quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Saresp



O texto abaixo foi escrito por Cibele Sidney, professora da rede pública de ensino médio do estado de São Paulo. Ela faz uma incisiva crítica ao Saresp, Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. José Carlos Rothen, pesquisador em educação da Universidade Federal de São Carlos, já havia feito algumas críticas a este sistema que não conta com transparência pública sobre seus critérios de avaliação e de distribuição de bônus entre professores. 

Sempre tenho defendido critérios meritocráticos na educação brasileira. No entanto, distribuição de bônus sem justificativas claras não caracteriza meritocracia alguma. Parece mais um suborno, em troca de silêncio.

Divulgo o desabafo que se segue simplesmente porque este blog é um fórum de discussões aberto a todos os interessados em educação e ciência.

Apesar deste site ter sistematicamente enfatizado o ensino superior, não há como negar a fundamental importância dos ensinos fundamental e médio. Afinal, a educação básica é aquela que produz os futuros alunos universitários deste país.

Desejo a todos uma leitura crítica.
____________


A definição de Saresp, segundo a Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo, é de “uma avaliação externa em larga escala da Educação Básica, aplicada a cada ano, desde 1996, pela Secretaria de Educação”.

Assim, todos os anos, é aplicada uma prova para avaliar todas as escolas estaduais. São as informações levantadas e fornecidas pelo Saresp que permitem aos responsáveis pela educação, identificar o nível de aprendizagem dos alunos e acompanhar a evolução da qualidade da educação ao longo dos anos. No entanto, nada sabemos sobre o desempenho desses alunos, pois não temos acesso a correções, gabaritos ou divulgação de notas. E muito menos nos é explicado quais são os índices que avaliam esses alunos, índices esses que permitem que professores e gestores recebam bônus. Fica então a pergunta que não quer calar: Por que nós, professores e gestores, não temos acesso aos dados?

Para nós, professores, o funcionamento do processo é: aplicamos uma prova em uma escola diferente da que exercemos a função, e o conteúdo da prova é baseado no sistema construtivista adotado pelo Estado (sistema este que questiono e muito) que analisa as variáveis que interferem no desempenho, e o seu resultado serve para o monitoramento das políticas públicas na área de educação e no plano de metas das escolas. Então, mais uma vez a pergunta surge: por que professores e gestores não têm acesso aos dados? E faço o mesmo questionamento: se o plano de meta é das escolas, insisto mais uma vez, por que não temos acesso aos dados e aos gabaritos?

Com relação ao bônus a coisa é ainda pior, pois nem sabemos qual é o índice de classificação para os valores de bônus, pois houve professor que recebeu cinco mil reais e outros que receberam vinte e três reais. E novamente indago: baseado em quê é feito este cálculo?

Segundo algumas informações passadas pelos gestores, eles avaliam através das evasões, repetências e desistências, além do desempenho na avaliação. Mas isso ainda não explica a incoerência nos valores dos bônus. Eu mesma tive um ano em que recebi em torno de duzentos reais e no outro quinhentos reais. Tudo bem que foram em escolas diferentes, o que permitiria uma certa coerência, mas a discrepância desses valores se refere a professores de uma mesma escola. Assim, pergunto: quanto maiores os índices de evasão, repetência e desistência, menor o bônus? Será? Acredito que não, pois o professor da mesma série em que leciono (só que com a disciplina de física, pois eu ministrava química) recebeu o bônus bem maior que o meu, sendo que somos da mesma categoria. Essa história de categorias, para quem não é professor, é complicada de entender e falarei disso em outra ocasião, pois, se você acredita que as barbaridades acabam aqui, está enganado, caro leitor! Tem coisa bem pior.

Essa prova, como supostamente é baseada em tudo isso além das avaliações, mostra que a “obrigação” do professor seria impedir que o aluno fizesse qualquer uma das três coisas (evadir, reprovar ou desistir). Além disso, a qualquer custo, o professor tem que cativar o aluno e, mais ainda, não pode reprová-lo (estou falando do ensino médio, pois no fundamental não se reprova mesmo). Pois se isso acontecer, além de não recebermos o “bendito” bônus, somos classificados como incompetentes e o Estado, baseando-se nesses índices, julga que a culpa do ensino estar ruim é única e exclusivamente do professor, que é incompetente.

