quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Como seguir uma carreira de pesquisador


Este texto é destinado principalmente aos jovens que querem iniciar carreira científica.

Se minha memória não falha, certa vez alguém perguntou a Bertrand Russell o seguinte: "O que é necessário para uma pessoa se tornar um Bertrand Russell?". Este grande pensador do século 20 teria respondido que bastava nascer rico e lorde. 

De fato Russell veio de uma família aristocrática inglesa. Foi também um conde. Mas, mais importante, publicou obras perenes sobre política, filosofia, educação, matemática, religião e até lógica. Principia Mathematica, escrito em parceria com Alfred Whitehead, é provavelmente a mais impactante obra de popularização da lógica-matemática, com monumental impacto sobre a filosofia da matemática

Russell nasceu em uma família influente, tradicional, rica e nobre. E soube aproveitar muito bem essas oportunidades para produzir trabalhos de extraordinária originalidade e polêmicos até os dias de hoje. 

Mas e aqueles que nascem sem esses privilégios? Pessoas de origem humilde e até mesmo bastarda podem produzir conhecimentos científicos ou filosóficos de alto nível? É possível um Jon Snow ou um John Doe da vida se tornar um grande cientista?

Michael Faraday nasceu em uma família muito pobre e pode contar apenas com uma educação básica. Teve pouquíssimo acesso a educação formal, sendo obrigado a estudar como um autodidata. Mas acabou se tornando um dos mais influentes cientistas da história. Como? Em parte por conta de seu contato, desde muito cedo, com grandes expoentes da ciência e da filosofia da época, como Humphry Davy e John  Tatum. Ele fez isso aos vinte anos de idade.

Ou seja, isoladamente não há como alguém produzir conhecimentos científicos ou filosóficos relevantes. Mas dificuldades como escassez de recursos financeiros, educação ruim ou família sem tradição cultural alguma, não chegam a ser obstáculos intransponíveis. São apenas dificuldades, nada mais. 

Portanto, independente de onde você venha, existem caminhos que são praticamente mandatórios para iniciar uma prolífica carreira de produção científica. É importante ressaltar que o que define uma carreira de produção científica inevitavelmente se traduz em termos de produção de trabalhos originais e relevantes publicados em veículos especializados de alto nível notoriamente reconhecidos como tais. Mas, como conquistar isso? Segue abaixo uma lista de passos fundamentais.

1) Faça justiça à sua curiosidade. Leia, observe, dialogue e pense. Sem curiosidade natural e incessante, não há chances de se realizar produção científica ou filosófica relevante. Mas saiba o que ler. É preciso ler as fontes originais das grandes ideias. Quer conhecer a teoria da relatividade? Leia os textos de Einstein e de todos aqueles que contribuíram para o desenvolvimento posterior desta teoria. Observe os modos de pensar e agir daqueles que produzem conhecimentos. Dialogue com aqueles que produzem conhecimento. Pense criticamente sobre o que lê, observa, ouve e fala. Isso mesmo! Até aquilo que você fala ou escreve deve passar por uma análise promovida pelo seu pensamento crítico. 

2) Não permita a interferência de emoções. Uma das principais barreiras contra o desenvolvimento intelectual é o descontrole emocional. Se alguém criticar as suas ideias, pense racionalmente sobre as críticas e decida se há necessidade de resposta e como ela deve ser dada. Mas jamais leve para o lado pessoal, mesmo que a crítica atinja a sua pessoa. No meio acadêmico existe muita frustração. E frequentemente essa frustração se traduz com ataques pessoais. No entanto, não existe método infalível para distinguir críticas que se originam de frustrações daquelas que se originam de uma postura honesta e imparcial. Se o seu objeto de estudo é, por exemplo, filosofia das imagens, não há motivo algum para disputar com alguém se você tem capacidade ou não para filosofar sobre imagens. Concentre-se sempre no tema de seu objeto de estudos. Neste livro publicado pela Springer, por exemplo, Clifford Truesdell se refere a Patrick Suppes e colaboradores como idiotas e estúpidos (não estou exagerando). Isso impediu Suppes de fazer contribuições históricas em filosofia e teoria da cognição? Certamente não. Trabalhei com Suppes e sei que ele se esforçava para pensar meticulosamente sobre as críticas que recebia. 

