sábado, 16 de fevereiro de 2013

Quem realmente merece educação?



Mais uma consequência do artigo publicado este mês em Scientific American Brasil. 

Recentemente um leitor deste blog levantou algumas questões interessantes sobre massificação do ensino, progressão continuada, banalização de graduações e, principalmente, a obrigatoriedade do ensino. Afirmei que escreveria uma postagem sobre esses temas e agora estou finalmente cumprindo a promessa.

1) Obrigatoriedade do ensino. Existem aqueles que acreditam na existência de pessoas que não têm interesse em estudar. Não conheço quaisquer levantamentos estatísticos sérios que confirmem esta impressão pessoal muito comum. Como determinar se uma pessoa gosta ou não de estudar? Certamente não podemos sustentar qualquer julgamento a partir do rendimento escolar de crianças e adolescentes. A massificação do ensino permite pouco espaço para uma análise criteriosa sobre o perfil de cada aluno de uma instituição de ensino. E mesmo que fosse implementado acompanhamento individual promovido por especialistas em psicologia cognitiva e educadores, vale lembrar que qualquer profissional está sujeito a errar gravemente em suas conclusões, por mais qualificado, centrado e experiente que seja. Cito um exemplo pessoal que ilustra uma ideia aplicável coletivamente. Quando meu filho tinha onze ou doze anos, eu o intimei: ele deveria buscar por algo que o motivasse, para o seu futuro profissional. O garoto ficou assustado, mas pensou a respeito. Decidiu que estudaria física. Obviamente percebi que ele queria me impressionar, pois física era a minha área de atuação. Meses se passaram e, então, perguntei: você estudou alguma coisa sobre física? Ele respondeu negativamente. Portanto, física não era a sua paixão. Desapontado, mas instigado, ele decidiu que estudaria mecatrônica. Isso porque o garoto ficava intrigado com robôs. Meses se passaram e novamente não demonstrou iniciativa nesta área. Após outro longo período de tempo, ele finalmente percebeu algo óbvio mas importante. Desde cedo meu filho sempre foi fascinado por música. Aos dois anos já cantava de forma entusiasmada o Rock das Aranhas e Sociedade Alternativa de Raul Seixas. Resultado: hoje ele é professor de música (que leciona até mesmo para outros professores) e está batalhando para seguir uma carreira séria nesta arte tão ignorada no Brasil e ofuscada por barbaridades sonoras que assustariam até mesmo o radical Adorno. Meu filho estuda música naturalmente, sem depender da pressão de qualquer instituição. Fez cursos em Curitiba e São Paulo e é também autodidata. O fato de uma criança ou um adolescente não estudar o que uma instituição espera que seja estudado não significa que essa pessoa não tenha interesse em estudos. Daí a fundamental importância da família. Um exemplo icônico é a infância do rei do rock, Elvis Presley. Aos onze anos ele ganhou de presente de aniversário um violão. Sua mãe queria que o filho desistisse de uma espingarda. Como diz a máxima popular, educação começa em casa. Por outro lado, a obrigatoriedade da educação formal para crianças e adolescentes certamente deve existir. É obrigação do Estado fornecer condições para que crianças e jovens possam estudar. E estudos formais certamente devem ser abrangentes. Se crianças e adolescentes não demonstram interesse por estudos formais, o acompanhamento individual é fundamental. Essa obrigatoriedade naturalmente apresenta falhas e dificilmente isso mudará algum dia. Mas todos têm o direito aos conhecimentos que definem as sociedades humanas. Se crianças e adolescentes assumem atitudes hostis contra a educação (algo cada vez mais frequente em salas de aula brasileiras) a responsabilidade não pode ser atribuída única e exclusivamente aos discentes. Mesmo na universidade tive centenas de alunos que pareciam ter sido criados por javalis. A boçalidade é assustadoramente presente no Brasil. Sem uma unidade familiar fortemente comprometida com ciência, tecnologia e cultura, não há milagres que possam ser operados por professores. 

2) Massificação do ensino. A massificação do ensino é uma realidade inevitável, levando em conta o direito inalienável à educação em um mundo com bilhões de habitantes. A melhor forma para combater os efeitos nefastos dessa massificação é novamente através da família. É obrigação dos responsáveis legais de qualquer criança ou adolescente o acompanhamento dos estudos formais e o apoio intelectual. Pediatras usualmente recomendam que recém nascidos tenham estímulos sensoriais. Um simples passeio no parque é uma experiência extremamente rica para um bebê, mesmo quando ele está dormindo. Analogamente, crianças e adolescentes precisam de estímulos intelectuais. Esses estímulos devem ser abrangentes, porém jamais dogmáticos: livros, revistas, filmes, teatro, museus, música, artes plásticas, sítios históricos, diálogos com profissionais e demais interessados por cultura geral, conversas com amigos e familiares, desafios, jogos, atividades esportivas etc. Diante de variedade, o direito à escolha pode se manifestar mais facilmente. 

3) Progressão continuada. Existem aqueles que creem que a reprovação na escola é um trauma para uma criança ou adolescente. Creio ser muito difícil argumentar contra esta tese. No entanto, esta premissa é frequentemente usada para sustentar a progressão continuada, ou seja, o estudo formal sem reprovações. Esta é uma decisão irresponsável. A educação deve ter o papel, entre outros, de preparar cidadãos para o mundo real. E o mundo real está repleto de situações sujeitas a reprovações. São situações que estão completamente fora do alcance de pedagogos e educadores, quando seus ex-pupilos se tornam adultos. O trauma provocado por uma reprovação na escola pode ter o importante papel de formação de caráter, se for devidamente acompanhado pelos responsáveis legais da criança e do adolescente. Esta formação de caráter é fundamental para a vida adulta futura. E esta tese é muito bem fundamentada por estudos sérios de psicologia, algo raro no Brasil. 

4) Banalização do ensino superior. Este é um assunto consideravelmente mais polêmico. Se compararmos o impacto social das descobertas científicas que renderam o Prêmio Nobel na primeira metade do século 20, perceberemos que a partir da década de 1970 a qualidade da ciência mundial tem diminuído consideravelmente. Coincidência ou não, isso ocorreu logo depois do período em que o acesso a universidades se tornou mais democrático. Verdadeiras massas da população começaram a frequentar universidades. E vagas em universidades têm aumentado no mundo todo. As melhores universidades do mundo são, em geral, de pequeno porte e extremamente seletivas. No entanto, mesmo essas instituições têm sofrido com a democratização do ensino superior. Um exemplo recente é o programa Ciência sem Fronteiras do governo brasileiro. Quatro mil bolsas foram ofertadas, mas menos da metade foi utilizada. Isso ocorreu simplesmente porque a maioria dos candidatos foi reprovada em exames de inglês. Instituições estrangeiras de excelente reputação já admitem a possibilidade de serem menos exigentes nesta fundamental condição para admissão. Desta forma, pessoas menos qualificadas terão a oportunidade de estudar em instituições que, até pouco tempo atrás, eram mais seletivas. O que se pode esperar disso tudo? Difícil prever. É possível que os estudantes brasileiros do programa Ciência sem Fronteiras consigam aprender algo que se mostre importante para o futuro do Brasil. Mas é igualmente possível que a tolerância à mediocridade se torne mais presente não apenas no Brasil, mas no resto do mundo também. Os comentários feitos acima sobre obrigatoriedade do ensino não se aplicam a cursos de graduação. Uma graduação em curso superior deveria ser um ritual para a entrada na vida adulta de futuros profissionais que efetivamente resolvem problemas fundamentais da sociedade. Um jovem que realiza uma graduação deveria se transformar em um adulto da matemática, da medicina, da psicologia, da arquitetura, da sociologia, das artes e de demais áreas acadêmicas. E adultos supostamente têm direito à escolha. 