Isso tudo sem esquecer um pequeno detalhe: como não temos acesso aos dados de prova dos alunos e muito menos às notas, não temos como obrigar o aluno a aparecer, pois não existe nenhuma nota que será utilizada para atrelar às avaliações bimestrais. Então, para que fazer uma avaliação que além de não contar absolutamente nada para ele; ainda por cima é somente para o professor ganhar bônus (é assim que eles pensam).

E o professor, por que não faz nada? Na realidade, ele não está nem um pouco interessado, afinal, não vai mudar nada mesmo. Têm-se esta ideia porque já foram anos e anos de greves e lutas para se estar na situação que estamos, ou seja, desvalorizados, tanto financeira quanto moralmente.

Isso mostra que, no fundo, a ordem que nos é dada é: não pode haver reprovações. E não me refiro somente ao fundamental, mas ao médio também. Assim, a visão para muitos professores é que não se deve reprovar ninguém, a não ser quando realmente não tiver nenhuma alternativa.

Claro que não vou generalizar, mas são principalmente os professores efetivos, que estão há muitos anos no ensino, que fazem isso. E não tiro a razão deles, pois se reprovarem são considerados incompetentes por não saberem ensinar. Já os novos professores, que são as novas categorias ditas pelo Governo, estão sendo desmotivados por esses que já estão desmotivados pelo Governo. Enfim, uma bola de neve que mostra que a coisa está pior do que imaginam, e não mostra possibilidades de mudanças.

21 comentários:

  1. Caro Professor Adonai

    Primeiramente, quero parabenizá-lo pelo blog e pelos temas levantados aqui,
    Agradeço também por postar este relato, pois mostra a catastrófica situação que se encontra a educação em nosso país, sobretudo no estado de SP.
    De fato esta política de bônus não premia os melhores, mas compra o silêncio dos mercenários, conforme você salientou.
    Conheço um coordenador que fez o óbvio e correto: reprovou os alunos que não tinham condições de seguir em frente e recebeu uma miséria de bônus. E outra coordenadora, empurrou todo mundo e recebeu uma grana preta.
    Isso sem falar que há a suspeita de ajuda de professores em muitas escolas na prova do SARESP.
    Por essas e outras que abandonei o ensino, embora goste muito de lecionar. Sei que posso me encaixar no rol dos típicos brasileiros do seu post anterior. Por isso eu e todos os interessados em educação precisamos tomar alguma atitude.
    Vou passar o link deste post para meus amigos professores, de tal forma que possamos aumentar a rede de profissionais que desejam melhorar a educação.
    Entendo sua revolta com relação a meritocracia (a falta de). Mas te digo que não existe meritocracia em parte alguma deste país. Já cansei de ver muitos incompetentes tendo cargos muito melhores do que de gente capaz, somente por meio de bajulação, apadrinhamentos e politicagem. Infelizmente quem perde são todos nós, pois incompetência gera um prejuízo enorme em todos os aspectos.

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    1. Hugo

      Diante de seu breve, mas impactante, depoimento, tenho duas perguntas: 1) Você acredita na possibilidade de que algum dia o mérito será norteador social no Brasil? e 2) Se a resposta for negativa, qual é a sua motivação para continuar a viver no Brasil? Posso parecer incisivo nestas questões, mas é genuína curiosidade.

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    2. Prof Adonai

      Creio de fato que a meritocracia é importantíssima no desenvolvimento do Brasil. Em países desenvolvidos ela é altamente incentivada, como é o caso dos EUA. Dei o depoimento acima no sentido de que estou aborrecido com esta situação, pois não só o indivíduo capacitado perde com isso, mas também as empresas as quais estes pertencem;
      Certa vez li na revista Veja uma entrevista com um especialista que dizia que a incompetência gera maior prejuízo ao país do que a corrupção, visto que empregados incompetentes (no caso ele citava de empresas públicas) produzem significativamente menos do que um bom empregado, Ele fala de perdas de até 40% e em algumas áreas, até mais do que 100%.
      É difícil incentivar hoje em dia um jovem a buscar conhecimento, sabendo que em muitos casos, para se crescer profissionalmente é necessário recorrer a subterfúgios como a bajulação, por exemplo.
      Portanto concordo plenamente que a meritocracia e a competição saudável sejam ingredientes fundamentais para a receita de progresso de nosso país.

