segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O brasileiro típico


O brasileiro típico é aquele que:

1) Considera meritocracia uma utopia, pois é um conceito vago demais.

2) Não acredita em comparações com a realidade dos países desenvolvidos, pois eles têm dinheiro.

3) Não acredita em comparações com países pobres, pois a realidade deles é diferente.

4) Lê um texto e o interpreta de acordo com os seus cânones pessoais.

5) Não concorda com uma ideia porque não gosta da pessoa que a apresentou.

6) Acata ideias quando elas são apresentadas por uma pessoa carismática.

7) Não assume sua responsabilidade social.

8) Julga governos, sem conhecer política.

9) Critica educação, sem conhecer ciência e cultura.

10) Julga pessoas a partir de suas impressões a respeito de si mesmo.

11) Julga pessoas a partir do julgamento de outros.

12) Acredita ter soluções para os problemas sociais de seu país, mas jamais tenta fazer algo para mudar.

13) Não valoriza o seu país.

14) Quando conhece outro brasileiro que visitou uma boa universidade estrangeira, pergunta: o que foi que você estudou lá?

15) Considera que jamais pode haver qualquer forma de discriminação, pois não sabe interpretar a Constituição Federal.

16) Fala mal de políticos corruptos, mas também é corrupto.

17) Limita seus sonhos a casa na praia e carro na garagem.

18) Considera que dinheiro define sucesso.

19) Discursa sobre a importância da educação, mas não lê.

20) É cercado por países de língua espanhola, mas não conhece espanhol.

21) É cercado pela cultura norte-americana, mas não conhece inglês.

22) Não conhece o próprio idioma.

23) Admira exemplos de determinação, mas não os segue.

24) Acredita que esforço merece recompensa, ainda que nada seja efetivamente produzido.

25) Pratica a pirataria e ainda justifica este ato.

26) Faz campanhas contra o Jornal Nacional da Rede Globo e a revista Veja, mas ainda exige sua liberdade de expressão.

27) Faz curso superior sem de fato gostar do que estuda.

28) Tolera atos imorais, desde que não sejam ilegais.

29) Tolera atos ilegais, desde que não o prejudiquem.

30) Não percebe quando é prejudicado.

31) Pensa, mas não fala.

32) Fala, mas não faz.

33) Faz, mas não termina.

34) Fica revoltado, mas esquece.

35) Defende direitos, mas não assume obrigações.

36) Se submete, mas reclama (pelas costas).

37) Nada responde quando percebe que seus argumentos são ingênuos.

38) Desiste.

39) Apenas sobrevive.

40) Não pensa.

24 comentários:

  1. Respostas
    1. Adriane

      Difícil, mas não impossível. Houve época em que governos faziam campanhas para o brasileiro tomar banho. Hoje isso não é mais necessário. Mas ainda precisamos mudar outras mentalidades.

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  2. Sim, percebo todas essas "manifestações" em mim. Sempre nos é exigido um esforço para distinguir entre o que pode e o que deve ser feito, enquanto que determinados valores deveriam estar introjetados em nossos costumes. Me causa incômodo pensar que essas características tornaram-se crônicas; contaminou até o tutano. Vejo tantos componentes históricos causadores disso tudo... E pra piorar, num momento em que a sociedade dava seus primeiros passos rumo a democracia ela é desmobilizada por mais de duas décadas. Quando analisamos o contexto histórico enxergamos importantes mudanças. Quero acreditar que uma sociedade melhor virá. Talvez não serei eu a desfrutá-la, mas tenho consciência de que faço parte dessa mudança. As redes sociais estão se mostrando importantes ferramentas promotoras de questionamentos e possibilidades. Muitos valores estão sendo incorporados ao nosso cotidiano. O seu "brasileiro típico" daria uma excelente aula, recheada de discussões em qualquer disciplina...