3) Adapte-se ao sistema de ensino formal. Nossas escolas e universidades são templos da perdição, em termos de senso crítico e cultivo do conhecimento. A estupidez, a arrogância, a política rasteira e a mediocridade são elementos dominantes. Mas nossas escolas e universidades são também excelentes pontes de acesso aos grandes centros de pesquisa espalhados pelo mundo. Portanto, tenha paciência. Este item é uma extensão natural do item 2. Se o professor espera que você escreva bobagens nas provas, escreva bobagens nas provas. Você precisa do apoio institucional para seguir uma carreira séria e frutífera. E esta é uma questão muito delicada, pois pode facilmente conduzir a uma prostituição intelectual, como geralmente acontece. Por isso, tome cuidado! Jamais perca contato com as fontes do conhecimento que efetivamente transformam o mundo. E não tente mudar os medíocres. Jamais podemos mudar o diabo, mas o diabo pode nos transformar. Os medíocres detém poder para atrasar e até prejudicar a sua vida acadêmica. Por isso mesmo você precisa de uma vida paralela, na qual mantenha contato consistente com pesquisadores que efetivamente produzem conhecimento original e relevante.

4) Não perca tempo. A juventude é a melhor época para aprender. Quanto mais cedo você iniciar seus estudos, maior proveito terá da sua criatividade. Muitas contribuições de alto impacto em ciência foram feitas por jovens. Mas não perca de vista o item 2. Caso você não consiga produzir algo relevante antes dos trinta anos de idade, mantenha a persistência na busca pelo conhecimento. Mas também considere a possibilidade de mudar suas estratégias de investigação. É sabido que em física teórica a maioria das contribuições que resultaram no Prêmio Nobel foram feitas antes dos trinta anos. Já em áreas de pesquisa como medicina e história o fator idade tem um peso consideravelmente menor. Mesmo assim tem sido constatado, ao longo de décadas, um gradual aumento na idade limite para contribuições científicas máximas em áreas mais abstratas como física e matemática. 

5) Seja estratégico. No Brasil a escolha de área de conhecimento tem um peso grande. Física e matemática são áreas que conquistaram certo respeito no cenário internacional. Filosofia, história e educação, porém, são exemplos de áreas do conhecimento muito imaturas ainda em nosso país, com incipiente repercussão internacional. Se você decidir por uma área forte no Brasil, há várias boas opções de instituições (como o IMPA, o CBPF, o IME-USP, entre outras) que naturalmente o colocarão em contato com os grandes centros mundiais, dependendo da qualidade de seu trabalho. Mas se você optar por áreas de pouca repercussão internacional, empenhe-se para avançar seus estudos a ponto de colocá-lo em contato com boas instituições estrangeiras. Isso pode ser feito até mesmo durante um eventual pós-doutorado. Mas se puder fazer isso via bolsas sanduíche ou o Programa Ciência Sem Fronteiras, melhor ainda. Quanto mais cedo ocorrer o contato com os grandes centros, melhores serão os resultados de seu trabalho.

6) Procure bons professores orientadores. Procure a orientação de pesquisadores com produção consistente em bons veículos de circulação internacional. E faça isso com o objetivo explícito de publicar em bons periódicos especializados. Se não for possível, peça a orientação do professor mais experiente e de mente aberta que você puder encontrar. E use a instituição na qual estuda como trampolim para mergulhá-lo em uma realidade melhor, mais produtiva e competitiva. Essa orientação pode ser até mesmo uma iniciação científica informal ou um trabalho de conclusão de curso.