Fala-se muito na desvalorização do professor em nosso país. E usualmente a responsabilidade dessa desvalorização é jogada sobre os ombros de governos estaduais e federal, os quais obviamente têm a sua responsabilidade. No entanto, os próprios professores contribuem para essa desvalorização. Movimentos de greve são o exemplo mais marcante, sempre exigindo tratamento igualitário para todos. Este comportamento é lamentavelmente infantil e indigno de respeito. Professores devem sustentar suas reivindicações a partir de resultados. E resultados distintos são obtidos por indivíduos com diferentes perfis profissionais. 

Aproveito a oportunidade para avisar que um novo artigo será publicado em edição futura de Scientific American Brasil, ainda este ano. Este novo documento está sendo realizado em parceria com dois importantes cientistas brasileiros e apresenta uma abordagem diferente do anterior a respeito da vida acadêmica brasileira.

42 comentários:

  1. Educação enquanto massificada de qualquer jeito, sem seleção, é um buraco sem fundo...

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  2. Bom, creio que tudo que eu estava falando no facebook ou mesmo por aqui, em comentários, foi bem resumido/sintetizado pelo Adonai. Era o que eu falava antes: incentivar a criatividade das crianças (obrigação de pais, professores e sociedade), estimular o pensar e o perceber, abrir portas para outras possibilidades, formar cidadãos com RESILIÊNCIA (algo MUITO importante e debatido por vários profissionais da psicologia), enfim, formar massa crítica. Apenas preciso então complementar a resposta que devo ao Danilo, e que não dei por pedido do professor Adonai. Sobre a nota. CLARO que é importante o nível das provas, pois caso contrário qualquer um pode tirar dez. Mas considero relevante a nota SETE pelo seguinte: consideremos que a nota zero é dada ao aluno que não demonstrou NENHUM conhecimento adquirido. E DEZ a nota para o aluno que conseguiu demonstrar vasto conhecimento adquirido. O cinco é uma nota totalmente mediana. E se deixarmos que alunos com notas medianas sejam passados de ano, o ensino ficará cada vez mais mediano. Mas, se cobrarmos uma "excelência" de sete, há possibilidades de maior crescimento educacional por parte do próprio aluno (que poderá se tornar um autodidata no futuro - vejam eu disse: PODERÁ).

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    1. SB: "incentivar a criatividade das crianças (obrigação de pais, professores e sociedade),..." --- Impossível já que não há orientação/instrução de "incentivar criatividade" no lar. Para os profissionais há MBAs para dar conta de criatividade. Nas organizações fabris há cursos especiais para incentivar a criatividade. Nos lares não tem como contar com iniciativas sem métodos nem técnicas nem instrumental. --- O erro está na escola- tudo de errado no ensino está na organização escolar, na sala de aula, nos profissionais de ensino. --- Uma situação esdrúxula (barbárie social, desarranjo coletivo cognitivo) é de os profissionais se auto classificarem "trabalhadores da educação". NÃO PODE! O mestre (professora, professorinha, profe, tia) no sentido pragmático é um gênio/craque/mágico de eficácias (criar, inventar, descobrir) enquanto que o trabalhador se atém à eficiência (reproduzir, copiar, imitar).

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    2. R.C. Tenho que discordar. Meu pai era um militar que soube incentivar a poesia em mim. Assim, quando vc diz que é "Impossível já que não há orientação/instrução de "incentivar criatividade" no lar. " eu tenho que discordar. A criatividade pode sim ser incentivada, na minha opinião, sem ser uma pessoa "técnica ou acadêmica no assunto" visto que a criatividade no meu entender é a capacidade de criar coisas novas ou ver de forma diferente. Ter um espírito inventivo. Meu pai criava histórias, meu avô criava histórias, minha irmã criava histórias. Isso é só UM exemplo do que os pais e sociedade podem fazer. Já nas escolas, os professores podem sim ensinar de forma criativa, colocando ideias diferentes, apresentando pontos de vista outros que fogem do comum e corrente, além de ajudar a criança a explorar a natural curiosidade. Vide caso do australiano que compõe músicas sem ter tido aula (seja de música seja de criatividade.) Ainda sou da ideia do: "não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez". Mas de resto concordo com você e, justamente por isso, estou ao lado de Adonai nesta discussão há anos: o ensino nas escolas está errado sim.

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    3. Complementando a fala da Susan, como professora de ensino médio e fundamental, o que eu vejo é falta de vontade dos professores devido a fatores políticos e etc..., colocam a culpa na sociedade, no governo, nos pais, mas não assumem a própria culpa e não se atualizaram de que aquela educação autoritária e aquele aluno que diz "amém" a tudo não existe mais. professores são saudosistas (me refiro aos mais velhos, que são a maioria visto a falta de incentivo nos cursos de licenciatura). Os próprios professores desestimulam o aluno, infelizmente e desestimulam os novos professores, que já são poucos, também. Não podemos ficar jogando a responsabilidade nesse ou naquele, temos que assumir a nossa responsabilidade. Se aluno tem pais desajustados e que não incentivam, vamos fazer o possível para incentivá-los. Estou errada?

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  3. A maioria das discussões sobre educação, e qualidade do ensino, acaba esbarrando em um cenário restrito, às ações governamentais verticais, e políticas públicas educacionais, voltadas para o ensino formal (público e privado), enviesados no sentido do conteúdo (e não, do processo).

    Este bitolamento de conteúdo, é o que acaba tornando uma turma de alunos (incluindo os "bons") em um bando de zumbis.
    Sem estimular o uso ativo do cérebro, sem se preocupar com as imensas variações do processo (velocidade, caráter, comportamento) de aprendizado pessoal, sem considerar o quanto que aprender PODE SER DIVERTIDO, a coisa não só continua assim, como a tendência é a de piorar.

    Então, sempre é um feliz alento, ler a um artigo que finalmente, não se limita a uma visão (ainda que importante, mas limitada do todo), e que nos lembra outros fatores muito importantes: O aluno, seu ambiente físico e familiar, o bem estar destas unidades, e a interação vertical e horizontal de professores e alunos.
    Sem uma unidade familiar fortemente comprometida com ciência, tecnologia e cultura, não há milagres que possam ser operados por professores.