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  3. Me sinto um "brasileiro típico". Sempre nos é exigido esforço para decidirmos entre o que pode e o que deve ser feito. Há uma carga histórica muito forte nesse processo, mas percebo mudanças importantes. São mais de cinco séculos de trevas, e menos de um que tivemos nossa primeira universidade... Muitos valores estão sendo introjetados gradativamente em nosso cotidiano. As redes sociais tem se mostrado uma ferramenta eficaz para promover questionamentos e gerar reflexões. Talvez eu não usufrua de uma sociedade melhor, mas sei que faço parte de sua construção

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    1. Leo

      Seus comentários são inspiradores. Espero que você esteja certo.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá Prof. Adonai,
    li seu artigo na Scientific American. Obrigada pelas palavras, realmente me alegraram ao saber que mais pessoas do meio docente pensam como eu.
    Mas, como você mesmo conceituou, muitas vezes sou uma brasileira típica, e me submeto, e em seguida, reclamo pelas costas. Penso que minha reclamação era principalmente causada pela paranoia do Estágio Probatório. A partir do momento que percebi que era um medo bobo, pois afinal, basta você trabalhar corretamente para ter máxima pontuação, senti-me tranquila para continuar meu trabalho.
    Trabalhei 1 ano e 7 meses na UFPR e no ano passado pedi exoneração, pois passei em outro concurso. Esse dia da exoneração foi um dos mais alegres da minha vida, pois me livrei dos ranços dos "mais velhos". Sei que na próxima instituição também vou me deparar com novos ranços, mas espero que esta experiência e a vontade de trabalhar me garantam a possibilidade de não ser uma brasileira típica. Espero poder ser crítica, mas principalmente, auto-crítica, pois sem nos percebermos, jamais conseguiremos perceber o que se passa ao nosso redor.
    Grata por suas palavras

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    1. Ana

      Recomendo que leia a postagem abaixo. Creio que será uma excelente inspiração para você.

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2009/10/newton-e-brasileiro-e-dai.html

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    2. Olá Prof. Adonai,

      obrigada pela indicação do texto. Novamente foi de grande valia.
      Lógico que não chego nem aos pés do Prof. Newton, nem creio que um dia chegue, mas é importante registrar algo que temos em comum: a experiência em diferentes instituições de ensino. Trabalhei em Curitiba em inúmeras instituições privadas (UP, FPP, Martinus, etc) e tive a exata percepção de ausência de estímulo à pesquisa. Sempre fui bem recebida em cada uma dessas instituições, pois trabalhava e me dedicava com muito amor às aulas. Mas, não tinha tempo para pesquisa, nem estímulo.
      Depois passei em um concurso no IFPR em Foz do Iguaçu, onde trabalhei 7 meses. Foi uma experiência completamente diferente. Também não havia estímulo a pesquisa, mas havia a vontade de fazer algo diferente. Inicialmente foi difícil, pois não havia me preparado para dar aulas no ensino técnico, mas a experiência foi renovadora e extremamente recompensadora.
      Em seguida, passei em um concurso na UFPR, campus Palotina. Aí pensei: agora sim, conseguirei alavancar uma linha de pesquisa e vou encontrar massa crítica. Pelo contrário, encontrei poucos com quem conversar. Mas a experiência também foi gratificante, pois aprendi (ou pelo menos tentei aprender) a lidar com os sindicalistas e com as ideias diferentes. Saí de lá alegre, sabendo que tinha deixado poucas sementes com alguns alunos e outros colegas.
      Enfim, agora rumo para outra instituição, agora estadual. Vou levar as práticas do Prof. Newton (e suas também) para o meu dia a dia. Espero continuar na minha profissão com alegria, pois considero a docência uma profissão maravilhosa e na maioria das vezes recompensadora (apesar dos abusos que eventualmente vivemos).
      Mais uma vez, grata por suas palavras.
      Ana

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  6. Prof Adonai...

    Em várias postagens tenho percebido que você é contra o método de ensino atual, ou seja : você não concorda "como o conteúdo é ensinado" no ensino fundamental e médio.