7) Aprenda a viver. Em uma conversa pessoal, o grande matemático pernambucano Leopoldo Nachbin disse o seguinte: "Para fazer matemática é preciso estar no lugar certo, com as pessoas certas, no momento certo e ainda ter sorte." Creio que esta visão pode ser estendida para qualquer área do conhecimento. Ou seja, sempre existem incertezas em qualquer investimento audacioso. Quando finalmente se aprende a publicar em periódicos de alto nível, descobre-se que esta não é uma tarefa tão complicada assim. Complicado é publicar algo realmente relevante, que faça a diferença no conhecimento científico mundial. E este é um desafio encarado por praticamente todos os pesquisadores do mundo. O próprio Nachbin, que abriu um ramo da matemática hoje conhecido como espaços de Hewitt-Nachbin, disse na mesma conversa: "Eu gostaria de ter feito mais." O bom pesquisador é uma pessoa permanentemente insatisfeita. Mas é uma insatisfação que não a consome, não a tormenta. É apenas uma insatisfação que a faz desejar fazer mais, muito mais. Assim como escolas ruins devem ser usadas como trampolim para mergulhar em instituições de alto nível, essas últimas devem ser usadas como trampolim para mergulhar na ciência, na tecnologia, na filosofia, na história e nas artes.

27 comentários:

  1. Prof. Adonai,qual a real chance de alguém que esteja iniciando a primeira graduação de nível superior depois dos 30 anos conseguir construir uma carreira acadêmica relevante? (exemplo hipotético)

    Att.,

    Zé (acho que minha mensagem anterior foi pro spam;mas isso não importa,já que a pergunta segue sendo a mesma)

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    1. Se um iniciante de graduação com 30 anos quisesse ser orientado por Constantino Tsallis, provavelmente seria recusado. Se quisesse ser orientado por Francisco Doria, possivelmente seria aceito, desde que se comprometesse a fazer um trabalho sério. Algumas pessoas têm preconceito com idade, outras não. Já conheci um aluno brilhante que começou mais ou menos aos 30. E hoje ele segue uma trajetória sólida. Ou seja, é mais difícil sim. Mas é possível. Nessas horas lembro do famoso discurso de John Kennedy: "Iremos para a Lua não porque é fácil, mas porque é difícil." Somente os grandes sonhos é que valem a pena. Os pequenos são fáceis de serem alcançados. Os grandes dificilmente são conquistados, mas sempre se pega algo pelo caminho. Eu mesmo, até hoje tento fazer algo realmente relevante em ciência. E já tenho 50 anos. Mas não consigo desistir. Mudo minhas trajetórias. Mas não consigo parar.

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  2. Excelente texto !
    Considero que saber escrever é outro ponto importante para um jovem se tornar um bom pesquisador. Percebo que os estudantes brasileiros têm muita dificuldade para escrever um relatório simples de atividades realizadas durante a iniciação científica. Acho que esta dificuldade se deve principalmente a falta de leitura . É comum estudantes ingressarem em programas de pós-graduação sem nunca terem lido um artigo.
    Outro problema é a falta de domínio da língua inglesa. Um jovem pesquisador que almeja desenvolver trabalhos relevantes passíveis de serem publicados em bons veículos internacionais precisa ter um bom nível de inglês ( não apenas consegui a nota mínima para obter a certificação exigida para a bolsa). Há casos de estudantes que foram selecionados para o programa ciências sem fronteiras que a Capes mandou retornar ao Brasil porque não atingiram o nível de inglês necessário para acompanhar as atividades acadêmicas .
    http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/capes-manda-110-bolsistas-do-ciencia-sem-fronteiras-voltarem-ao-brasil-por-nivel-baixo-em-ingles-12138918

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    1. Anônimo

      Agradeço pelo excelente e fundamental complemento aos conteúdos desta postagem.

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  3. não sei explicar bem o porquê mas fiquei emocionado com esse texto...

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    1. Espero que isso seja um bom sinal. Grato pelo interesse no assunto.