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    3. Hugo, gostei muito do seu depoimento e eu como professora do ensino médio e fundamental do Estado de São Paulo também, existem momentos, em que desanimo e muito, mas meu desânimo é ainda maior quando me deparo com professores, principalmente aqueles que estão a muito tempo na rede, devido a toda uma política desmotivadora estão desanimadíssimos e não fazem nada para mudar esse quadro, afinal, cansaram. Querer voltar a incentivar esses professores é muito desgastante, pelo menos para mim, assim decidi me voltar ao aluno, motivá-lo e por incrível que pareça, consegui, isso porque a escola em dou aulas é de cidade pequena, onde o que comanda os jovens é o tráfego de drogas e sabe o que percebi? Eles são carentes de atenção, de motivação, de limites, de broncas. Acabo fazendo o papel de mãe, só que encontrei uma forma de politicá-los. O ano passado dei aula de química e consegui inserir a política em todo o conteúdo apresentado pelo estado. Alunos são inconformados com o SARESP, afinal não ganham absolutamente nada com isso, como citei no texto. Então, a fórmula está aí: Alunos. temos que aproveitar. Muito obrigada pelo seu comentário e estaremos juntos nessa luta. :)

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  2. Referencio artigo (singularíssimo) de Adonai, SAB, Fevereiro/2013: "O Brasil simplesmente não compete". --- Considerar "não compete" referido ao período de ensino completado pelo curso Superior. No que surge a questão "qual é a causa?" um rápido papo leva ao âmago da questão: o Básico (Fundamental/9 + Médio/3) não faz nada em prol da competição e o Superior perde um tempão em fazer entender retardos; consequência é que então no Superior não há a situação de "entregar o bastão já correndo". --- Vou me explicar: A) imaginar que há sim "n" sentidos de competição a serem despertos nas mentes; futebol desperta no que sai dos cueiros; todas modalidades de esportes engrenam o sentido, é só questão de começar a presenciar/apreciar/praticar; B) cá/BRA competir em conhecimento e criações surge a partir do curso Superior; o problema é que os indivíduos deveriam ingressar no Superior já com forte/obstinado/indócil/exasperado espírito de competição; elevado espírito competitivo requer/exige/cobra/implora ampliação rápida em conhecimentos sofisticados/complexos/adiantados; C) por enquanto o indivíduo no Básico está "vidão de folgazão, aproveitando a adolescência que é curta, em ritmo livre frouxo e solto"; claro que não se trataria de levar à exaustão o indivíduo, ao ponto de lhe privar do bem viver, chegar no Superior feito doido varrido; mas falta um compulsório de fazer com que o indivíduo chegue no superior já competindo pelo nível de conhecimento assimilado (desde o momento de pronto no ler e escrever entrar em competição) (continua...).

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  3. Na seara administrativa, Cibele Sidney: "[...] a coisa está pior do que imaginam, e não mostra possibilidades de mudanças."; na seara de resultados, Adonai: "Em 2012... comparando 40 países... Brasil penúltimo..." --- Para evitar essa combinada situação "sem pé nem cabeça" considerar assim: a) é sabido do senso comum que "é bem mais fácil admitir que aquilo que não se entende, não existe"; b) então que se torne do senso comum "haverá espírito competitivo em torno de conhecimento desde que haja compreensão sobre competição". --- Vou me explicar: A) os problemas-travas envolvem "trabalhadores da educação" com politização partidária de excludentes daí que... sem solução!; B) a escola é um estabelecimento de "elite" no propósito de "elitizar" com o trabalho de profissionais "elitizados"; nas elites o espírito-motor é de competir, competição, competitividade; o que muita falta faz no sistema de formação pelo ensino e educação brasileiro é o mote-verdade: "A escola é da elite em prol do elitizar"; C) reparar que de pronto todo indivíduo que frequenta a escola já está numa elite; há "n" elites na sociedade e o indivíduo competitivo vai passar um bocado de tempo em empenhos pessoais para integrar algumas elites ao seu gosto e suas ambições; D) para deslanchar raciocínios admitir assim: senso comum = senso teórico + senso pragmático; ensino proporciona senso teórico e educação desenvolve o senso pragmático; indivíduo necessita se tornar “craque” na arte do pragmatismo (eficiência e eficácia). --- Reparar que no raciocínio que aqui se desenvolve NÃO INTERESSA o atual desencontro/desarranjo existente no sistema e, para quebrar o círculo vicioso de décadas dá de começar assim: a) adotar em sala de aula tempo para profissional de ensino (longos períodos) e tempo para profissional de educação (curtos períodos); b) quem ensina (teoria) não educa (pragmatismo); c) escolas competirão entre si; d) méritos/premiação será dada à escola.