    Susan,
    Retomando o tema da família, infelizmente, hoje, os pais não assumem o seu papel na educação, e pior, ainda por cima atrapalham.
    Esta questão da resiliência (que prefiro chamar de Fortaleza ou Fortitude, uma das quatro virtudes cardinais), depende MUITO mais dos pais, do que da escola.
    Como educar alunos, a aprender a ter tolerância às frustrações ? Como ensinar que não é o fim do mundo, quando ele não ganha aquele ovo de páscoa, naquela hora ? Precisa ser em casa esta educação!

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    1. Lívio: "... sem considerar o quanto que aprender PODE SER DIVERTIDO,... tendência é a de piorar." --- Tudo bem Lívio! Mas como proporcionar aos indivíduos o espírito de diversão? Seria tarefa da escola ou do lar? Quem treinaria os familiares? Onde estaria o treinamento de professores? Deveria haver forças-tarefas com pedagogos a visitarem os lares? O sistema está errado! ***** Lívio: "Sem uma unidade familiar fortemente comprometida com ciência, tecnologia e cultura, não há milagres que possam ser operados por professores." --- Oquêi Lívio. Mas como fazer para chegar nos lares e preparar os familiares? Deveria haver uma escola para familiares? Procura o defeito na escola! ****** Lívio: "hoje, os pais não assumem o seu papel na educação... atrapalham." --- Pensa bem, Lívio. E então o problema sai da escola e vai para os lares? Mas aí cada lar tem os seus problemas portanto seriam tantos rolos quanto fossem os alunos nas escolas. Tem que responsabilizar a escola, meu!

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    2. Livio, CLARO que parte da responsabilidade está na família. É uma questão de SOCIEDADE. TODOS devem se comprometer a melhorar o ensino e a educação. Sejam pasi, professores e nós como sociedade. Como? Além de exemplos próprios ... Com campanhas de conscientização. NÃO vejo novelas, mas creio que todo e qualquer meio deve ser usado (propagandas, campanhas, novelas, músicas, literatura, etc) para conscientizar das possíveis mudanças. Gostaria de deixar claro que NÃO sou formada em educação, e nem fiz mestrado na área. Mas é justamente na troca de ideias que podemos promover reflexão. Por isso acesso e permaneço neste blog. Para mim é um ponto de encontro importante para discussões respeitosas. Um abraço a todos.

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    3. Concordo e repito: Cada um tem que assumir a sua (professores) responsabilidade ao invés de esperar que o outro (governo, família) o faça. É simples! E professor tem que parar de "mimimi" e entender que estamos em outra era e se adequar a ela. Ponto!

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    4. Lívio,

      ...Sem uma unidade familiar fortemente comprometida com ciência, tecnologia e cultura, não há milagres que possam ser operados por professores...

      Você desconsidera a sociedade em torno do aluno, ele não se limita a aprender somente o que a família conhece. O comprometimento com a educação é também devido ao meio social do mesmo. Se isso que você disse está certo como você me explicaria histórias como a de Joaquim Barbosa, atual presidente do STF, muito comentado nos últimos meses.

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  4. AS: "Obrigatoriedade do ensino. Existem aqueles que acreditam na existência de pessoas que não têm interesse em estudar..." --- Tal "acreditar" é falso já que 100% subjetivo, purfa, sem causa-efeito. Considerar cada indivíduo como "caso único entre sete bilhões" ou seja da mesma maneira que a impressão digital cada Ego tem suas atribulações ou seja sua luta particular por suficiências. É assim mesmo o lido aí: admitir que o Ego é um eterno lutador/catador/fuçador por suficiências. Desde há muito que na sociedade o ato de estudar é uma eficiência: gerar um necessário. E para o indivíduo o ato de estudar é uma eficácia: gerar uma suficiência. O Ego exigente de suficiências não perde tempo com estudar caso não gerar suficiências! Deu de perceber? Não se trata do indivíduo não querer estudar: bate o pé não quer porque não quer. Caso um p*ta esforço - estudar interminável nove mais três anos - não proporcionar suficiências, então nada feito! --- Culpa de quem? Quem é o culpado de o indivíduo não perceber suficiências no estudar? Procurar no mundo dos adultos, uai! No Brasil por enquanto/2013 o indivíduo só adquire noção sobre "suficiência" no curso Superior.

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  5. AS: "Massificação do ensino... É obrigação dos responsáveis legais... acompanhamento... e o apoio intelectual..." --- Em parte vou dar outro enfoque. O ensino é tarefa para profissionais enquanto que os responsáveis legais são ou graduados noutras atividades (fora ensino) ou não graduados. E não existe curso/orientação para aprender/compreender "acompanhar e dar apoio intelectual". Nos lares onde há profissionais certamente que ocorre o apoio do adulto ao jovem só que isso acarreta diferenciações na classe por causa de condições nos lares! A palavra-chave é "suficiência": no lar com suficiência há clima para aproveitamentos nos estudos. Daí que dá de afirmar que em geral o jovem é vítima do mundo adulto.

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  6. AS: "Progressão continuada... A educação deve ter o papel, entre outros, de preparar cidadãos para o mundo real". --- Vou discordar de AS. O grandessíssimo equívoco no Brasil é que existe o sistema de ensino - E N S I N O - só que falta o complemento EDUCAÇÃO. Banca-se atualmente cá/BRA um paradoxo: "a moeda de uma única face". --- O ensino está todo elaborado/testado/aprovado/comprovado para dotar as mentes com volume everéstico de conhecimento teórico enquanto que a educação se aplicaria em desenvolver propensões pragmáticas. --- O Progressão Continuada instalou no sistema de ensino uma falsa impressão de estar dando conta do recado: na real traduz um fracasso do sistema, uma inconsciência geral e irrestrita da sociedade. Sem tratar de assumir sistema "moeda de duas faces - ensino e educação" o âmbito de formação intelectual continuará em situação paradoxal, burróide.

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  7. Olá Prof Adonai e Susan

    Bom, já que eu botei o dedo na ferida, tecerei alguns comentários

    1) Vocês podem até não acreditar, mas existem sim e aos montes muitos alunos que não gostam e não têm o menor interesse em estudar. Claro que não existem provas científicas, mas na minha curta trajetória de professor identifiquei tais alunos e, contra fatos não há argumentos. Evidentemente que me refiro ao ensino considerado tradicional. Se considerarmos um ensino que envolva diversas outras atividades como música, por exemplo, isso não é verdadeiro. Porém na maioria das escolas tupiniquins não contamos com isso. E concordo plenamente contigo Adonai que a família tem uma parcela consideravelmente grande nesta falta de interesse.Minha esposa, por exemplo, testemunhou a seguinte frase dita por um pai de aluno na escola onde ela lecionava: "Eu não estudei e estou vivo até hoje, por que eu vou me preocupar com o estudo do meu filho?!"
    Quando disse que alguns alunos não gostam de estudar, talvez de fato estivesse exagerando, no sentido absoluto. Claro que com a motivação correta todos desejarão adquirir conhecimento.Mas conforme a Susan disse acima isto tem que vir de todos (sociedade, professores e família). Se não for desta forma, alunos continuarão indo por obrigação dos pais e da lei a irem à escola. E muitos destes, além de não aprenderem, atrapalharão demasiadamente os que desejam aprender de fato.
    Penso que se não fosse obrigatória, estes dariam mais valor à educação e tirariam melhor proveito dela.

