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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Matemática da Gramática da Língua Portuguesa

Recentemente foi criado o Curso de Letras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Não são poucos os que questionam o que um curso de Letras estaria fazendo em uma universidade tecnológica. Lamentavelmente falta a muitos professores e alunos de ciências exatas e tecnológicas no Brasil a noção de que em um curso de Letras se estuda linguística, uma área do conhecimento que emprega sofisticadas técnicas de matemática, estatística, lógica e teoria da computação, entre outras. E falta a muitos alunos e professores de Letras em nosso país a percepção da fundamental importância das ciências exatas em linguística. A regra brasileira é que cada um é absolutamente ignorante e preconceituoso sobre a área de atuação do outro. Um curso como o de Letras na UTFPR seria uma ótima oportunidade para estimulantes parcerias entre profissionais de diferentes áreas. Mas, como o usual, nossas universidades mais parecem poliversidades, nas quais cada um luta sozinho pelo seu pão mofado e poucos cogitam sobre projetos verdadeiramente interdisciplinares. Posso afirmar isso porque testemunhei de perto o assustador analfabetismo científico na UTFPR, especialmente no Curso de Letras. E o mesmo vale para inúmeras outras instituições de ensino superior que visitei. O pior é que essa mentalidade se reflete na formação de futuros professores de matemática e português do ensino médio, o foco deste texto.


Desde os anos 1950, devido a estudos de Noam Chomsky e colaboradores, sabe-se da existência de uma elaborada estrutura matemática nas gramáticas de praticamente todas as linguagens naturais humanas, como português, inglês, francês, entre outras. Desde então esses estudos tiveram significativos avanços no desenvolvimento de programas de computador que fazem traduções, e que identificam categorias gramaticais até mesmo de palavras ambíguas e de uso raro, na elaboração de modelos matemáticos para compreender o comportamento humano e de outras espécies animais, e no desenvolvimento de linguagens computacionais e softwares compiladores. Propomos aqui as bases para uma adaptação das ideias de Chomsky para o ensino médio brasileiro. O pré-requisito matemático é a teoria de conjuntos.


O vocabulário léxico de uma gramática da estrutura das frases (que abreviadamente chamamos de gramática) é o conjunto L formado por: 


(i) todas as palavras dicionarizadas (pedra, livro, perder etc) e 


(ii) nomes próprios (João, Curitiba etc).


O vocabulário não léxico de uma gramática é um conjunto que denotamos por N e cujos elementos são:


(i) todas as categorias gramaticais usuais (ADJETIVO, SUBSTANTIVO, VERBO, FRASE SUBSTANTIVA etc.) e 


(ii) um elemento que chamamos de símbolo inicial e denotamos por I.


Os conjuntos L e N são disjuntos, ou seja, eles não têm elemento algum em comum. Como consequência disso o léxico "adjetivo" não pode ser confundido com a categoria gramatical ADJETIVO. Comentário análogo vale para todas as demais palavras dicionarizadas (ou certas sequências de palavras) que remetem a categorias gramaticais. A união de L com N resulta em um conjunto V conhecido como o vocabulário da gramática. 


É interessante usar abreviações para as categorias gramaticais. Por exemplo, ADJETIVO pode ser abreviado por ADJ. Já ARTIGO DEFINIDO, SUBSTANTIVO COMUM, VERBO, SUBSTANTIVO PRÓPRIO, FRASE ADJETIVA, FRASE VERBAL e FRASE SUBSTANTIVA podem ser abreviados, respectivamente, por AD, SC, VE, SP, FA, FV e FS.