    Eu penso que na verdade, está errado "o que é ensinado". O conteúdo é inútil.

    Por exemplo, você sabe os motivos que acarretaram a Guerra dos Cem Anos?
    Eu sei. Como isso se torna útil na minha vida? Não sei.
    Isso acontece com inúmeros conteúdos.
    Como o ensino médio agora é obrigatório,a base da sociedade tem que conclui-lo. Conteúdos como Radioatividade, Capitanias hereditárias, Combinatória, Logaritmos, Dilatação térmica, entre outros podem ser úteis para borracheiros, empregadas domésticas, balconistas, empacotadores, entre outros serviços da base da sociedade?

    A Sociedade não é feita somente de Engenheiros...

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    1. Sergio

      A utilidade de um conhecimento não se avalia apenas em termos de aplicações práticas imediatas. O estudo de matemática, física, química, história, geografia, línguas, artes, entre outras áreas, tem também o propósito de localizar as pessoas no mundo em que vivem. Quanto maior a cultura geral de uma pessoa, menores são os seus preconceitos. Em geral, os mais radicais são aqueles de cultura inferior. E radicalismo já motivou até mesmo guerras.

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    2. A educação diminui preconceitos?
      Garanto que não.

      Por exemplo, tratando do período etnocentrista(quando uma cultura é posta superior a outra). Tivemos um período na história da sociedade onde as teorias darwinianas falavam mais alto, esse período foi a escola antropológica etnocentrismo, nesse período o preconceito era fundamentado nas faculdades. A sociedade assim, logo o ensino era assim.

      O que estou dizendo é que a escola, sendo um órgão do Estado, Reflete as intenções do Estado.

      O povo brasileiro é fraco em política. Tal fraqueza é consequência da desvalorização que o governo dá a matérias como sociologia e filosofia.

      A escola tem a função de manipular, não de ensinar.

      Se você fosse um rato, você criaria uma águia de estimação?

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    3. Sergio

      Seu exemplo se afasta do que afirmei. Uma escola que tem a função de manipular, não investe em cultura, ciência ou educação. O problema é que o Brasil ainda não sabe o que é ciência e nem cultura, muito menos educação.

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  7. Dias atrás, conversando com um amigo, discutimos sobre a situação educacional no Brasil. As ideias do rapaz são a favor do método de ensino atual. Ele ainda argumentou que as pessoas não precisam saber além do necessário. Para que serve a matemática? Será que um médico usará a fórmula de Bháskara? Ou um historiador utilizará as teorias de Física? Enfim, os seus questionamentos me fizeram silenciar e pensar que, assim como ele, milhares de pessoas pensam igualmente. A minha resposta para ele foi: Cada pessoa segue aquilo que pensa, lê, sonha, deseja... Faz o que quer com o direito de criticar e ser criticado, afinal ainda temos liberdade para expor o que pensamos, embora nem sempre temos razão.

    Acredito que se aprendemos algo a mais é para o nosso bem cultural. E olha: Eu não sou culta! Quero muito, mas estou longe disso, infelizmente!

    O espaço (blog) de Adonai Sant´Anna é a soma de “angústias” que criticam a educação no Brasil. Em outras palavras, o professor não está sozinho, embora seja um dos poucos - um dos poucos, mesmo! - com a grandíssima coragem em enfrentar uma política errada que está impregnada na mente do povo (a maioria) e do governo.

    São interessantes as indagações de pessoas como as do meu amigo, pois, seus questionamentos são só mais uma prova de que uma boa parte da população tem um pensamento pobre sobre o ensino.

    Ao ler este texto, confesso que, infelizmente, sou “O brasileiro típico”. Identifiquei-me em vários pontos.

    Que decepção!!


    Não queria e não aceito essa condição, por isso, mantenho – me conectada com pessoas que julgo inteligentes, cultas e que lutam pelo melhor para o nosso país, principalmente na Educação. Pois aprendendo com elas, quem sabe, eu também mudo.