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    1. Rigor crítico Vamos voltar no tempo? Quando a escola não foi elitizada? Em que época? Bem, antigamente a escola pública era como hoje a faculdade pública, depois devido a falta de investimento por parte de governantes no ensino público, a coisa se inverteu. O professor, os sindicatos e etc. nunca lutaram pelo ensino e sim pelo professor. O aluno, que deveria ser prioridade e ter sido politizado/conscientizado desde o início pelo professor, nunca foi. Resumindo: Hoje possuímos um povo alienado devido a professores alienados, cansados, desestimulados e envergonhados e estudantes alienados pois os professores e os pais também o eram. Quando isso vai mudar? Não sabemos, mas precisamos começar, afinal anos e anos de alienação não se muda de uma hora para outra. Hoje, a geração de adolescentes é completamente diferente do que era antigamente, isso eu ouço de vários professores que se queixam dessa situação e sabe o que eu penso? Ainda bem que não. Hoje esses alunos são muito mais críticos, não "abaixam mais a cabeça", "respondem" (como dizem os mais velhos, só que um detalhe, são críticos de maneira errada, pois não houve um direcionamento, nem por parte de pais e nem por parte de professores. Alunos evoluíram, pais e professores não, claro que não posso generalizar. Jovens hoje são mais competitivos também, mas vão competir para que está tudo na mão, mas será que está mesmo? Você acredita que algum aluno que consiga passar num vestibular e cursar uma faculdade pública através da cotas e bolsas não tem mérito? Claro que ele tem e se ele conseguir entrar e cursar é porque ele é muito competente, pois o ensino público está muito, mas muito abaixo do que essas faculdades proporcionam. E o que falta então? Direcionamento.
      Tive vários alunos que nem sabiam que a USP, UNICAMP, UNESP e as federais eram públicas. Como assim? Acredita? Como um professor passa anos dando aulas para um ensino médio e não estimula esses alunos a fazer um vestibular e não informa? Não estimula a capacidade deles de seguir em frente nos estudos? Pois é isso o que acontece, professores nem falam nada, entram, dão uma aulinha "meia boca" pois os alunos são indisciplinados e pronto. Nunca houve estímulo, nem no ensino fundamental e nem por parte de professores e gestores que poderiam ter estimulado os pais a estimular seus filhos a fazer uma faculdade. Com essa história de cotas eu comecei a divulgar as faculdades e cursos e fiquei abismada com a falta de conhecimento deles.De quem é a culpa? De muita gente, só que não me importam os culpados, a minha parte estou fazendo e os alunos que passarem pela minha mão saberão que podem prestar um vestibular e terão cotas e bolsas numa universidade pública, que isso é um direito deles e mais ainda, que devem lutar por um ensino público de qualidade, para que não passem dificuldades ao cursar essas universidades afinal o ensino delas é bem superior aos da escola.