Um string é uma sequência finita de elementos do vocabulário V. Podemos (quando for necessário) separar os elementos de um string pelo símbolo auxiliar +. Alguns exemplos de strings são os seguintes: 


(i) FA+ADJ+local+novidade+catar+SC+quem


(ii) acredito+que+hoje+consigo+entender+gramática


Intuitivamente falando, um dos objetivos do estudo de gramática é definir critérios claros que permitam reconhecer um string que potencialmente possa ser compreendido, a menos de aspectos semânticos e pragmáticos da linguagem. Ou seja, não estamos discutindo aqui sobre semântica. Por exemplo, se alguém introduz um léxico novo no português (digamos, "catepondro") e usa este termo no string "o catepondro é azul", uma gramática deve ajudar a determinar que "catepondro" é um SUBSTANTIVO, ainda que não se saiba o significado deste novo léxico. Quanto à dimensão pragmática das linguagens naturais, esta também é abstraída aqui.


Existem infinitos strings para um mesmo vocabulário V, ainda que esse vocabulário seja um conjunto finito. Isso porque não há limite para o comprimento de um string. Vale observar que textos em geral, sejam livros ou simples panfletos, são strings léxicos (usam somente vocabulário léxico). 


O comprimento de um string é o número de elementos que ele tem. Nos dois exemplos de strings que apresentamos acima, o primeiro tem comprimento 7 e o segundo tem comprimento 6. O string de menor comprimento é o conjunto vazio. Seu comprimento é 0 (zero).


Para refrescar a memória do leitor, um par ordenado é um conjunto (p,q) tal que a ordem dos elementos p e q é relevante. Isso significa que se p é diferente de q então (p,q) é diferente de (q,p) e vice versa.


Um conceito fundamental no estudo de gramáticas de Chomsky é o de produção. Toda produção em uma gramática é um par ordenado (p,q) tal que p e q são strings e p jamais é o string vazio. Mas nem todo par ordenado (p,q) de strings é uma produção, mesmo que satisfaça à condição de que p seja não-vazio. Para definirmos uma gramática, precisamos estabelecer quais pares ordenados (p,q) de strings são produções. Para isso, precisamos definir o conjunto P das produções da gramática. A definição de P é crítica e depende da linguagem que queremos associar à nossa gramática.


Em certas situações é mais interessante denotar uma produção (p,q) como p>q, que se lê "p produz q". Usualmente se emprega uma flecha no lugar de >. Mas este blog tem sérias limitações em termos de fontes permitidas. No entanto, na imagem em anexo que exemplifica a árvore sintática da frase "João chutou a bola azul" empregamos a usual notação de flechas, no lugar do símbolo >.


Se q é uma palavra do dicionário ou um nome próprio, então p>q é chamada de produção léxica.


Consideremos, para fins de ilustração, uma gramática muito simples na qual o vocabulário não-léxico N seja definido como:


N = {I, AD, SC, VE, SP, FA, FV, FS, ADJ}


Definimos também L como o conjunto cujos elementos são: 


(i) as palavras de um dado dicionário de língua portuguesa (como o excelente Houaiss), com suas correspondentes classificações gramaticais e 


(ii) nomes próprios.


O conjunto P das produções se define da seguinte maneira: P tem todas as produções léxicas que podem ser obtidas a partir do dicionário (ADJ>azul, VE>andar etc.), bem como as seguintes produções não-léxicas:


(i) I>FV+FS, (ii) FV>FS+VE, (iii) FS>FS+FA, (iv) FS>FA+SC, (v) FA>ADJ, (vi) FA>AD, (vii) FS>SP.


Vale notar que as produções léxicas a>b, tais que b é uma palavra dicionarizada, estão claramente explicitadas no dicionário Houaiss de língua portuguesa. Se, por exemplo, procurarmos pelo léxico "andar", descobriremos que uma das acepções desta palavra a classifica como VERBO. Por isso podemos incluir a produção VE>andar no conjunto P. 


