos erros graves de Divaldo em seu vídeo, aponto apenas um. Afinal, ele demonstra que gosta muito de falar e não tenho paciência com pessoas tolas. Divaldo afirma que a teoria da entropia analisa a vida como sendo uma atividade que demanda o caos. Ou seja, Divaldo, como tantos outros por aí, discute sobre o que não conhece. Entropia nada tem a ver com a análise da vida como algo que demande caos. Não se discute sobre ciência sem uma excelente bagagem científica.

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    12. Professor Adonai.
      Primeiramente agradeço por ainda estar respondendo aos meus questionamentos.
      É interessante expor pontos de vista, uma vez que cada um de nós tem o seu. Quanto as 33 mil crianças que receberam orientação e educação, não poderia se considerar um pouco
      de "qualidade" pelo fato de serem crianças carentes, sem perspectivas de vida, e por serem elas talvez, as crianças as quais o Governo Federal deixou de exercer seu trabalho?
      Quanto a teoria da entropia, na minha pequena visão deu a entender que ele fez um comparação por exemplo: de uma pedra de gelo colocada em copo com água, ela se dissolve e não é mais gelo, assim como a vida do nosso corpo físico, que se divolve, se transforma após a morte. Não sei se o senhor conseguiu assistir os seis primeiros minutos da palestra de Divaldo, mas ele tenta fazer um paralelo para concluir seu pensamento.
      Não pense que estou defendendo o Sr. Divaldo, só estou explicando como entendi o assunto.
      Também creio que ele não estaria discutindo ciência, apenas usando dados históricos de cientistas famosos para expor suas idéias e pensamentos.

      Bom professor, hoje fico por aqui.
      Forte abraço!
      JCSA

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    13. Albert Aisten “Posso afirmar que fora do universo há um poder pensante e atuante”.
      Dra. Renee Werber: “O homem que teve a coragem de penetrar no átomo, fazer explodir, ainda não teve a audácia de fazer a implosão do seu ego”

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    14. JCSA

      Dar atenção a crianças ignoradas pela sociedade é uma obra mais significativa do que a maioria das pessoas consegue realizar durante suas vidas. Não discuto isso. O que me preocupa é a natureza dessa obra. Como não conheço o trabalho de Divaldo, nada posso dizer sobre isso. Mas espero que a educação que ele proporciona não seja dogmática e irracional, como se percebe em sua palestra no vídeo indicado.

      Com relação aos supostos paralelos que Divaldo propõe, o erro é tentar usar conhecimentos que ele evidentemente não domina. Não consigo confiar em pessoas como ele.

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    15. Oi, Adonai

      você teria a paciência de escrever um texto comentando os erros científicos de Divaldo na palestra dele? Gostaria de publicar no meu blog dedicado a esse tema, o "Obras Psicografadas". Um exemplo de matéria sobre uma palestra do Divaldo você encontra aqui: http://obraspsicografadas.org/2012/divaldo-franco-e-o-caso-da-menina-pan-thi-kim-phuc/

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    16. Enfant Terrible

      Honestamente, não vejo qual seria o propósito de um texto sobre este tema. Divaldo Franco é obviamente um indivíduo primário, bem como aqueles que creem nele. Qual seria o público-alvo para um texto como o que você pede?

      Sempre preferi criticar certas ideias de indivíduos que conquistaram alguma credibilidade pelo menos nos círculos acadêmicos. E este não me parece ser o caso de Divaldo Franco. Criticar as ideias dele é como criticar astrologia, a qual foi abandonada do meio acadêmico há pelo menos cinco séculos.

      Espero que minha resposta não o desanime.