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  4. Nossa academia Templo de perdição é um achado. Excelente texto professor Adonai. apenas uma informação: Steve Jobs criou o Iphone aos 52 anos. Não sei se a criação científica está limitada somente ao fator idade ou à variáveis outras como por exemplo, o fato de que o pesquisador, principalmente no Brasil, envolver-se com atividade que, embora acadêmicas, pouco ou nada contribuem para a pesquisa. É sabido que após a defesa do doutorado, malgrado honrosas exceções, muitos não mais publicam ou quando o fazem, "requentam" o que já foi escrito. Não sei quanto ao exterior, mas no Brasil a esclerose institucional da universidade talvez tenha impacto maior sobre a criatividade do que a idade.

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    1. Anônimo

      Ainda existem muitas pesquisas sobre a eventual relação entre idade e criatividade. Há psicólogos cognitivos que revelaram evidências sobre uma relação entre idade profissional e criatividade, em resposta a relações entre idade cronológica e criatividade. Ou seja, frequentemente pessoas encontram em suas próprias ações a possibilidade de se renovarem profissionalmente e darem um novo gás à criatividade. Com relação a Jobs, este é um excelente exemplo para ilustrar as exceções.

      Com relação àquilo que acontece no exterior, há no link abaixo uma breve discussão interessante.

      http://www.theatlantic.com/health/archive/2014/02/big-breakthroughs-come-in-your-late-30s/283858/

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    2. Vejam esse outro exemplo para ilustrar as exceções:

      http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/aos-92-anos-criador-da-bateria-de-ion-litio-trabalha-em-nova-ideia-15307397#ixzz3RXYTAIYg

      Nunca é tarde para se renovar

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    3. Anônimo

      Que exemplo fenomenal. Realmente incrível. É disso que gosto!

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  5. Este texto deveria estar no prefácio de todos os livros de Ensino Médio deste país.

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  6. Caro professor Adonai,


    Se me permite uma sugestão, gostaria que escrevesse sobre a greve dos professores da rede estadual do Paraná, que absurdo a situação dos professores hein?

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    1. Carlos

      Se eu encontrar tempo, farei isso. Por enquanto não posso garantir.

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  7. Caro professor Adonai

    Sinto alegria por ter encontrado este espaço ontem. Estou lendo os posts com avidez. No momento, há várias abas abertas a partir da Lista completa de postagens, que me tiraram o sono pelo enorme interesse causado. Similarmente ao Anônimo das 10:14, também me emocionei com este texto...

    E escrevo agora pois uma angústia surgiu durante a leitura da postagem. Me formei em Arquitetura recentemente e desde então trabalho na área, mas um interesse pelas partes teórica e conceitual dessa disciplina são maiores que a parte prática de escritório (apesar de também gostar desta), principalmente após a recente descoberta do gosto pela ciência econômica, através de livros de divulgação científica desta área para leigos.

    Apesar de ver potencialidades na investigação acadêmica que relaciona essas duas disciplinas, minha angústia vem do fato do meu currículo da graduação não ser exemplar nem de longe... Durante todo o curso nunca participei de programas de iniciação científica, fora o fato de ter tido esporádicas reprovações e notas ruins, o que faz com que eu acredite, ainda agora enquanto escrevo, que matei as oportunidades de ingressar numa carreira de pesquisa bem sucedida. Tanto é verdade que, retirando alguns momentos como os da descoberta e leitura deste blog, eu nem pense nisso a sério e me contente apenas com o trabalho de escritório. Fiz tudo ao contrário do que o senhor recomenda no passo 3.

    Além disso, o curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, onde estudei, dá uma bagagem científica muito superficial (o que não sei se é falha da faculdade, minha ou mesmo da disciplina), a ponto de eu, mesmo formado, não sentir familiaridade com o básico da produção cientifica de modo geral. A cadeira de metodologia cientifica, dada no primeiro período, foi totalmente inócua, nos ensinando apenas normas da ABNT para escrita de trabalhos acadêmicos. Por isso também, postagens como essa são de um grande interesse para mim, que vejo "a ciência" ainda como um mundo distante e mesmo inalcançável.