Em nosso exemplo elementar de gramática, o símbolo inicial I, de acordo com o item (i) logo acima, produz somente um string de comprimento 2, a saber, Frase Verbal seguida de Frase Substantiva. Já de acordo com o item (ii), a Frase Verbal produz outro string de comprimento 2: Frase Substantiva seguida de Verbo. Vale observar que Frase Adjetiva pode produzir tanto Adjetivo quanto Artigo Definido (itens (v) e (vi)), sendo ambos strings de comprimento 1. Fazemos a leitura das demais produções de maneira análoga.


Agora podemos dar um exemplo de construção de árvore gramatical a partir de nossa gramática simplificada.
Clique na imagem para ampliá-la.
As produções permitem (começando com o símbolo inicial I e culminando com os elementos do vocabulário léxico) desvendar uma estrutura gramatical do string "João chutou a bola azul". Obviamente estamos omitindo o sinal + para a separação dos elementos de nosso string exemplificador.


É claro que nosso exemplo é exageradamente simplificado, pois não leva em conta a existência de pronomes, preposições, advérbios e outras categorias gramaticais usuais e importantes. Nosso propósito aqui é uma mera ilustração para propormos um projeto que vai muito além de uma mera postagem em um blog.


Podemos agora definir o que é a linguagem gerada a partir de uma gramática.


Se g e d são strings, então dizemos que o string gbd é diretamente derivável do string gad (e escrevemos isso como gad=>gbd), se a produzir b; ou seja, se a>b. Vale observar que o símbolo => corresponde a uma flecha com dois traços horizontais. 


Também dizemos que o string g(m) (onde m é um inteiro positivo) é derivável do string g(1) (e escrevemos isso como g(1)=>*g(m)) se existir uma sequência de strings g(2), g(3), g(4), ..., g(m-1), tal que g(2) é diretamente derivável de g(1), g(3) é diretamente derivável de g(2) e assim por diante, até chegarmos a g(m) diretamente derivável de g(m-1).


Assim, a linguagem gerada por uma gramática é o conjunto de todos os strings do vocabulário léxico dessa gramática que são deriváveis do símbolo inicial I.


Portanto, em nosso exemplo anterior, o string "João chutou a bola azul" é um dos elementos da linguagem gerada pela gramática simplificada que propomos a título de ilustração.


Uma característica notável das gramáticas de Chomsky é a recursividade. Intuitivamente falando, a recursividade permite gerar infinitos strings em uma linguagem, a partir de um vocabulário finito. Basta ver, por exemplo, a produção do item (iii) logo acima. Se a partir de FS podemos derivar FS+FA, isso significa que podemos novamente aplicar a produção FS>FS+FA para derivar FS+FA+FA a partir de FS. Repetindo o processo, podemos derivar FS+FA+FA+FA a partir de FS e assim por diante. Por isso não há limites sobre o que pode ser escrito ou falado em português, mesmo com uma quantia finita de léxicos, nomes próprios e produções. 


Lamentavelmente há limites do intelecto humano para lidar com a recursividade das linguagens naturais, principalmente quando se aplica a recursividade sobre strings envolvendo uma adaptação dos quantificadores lógicos "para todo" e "existe". Para detalhes ver a postagem O Estudante Brilhante.


Se flexibilizarmos nossa definição de forma adequada, levando em conta as dimensões semântica e pragmática das linguagens, podemos afirmar que cada pessoa possui sua própria gramática da língua portuguesa. Isso porque cada indivíduo tem um conhecimento particular de vocabulário. Afinal, termos que uma pessoa conhece e emprega em seus discursos diários podem ser desconhecidos por outras. Além disso, considerando que o vocabulário da língua portuguesa está em constante mutação (incluindo e excluindo léxicos ao longo dos anos), podemos seguramente afirmar que a gramática acompanha tais mudanças. Ou seja, não existe a gramática do português. São muitas as gramáticas de nossa língua.