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    2. Cibele: "Quando a escola não foi elitizada?" --- Vou me explicar: A) o bloguista "Rigor Crítico/RC" foi “trazido” para este blog AS'A quando alguém se deparou com um artigo oportuníssimo/singularíssimo/ousadíssimo na edição Scientific American Brasil; considerar os "íssimos" uma medida para a curiosidade imediata de "RC" a respeito do autor A., até então um "ilustre desconhecido"; B) no entender de "RC" o autor A. – sempre figurativamente falando – no artigo argumenta de modo a tratorar pra cima e pra baixo o sistema de ensino Superior, não deixar pedra sobre pedra, transformar tudo em pó e jogar nas enxurradas de Sampa; literalmente o autor A. detonou (por raciocínio) com o sistema nacional; C) nessas condições – que foram 100% endossadas - o "RC" se sentiu como que "pinto no lixão" ou "peixe na água" ou "Messi com a bola no pé"; ora pois, o blog sinalizaria estar afim de bancar ideias incomuns/novidadeiras daí que "RC" não se fez de rogado e decidiu "tirar a febre" com ideias que são levadas "à boca pequena" nalguns ambientes acadêmicos; D) escreve-se com muita figuração; se está a propor que o sistema atual representa "moeda de uma única face"; há uma "face" = ensino, só que paradoxalmente falta "outra face" = educação; o sistema com somente ensino e sem educação está a ralar/afundar com o país; portanto qualquer abordagem levada em tom de queixas/casos/futricos/problemas/desproveitos a respeito da atualidade não vale a pena raciocinar, está desinteressante como que discutir sexo dos anjos. --- Reparar que tudo isso anterior serve de premissa para exercícios de raciocínio neste blog. Adiante: E) na sociedade brasileira (bem recentemente, coisa de duas décadas) o indivíduo descobriu e gostou de se situar profissionalmente através de seu desempenho enquanto a competir, de se garantir em competição, de se deslumbrar com suas competitividades; uma resultante imediata de tal “espírito ambicioso” é adquirir status social para integrar elites; dá de dizer que o brasileiro adooooora estar elite; F) se está a dizer que o indivíduo (todos os indivíduos!) no que percebe sua capacidade/vontade competitiva vai tentar pessoalmente (trabalho duro!) deslanchar/apurar e, na medida que tem percepção dum status adquirido rapidamente se alinhar em elites. --- Assim tá, Cibele? Manja mais: G) o sistema de formação deverá adotar duas modalidades de trabalho com classes/turmas no período curricular: a primeira é do ensino nos métodos/tempos dos padrões existentes e, a segunda será a novidadeiro método/tempo a encaixar (complementar) no ensino para a modalidade educação; daí ficará assim: a) ensino a instalar nas mentes o conhecimento teórico; b) educação a desenvolver pragmatismo (trabalho duro voltado para dominar eficiência, eficácia, necessário, suficiência, disciplina, rigor, fato, fenômeno, tático, operacional). --- Estranhamente Cibele coloca: "De quem é a culpa?" --- Quer saber? Vive-se no sistema de formação com um baita paradoxo daí que quando TODOS são culpados (pelo paradoxo) então NINGUÉM é culpado! Tudo é nada! Quer saber como desfazer? É bem simples, é só aceitar que se está com "moeda-sistema de única face ensino" o que é paradoxal daí que para se ficar bem dever-se-á instalar na "moeda-sistema a face educação". E aí "correr pros abraços".

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    3. Vou me ater ao texto na revista SAB: "... o Brasil não tem ideia do que é uma universidade... nos EUA, jovens ingressam em universidade... no Brasil os jovens ingressam em cursos universitários..." (AS) --- Vou abordar a respeito do sistema de formação no âmbito do Básico (Fundamental e Médio; 9+3): A) etapa de miúdo para etapa infantil para jovenzito até no adolescente: pelo que assimila no ensino (o conhecimento teórico) não manja lhufas no que vai resultar, muito barulho por p*rra alguma; B) está a faltar daí a falhar daí a fracassar um tempo escolar para atividades pragmáticas; pragmático sem qualquer conotação de trabalho prático; um tempo pragmático levado teoricamente; dá sim de bancar estudos teóricos pragmáticos sem interferir ou conflitar com ensino teórico padrão; C) imaginar o seguinte evento: a) professor determina que um aluno se posicione diante do quadro branco; b) professor solicita que aluno desenhe uma linha reta no quadro; aluno alerta que está sem a caneta; professor entrega a caneta e o aluno traça a reta; c) professor dá destaque a quatro expressões: eficácia, suficiência, eficiência, necessário; "ordem de se posicionar e desenhar" = eficácia; "quadro e caneta" = suficiência; "desenhar" = eficiência; "reta" = necessário; d) por analogia cada aluno na classe deverá propor o "seu evento" com destaque para as quatro etapas. --- Deu de perceber? Está aí dado um exemplo para educação pragmática. Para o bom entendedor fica óbvio o alcance de tal procedimento se levado pedagogicamente por todo o período (gradualmente conforme série) do Básico.