    Talvez o tom vitimista que eu esteja empregando aqui, junto a minha auto-descrição de mau aluno, torne minha imagem repulsiva ao professor, motivo que me envergonha e me faz adotar um pseudônimo, mas encontrei nesse fórum um raro ambiente acolhedor para este tipo de desabafo que é também um pedido de aconselhamento.

    Não faço idéia do que fazer nesse aspecto da minha vida, motivo pelo qual vou deixando o tempo passar, seguindo outro caminho. Continuo lendo muito e tendo, aqui e ali, idéias de possíveis contribuições intelectuais, que não seguem em frente por eu não saber como nem onde desenvolvê-las adequadamente, para que tenham qualquer respaldo ou utilidade científica ou mesmo prática, para levar para frente a produção do conhecimento, ou mesmo para me provar equivocado...

    A partir do que exponho, o senhor acredita que é possível, ou ainda há tempo, mesmo eu me encontrando perto dos 30, que alguma boa instituição me aceite? Se sim, o que acha que eu deva fazer primeiro, na prática, visto que não tenho relação significativa com nenhum dos meus professores da graduação, visto que aos olhos da academia eu, neste momento presente, sou ninguém? É possível começar "do zero" um mestrado?

    Peço perdão pelo que pode parecer (ou refletir) uma preguiça intelectual. Continuarei lendo as demais postagens. De já, agradeço à inspiração vinda do seu texto, bem como a criação e manutenção deste fabuloso espaço.

    Tenha um bom dia!

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    1. Bombmob

      Antes de mais nada, devo dizer que certamente não sinto repulsa pelo seu breve depoimento. Pelo contrário, sempre me animo com aqueles que buscam o conhecimento não trivial.

      Lamentavelmente nada sei sobre arquitetura. E os arquitetos que conheço certamente não compartilham com a sua visão. E, até onde sei, arquitetura não conta com tradição acadêmica, pelo menos em nosso país. No entanto, isso não o impede de realizar uma atividade interdisciplinar envolvendo arquitetura e economia.

      Se deseja realizar um mestrado, mesmo sabendo que não tem contato com professores ou pesquisadores, minha recomendação é a seguinte: tenha paciência! Sugiro que ingresse em um programa de pós-graduação que lhe atraia, mas como aluno ouvinte de uma ou duas disciplinas. Isso pode ser feito sem efetiva matrícula no programa. Se a sua inscrição como aluno ouvinte obedecer a trâmites burocráticos usuais, você pode usar isso para contar como crédito na eventual matrícula futura no programa (desde que, claro, você seja aprovado na disciplina cursada como ouvinte). Desta forma você começa a se familiarizar com atividades acadêmicas e, principalmente, a formar redes sociais através de contatos com professores e alunos. Cursando uma disciplina como aluno ouvinte você poderá usar esta oportunidade para acompanhar palestras de pesquisadores, trocar ideias com professores e, enfim, se tornar socialmente visível naquele segmento específico.

      Professores e pesquisadores são seres humanos. E, como seres humanos, são sempre dependentes de suas redes sociais. A ideia é que você faça parte dessa rede social. Quem sabe, desta forma, você encontre um caminho para se tornar até mesmo um nome importante no estudo das relações sociais entre arquitetura e economia. Confesso que eu adoraria ver isso acontecer. Poderia ser o nascimento de uma nova área do conhecimento em nosso país.

      Mas antes de almejar o céu, precisamos conhecer a terra. Para finalizar, sugiro o texto abaixo.

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2012/03/dicas-para-entrevistas-em-programas-de.html

      Finalmente, agradeço pelo apoio a esta fórum. E seja bem-vindo.