Mais importante do que o domínio de conteúdos matemáticos específicos é a alfabetização em matemática. Alunos têm que ser capazes de ler textos elementares de matemática. As ferramentas que usamos aqui são apenas noções muito básicas sobre conjuntos. Ainda assim, conseguimos mostrar de maneira muito breve como utilizar a teoria de conjuntos para compreender um pouco a respeito da matemática inerente aos nossos discursos do dia-a-dia e às nossas leituras (sejam de romances ou placas de trânsito). Se estamos conversando com um amigo, em português, inglês ou télugo, estamos implicitamente usando muita matemática. Um simples "bom dia" se trata de uma sofisticada (ainda que nem sempre consciente) aplicação matemática. O que Chomsky fez foi revelar parte desta matemática, a qual hoje é sabida como sendo algo muito mais elaborado.


Há professores de português que defendem o estudo de gramática nas escolas com o propósito de redigir textos. O string "azul João bola chutou a" não é imediatamente compreensível para as pessoas como uma frase em português. Se um indivíduo ordena essas palavras para formar o string "João chutou a bola azul", ele está inconscientemente utilizando uma estrutura matemática que é inerente a todos nós. E essa estrutura matemática é a mesma que viabiliza crianças a aprenderem a falar e escrever. Outras espécies animais, a princípio, não têm a sorte de contar com o acesso a tal estrutura lógica. Adaptar as gramáticas de Chomsky aos nossos ensinos básicos é a promoção de uma visão mais universal e atualizada de mundo. Conhecer matemática é conhecer a nós mesmos. Se estamos interessados em preparar jovens para uma vida universitária e não "poliversitária", precisamos ter em mente uma unidade de conhecimentos. A interdisciplinaridade é um caminho muito razoável. E desconheço motivos sensatos para não transpor as universais gramáticas de Chomsky para o ensino médio.


Um dos aspectos mais interessantes das gramáticas de Chomsky é um resultado no qual se prova que, em geral, uma linguagem admite infinitas gramáticas que a gerem. Ou seja, sob este ponto de vista, novamente não faz sentido falar na gramática da língua portuguesa (com artigo definido). Existem infinitas gramáticas para a linguagem que empregamos no dia-a-dia. Se queremos ensinar gramática para jovens pré-universitários, devemos estabelecer método. Se não explicitarmos quais são as produções a serem adotadas na gramática de nossa linguagem, continuaremos a limitar nossa capacidade de identificação de estrutura gramatical a meras opiniões, como frequentemente acontece em nossas salas de aula.


Os físicos perceberam há séculos que a matemática é uma poderosa ferramenta epistemológica e metodológica para a ciência. O mesmo vale para químicos, geólogos, advogados, médicos, administradores, filósofos, economistas, sociólogos, engenheiros, arquitetos, biólogos e tantos outros profissionais. E há mais de meio século os linguistas também se dão conta disso. É hora de atualizarmos nosso ensino médio para podermos, pelo menos, acompanhar o mundo que nos cerca.

27 comentários:

  1. Quando li o título da postagem, pensei: "finalmente vou poder colaborar mais, com comentários pertinentes"... mas quando li - doce ilusão - , apenas comprovei minha ignorância profunda. Está certo que posso "justificar" dizendo que procurei o curso de Letras já pensando na literatura e não na linguística. Mas eu deveria ter feito uma BOA formação (pensando em APRENDER tudo). E não fiz! Gostei do post. Recordei de algumas (poucas) coisas de linguística. E é sempre bom a gente refletir sobre a INTERDISCIPLINARIDADE nas escolas. Obrigada Adonai...

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  2. Oi, Susan

    Quando jovem eu conheci a física. Dediquei uma carreira inteira a esta área. Só recentemente descobri a linguística. Se eu tivesse a oportunidade de contato com esta abordagem à linguística durante o ensino médio (ou, pelo menos, na graduação), certamente teria me dedicado a essa área. Linguística é algo muito mais atraente do que física. Mas o pouco contato que tive com gramática na juventude foi muito desanimador. Aquelas aulas eram um horror absoluto. Eram apenas um amontoado de nomes e regras arbitrárias que transpareciam insanidade e burrice. Você não é a única vítima da ignorância. Todos somos. Por isso procuro hoje veicular estas ideias. É uma tentativa de convencer profissionais da educação a mostrarem o mundo do conhecimento de forma mais ampla aos jovens. Somente assim eles terão melhores condições de escolhas sobre seus futuros profissionais.