    Parabéns pelo excelente trabalho, prof. Adonai!

    Como sabe, não sou graduada, mas acompanho este espaço e imagino que um dia poderei fazer, também, a diferença neste país.

    Que a ciência evolua, que tenhamos mais investimentos em pesquisas, que a educação mude, que as pessoas valorizem a cultura e tenham interesse pelo melhor: o conhecimento.

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    1. Raquel

      Agradeço pelo apoio. Pode crer que eu também luto contra os meus próprios preconceitos. No entanto, faço uma observação. Quase não vejo pessoas exercendo o direito à crítica. O que mais percebo são pessoas repetindo discursos mofados.

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  8. Há realmente conteúdo inútil.
    Por exemplo, no Português, vou fazer uma analogia para você compreender melhor:

    Uma vez em uma universidade federal, o setor Artístico resolveu inovar. Foi criado um curso de culinária voltado a arte de cozinhar, explorando ao todo o sentido da degustação.
    O curso ensinava a arte de degustar e formular bolos, tortas dos mais variados tipos e sabores. Os alunos saiam do curso apaixonados pela arte de cozinhar, pois o professor tratava a culinária como arte.
    Porém, estudiosos do assunto afirmaram que o curso não era digno de “academicidade” que eles queriam. Para isso instauraram um novo modelo de entender o “prazer da degustação”, partiram do princípio que para realmente degustar os deliciosos bolos e tortas é preciso começar do princípio, pois nada começa do fim. Primeiro os alunos deveriam passar por intensas seções de mastigação de vegetais crus como alhos, cebolas, repolhos, nabos, cenouras e mandiocas. Essa primeira lição causou neles uma aversão ao curso, conseqüentemente a “arte de cozinhar”.
    Houve mesmo até casos de morte pela fome, tiveram tamanha aversão a comida que até a simples contemplação dos talheres causava neles ânsia de vômito.
    Infelizmente o curso de culinária teve de se fechado, nenhum aluno passou na primeira lição.


    Se a arte de produzir sabores é a culinária, a arte de produzir melodias é a música então a arte de produzir maravilhosos textos literários é o Português.
    Não se deve introduzir análise sintática a alunos que ainda não provaram as “delícias literárias”, como ensinar o que é sinestesia sem o aluno ter lido os textos de Cruz e Souza e outros autores?

    Como disse para você em outro comentário, minha mãe é professora universitária. Ouço várias vezes de seus colegas docentes: “Não vou me rebaixar ao aluno, ele que tem que subir ao meu nível”. Nesta hora eu penso “qual a verdadeira função do conhecimento que nos é ensinado?”.

    Creio que deveriam ser feitas as seguintes perguntas aos professores...
    ...do ensino médio e fundamental: “Qual o primeiro prato que você vai dar aos alunos?”
    ...do ensino superior: “Você gosta dos seus alunos?”.

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    1. Sergio

      Se compreendi seu comentário, acredito que você levantou questões extremamente pertinentes. De início julguei mal as suas primeiras observações. O problema é que ouço muitos discursos contra o ensino de logaritmos, teoria de conjuntos, gramática, astronomia, entre outros temas. Mas parece-me que você está preocupado com os objetivos do sistema de ensino. Se for este o caso, certamente concordo com você. São raríssimas as instituições de ensino em nosso país que apresentam objetivos claros.