    2) A massificação do ensino, como não foi bem planejada neste país, desqualificou-o totalmente. Pois onde encontrar professores bem formados para atender toda essa massa? Ou seja, teve-se que aceitar muitos professores não habilitados para atender esta demanda. E o nível como ficou?
    Eu creio que a prioridade da escola seria de trazer aos seus alunos conhecimentos científicos e preparação acadêmica e não se nivelar ao nível do que aquelas pseudo-pedagogas dizem, que é o de "preparar o aluno para a vida". Isto é um termo muito vago. Claro que contextualizar e motivar os alunos a partir da realidade que vivem é importante. Mas não ficar apenas ai. Pois acho muita presunção nossa querer "adivinhar" o que o aluno será na vida após os estudos. E se todos quiserem ser cientistas? E se todos quiserem trabalhar numa fábrica? Para mim, a solução é a subdivisão entre as áreas cientificas e mercado de trabalho imediato, como ocorre nos países que levam a sério a educação.

    3) e 4) assino embaixo.

    5) Prof Adonai, se existem professores universitários de qualidade pífia, imagine um professor do ensino básico, que ganha infinitamente bem menos do que um profissional com ensino superior ganha? Aí os melhores somem mesmo, porque ninguém quer dar murro em ponta de faca! Amo ensinar, sempre que posso dou aulas particulares ou ensino alguns amigos de graça. Mas dar 33 aulas por semana para ganhar R$1.500,00, é desumano. E é isso o que ocorre aqui em SP, que por sinal tem a maior carga horária em sala de aula do Brasil.
    Concordo plenamente de que os sindicatos defendem ideias equivocadas. Quando ingressei como efetivo no estado, um dos sindicatos não queria que assumíssemos no meio do ano, porque iria prejudicar os "dinossauros" que iriam perder as aulas e que eram sindicalizados. Isto é um absurdo! Se não tiveram competência para passar na prova, que arquem com as consequências.
    Com relação a meritocracia, estou contigo. Eu não me importaria em ser pressionado a ter um bom desempenho se tivesse condições decentes de trabalho, como um bom salário, tempo para preparação das aulas, para estudar e me aprofundar meus conhecimentos. E os critérios para a premiação teriam que ser bem palpáveis e livres de qualquer fraude.

    Agradeço por discutir sobre estes temas. Não quis ser o dono da verdade quando trouxe-os a tona em um post anterior. Mas somente debater para que juntos possamos visualizar possíveis soluções. Peço perdão se meus questionamentos foram ofensivos.

    Abraços

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    1. Hugo

      Apenas uma observação: não vejo como seja possível estabelecer critérios de mérito completamente livres de qualquer fraude. É neste momento que precisamos também de uma justiça forte. Já defendi em vários momentos que educação não caminha sozinha. Os quatro pilares da sociedade devem dar mútuo apoio e oferecer mútua crítica: saúde, educação, segurança e justiça. Um não funciona sem os demais.

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    2. Hugo: "... E concordo... que a família tem uma parcela consideravelmente grande nesta falta de interesse..." --- Todo mundo concorda com essa, Hugo. Mas então ao abordar deverá começar a propor saídas, soluções. Criar escola para pais é absurdo! Criar forças-tarefas para visitar lares é absurdo! Deixar como está é absurdo! Então a saída é culpar a escola e procurar solução para a escola. Pensa nesta Hugo: a escola deverá/deveria encontrar uma forma de interagir com os pais via internet.

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    3. Prof Adonai

      Perfeita esta sua observação. Estes pilares têm que estar bem sólidos mesmo. Caso contrário, os QI (quem indique) e QE (quem empurre) seriam os determinantes de uma falsa meritocracia.

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    4. Rigor Crítico

      Já propus uma solução meu caro: o ensino não deveria ser obrigatório. Já que é um direito então a família/estudante deveria decidir se quer ou não estudar. Com relação à desestruturação das famílias o caso é bem mais grave.Talvez o fortalecimento dos pilares mencionado pelo prof Adonai seja o caminho.
      O que eu não mencionei atrás também é que, defendo a não obrigatoriedade do ensino, porque, em muitos casos, seria mais proveitoso um aluno estudar em casa do na escola. Calma que eu explico: se algum dos pais tiver tempo disponível podem ensinar os filhos em casa com muito mais eficiência do que na escola, principalmente daquelas que estão infestadas de problemas e que não permitem um ensino decente. Isso já é feito nos EUA com milhares de alunos. Estes só vão às instituições de ensino para fazerem as provas.
      O duro é os pais terem tempo para isto.
      Não acho que a escola interagir com os pais via internet. O problema Rigor é que os pais hoje em dia são muito infantis tanto quanto ou até mais que os filhos. Não assumem suas responsabilidades de pais. Com o ensino obrigatório ela é jogada nas costas da escola. Mas escola não educa, quem o faz é a família.

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    5. Olá pessoal. Lembro que na época que fazia a faculdade de psicologia e trabalhei com ludoterapia, tinhamos o hábito (entre colegas) de brincar que deveria ser obrigatório um teste psicológico para os casais que quisessem ser pais. Tamanha a quantia de crianças problemáticas por causa de pais mais que problemáticos. Tirando a piada, continuo vendo como única saída, não o controle de casa em casa ou criar escola para os pais, (não, claro que não) mas.. como coloquei acima: propagandas massivas! Campanhas massivas de conscientização! Mostrar exemplos de adolescentes que foram crianças problemáticas e que se encontraram em alguma área que lhes desse prazer. Acredito nisso. E não consigo (no momento) ver outra saída. Documentários, entrevistas, médicos, psicólogos, educadores, falando na TV, internet, jornais, revistas, na literatura, músicas, filmes, desenhos, etc... Mostrando como permitir que a curiosidade natural das crianças se manifeste e crie .. De exemplos sobre isso, na internet, temos muitos. O caso da moça que trabalhou no Vale do Silício é apenas UM exemplo.

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    6. R.C. Concordo com vc e já expus isso lá no face. Creio que muitos alunos conseguem ter foco e discernimento para estudar por conta. Claro que ter mediadores facilita. Assim, as aulas em vídeo ou livros free na internet podem ajudar ao aluno que quer se debruçar mais em determinados assuntos (de acordo com seus interesses). Também concordo que muitos pais são bem mais infantis que alguns filhos! Por fim, creio que o que o Adonai sempre falou é um dos principais pontos: "Os quatro pilares da sociedade devem dar mútuo apoio e oferecer mútua crítica: saúde, educação, segurança e justiça. Um não funciona sem os demais. " E, sinceramente, acredito nesta possibilidade! SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA E JUSTIÇA caminhando juntas!