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  3. Creio que um dos comentários mais lamentáveis que um bom professor de Português, bons linguistas e pessoas com bom domínio do nosso idioma deve ouvir é aquela tradicional queixa da maioria esmagadora da população brasileira, de que

    "é chato (ou mesmo inútil) estudar Gramática profundamente já que se trata de um punhado gigantesco de regras a serem decoradas e memorizadas ao acaso, sem qualquer raciocínio lógico ou provido de bom senso".

    Inclusive, já ouvi algo parecido de muitos colegas de profissão, alguns professores de Português (que também achavam que gramática era um monte de regras a serem decoradas ao acaso e que foram definidas arbitrariamente, sem qualquer raciocínio lógico envolvido) e praticamente todos os pedagogos que conheci.

    Uma das maiores queixas diz respeito ao uso do sinal grave nas situações que envolvem crase.

    Muitos reclamam demais por ter que decorar as regras envolvendo crase!!!!!!!

    No entanto, afirmo para vcs que eu, particularmente, nunca decorei sequer uma única regra gramatical, pois sempre procurei usar o bom senso e a Lógica para "desvendar" ou, quando não possível desvendar, ao menos usar a gramática corretamente.

    Vejamos o exemplo da crase.

    CONTINUA

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  4. Na frase,

    (*) João voltou a Curitiba

    eu sei que não se deve usar o acento grave, pois ao substituir a letra "a" pela preposição "para", a oração já adquire sentido completo, tornando-se perfeitamente inteligível e consistente com o tipo particular de "strings" mencionado pelo professor Adonai. Vejam:

    (**) João voltou para Curitiba

    O mesmo ocorre em

    (i) João voltou a casa

    com "casa" no sentido genérico

    (ii) João voltou para casa

    É fácil notar que, se além da preposição "para" usássemos também o artigo definido "a", a oração ficaria "estranha" e pareceria "soar mal aos ouvidos". Vejam:

    (iii) João voltou para a Curitiba

    (iv) João voltou para a casa

    Soa muito melhor do modo como está escrito em (**) e (ii) do que como em (iii) e (iv).

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  5. Vejamos agora outros exemplos:

    (v) Paulo foi à praia
    (vi) Roberto dirigiu-se à casa de sua mãe

    Da mesma forma, poderíamos substituir a oração (v) por

    (vii) Paulo foi para a praia

    e a oração (vi) por

    (viii) Roberto dirigiu-se para a casa de sua mãe

    Soaria estranho se falássemos ou escrevêssemos assim

    (ix) Paulo foi para praia

    (x) Roberto dirigiu-se para casa de sua mãe

    Passaria a impressão de "estar faltando alguma coisa", diferente dos exemplos (**) e (ii) que aparentam ter sentido completo (e de fato são completos) e que não precisam de artigo para completar o sentido.

    Vejam que usando o raciocínio lógico e seguindo certos padrões lógicos e certas conexões, "strings" específicos, etc, é possível deduzir grande parte das gramáticas existentes!!!!!!

    Acho que por isso eu costumava me sair bem em Gramática, pois usava a Lógica e a intuição para a maioria esmagadora das situações!!!!!!

    É natural que existam exceções nas quais provavelmente a intuição não se aplique (e eu sempre me ferrava quando surgiam algumas delas), mas o domínio intuitivo e lógico do idioma já possibilita uma grande aprendizagem de nossa lingua pátria!!!!!!

