sábado, 28 de fevereiro de 2015

Deus e a lógica do CNPq


Está agendado para o período de 1.o a 5 de abril deste ano o Primeiro Congresso Mundial Sobre Lógica e Religião, organizado por Jean-Yves Béziau, Itala D'Ottaviano e pela colaboradora do blog Matemática e Sociedade Maria Espindola, entre outros. A proposta é reunir cerca de duzentas pessoas de diferentes partes do mundo para discutir sobre as relações entre lógica e religião. Entre os conferencistas há especialistas em cristianismo, islamismo, hinduísmo, judaísmo, budismo e zoroastrismo, além de lógicos, matemáticos e filósofos. O comitê científico conta com nomes importantes do Brasil, Noruega, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Canadá, França, Vaticano, Rússia e Holanda, incluindo o ganhador da Medalha Fields Laurent Lafforgue

Como este evento deverá ser realizado em nosso país (terra que o lógico francês Béziau adotou para seguir sua brilhante carreira), foi solicitado apoio financeiro do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). No entanto, o CNPq negou de forma arbitrária e sem transparência o pedido de apoio

Logo, escrevo esta postagem para solicitar a todos os interessados ampla divulgação desta postagem e desde link

Órgãos de suporte acadêmico como o CNPq têm demonstrado em várias ocasiões ranços políticos extremamente prejudiciais para o desenvolvimento de ciência e filosofia em nosso país. Não podemos mais permitir que o desenvolvimento científico e filosófico brasileiro seja dominado por burocratas sem sintonia com a realidade acadêmica mundial. Chega de isolamento!

12 comentários:

  1. Será em caráter definitivo?
    http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/mec-demite-ex-reitor-da-unb-que-mandou-comprar-lixeira-de-1-mil-com-dinheiro-da-instituicao-15462043

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  2. Tenho certeza que a maioria dos pesquisadores brasileiros não entendem o sistema de avaliação de projetos do CNPq. Recebi o seguinte parecer para os últimos dois projetos que
    submeti:
    "sua proposta teve o seu mérito reconhecido. No entanto, na análise comparativa com as demais propostas, o seu pedido não alcançou classificação que permitisse o atendimento."

    O que é um mérito reconhecido? Quais foram os critérios utilizados na comparação com as outras propostas?


    Fiz essas duas perguntas no pedido de reconsideração que submeti.

    Recebi a seguinte resposta: " o proponente publica com pouca regularidade e qualidade".
    No entanto, analisando os CV Lattes dos pesquisadores com projetos aprovados percebi que a maioria deles, embora tenham mais publicações que eu, são doutores há mais tempo e possuem menos citações nos últimos três anos. Além disso, muitos publicam em periódicos sem fator de impacto.
    Diante disso, pergunto: como o CNPq avalia a qualidade das publicações?
    O meu consolo é, que embora o CNPq não considere meu projeto e currículo bons o suficiente para serem financiados, nos últimos dois anos fui palestrante convidada de duas importantes conferências no exterior. Tenho também conseguido colaborações com centros de excelência da Europa.
    Infelizmente, a impressão que tenho é que o principal critério para aprovar projetos é um bom relacionamento com os membros do comitê de assessoramento da área entre outros critérios meramente políticos.
    A falta de apoio do CNPq não será um entrave para o sucesso do congresso sobre lógica e religião tanto pela importância do tema quanto pela qualidade do comitê científico. É uma pena que será mais um evento importante que acontecerá em nosso país sem receber o devido apoio.


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    1. Anônima

      Um dos critérios supostamente objetivos do CNPq é o QUALIS, que, por sua vez, não demonstra sintonia com a realidade acadêmica internacional.

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2013/09/qualis-uroboro.html

      Fora isso, não podemos esquecer que as grandes decisões em instituições públicas são geralmente tomadas na copa, na hora do café.

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    2. Filie-se ao Partido, que está tudo certo.

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  3. Nos últimos anos tenho acompanhado a realização de uma série de pequenos eventos em Matemática e Física apoiados pelo CNPq. Nestes eventos particulares o dinheiro é gasto com alguns cientistas internacionais de pouco destaque e com muito poucos trabalhos publicados.

    Então eu me pergunto por que este congresso, que tem uma característica inovadora e com a participação de um imenso número de renomados cientistas nacionais e internacionais, não foi dado o suporte do CNPq? Eu realmente não consigo entender!

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    1. Apenas um palpite.

      Será que as pessoas que decidem se tal evento merece ou não alguma verba estariam contaminadas com a seguinte ideia????

      "Ah, mas este evento tenta discutir relações entre Ciência e Religião. Como ambas não combinam mesmo e qualquer esforço neste sentido resulta em mera especulação que em nada ajuda para o desenvolvimento do país ou do que quer que seja, então é besteira jogar dinheiro fora investindo nisso."

      Eu, pessoalmente, discordo deste modo de pensar, pois se já assumimos de antemão que Ciência e Religião não podem entrar em uma mesma esfera de discussão, daí realmente passaremos a eternidade com o mesmo pensamento de que ambas não podem se destacar ao mesmo tempo em nada.

      Mas será que não é com essa ideia que o CNPq rejeitou injustamente o apoio ao evento????

      Minhas perguntas se dão pelo fato de que, mesmo entre colegas e professores na época da graduação, o tema Religião sempre foi tratado com muito desprezo no ambiente acadêmico. Se alguém desse ambiente e com esta ideia viesse a se tornar membro do CNPq a decidir quem merece ou não algum investimento, não seria difícil entender o motivo de tal recusa.

      Infelizmente, vivemos em uma sociedade na qual existem muitas pessoas com elevados graus de convicção e certeza e poucas pessoas que se "atrevem" a questionar aquilo que está em vigência.

      Entretanto, volto a frisar, é apenas uma suposição.

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    2. Leandro

      Visitando os bastidores desse tipo de discussão, a sensação que fica é outra: problemas pessoais. Lamentavelmente não posso discutir sobre isso, por enquanto, por falta de documentação.

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  4. Minha desconfiança sempre pendeu para um suposto e verdadeiro preconceito contra religiões.

    Seria realmente interessante e oportuno, futuramente quando documentado, uma postagem sobre isto.

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    1. Leandro

      O estudo sobre religião e religiosidade é algo fascinante. Li muitos artigos e livros escritos por especialistas e sempre me despertaram atenção. Mas para escrever algo para o blog eu precisaria da ajuda de um pesquisador experiente e sério. É algo que está nos meus planos há algum tempo.

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  5. Um texto interessante sobre ciência e religião publicado na semana passada:

    http://mauriciotuffani.blogfolha.uol.com.br/2015/02/28/a-distorcao-quantica-volta-a-atacar/

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    1. Anônimo

      As reportagens de Tuffani são sempre ótimas. Grato pela excelente recomendação. Divulgarei na página Facebook do blog.

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  6. Pena que no meu tempo não tinha celulares, já sofri coisas piores.
    http://www.revistaforum.com.br/2013/04/16/reacao-de-aluno-ateu-a-bullying-acaba-com-pai-nosso-na-escola/

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