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    7. Rigor crítico e Hugo vou tentar colocar a minha realidade: Internet não existe, esses pais não sabem nem ligar o computador, alunos também. A mãe sai de manhã para trabalhar e volta no fim da tarde, as crianças ficam na rua quando não estão na escola, com a vizinha, tia, parente e etc..., ou seja, o mundo dos estudantes não tem nada a ver com o que esse pedagogos demagogos tentam impor.
      Na cidade onde dou aula, o ensino noturno é constituído por alunos que em sua maioria usam ou traficam drogas, a minha pergunta é: Como estimular esses aluno de que eles devem estudar, sendo que se traficarem vão ganhar muito mais do que qualquer um com faculdade? Essa é a realidade não só a minha, como a de muitas escolas pelas periferias e cidades do estado, aliás, do país. No ensino fundamental o pai é presente, preocupado, pelo menos em sua maioria, a quinta série/sexto anos e sexta série/ sétimo ano são pais presentes e a minha pergunta é: Aonde se perde os valores dados até essa idade? Na escola? Na família? Ou no vício, no trafico? É muito complicado. O que o Hugo falou, eu concordo, é desumano ganharmos 1500 reais para dar 33 aulas e muitos, a maioria, dos professores trabalham em até 5 escolas diferentes, eu mesma trabalhava em 3, fora as particulares. Que tempo esse professor tem para estudar, para se dedicar? Só que estamos nessa situação por nossa culpa, pois deveríamos ter instigado o aluno a exigir uma educação de qualidade e consequentemente um salário decente para seu professor desde as Diretas já, mas nunca fizemos isso, só brigamos por NOSSO salário. Bom isso eu já havia dito no comentário abaixo e não vou repetir, mas que temos culpa também, temos sim, além de....claro! Quer a solução? Politizar aluno, desenvolvendo o senso crítico, a auto estima. E quem tem que fazer isso? Vão esperar o Governo? os pais? Não né! Nós, professores!

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    8. SB: "saúde, educação, segurança e justiça. Um não funciona sem os demais." --- Que é isso meu? Sai dessa rapidinho! Saúde depende de profissionais, recursos e instalações. Segurança depende de coordenação das forças contra crimes: PM, PC, PF, MP, FAs. Justiça depende dos profissionais e seus procedimentos agilizados. O que não está bem é ensino + educação: ensino dissemina conhecimentos teóricos e educação desenvolve espíritos pragmáticos. Está errado confundir ensino com educação, os raciocínios são todos errados. --- SB: "desumano ganharmos 1500 reais para dar 33 aulas e muitos". Então mudar de trabalho! O empregador Estado não consegue remunerar melhor porque não consegue, e fim de papo! O indivíduo insatisfeito numa atividade que vá para outra, trabalhar no comércio, na indústria, que se torne autônomo. É assim que a maioria dos brasileiros procede! O Brasil é país de segunda linha, segundo tempo, remediado; o Estado está pelas caronas, mal das pernas! Nos rankings de mundo o Brasil se faz “rabeirão”.

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    9. CS: "Internet... esses pais não sabem nem ligar o computador, alunos também. A mãe sai de manhã para trabalhar... crianças ficam na rua..." --- Pensa bem, meu! O ensino é para a elite, é para elitizar, para alavancar cognitivamente os indivíduos (independente de classe social) que se mostram mais habilidosos, aptos, capazes, espertos, fuçadores, curiosos, estudiosos, pensadores, aplicados, pesquisadores, leitores, colaboradores. Percebeu CS? Há mil "entradas" para as elites no ensino. --- Está obrigatório que no sistema de formação nacional seja feita a distinção entre ensino e educação: ensino como está e, educação a ser criada com novo quadro de profissionais pedagogos. Anota aí CS: ensino para conhecimento teórico e educação para desenvolvimento pragmático; dois quadros independentes de profissionais. Com isso o Brasil poderá entender como que funciona o ensino de EUA e Alemanha (nada a ver com asiáticos).

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  8. 1. “Existem aqueles que creem que a reprovação na escola é um trauma para uma criança ou adolescente.”

    - Não só na escola como em casa, também. Essa frase me fez lembrar que a educação dada pelos pais mudou consideravelmente. Diante de um ato errado do filho, passar a mão em sua cabeça e conversar calmamente é mais adequado que um castigo, claro que, refiro-me ao castigo com intuito educacional, isento de qualquer ação agressiva ou ofensiva.
    Diante disso, sou a favor da obrigatoriedade de ensino. Mas, para que este seja eficiente e eficaz, os pais, junto com os professores, precisam utilizar métodos satisfatórios para o desenvolvimento de um futuro adulto.

    2. “O trauma provocado por uma reprovação na escola pode ter o importante papel de formação de caráter, se for devidamente acompanhado pelos responsáveis legais da criança e do adolescente.”

    - É o que disse sobre “passar a mão na cabeça”. Isso explica os problemas sérios existentes na sociedade em que vivemos, como por exemplo, o alto índice de: usuários de drogas, criminalidade, ausência de cultura, preconceitos, desrespeito ao meio ambiente, desrespeito ao próximo – especialmente em sala de aula, aproveitando o contexto – corrupção, o péssimo sistema de segurança e saúde, incompreensão da importância do conhecimento, etc.

    3. “ Verdadeiras massas da população começaram a frequentar universidades. E vagas em universidades têm aumentado no mundo todo”

    - Aproveitando este texto, lembro-me do alto número de faculdades particulares disponibilizando inúmeras vagas.
    É verdade que existem muitos graduados. Mas a pergunta que tenho em mente é: O que essas pessoas sabem de fato? Qual a real diferença que farão para melhorar ou mudar o caminho pelo qual a sociedade segue?

    4. “Uma graduação em curso superior deveria ser um ritual para a entrada na vida adulta de futuros profissionais que efetivamente resolvem problemas fundamentais da sociedade”.

    - Os estudantes e formados, na maioria, limitam-se em apenas satisfazer suas necessidades pessoais. São como políticos, isso quando não se tornam políticos. A real importância da graduação foi trocada por um simples diploma, chave para a entrada de uma vida desejada, individualmente, ou seja, com dinheiro, carro na garagem e demais regalias. Em outras palavras, o próprio egoísmo humano, excluindo qualquer ato importante que resulte numa sociedade melhor, livre de qualquer problema.

    5. “No entanto, os próprios professores contribuem para essa desvalorização. Movimentos de greve são o exemplo mais marcante, sempre exigindo tratamento igualitário para todos.”

    - Quando agimos de uma forma e esta não tem quase nada ou nenhuma resposta esperada, imagino que, devemos parar, pensar e mudar os planos. A greve, é o resultado da falta de pensar. É, infelizmente, o diploma adquirido com intuito de satisfazer a si mesmo.