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  6. Sou linguista e prof. universitário em um curso de letras e compartilho de algumas das suas angústias. Para atualizá-lo, modernamente se prega outra pedagogia do ensino de gramática, que explora justamente o que Chomsky chama de 'competência'. Todo falante sabe a língua que fala, só não sabe falar sobre ela. O ensino tradicional de gramática só fornecia a nomenclatura e não fazia o aluno pensar sobre a língua. Procure 'Sofrendo a gramática' de Mario Perini ou a sua 'Gramática do Português Brasileiro', o que você está dizendo é algo que ele já vem propondo há anos.

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  7. Boa noite. Como professor vc é um mau compositor... dedique-se talvez a linguística, pode dar certo...

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  8. Oi, luisandromendes

    Fiquei curioso com o seu comentário. Como tem sido a receptividade às ideias de Mario Perini? Se você pudesse esclarecer um pouco mais sobre essas questões, eu ficaria grato.

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  9. Oi, Leandro

    O tema gramática é muito mais complexo do que eu possa descrever aqui. Lembro quando um aluno me perguntou quantos idiomas eu falo. Respondi que nenhum. Não me atrevo a dizer que falo português, pois até agora não conheço essa língua. Sinto falta de estudiosos sérios de linguagens.

    Oi, Anônimo

    Não entendi seu comentário. Não sou compositor.

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  10. Adonai


    mas se vc se comunica usando a linguagem que remete ao português, qual o problema em afirmar que vc se comunica usando o português?????

    Isto não seria equivalente a afirmar que "fala português"?????

    Não daria, por exemplo, para vc afirmar então que, digamos, "fala parcialmente português" ou "conhece x% de português", e assim por diante??????

    Tenho uma última dúvida, aproveitando este seu comentário sobre não se atrever a afirmar que fala português.

    Em outro texto, vc transmite a ideia de que o indivíduo só pode afirmar que sabe, digamos, as 4 operações aritméticas básicas se souber, por exemplo, fazer contas em todas as bases numéricas possíveis.

    No entanto, do modo como vc afirma, é como se aquele que não sabe fazer as contas em todas as bases numéricas não soubesse absolutamente nada acerca de fazer cálculos!!!!!

    Isto me parece estranho, pois mesmo que de modo primitivo e sabendo apenas fazer pequenas contas no sistema decimal, já bastaria para dizer que ele sabe, pelo menos, alguma coisa diferente de 0%.

    Sendo assim, vc poderia explicar melhor sua colocação?????

    Se por "fazer cálculos" entende-se conhecer minuciosamente cada pormenor acerca do processo de contagem embasado na Teoria dos Conjuntos, daí eu concordo plenamente contigo, pois uma minoria ínfima possui este conhecimento!!!!!

    Mas isto já bastaria para afirmar que, mesmo sem conhecer Teoria dos Conjuntos e os processos minuciosos de contagem, as pessoas não conhecem absolutamente nada acerca de fazer contas??????

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  11. Oi, Leandro

    Com relação ao português, aquilo foi apenas uma brincadeira. O que eu quis ilustrar é que é muito difícil definir a língua portuguesa. O mesmo vale para outras linguagens naturais, como alemão e italiano.

    Com relação às quatro operações, eu jamais disse que "o indivíduo só pode afirmar que sabe, digamos, as 4 operações aritméticas básicas se souber, por exemplo, fazer contas em todas as bases numéricas possíveis." Na verdade, saber operar em todas as bases numéricas é muito pouco. Mas nem isso alunos e professores sabem. O que afirmo é que no ensino usual de matemática se confunde profundamente conceito com notação. Enquanto sustentarmos o ensino da matemática em procedimentos (Faça assim, quando estiver escrito daquela forma!), nada saberemos de matemática. Aquilo que você chama de quatro operações não pode se limitar a uma série de procedimentos mecânicos que um chimpanzé adestrado consiga realizar. A condição humana deve ser mais rica do que isso.

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  12. Ok, agora compreendi.

    Desculpe-me por ter sido infeliz em minha colocação.