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    2. Caro Adonai

      muito obrigado por sua resposta tão solícita!

      Sua sugestão de ingressar como ouvinte num programa de pós é ótima.
      Estou avaliando as opções disponíveis em minha região.

      Desejo sucesso ao professor em suas atividades, incluindo este blog tão informativo.

      Continuo lendo. Um abraço!

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  8. Adonai...

    toda vez que discute-se tópicos associados a este tema, sempre percebo que há uma falta de cultura dentro do próprio meio academico com relação a citação de cientistas brasileiros que apresentaram contribuições relevantes para ciência e que poderiam ser utilizados como exemplos. Enfim, não quero entrar no mérito da questão.
    É fundamental despertarmos o interesse nos jovens para a ciência. Isso é um fato inquestionável! Entretanto, os caminhos por serem seguidos são árduos, difíceis e desistimulantes, mesmo porque são poucas as pessoas gabaritadas neste país que podem realmente ensinar o "fazer ciência" de forma séria e concreta. O interessante, e muito bem ressaltado por você, é que as principais armadilhas se encontram nas universidades, ironia essa fruto de contratações de docentes despreparados por anos a fio. Assim, preparar futuros "cientistas" somente comprometidos com a boa ciência e boa política científica é equivalente, do ponto de vista probabilístico, a alcançar um evento com medida praticamente nula de ocorrência. Mesmo assim não devemos nunca esmorecer.....
    Em suma, estimular os estudantes que se encontram cursando o ensino básico e médio, talvez seja a nossa primeira e majestosa tarefa a ser cumprida. É exatamente neste estágio que iremos nos defrontar com o avassalador cenário de destruição que se encontra a educação dada aos nossos jovens. Perceba, que estou excetuando aqueles que nasceram em "berço esplêndido" e que, consequentemente, cursaram as melhores escolas. Enfim, transformar o "sertão em mar" é para poucos........

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    1. Marcelo

      Mas não podemos esquecer da possibilidade de que talvez o Brasil simplesmente não sirva para produzir conhecimentos científicos relevantes. Se isso for verdade, sempre estaremos limitados aos casos isolados como Lattes, da Costa, Avila, entre outros.

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    2. "Mas não podemos esquecer da possibilidade de que talvez o Brasil simplesmente não sirva para produzir conhecimentos científicos relevantes.".Ao assumir esta possibilidade como verdade insofismável,não estaríamos caindo num fatalismo desmesurado? O senhor poderia detalhar mais acerca do conteúdo desta frase ? Lembremo-nos de que o processo histórico de desenvolvimento das relações sociais e,em especial,institucionais (ver aqui definição dada por Douglas North) de uma nação pode ser alterado profundamente.Por óbvio,tal tarefa não é das mais fáceis; no entanto,creio que o Brasil possa (desde que adotadas as estratégias e políticas públicas adequadas) fazer ciência de qualidade em maior escala — a partir daí,talvez surjam mais "Lattes","da Costas","Ávilas","Schenbergs" e tutti quanti.

      P.S: Admito que no momento é difícil vislumbrar um futuro mais otimista em relação ao nosso país.Creio que possamos operar uma mudança mais a longo prazo; só espero que o Brasil não tenha que passar por um cataclismo de grandes proporções para que alguma coisa seja feita.Até lá (e a fim de evitar um destino trágico),temos que articular mais pessoas que estejam interessadas em mudar esta situação e que não tenham medo de expor as agruras do nosso sistema político e educacional.

      Parabéns pelo blog!

      Júnior

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    3. Júnior

      Não sou sociólogo. Portanto, nesta área tenho apenas impressões pessoais. Mas frequentemente lembro da Inglaterra, país que jamais desenvolveu qualquer tradição em música erudita. Inglaterra é referência mundial em literatura, física e matemática, mas não em música. Brasil teve mais compositores de extraordinário talento do que Inglaterra. Ou seja, aparentemente Inglaterra não serve para fazer música além de Beatles e Pink Floyd. Neste sentido é que admito a possibilidade de que o Brasil não serve para produzir ciência. Mas, como eu disse, é só uma opinião sobre uma mera possibilidade.