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  9. 1. “Existem aqueles que creem que a reprovação na escola é um trauma para uma criança ou adolescente.”

    - Não só na escola como em casa, também. Essa frase me fez lembrar que a educação dada pelos pais mudou consideravelmente. Diante de um ato errado do filho, passar a mão em sua cabeça e conversar calmamente é mais adequado que um castigo, claro que, refiro-me ao castigo com intuito educativo, isento de qualquer ação agressiva ou ofensiva.
    Diante disso, sou a favor da obrigatoriedade de ensino. Mas, para que este seja eficiente e eficaz, os pais, junto com os professores, precisam utilizar métodos satisfatórios para o desenvolvimento de um futuro adulto.

    2. “O trauma provocado por uma reprovação na escola pode ter o importante papel de formação de caráter, se for devidamente acompanhado pelos responsáveis legais da criança e do adolescente.”

    - É o que disse sobre “passar a mão na cabeça”. A falta de reprovação, explica os problemas sérios existentes na sociedade em que vivemos, como por exemplo, o alto índice de: usuários de drogas, criminalidade, ausência de cultura, preconceitos, desrespeito ao meio ambiente, desrespeito ao próximo – especialmente em sala de aula, aproveitando o contexto – corrupção, o péssimo sistema de segurança e saúde, incompreensão da importância do conhecimento, etc.

    3. “ Verdadeiras massas da população começaram a frequentar universidades. E vagas em universidades têm aumentado no mundo todo”

    - Aproveitando este texto, lembro-me do alto número de faculdades particulares disponibilizando inúmeras vagas.
    É verdade que existem muitos graduados. Mas a pergunta que tenho em mente é: O que essas pessoas sabem de fato? Qual a real diferença que farão para melhorar ou mudar o caminho pelo qual a sociedade segue?

    4. “Uma graduação em curso superior deveria ser um ritual para a entrada na vida adulta de futuros profissionais que efetivamente resolvem problemas fundamentais da sociedade”.

    - Os estudantes e formados, na maioria, limitam-se em apenas satisfazer suas necessidades pessoais. São como políticos, isso quando não se tornam políticos. A real importância da graduação foi trocada por um simples diploma, chave para a entrada de uma vida desejada, individualmente, ou seja, com dinheiro, carro na garagem e demais regalias. Em outras palavras, o próprio egoísmo humano, excluindo qualquer ato importante que resulte numa sociedade melhor, livre de qualquer problema.

    5. “No entanto, os próprios professores contribuem para essa desvalorização. Movimentos de greve são o exemplo mais marcante, sempre exigindo tratamento igualitário para todos.”

    - Quando agimos de uma forma e esta não tem quase nada ou nenhuma resposta esperada, imagino que, devemos parar, pensar e mudar os planos. A greve, é o resultado da falta de pensar. É, infelizmente, o “diploma” adquirido com intuito de satisfazer a si mesmo.

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    1. Raquel

      O que percebo no Brasil é uma quantia gigantesca de graduados com comportamento infantil: "Me dá, me dá, me dá." E é isto o que as greves mais recentes de professores têm demonstrado.

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  10. "[...] Mesmo na universidade tive centenas de alunos que pareciam ter sido criados por javalis. A boçalidade é assustadoramente presente no Brasil. [...]"

    É justamente este tipo de comportamento de alguns indivíduos que sempre me impediu de atuar em sala de aula, como professor. Para mim, basta um ou dois desses "trogloditas" para que eu perca o domínio em sala de aula.

    Apesar da minha formação técnica, infelizmente não tenho nenhum equilíbrio e maturidade emocional para lidar com situações envolvendo tais indivíduos.

    Dada esta realidade, creio que jamais serei professor!!!!!!

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  11. Quanto a progressão continuada tenho minhas ressalvas, mas vou contar uma experiência que tive o ano passado em uma das escolas que eu dava aula: Naquela escola simplesmente os alunos não tinham conhecimento da aprovação automática e os que sabiam, tinham dúvidas, tal era a postura do diretor e dos professores. Haviam cobranças, tanto de professores como de alunos, por parte do gestor, eu mesmo já "bati de frente" duas vezes com o gestor, pois era muito "certinho" e "radical", mas isso em nenhum momento diminuiu a admiração que eu tinha por ele como gestor, tanto que nunca deixamos de sermos amigos. Dessa experiência eu tirei a conclusão que gestores e professores é que fazem a escola, pois ele, pelo que me contaram inclusive os próprios alunos, fez daquela escola a melhor da cidade. Uma escola que não possuía muros, nem regras e inclusive havia problemas sérios de drogas, dentro e fora da escola. Concordo com o professor Adonai, inclusive na ultima parte, quando cita as greves. Para que professor fez greve? para melhorar qualidade de ensino? Não, nunca, professor só lutou pelo seu salário, nunca fez greve pelo aluno, na realidade, nunca se preocupou com aluno. Sinto muito aqueles que não são assim, pois toda regra há exceção, mas a realidade é essa. Se o professor quiser aumento de salário que levante a moral do aluno, ensine o aluno a batalhar pela melhoria do seu ensino e, mais ainda, ensine, para que aproveite essas cotas e bolsas dignamente, incentive o aluno a estudar. Infelizmente não é o que eu vejo, o professor se justifica com um salário baixo e por isso não se estimula e também não estimula. Poderiam ter feito a coisa de outra forma ao invés de greves e mais greves. Claro que existe uma falta de incentivo governamental, familiar, não posso excluir isso mas, poderiam ter agido diferente desde o começo e as coisas já teriam mudado e quando me refiro a começo, me refiro desde a queda da ditadura, pois para quem não sabe, antigamente as escolas públicas que eram boas. O que será que aconteceu por ter invertido a situação? Será que a culpa é só do governo?

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    1. Cibele,
      1- A queda da qualidade das escolas públicas, tem um milhão de causas: desde o fato da decadência da carreira docente, ao fato da necessidade de ampliação irrestrita e desestruturada das escolas, focada mais na construção física, do que no preparo dos processos e da interação dos alunos e professores, até a explosão urbana (que coincide com a data proposta) que inchou a população das cidades, e por consequência, obrigou a dar conta do ingresso de milhares de alunos, sem que houvesse preparo ou planejamento.
      2- O professor Adonai trouxe hoje, um artigo que considero indispensável, não só para o nível universitário, mas também para o ensino médio, e até o fundamental, que é o estímulo para que os alunos se reunam, se organizem, se preparem para defender os seus interesses e direitos, como coletividade mesmo. Não sou tão velho assim, mas a impressão que sempre tive, é que nunca tivemos grêmios estudantis atuantes no nosso país.

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    2. Lívio

      Existem grêmios estudantis bastante atuantes. Mas geralmente o impacto de suas ações é pequeno. Sempre há a necessidade de apoio do contorno social, algo muito difícil de ser conseguido.