    Vc realmente não *disse* que "o indivíduo só pode afirmar que sabe, digamos, as 4 operações aritméticas básicas se souber, por exemplo, fazer contas em todas as bases numéricas possíveis". Fui *eu* que *entendi* desse jeito (erroneamente)!!!!!!

    Fui irresponsável e descuidado em não ponderar minhas palavras.

    Pior: fui *ilógico*!!!!!!!

    :(

    Da próxima vez terei muito mais cautela e, se for o caso, extrairei suas palavras diretamente dos textos em debate, para evitar deslizes graves como esse!!!!!!

    Abraços.

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  13. Quanto a uma possível melhor condição humana ter de ser melhor que a de um chimpanzé, concordo plenamente.

    As pessoas precisam usar mais e melhor o cérebro e condições precisam ser criadas e modificadas para isso.

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  14. Calma lá, Leandro. Não seja tão duro consigo. Uma das dificuldades da comunicação é o chamado ruído. No futuro talvez eu poste algo a respeito. Mas garanto que faz parte da vida.

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  15. Muito interessante o texto... Lembro como de fosse hj o dia que te perguntei e me deu essa resposta de que não falava nenhum idioma rsrsrsrsrs.
    Ainda não consigo entender o porque esses conhecimentos não sao passados nas escolas. E' muito estranho admitir q um professor seja limitado a se dispor em não ensinar e sim praticar rituais fracassados. Equiparo tal situaçao com o fato de calculo diferencial e integral estar fora da grade do ensino médio, pois alem de ser útil, poupa a "decoreba" de formulas para resolução de vários problemas e indiretamente ele nos convida a pensar e não decorar. Não julgo os alunos de pensarem " porque estudo isso sendo que nunca vou usar na minha vida?", pois ainda que de modo negativo, não deixa de ser um pensamento critico e passível de convencimento, mas cabe ao professor demonstrar e provar tudo oque passa em sala de aula. Insisto que o conhecimento e as respostas precisam seguir uma linha de raciocínio construtivo. Professor Adonai, dada as circunstâncias do texto e das minhas palavras acima, e' possivel inferir que as provas para os ' porquês' gerados em sala de aula seguem o uso de redução absurda, devido a falta de conhecimento e domínio do conteúdo q esta sendo 'ensinado', tanto nas ciencias exatas quanto nas humanas.

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  16. Oi, Flávio

    Quando os alunos questionam o motivo para estudarem um determinado assunto (alegando que jamais usarão aquilo), demonstram um sintoma da mediocridade de nossa sociedade. Ouvir Lady Gaga também será inútil na vida da maioria; mas pessoas ouvem essa cantora pop porque gostam. O mesmo deveria acontecer com o conhecimento científico e a cultura. As pessoas deveriam estudar porque gostam de saber. Se jovens não apreciam estudar (conhecer) isso é sintoma de preocupante decadência social.

    Com relação a provar tudo o que é ensinado em sala de aula, trata-se de algo impraticável. Foi bom ter tocado neste assunto. Escreverei uma postagem sobre o tema.

    Enquanto isso, aviso aos leitores do blog que a próxima postagem será especial. Ela mostrará como a educação brasileira colabora para que milhões de cidadãos de nosso país sejam criminosos. A maior parte do conteúdo da próxima postagem é baseada em informações que jamais foram veiculadas em mídia alguma. Fiz, de fato, intensa pesquisa de campo sobre o crime organizado no Brasil.

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  17. Olá!
    Meu nome é Daniel, moro em Curitiba. Vou fazer o vestibular para Linguística na Unicamp e Letras (pretendo escolher habilitação em Linguística) na USP. Realmente é uma ciência que me fascina, e sou grato por tê-la conhecido (visto que a imensa maioria dos estudantes não sabe o que é). Muito bom vê-la comentada aqui!