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  4. Certamente que INTERESSA o atual desencontro/desarranjo existente no sistema de ensino. --- Acompanhar um exercício de raciocínio: A) considerar que a condição humana social tem muito a ver com uma escala no estilo de vida/viver/vivência/convivência: abjeto, miserável, pobre, remediado, médio, bonança, rico, opulência, milionário; B) considerar que o desempenho social do indivíduo tem muito a ver com: acessos a serviços/meios/recursos/perspectivas, acessos a formalidades/institucionalidades/convencionalidades/condicionalidades; C) considerar que a expressão "elites" tem muito a ver com combinações entre estilo de vida e performance por acessos; reparar que a partir de "pobre" dá de admitir que se estabelecem "elites"; reparar que não se mostra viável/crível propor uma escala social para "elites" já que a sociedade se sai bem por bancar elitismo enquanto em regime de democracia; falando idealisticamente: "que todos os indivíduos - distribuídos relativamente - se identifiquem em elites"; falando realisticamente: "a todos dar oportunidades para se instalar numa elite"; D) na capital paulista há elite que não acaba mais: frequentar Pacaembu é de elite, transporte pelos trens é de elite, feriadão descer pro litoral é de elite, transitar na auto estrada é de elite, visitar Museu Paulista é de elite, residir no Morumbi é de elite, frequentar o Parque Ecológico do Tietê é de elite, logo mais no Itaquerão só vai dar de elite. --- Quero dizer que no sistema de ensino atual está a ser desenvolvido somente uma “metade” – conhecimento teórico - dos fundamentos sociais; está a faltar a outra “metade” – domínios pragmáticos.

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  5. Tive vários alunos que nem sabiam que a USP, UNICAMP, UNESP e as federais eram públicas. Como assim? Acredita? Como um professor passa anos dando aulas para um ensino médio e não estimula esses alunos a fazer um vestibular e não informa? Não estimula a capacidade deles de seguir em frente nos estudos? Pois é isso o que acontece, professores nem falam nada, entram, dão uma aulinha "meia boca" pois os alunos são indisciplinados e pronto. Nunca houve estímulo, nem no ensino fundamental e nem por parte de professores e gestores que poderiam ter estimulado os pais a estimular seus filhos a fazer uma faculdade. Com essa história de cotas eu comecei a divulgar as faculdades e cursos e fiquei abismada com a falta de conhecimento deles.De quem é a culpa? De muita gente, só que não me importam os culpados, a minha parte estou fazendo e os alunos que passarem pela minha mão saberão que podem prestar um vestibular e terão cotas e bolsas numa universidade pública, que isso é um direito deles e mais ainda, que devem lutar por um ensino público de qualidade, para que não passem dificuldades ao cursar essas universidades afinal o ensino delas é bem superior aos da escola.
    ( se estiver duplicado por favor não aprove esse, fiz uma confusão e recortei e colei esse)

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    1. Cibele

      Está havendo uma deterioração social rápida no Brasil. Os jovens se tornam a cada dia mais ignorantes, professores mais incompetentes, citações a trabalhos científicos brasileiros estão caindo e o Governo Federal se interessa apenas por números que não espelham qualidade na educação e na ciência. Meu desânimo está voltando. Este país é uma montanha-russa.

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    2. Adonai, a "arma" para se mudar a situação desse país está nas mãos dos jovens, só que eles estão desmotivados, pela família, pelo governo e pelo próprio professor. A única saída é o professor se unir a favor do aluno e fazer os alunos lutarem pelo seu ensino, o problema é que eles (professores) não percebem isso. Enquanto de um lado, as universidades públicas, se cobra muito, do outro, as escolas,os alunos são deixados a "deus dará", como dizia minha avó. O meio termo é politizar o aluno e o professor lutar ao lado dele e ver no aluno a força, só que não é isso que anda acontecendo né? :(

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    3. Cibele

      Uma das coisas que aprendi com este blog é que sem diversidade de frentes de ataque, não há chances de vencer batalha alguma. Estou estudando algumas alternativas estratégicas há algum tempo. O artigo na SciAmBr foi uma das alternativas que encontrei. Mas ainda é muito pouco. Penso em algo um pouco mais agressivo para o futuro.

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  6. O cenário é assustador, horroroso, e para quem usa os neurônios que recebeu, pior ainda, pois vislumbramos a direção para onde isto está indo.