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    4. Adonai

      Concordo com suas observações referentes à observação de que talvez este país não sirva para produzir conhecimentos científicos relevantes. Outro ponto interessante a ser observado é que mesmo os cientistas mais badalados no meio academico apresentaram suas principais contribuições quando se encontravam em seus respectivos pos-doutoramentos ou algo similar, ou seja, os mesmos estavam imersos em grupos produtivos no exterior. São poucos e raros aqueles que tenham uma produção relevante (com número razoável de citações) genuinamente nacional. Enfim, nossas universidades funcionam como banhos termalizadores para esses sistemas físicos isolados, levando-os rapidamente a decoerencia....rs.
      Publicar é importante? Sim, desde que neste estágio o aluno aprenda as etapas essenciais do "fazer ciência". Não basta simplesmente estar com bolsas de iniciação cientifica ou de pós-graduação para que necessariamente o produto final seja um artigo publicado. Se nessas etapas o aluno aprendeu "algo novo" e que o estimulou a pensar e fazer ciência, já é um avanço considerável e promissor. Entretanto, como é publico e notório, geralmente os alunos terminam esse estágio com uma sensação de vazio em sua formação e tendo a visão equivocada de que ciência é equivalente a publicar artigos a qualquer custo. Portanto, todo esse processo distorcido corrobora com o conteúdo mencionado em sua postagem.

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    5. Marcelo

      Você tocou em um ponto importante no primeiro parágrafo de seu comentário. Investigarei a respeito. Quem sabe isso renda uma postagem. Grato.

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  9. O senhor poderia escrever um post sobre como estudar sob diversas situações adversas e extremamente desfavoráveis(também como estudar morando num bairro com vizinhos barulhentos, ou em tempos de festas etc rsrs).

    Durante o ensino médio li alguns livros antigos, em português, sobre história da ciência(divulgação cientifica pra jovens), os quais citavam algumas adversidades superadas por grandes cientistas pesquisadores...

    Desde criança fui apaixonado pela Matemática e pelas ciências, mas, considero horrível minha experiencia como estudante de escola pública, a situação era totalmente desfavorável, eram frequentadas por estudantes, professores etc, que deveriam estar presos, esse, foi um dos motivos que fez com que eu por varias vezes literalmente fugisse das escolas nunca mais voltando, pois, temia pela minha segurança, outro motivo era que as informações passadas e conteúdos trabalhados eram extremamente fracos ou seja os professores não tinham conhecimento suficiente para dar aulas, as escolas não tinham bibliotecas etc...

    Quando cheguei a universidade, depois de um tempo parecia que estava vivendo um dejavi das escolas públicas, foi como se fosse um padrão se repetindo, por um momento cogitei que conseguiria aguentar e sobreviver, até mudei de curso, mas não aguentei...

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    1. Anônimo

      Pode ser irresponsabilidade minha, mas creio que já escrevi algumas postagens sobre temas correlatos ao que pede. Talvez fosse mais adequado você enviar email para adonai@ufpr.br, apontando questões específicas sobre os problemas enfrentados. Não sei se poderei ajudar, mas posso tentar.

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  10. professor Adonai, não sei se entendi direito a matéria desse link http://www.nature.com/news/scientific-method-defend-the-integrity-of-physics-1.16535 portanto gostaria que o senhor fisesse uma postagem sobre ela.

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    1. Já foi feito, Anônimo. Ver em

      http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2014/12/artigo-na-revista-nature-expoe-grave.html

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  11. Belo texto, especialmente o tópico número 3. Sou aluno da UFPR (num departamento com muitos professores) e possuo um dos melhores "iras" da minha sala, porém os professores (DE) são acomodados, optam pela monitoria (escrever um projeto de pesquisa é "cansativo").

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