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    2. Não foge muito ao assunto, mas acredito que é no ensino fundamental que o problema toma suas maiores proporções. Acredito que o valor do conhecimento é um tanto relativo, mas tomando sempre como algo positivo. Por exemplo, li uma vez que o geômetra Euclides, ao ser questionado por um aluno seu, na Universidade de Alexandria, sobre o motivo para o qual ele estaria aprendendo, deu uma moeda de ouro à ele e o expulsou da instituição, alegando que, dessa forma, ele teria lucro no que estava estudando. Outra vez: se não me engano, Hardy (não tenho a certeza, mesmo) disse que saber que saber que a raiz quadrada de dois é irracional não tem utilidade nenhuma, mas, se é possível saber isso, então, deve-se sabê-lo. G. Hardy também afirmava (disso tenho certeza) que a matemática pura, por não ter aplicação, era inofensiva, visto que ele disse isso em plena guerra; e, dessa forma, dizia que a Teoria dos Números era a mais suave matemática. Um tempo depois, Alan Turing mostraria que Hardy estava errado. O que quero dizer é que, na minha opinião, a educação serve para posicionar o indivíduo na sociedade, da forma que seu caráter necessita; serve para entender melhor o mundo em que ele vive. Como Sérgio mesmo disse: "A Sociedade não é feita somente de Engenheiros". Muitas vezes fica pensando se o mundo não seria melhor se funcionasse como Jornada nas Estrelas, (referência ao Primeiro Contato): todos trabalhando para se aperfeiçoar; e, se cada pessoa estivesse envolvida numa pesquisa, estaríamos muito mais avançados do que atualmente estamos, isso para qualquer área. Porém, o problema sendo "como é ensinado" ou "o que é ensinado", acredito que em ambos os casos, deve-se fazer um estudo detalhado de como despertar a curiosidade no aluno - sendo uma tarefa difícil, mas não impossível -, coisa que, pelo menos para mim, é indispensável. Dessa forma, com a curiosidade a seu lado, ele sentirá a necessidade de satisfazê-la constantemente.

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  9. Uau, que desabafo, hein ?
    Vamos aos pontos:
    I - "Sessão imobilismo", também conhecida como "FATALISMO" (a noção de que é assim que as coisas são, sempre foram e sempre serão.)
    1) Considera meritocracia uma utopia, pois é um conceito vago demais.
    2) Não acredita em comparações com a realidade dos países desenvolvidos, pois eles têm dinheiro.
    3) Não acredita em comparações com países pobres, pois a realidade deles é diferente.
    Em suma, são simplesmente justificativas vazias, para que sua postura conservadora e imobilista seja validada.


    II- Sessão "Analfabetismo funcional"
    4) Lê um texto e o interpreta de acordo com os seus cânones pessoais.
    5) Não concorda com uma ideia porque não gosta da pessoa que a apresentou.
    6) Acata ideias quando elas são apresentadas por uma pessoa carismática.
    15) Considera que jamais pode haver qualquer forma de discriminação, pois não sabe interpretar a Constituição Federal.
    Na maioria das vezes, isto tem a ver mesmo com a imaturidade como leitor, pela falta de interação com o contraditório (que simplesmente, é repelido, antipatizado ou até odiado - Sócrates ou Zenão ficariam intrigados!), e pela passividade com que se acostumaram a ter como postura para com o que lêem, ouvem e assistem (que, verdade seja dita, andam cada vez pior, hein ?)

    III- Sessão "Omissão social", ou, "Reclamando na mesinha do bar"
    7) Não assume sua responsabilidade social.
    8) Julga governos, sem conhecer política.
    9) Critica educação, sem conhecer ciência e cultura.
    10) Julga pessoas a partir de suas impressões a respeito de si mesmo.
    11) Julga pessoas a partir do julgamento de outros.
    12) Acredita ter soluções para os problemas sociais de seu país, mas jamais tenta fazer algo para mudar.
    13) Não valoriza o seu país.
    Um conceito recente, que me deixou fascinado, são os chamados "Índices de Hofstede" ( http://msbuckeridge.wordpress.com/2009/01/03/indices-de-distancia-do-poder-e-outros-indices-de-hofstede/ ), que finalmente me permitiram entender e ter vocabulário para conceituar diferenças culturais entre povos. Claro que o estudo tem limitações, já está ficando antigo, mas suas conclusões foram absolutamente impactantes!
    No Brasil, padecemos de um alto Índice de Individualismo (alto também nos EUA, mas baixo em países asiáticos), de um elevado Índice de Distância do Poder (baixo nos EUA, o que é um antídoto para o veneno anterior, o Índice de Individualismo elevado).