    Este ano tive de escolher entre Matemática, Filosofia e Linguística para o vestibular... Optei por Linguística, verei se escolhi certo ano que vem, se tudo der certo. Mas ainda assim gosto muito de Filosofia e Matemática também.

    Li outros posts de seu blog e gostei muito! É triste mesmo que a ciência no Brasil não seja valorizada, mas existem alguns alunos (e professores!) que pensam diferente...

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    Respostas
    1. Daniel

      Tive o azar de ter meus primeiros contatos com a linguística muito tarde, depois dos 45 anos de idade. Fiquei abismado com esta linda ciência. Quando eu era jovem, tinha a impressão de que todos os pesquisadores de linguística eram picaretas. Como me enganei. Se eu pudesse voltar no tempo, não teria me dedicado à física, mas à linguística de Chomsky e seguidores. Espero que aproveite bem sua empreitada, principalmente se puder trabalhar sobre o tema em instituições estrangeiras (ainda que seja a partir de seu futuro pós-doutorado).

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  18. Olá, Prof. Adonai

    Texto incrível. Adorei!

    Estou lendo o seu livro ( O que é um axioma ) e comecei a me perguntar se é possível aplicar algum tipo de lógica em linguagens naturais. Você citou a lógica de linguagens naturais, no mesmo livro. Comecei a pesquisar, informalmente, sobre linguística e estou me apaixonando pela área e o mesmo acontecendo com fundamentos da matemática. Agora está ficando claro que o problema não era comigo, e sim com meus "educadores". Até pouco tempo não me imaginava interessado por essas áreas. Enfim, não foi nenhum professor de língua portuguesa nem livro sobre o assunto que despertou esse interesse em mim, foi a matemática.

    Abraços

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    1. Pois é, Felipe

      Se eu tivesse conhecido linguística quando jovem, certamente teria me dedicado a esta área do conhecimento e não à física. O tema é simplesmente extraordinário.

      Com relação a aplicações de lógica em linguagens naturais, recomendo que pesquise, por exemplo, sobre lógicas deônticas.

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  19. Parece que Gauss, quando jovem, ficou em dúvida entre seguir carreira em linguistica ou matemática. Fiquei curioso sobre o que ele teria feito como linguista...
    Eu imagino o potencial das idéias acima quando aplicadas a inteligência artificial, talvez a eloquência de HAL 9000 não pertença ao mundo das fadas e unicórnios afinal...

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    1. Sebastião

      Desde os primórdios dos estudos sobre computadores se sabe que uma máquina como HAL 9000 é perfeitamente viável. Se a civilização continuar, é só uma questão de tempo para existirem máquinas até mais interessantes.

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    2. Espero que essas máquinas não sejam exatamente iguais a HAL 9000...
      Máquinas mais interessantes? O senhor se refere a uma máquina capaz de formular perguntas?

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    3. Sebastião

      Quem criou a teoria matemática que sustenta os atuais computadores digitais foi Alan Turing. Turing defendia a possibilidade da existência de máquinas pensantes. E isso gerou muita polêmica na época (anos 1930 em diante). No entanto, há um ponto no argumento de Turing que pouca gente compreendeu. Ele não defendia apenas a possibilidade de máquinas pensantes, mas principalmente de formas novas de pensar (promovidas por essas máquinas). É arrogância achar que as únicas formas legítimas de pensamento são as humanas. Máquinas podem ter modos novos de pensamento. E isso é algo que ficará claro em algum momento futuro. Turing era um visionário.

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    4. "Máquinas podem ter modos novos de pensamento. E isso é algo que ficará claro em algum momento futuro."
      Se elas pensarem de modo tão diferente do nosso, como vamos nos entender? Como reconhecer uma inteligência diferente da nossa? O que é inteligência?...

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    5. Sebastião

      Suas questões ainda estão em aberto. Tenha em mente que Turing apenas conjecturou sobre máquinas pensantes. Recomendo que estude sobre a tese de Church-Turing.

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