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    17. Oi, Adonai
      o público alvo seria qualquer pessoa interessada em saber se o que o Divaldo diz é confiável ou não. Parece-me ser esse o caso do JCSA que lhe escreveu. É claro, pessoas de outro público podem se interessar pelo seu texto também, como membros de outras religiões e descrentes.
      É certo que Divaldo não possui credibilidade alguma em círculos acadêmicos, mas possui muita credibilidade entre os leigos, como você bem sabe. Penso que ajudar a população a ter mais senso crítico é uma tarefa enobrecedora. Mas sei que você já faz isso em outros campos com esse blog e junto aos seus alunos, e que tem outras prioridades. Sua resposta não me desanima, mas seria uma honra ter um texto escrito por você no meu blog.

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    18. Enfant Terrible

      Proponho o seguinte. Assim que eu puder, tentarei acompanhar a palestra de Divaldo na íntegra e vou procurar por informações sobre a obra dele e o impacto que esta obra provoca. A partir disso poderei pensar em algo para o seu blog. Devo dar retorno até janeiro. Pode ser?

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    19. Enfant Terrible

      Olha só o que achei na wikipedia, sobre Divaldo Franco:

      América: Esteve em 18 países, em mais de 119 cidades, onde realizou mais de 1.000 palestras, concedeu mais de 180 entrevistas de rádio e TV para cerca de 113 emissoras, inclusive por 3 vezes na Voz da América, a maior cadeia de rádio do continente. Recebeu cerca de 50 homenagens de vários países, destacando-se o honorífico título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, concedido pela Universidade de Concórdia em Montreal, no Canadá, em 1991. Por 3 vezes fez palestras na ONU, no departamento de Washington e fez conferências em mais de 12 universidades do continente.

      Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades europeias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.

      África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.

      Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.

      Talvez você tenha razão, Enfant. Examinarei melhor este bizarro caso.

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    20. Poderia, por favor, informar o endereço de seu blog?

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    21. Oi, Adonai

      é http://obraspsicografadas.org/

      O Divaldo Franco já cometeu plágios. Abaixo alguns exemplos:

      a) http://obraspsicografadas.org/2012/histrias-para-aquecer-o-corao-2-vrios-autores-vs-a-busca-da-perfeio-de-divaldo-franco-plgio/

      b)http://obraspsicografadas.org/2012/divaldo-franco-plagiou-paulo-coelho/

      c)http://obraspsicografadas.org/2008/resgate-histrico-estudo-de-mensagens-copiadas/

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    22. Oi, Adonai

      é http://obraspsicografadas.org/

      O Divaldo Franco já cometeu plágios. Abaixo alguns exemplos:

      a) http://obraspsicografadas.org/2012/histrias-para-aquecer-o-corao-2-vrios-autores-vs-a-busca-da-perfeio-de-divaldo-franco-plgio/

      b)http://obraspsicografadas.org/2012/divaldo-franco-plagiou-paulo-coelho/

      c) http://obraspsicografadas.org/2008/resgate-histrico-estudo-de-mensagens-copiadas/

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  2. Como sempre, ótimas reflexões. Já havia escutado esta história de você. Mas o que me preocupa não é somente professores que se aproveitam da "autoridade" (isso até trabalho com meu alunos em diversas ocasiões - para não acreditarem em mim, mas pesquisarem). Porém, o que mais me preocupa são as "certezas" que estes jovens têm e que não permitem a "escuta" das várias teorias existentes. Eles se acham tão "gênios" que não precisam seguir algumas normas e procedimentos, pois são mais criativos que estes "velhos" teóricos. Assim, não querem aprender com a tradição. Esquecem que nada vem do zero. Que TUDO que criamos é baseado em algo anterior. Por isso insisto tanto na metáfora do palimpsesto e na importância da intertextualidade e hipertextos. Uma vez tive um aluno que insistia que havia sido criativo, escrevendo algo que nunca ninguém o fizera. Mostrei que muitos poetas antigos já tinham feito algo parecido (por vezes melhor que o dele). Quer aprender a escrever poemas?? APRENDA o que é soneto. FAÇA um soneto.. Aprenda sobre poesia e só depois venha me mostrar algo dizendo ser original! Mesmo problema estou enfrentando em uma turma de segundo período de Publicidade. Uma aluna disse que era possível sim fazer algo totalmente novo. Pedi um exemplo. Ela ficou de trazer. Mas será como outros alunos que falaram das imagens em 3D dos artistas de rua (como algo inovador) e mostrei o quadro do alemão Hans Holbein (1497-1543), denominada "The Ambassadors" (1533) que tem anamorfose também... novidades??? Por favor, pelo menos escutem, pesquisem, estudem e só depois venham dizer que fizeram algo novo!