    IV - Sessão "materialismo e individualismo", ou "Reclamando na mesinha do bar II"
    (vou ter que apenas citar: 16) 17) 18) 25) 24) 28) 29) 30))
    Reiterando o que comentei na sessão III, sobre nosso alto Índice de Individualismo.
    Somando ao nosso desvio cultural, ainda somos bombardeados por todo o tipo de publicidade, desde tenra infância, para cultivarmos valores materiais (carro, cerveja = prazeres hedônicos, celulares - você só vale pelo que TEM, e não pelo que É), sem nenhum contraponto (nunca vi comercial de legumes, nem mensagens edificantes sobre valores familiares e educacionais - só em filmes estrangeiros!).

    V- Sessão Hipocrisia
    19) 23) 26) 27) 35) 36) 37)
    Isto me lembra muito, a baixa tolerância à frustração de uma geração sem limites, criada a "Leite com Pera", e com uma visão, se não infantil, praticamente adolescente do mundo.

    VI - Sessão do "Sapinho no poço" (imagem fabulosa, alusiva ao fato de um sapo criado num poço ser incapaz de imaginar rios, mares e oceanos).
    20), 21) ,22).

    VII- Sessão "Galopada final"
    31), 32) , 33) , 34), 38), 39), 40) Ou, o golpe de misericórdia dentro do desabafo, para livrar o fígado da bile da amargura… rs!

    P.S. 14) Quando conhece outro brasileiro que visitou uma boa universidade estrangeira, pergunta: o que foi que você estudou lá?
    Adonai, acho que não entendi esta! Desculpe a ignorância...

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    1. Lívio

      Não acho que eu tenha compreendido seu comentário. Poderia elaborar sobre a aparente opinião de que assumo uma postura conservadora e imobilista?

      Com relação à sua pergunta ao final, este é um fenômeno comum. O brasileiro típico jamais cogita a possibilidade de que brasileiros possam colaborar e até mesmo ensinar em instituições avançadas do exterior. Aparentemente foi o seu caso.

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    2. Ah, foi isso mesmo, professor! Entendi agora :P No meu caso, eu me perguntava entre qual das opções diferentes de "ter aula" estaria se referindo (fazer pesquisa, participar de organização de congressos, dar aulas...) - tenho conhecidos que embarcaram nessa "evasão de cérebros" da década passada.

      Quanto ao imobilismo, ao fatalismo, me perdoe a falta de clareza - de maneira ALGUMA me referia a você, mas àquele comentário inevitável, de que "essas coisas não tem jeito mesmo", de que "tem que jogar uma bomba atômica para reconstruir tudo depois"- foi um comentário seguindo o que tinha apontado, para o "Brasileiro típico", não para o que tinha escrito!

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    3. Lívio

      Okeydokey. Ficou bem mais claro agora. O problema é que já fui acusado de muita coisa desde que comecei este blog. Fazer matemática é muito mais fácil do que discutir sobre educação.

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  10. Prezado Adonai,

    Você não acha que isso está mais para um ser humano típico ?

    Será mesmo que a maioria destas questões dependem somente de nacionalidade ? Tenho minha dúvidas.

    Mas me encaixo em pelo menos umas 30 das 40 características e não me orgulho disso. Só não acho que minha ignomínia está associada unicamente à cultura e nacionalidade.

    Um abraço.

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    1. Marcos

      Tive a oportunidade de conhecer gente de muitos países e muitas culturas: americanos, alemães, franceses, italianos, romenos, chineses, peruanos, chilenos, japoneses, vietnamitas etc. É claro que em todos os povos podemos encontrar muitas pessoas com o perfil apontado. Mas o Brasil parece se destacar na maioria dos itens desta lista. No entanto, admito que esta é apenas uma impressão pessoal minha.

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