    Porém, listar uma infinidade de mazelas e problemas, pode ser bom para mandar correntinhas de internet, mas é inútil para buscar as soluções.

    Existe um acrônimo útil, quando estamos elencando ações e opções, para solucionar os problemas? S.M.A.R.T., ou em português (já que odeio anglicismos), M.A.R.T.E. Uma ação deve ser (E)(S)pecífica, (M)ensurável, (A)plicável, (R)ealista e (T)emporalmente definida.

    Desconfio da incompetência, mas não descarto algo proposital, quando infestam propostas inatingíveis, imensuráveis, inaplicáveis, sem prazos e não específicas.

    Qualquer tipo de avaliação em si, pode ser boa ou ruim.
    No caso do Saresp (e de outras avaliações), a maior fragilidade, vem da mensuração dos desfechos desejados.
    Ora, ainda que sejam importantes, é impossível construir educação, seres pensantes, pura e simplesmente pelos indicadores que foram selecionados.
    E esta também é um dos problemas da maioria dos sistemas de avaliação.
    Eu anseio inflamadamente pela instalação da meritocracia.
    Porém, dependendo da maneira com que forem os critérios, muitas vezes, haverá estímulo a fraudes, a conchavos, a aplicação inadequada de recursos, enfim, tudo o que, infelizmente, estamos ficando acostumados a conviver no nosso dia a dia.

    Produção científica pode ser avaliada por número de trabalhos publicados (o que muitas vezes, faz chefes de cadeira terem trabalhos onde participaram somente com sua "anuência e suas bençãos"), pelo número de citações destes trabalhos, pelos seus impactos.

    Hoje, o maior problema, tem sido mesmo a coleta dos dados, o que torna algo compreensível, o fato de serem em geral, indicadores e desfechos mais "duros" (como a reprovação, evasão e desistências).
    Mas, em pleno século XXI, no terceiro milênio, não acho impossível que pudessem ser computados muito mais critérios (comparecimento, desempenho dos alunos em tarefas, trabalhos e na avaliação final, atividades extra-acadêmicas, olimpíadas de física e matemática), e que estes dados fossem processados por algoritmos que dessem o devido peso e valor, não só para os desfechos mais duros, mas aos igualmente fundamentais, processos (avaliar processos é o que pode ser resumido, a todos aqueles programas de qualidade total, ISO 9000 e derivados) e desempenho de alunos e professores.

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  7. A ideia de progressão continuada favorece não a meritocracia mas as taxas desenvolvimentistas e tabelas gráficas de índice de qualidade do governo. Ou seja, na prática, não importa se você vai ser um bom ou mau profissional de mercado, o que importa é que você galgou uma formação de primeiro e segundo grau, o governo te assegurou isto. Na faculdade, entre por uma cota, tire o lugar de outro que foi melhor, mas não tem o mesmo fator histórico de seus antepassados, conclua o curso e pague só depois de formado com o crédito do governo, enfim, você concluirá a sua formação, estando ou não preparado para o mercado e o governo terá tabelas e números para provar que fez a sua parte. Meritocracia pra que? Se os resultados estão efetivos nas tabelas e gráficos? De que importa um povo que pense e que seja qualificado de fato e de direito? Afinal, o fim justifica os meios, correto?! Errado! Ao agirmos assim, é ai que situações como a da tragédia de Santa Maria acontecem, pois o que permite que algo deste modo ocorra é o descaso com o detalhe, pois os profissionais não são profissionais, são amadores, se é que podem ser assim chamados. Tudo que é feito "nas coxas", um dia dá literalmente merda! Em português vulgar, para todos entenderem bem o que quero dizer! Isto é sim corrupção, é corromper o sistema, corromper a lógica e corromper a educação é corromper o futuro, é tirar o futuro do cidadão! Podem não perceber, podem nem se importar, mas rodar significa que você terá de fazer melhor, que se esforçar mais, não é para o seu mal que você repete, é para que os que merecem sejam valorizados por seu esforço. Hoje, quem não se esforça tem os mesmos méritos de quem se esforça. Isto gera mercado, mas não bons profissionais e nivela a sociedade por baixo, é a inversão cultural e educacional. Nosso país forma doutores artificiais, mestres artificiais, aqui ser médico e advogado é ser doutor, dono de fazenda é coronel e ao se explicar isto para um estrangeiro viramos piada global. Como podem querer que sejamos um país sério se nem nós nos levamos a sério na educação?!