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    1. Susan

      Você aponta para uma questão extremamente importante e que ainda não discuti por aqui. Também já percebi esse tipo de atitude cada vez mais presente entre meus alunos. Se houvesse arrogância ladeada com competência, o problema seria menor. Mas não é o caso. A arrogância atira para todos os lados e jamais remamos em conjunto para a mesma direção. Escreverei a respeito disso em breve.

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    2. Susan Blum, o fato de seu aluno ter feito algo que alguém já tenha feito não exclui, de modo nenhum, a possibilidade de ele ter sido criativo. Ademais, no geral criatividade e originalidade não são sinônimos. Até onde sei, a história da matemática tem exemplos de pessoas que descobriram coisas que,em outro tempo e/ou lugar, já tinham sido descobertas. E isso não lhes devia tirar o mérito no que diz respeito à capacidade intelectual. É bem verdade que o mérito pertence ao primeiro descobridor mas isso não significa que uma a mesma descoberta não possa ser feita legitimamente por outra pessoa e em outro tempo. O trabalho do aluno só é indigno se ouve plágio e, parecendo redundante, repito que o fato dele não ser original não significa que ele não foi criativo (ele só não foi o primeiro a descobrir). A propósito, além de mostrar a incompetência do aluno (mostrando os poetas melhores do que ele) o professor deve também enfatizar o mérito do aluno (se houver).

      AAnooniimoo

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    3. Olá anônimo. Creio que se tivesse lido tudo que escrevi teria percebido que o que critico não é o fato do aluno ter feito algo que alguém já fez, desconhecendo.. mas sim achar que é melhor que qualquer um e não necessitar de pesquisa e estudo. Pode ter certeza que sempre apoio e sempre apoiarei os alunos que DESEJAM aprender. Quando há mérito do aluno sempre enfatizo! Creio que se não fosse assim, não teriam me deixado dar aulas de criação literária por tantos anos (já teriam me tirado desse cargo). Já quando vc comenta se houve plágio, já comentei em meu blog, citado aqui pelo Adonai. http://novelosnadaexemplares.blogspot.com.br/2012/01/real-plagio.html

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    4. Ok Susan. Talvez eu tenha interpretado mal o que vc escreveu. Creio que compreendi melhor agora. O ponto está em o aluno se achar o melhor... (realmente, conheço alguns desta estirpe e não precisa ser professor para achá-los detestáveis).

      Em breve vou ler o que escreveu no seu blog.

      AAnooniimoo

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  3. Infelizmente, já fiz parte do grupo de alunos que estuda e aprende de forma inquestionável e doutrinária.

    Foi extremamente difícil romper com este elo de doutrinação, principalmente porque fui criado em um ambiente em que o senso crítico nunca foi e nunca é estimulado, meus pais sempre seguiram a ideia de que "se a maioria pensa assim e vc pensa assado, logo vc está errado", sempre me ensinaram a pensar e a concordar com tudo e com todos até mesmo para evitar polêmicas, discussões e brigas, além da própria escola, que não estimulava o raciocínio crítico.

    Tornei-me uma criança assustada com o passar do tempo, temendo discordar de meus pais e das demais pessoas.

    Via nos professores uma espécie de figura paterna, para quem eu deveria ter respeito máximo, zelo e jamais questionar seus atos, da mesma forma como acontecia com meus pais.

    Não que meus pais foram rígidos e me deram uma Educação linha dura, nada disso. Mas a própria visão de mundo e ingenuidade deles agia como "algemas" para o meu próprio desenvolvimento intelectual!!!!!