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  12. Susan,
    Hoje em dia, é muito comum, as empresas terem em placas bonitas, e banners, a tal da "Missão" e "Visão". Oras, que raios de utilidade tem isso ?
    Do ponto de vista de se reunir pessoas distintas, com realidades e formações diferentes, e com objetivos diversos, é simplesmente um lembrete, algo como uma camisa colorida ou uma bandeira, que coloca o que deveriam ser os objetivos em comum, de todos os envolvidos. Em outras palavras, é uma faísca que permita que um grupo tenha metas em comum.
    Com isto em mente, é possível ter esse "bombardeio midiático" com algum resultado prático.
    Por quê, simplesmente reverberar termos vagos, sem especificidade, sem prazos ou responsabilidades, é frustrantemente infrutífero.
    Propagandas contra o mosquito da Dengue em geral, são assim: Educa-se sobre o ciclo do mosquito, e como é ruim deixar água parada. Mas quando se fala em "responsabilidade de todos", aí o caldo entorna, pois "todos" é pronome indefinido!

    Cibele,
    É a mais pura verdade.
    Parece que é muito fácil aprender a jogar a culpa no colo dos outros, ao invés de realmente tentar encontrar as coisas que poderia fazer para fazer a diferença.
    Reconheço que é mesmo desestimulante, ter como único recurso para interagir com muitas famílias, uma convocação para uma reunião, que, tão frequentemente é ignorada, e quando se consegue o comparecimento, muitas vezes simplesmente é um,ou dois monólogos por longos minutos.

    Felipe,
    Esta frase, eu destaquei do texto do Adonai.
    O segredinho dela, é o trecho: "não há milagres que possam ser operados por professores" - por que mostra que o desfecho desejado, não é o sucesso de pontos fora da curva, de alunos excepcionais, mas sim, uma elevação educacional de todos os alunos medianos.
    Aliás, esta coisa de se idolatrar os gênios, os superdotados, quase sempre deixa para trás, a meta de se educar a maior parte da classe (que lembra muito propaganda de cursinho - sempre se destacam os alunos com mais resultado, e ninguém menciona o número total de alunos que foram expostos às mesmas aulas, para ter uma idéia mais precisa da qualidade da educação que eles supostamente teriam).

    RC,
    Tem aquela tirinha clássica, que mostra como a relação dos pais mudou em poucos anos.
    http://3.bp.blogspot.com/_v9K1WlYSXJI/Si8Gpx8C-LI/AAAAAAAAAWI/7XQ_UBHgA-0/s1600/Professora%2Be%2Ba%2Bfam%C3%ADlia.JPG

    Ficar esperando bovinamente, alguma mudança radical que dependa de governo, é quase um Sebastianismo disfarçado - esperar o messias, o cara genial, que um dia, vai botar ordem na casa.

    Se, quando você foca na escola como problema, você se refere ao fato dela estar estruturalmente, oferecendo conteúdo vomitado, se limitando especialmente a administrar determinadas matérias em determinados prazos, em volta de aulas expositivas, com espaço mínimo para a interação e a ação do aluno, e reforçando "alunos papagaios", que sejam capazes de replicar o que é escrito na lousa, mas sem o menor pensamento independente, eu concordo!

    Agora, se você espera, que só mudanças estruturais "ideais" neste modelo escolar, em relação ao corpo docente e discente, e até na sociedade em que vivemos, aí, essa imagem ideal, esse perfeccionismo vai necessariamente resultar em inação.

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    1. Lívio

      Precisamos sim de uma imagem ideal como referência. São imagens ideais que alavancam sociedades. Isso porque tal idealismo pode ter consistência. Se buscarmos por um cenário sujeito a falhas, no momento em que ele for conquistado o discurso sobre mudanças deverá mudar. E isso gera inconsistência, faz perder credibilidade.

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    2. Professor Adonai e Susan,

      Desculpem me, mas acho que me expressei com pouca clareza - no primeiro parágrafo, eu realmente fiz o contraponto de qual seria o valor da Missão e dos Valores, mas no segundo, eu a deixei como o "sujeito oculto" de todo o parágrafo - Uma missão bem clara, é o referencial que permite, a um grupo de pessoas com formações, origens e caráter distintos, se nortear em direção a um futuro, e as suas metas em comum.

      Portanto, eu realmente considero uma etapa muito importante, e que merece a maior atenção e cuidado, para se evitar armadilhas em sua concepção, que estas sejam claras e muito bem definidas, e que possam, desta maneira, constituir uma imagem ideal que alavanca a sociedade.

      Meu porém, foi (ou melhor, deveria ter sido) em direção à imagens mal concebidas, mais voltadas para a forma do que para o conteúdo, e por este motivos, frágeis e passíveis de inconsistências.

      É bom ter o feedback (retroalimentação) ágil da net, para poder melhorar nossa redação, sem precisar esperar por semanas, para saber o que consegui me comunicar, onde fui mais enfático, e onde me embaralhei para expor minhas idéias.

      Aliás, no caso, Susan - a parte da "Missão, Visão e Valores" foi um intróito, para abordar o tema que realmente tinha citado, e que me atraiu para responder - a disseminação ampla geral e irrestrita, de uma mensagem - o tal "Bombardeio midiático".

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  13. Olá Livio. (Rigor, não vou responder para vc, pois vi que as críticas que fez colocando minhas iniciais não se referem a nada que EU disse). Mas, Livio, concordo com vc (apesar de não ter entendido porque citou isso para mim, pois não mencionei em nenhum momento) que termos genéricos como "Missão" e "Visão" não adiantam nada. Sou a favor da objetividade, do planejamento e de ter metas específicas com suas devidas estratégias. Acredito que é isso que se busca aqui no blog. Discussões frutíferas para montar planos e estratégias. Afinal, se ficarmos apenas repetindo os problemas (que muitos estão fartos de conhecer) e nada SUGERIR (seja baseado em reflexão intelectual, seja em experiências pessoais, seja em trocas de ideias) ficamos no vazio que combatemos. Sei que a sociedade tem pessoas distintas com histórias distintas. Mas imagino que estamos falando da educação no geral. E que todos da sociedade podem (e devem) se envolver. Por isso a sugestão do "bombardeio midiático" enquanto eu não tiver (ou outras pessoas aqui) outras ideias. Mas isso sem termos vagos e com uma campanha inteligente que traga EMPATIA! Eu não diria que os prazos são necessários, mesmo porque cada um tem seu tempo de assimilação. Mas objetivos específicos devem ter sim. Em vez de "responsabilidade de todos", fazer campanhas como o respeito (por exemplo), esta propaganda criou empatia pois todos já fomos desrespeitados alguma vez. Não só propagandas mas também uma exposição sistemática de bons exemplos da sociedade, de pessoas que agem com ética. Enfim, são só ideias que creio que podem e devem ser debatidas até chegarmos a algumas possibilidades reais de mudança! Apesar das personalidades díspares daqui dos comentaristas do blog, este é o ponto em comum: MELHORAR - PROVOCAR MUDANÇAS!