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    1. Juliane

      Compartilho de sua visão. E estamos (você, demais leitores deste blog e eu) tentando mudar esta realidade a partir de críticas, ações e exemplos. Mas peço para, futuramente, evitar vocabulário chulo. Não quero deixar de publicar comentários pertinentes como o seu por conta disso.

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  8. A ideia de progressão continuada favorece não a meritocracia mas as taxas desenvolvimentistas e tabelas gráficas de índice de qualidade do governo. Ou seja, na prática, não importa se você vai ser um bom ou mau profissional de mercado, o que importa é que você galgou uma formação de primeiro e segundo grau, o governo te assegurou isto. Na faculdade, entre por uma cota, tire o lugar de outro que foi melhor, mas não tem o mesmo fator histórico de seus antepassados, conclua o curso e pague só depois de formado com o crédito do governo, enfim, você concluirá a sua formação, estando ou não preparado para o mercado e o governo terá tabelas e números para provar que fez a sua parte. Meritocracia pra que? Se os resultados estão efetivos nas tabelas e gráficos? De que importa um povo que pense e que seja qualificado de fato e de direito? Afinal, o fim justifica os meios, correto?! Errado! Ao agirmos assim, é ai que situações como a da tragédia de Santa Maria acontecem, pois o que permite que algo deste modo ocorra é o descaso com o detalhe, pois os profissionais não são profissionais, são amadores, se é que podem ser assim chamados. Tudo que é feito "nas coxas", um dia dá literalmente merda! Em português vulgar, para todos entenderem bem o que quero dizer! Isto é sim corrupção, é corromper o sistema, corromper a lógica e corromper a educação é corromper o futuro, é tirar o futuro do cidadão! Podem não perceber, podem nem se importar, mas rodar significa que você terá de fazer melhor, que se esforçar mais, não é para o seu mal que você repete, é para que os que merecem sejam valorizados por seu esforço. Hoje, quem não se esforça tem os mesmos méritos de quem se esforça. Isto gera mercado, mas não bons profissionais e nivela a sociedade por baixo, é a inversão cultural e educacional. Nosso país forma doutores artificiais, mestres artificiais, aqui ser médico e advogado é ser doutor, dono de fazenda é coronel e ao se explicar isto para um estrangeiro viramos piada global. Como podem querer que sejamos um país sério se nem nós nos levamos a sério na educação?!

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    1. Concordo com o Vigne e reforço, o único jeito de mudar isso é conscientizar jovens, politicamente falando, mas não a favor ou contra partidos, mas a favor do ensino. E falo para meus alunos, o governo deram as cotas e bolsas, isso nada mais é do que uma esmola, só que o que vcs terão que fazer é aproveitar isso e batalharem por um futuro melhor, estudar e muito, pois só assim serão valorizados, no mundo de hoje é a única forma, então estudem!
      O que falta no jovem de hoje é incentivo e os professores não podem ficar esperando que os pais façam e nem que o governo, faça por si, faça por eles, simples assim. Incentivar aluno, informar e conscientizar é essencial para sairmos da situação em que estamos. Mas como fazer isso com o professor ganhando o salário que ganha? É muito complicado! Mas temos uma arma, o Facebook e a divulgação, se todos começarem a fazer isso a coisa muda, um dia. Mas, como mudar em pouco tempo algo que demorou 1 500 anos para ser destruído (ética, moral e educação). Temos que ter paciência e agir ;)

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    2. Cibele

      Tenho observado fenômenos curiosos no facebook, os quais eu jamais havia antecipado. É comum as pessoas lerem frases de chamada em postagens, artigos ou notícias divulgadas no facebook, mas raramente elas clicam nos links que apresentam os detalhes. Soma-se a isso o gigantesco volume de informações naquela rede social e temos apenas um consumo muito rápido e superficial de tais informações. Facebook é uma ferramenta interessante. Mas é apenas uma entre muitas. O contato pessoal ainda é a melhor forma de propaganda.

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  9. Só espero que no fundo do poço tenha uma alavanca....




    http://falaseriomatematico.blogspot.com.br/

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