    Até hoje, por ter um conhecimento razoável de História, Geografia e Conhecimentos Gerais, meu pai se gaba dizendo ser ora "um Homem de elevada visão de mundo", ora "um dos homens mais cultos do mundo"!!!!!

    Tudo isto foi extremamente sufocante, aliado com experiências nada enriquecedoras no âmbito escolar, o que dificultou muitíssimo para que eu conseguisse me desprender parcialmente dessa imensa alienação da Sociedade!!!!!

    Felizmente, posso dizer que, após muito esforço mental e reflexão, consegui, ao menos minimamente, tornar-me ligeiramente crítico e "turbinar" um pouco o meu cérebro, pois se eu dependesse apenas dos exemplos que tive em casa e no ambiente escolar, eu estaria "jogado às traças" em termos culturais e intelectuais!!!!!

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    1. Estou nesse dilema, fui criado em um ambiente de doutrinação que meus pais a tem como única e verdadeira, e consegui sair de casa não faz muito tempo, então por mais que minha mente tente seguir o caminho do questionamento, algo me induz a fazer o contrário, que é calar-se e não questionar as coisas. Felizmente tenho hoje pessoas ao meu redor que aos poucos me fazem perceber como o senso crítico é bom e a não aceitação de imposições nos liberta de dogmas pré históricos.

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  4. Caro Adonai,
    excelente! Particularmente no que diz respeito aos cursos de filosofia. Por aqui, se resumem a história da filosofia. Quando se fala, por exemplo, em filosofia da ciência, nada há de novo. Geralmente se discute autores como Carnap, Popper e Kuhn, talvez Bachelard e Feyerabend. Filosofia da matemática (nem pensar!), se quer faz parte dos currículos dos cursos de filosofia, a despeito da íntima relação de longa data destes dois campos do saber. Muitas pessoas ainda se surpreendem quando digo que tenho interesse em filosofia da matemática, perguntando se existe alguma relação entre filosofia e matemática. Se não me engano, isso tudo está fortemente relacionado com nossa tradição Ibérica, a contra-reforma, e como isso tudo constituiu nossa educação jesuítica, alicerçada na autoridade. Enquanto o resto da Europa discutia as ideias de Newton, Kepler e Galileu, Montesquieu e Locke, os lusitanos e tupiniquins ainda tinham no currículo o trivium e o quadrivium.

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    1. FILOGMAICA, vc chegou a ler "o capelão do diabo", de Dawkins? Na última parte, na oração para minha filha,ele fala de três razões indevidas para crer. Uma delas é o da autoridade. Um texto que o Adonai me apresentou e que achei interessante. Até já trabalhei com meus alunos...

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    2. Olá Susan,,, boa tarde, gostaria da sua opinião sobre este video que vi no youtube "Divaldo Pereira Franco - A Ciência Perante o Espiritismo". Uma aula de experiência e estudos aos 80 anos. Admirável, já conhece ? se sim gostaria de sua opinião, se não, não deixe de assistir...
      Forte Abraço
      JCSA

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    3. Anônimo21 de abril de 2012 16:27

      Olá Susan,,, boa tarde, gostaria da sua opinião sobre este video que vi no youtube "Divaldo Pereira Franco - A Ciência Perante o Espiritismo". Uma aula de experiência e estudos aos 80 anos. Admirável, já conhece ? se sim gostaria de sua opinião, se não, não deixe de assistir...
      Forte Abraço
      JCSA

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    4. Anônimo.. perdão.. havia visto sua outra mensagem, mas estou realmente sem tempo para ver o vídeo... quando puder venho opinar.. ok?

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  5. "Até hoje meu filho diz aos amigos que perdeu a fé aos seis anos". Suponho que ele se refere a fé que ele tinha nas freiras, correto?

    AAnooniimoo

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  6. ok Susan, fico no aguardo..
    abraço
    JCSA

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