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    1. Trecho de Susan Blum: "Sou a favor da objetividade, do planejamento e de ter metas específicas com suas devidas estratégias." --- Vou discordar da colocação de SB: A) pelo que se sabe de administração, num planejamento são três os níveis de envolvimento: 1. estratégico, 2. operacional, 3. tático; a expressão objetividade implica atender os requisitos dos três níveis; nível estratégico é para clarear/especificar objetivos ambicionados/idealizados; nível operacional é para reunir sistemas de controle, fixar recursos e prazos para realizações, métodos de retroagir para correções e ajustes; nível tático sustenta o fronte, ocupa o ambiente de produção, atua no sentido de efetivar os estabelecidos e realizar os desfechos propostos. --- Susan: "PROVOCAR MUDANÇAS". --- Considero que valeria a pena "pensar propostas para mudanças" o que levaria a "pensar situações e condições para trabalhos" o que desembocaria no "pensar em dificuldades e entraves de várias naturezas". --- Susan: "... Mostrando como permitir que a curiosidade natural das crianças se manifeste e crie ..." --- Veja no que discordo: A) estaria em tempo de fazer uma distinção estratégica entre tempo de ensino e tempo de educação; B) durante 12 ano do Básico no ensino é tudo "preto no branco", "pão é pão queijo é queijo", levado por subjetividade zero; C) afirmo que educação envolve abordagem por psicologia e admissão da subjetividade que beira o infinito em classe de aula ao longo dum ano; D) daí a ideia de fazer da educação um sistema em paralelo ao do ensino; uma consequência seria de os pedagogos de educação (e não de ensino) orientarem as curiosidades das crianças - cada indivíduo seria abordado como caso particular; E) os pedagogos de educação se fariam pragmáticos de modo a acelerar ou facilitar os avanços cognitivos das crianças; isso bancado pelo sistema nas 12 séries do sistema de formação.

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    2. Olá Rigor.
      Agradeço pelas suas colocações. O Adonai muitas vezes me alertou que me falta conceituação técnica e que minha fala é falha de clareza. Tudo que você expôs acima é - de certa forma - o que eu queria dizer. Mas como não sou estudiosa de administração ou sequer tenho estudos sérios ou pós em educação, acabo colocando de forma meio poética (natureza minha), certas ideias. Creio que a sua escrita deixou de forma mais clara e acadêmica meus pensamentos. Nada tenho a discordar ou opiniar sobre o texto acima! Por isso gosto tanto dest blog e da participação das pessoas. Ele me faz refletir, pensar, mudar, me questionar. Apesar da minha idade tenho poucas certezas na vida. Uma delas é de que sempre estarei aprendendo com as trocas das pessoas. Não acho que algum dia conseguirei me expressar como você ou Adonai. Esta minha veia poética me leva a ser mais solta (o que em alguns casos pode atrapalhar - garanto isso pois já senti na pele em algumas relações). Gosto de leveza, de paz. Mas sei que tenho que aprender a "guerrear" também. Tenho formado calos... quem sabe um dia a casca engrosse tanto que eu consiga então ser mais técnica no meu linguajar e consiga me fazer entender de forma direta. ;) Um abraço a todos!

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  14. Muito bom seus argumentos, eles basicamente se sustentam na participação da família na formação de um indivíduo. Bem, eu sempre tive esse mesmo argumento e até hoje não mudei de ideia. Garanto que se não fosse a formação e estímulo que eu tive, não estaria onde estou.

    Porém, você deve levar em conta que família hoje não é muito comum no Brasil. Não falo pai, mãe e filho tudo certinho, falo de qualquer pessoa que crie e estimule uma criança, seja tio/avó/vizinho. A grande massa de crianças e adolescentes são "largardas", dificilmente alguém vai estimula-los intelectualmente ou talvez haja até desestímulo.

    Não adianta apenas admitir isso. Essa é a variável que você tem. Famílias não existem mais no Brasil. Ou se trabalha partindo desse pressuposto ou não se chega a lugar nenhum. Lembrando que educar adultos (no caso, os pais ou quem quer que crie a pessoa) é infinitamente mais difícil do que educar crianças.

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  15. Faz tempo que eu não apareço por aqui. Sempre lúcido em seus comentários. Eu e meus 4 irmãos crescemos no mesmo ambiente, e apenas eu virei professor e segui carreira acadêmica, em uma família sem tradição nisso, e hoje sou professor de uma grande universidade federal (ufrgs). Claro que a família foi bastante importante (acho que a influência que os livros e revistas que meu pai trazia pra casa foi maior em mim do que nos meus irmãos) e a escola pública em que estudei tinha uma biblioteca muito boa, mas não somos massinhas de modelar, a família, e principalmente a sociedade como um todo, tem que oferecer condições para que os jovens descubram do que gostam e no que são bons. Vejo muita gente escolhendo profissão preocupada apenas com realização financeira, o que acho um disperdício de talentos. Sobre a democratização, acho que a massificação é um mal necessário, a qualidade virá com o tempo. Um dos principais problemas do país é a falta de mão-de-obra qualificada. As universidades e institutos de educação tecnológica precisam ampliar as vagas para que os jovens tenham formação.

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  16. Prof. Adonai, sempre tenho uma satisfação enorme em ler seus artigos.

    Sobre o artigo da Scientific American, eu estive realizando diversas pesquisas:

    1) Problemas no ensino de computação http://jaguaracisilva.blogspot.com.br/2013/01/excelente-artigo-na-scientifc-american.html

    2) Análise do Perfil Docente: Uma Proposta para Acompanhar a Relação Docente-Componente Curricular http://jaguaracisilva.blogspot.com.br/2013/02/analise-do-perfil-docente.html

    Sds,

    Jaguaraci Silva

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    1. Jaguaraci

      Gostei muito dos dois textos, mas principalmente do segundo. Tenho as seguintes dúvidas:

      1) O artigo intitulado "Análise do perfil docente" foi publicado em algum veículo especializado? Qual e quando?

      2) Você procurou fazer algum teste de validação de seu modelo? Se não, você acha que isso é possível?

      3) Houve alguma repercussão deste trabalho?

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  17. Prof. Adonai, o artigo não foi publicado, apenas tive uma idéia e resolvi compartilhar com pessoas interessadas em um formato apresentável. Por isso não fiz um teste com o modelo, mas é possível realizar um experimento utilizando uma metodologia de BPM para definir papéis, como coletar os dados, etc. Havendo interesse, eu terei o maior prazer em demonstrar isso. Sou especialista nesse tipo de trabalho com alguns anos de experiência.

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    1. Pois é, Jaguaraci

      No Brasil existem muitos modelos aplicados por recomendações de consultores mas sem qualquer validação, principalmente em administração de empresas e até mesmo em educação. Por isso a segunda pergunta! A princípio sua proposta merece atenção. Sugiro que ponha o modelo em teste e, em caso de sucesso, que o publique em um bom periódico especializado. Espero que não interrompa o seu interessante trabalho.

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