domingo, 1 de junho de 2014

Independência


Esta é uma postagem atípica, extraordinariamente curta, com o único propósito de expor uma ideia simples, mas poderosa: independência.

Um discípulo deve seguir seu mestre de duas formas:

1) Refletindo e agindo a partir de suas instruções durante um limitado período de tempo de formação intelectual.

2) Refletindo e agindo a partir de seu exemplo profissional e humano durante ilimitado período de tempo de formação intelectual.

Sem essas duas componentes, não existe relação entre mestre e discípulo, mas tão somente uma relação superficial entre professor e aluno. Coloco a mim mesmo como ilustração deste conceito. 

Sou discípulo de Newton da Costa. Do ponto de vista de retorno social, a mais importante contribuição de Newton da Costa foi a criação das lógicas paraconsistentes. No entanto, nunca estudei lógica paraconsistente alguma. O próprio professor Newton jamais impôs a qualquer um de seus discípulos qual tema deveria ser estudado. Apenas exigiu de seus discípulos que, seja qual fosse o tema, deveria ser abordado com seriedade e absoluto senso crítico. E seriedade e senso crítico são atributos que se desenvolvem a partir de interações profissionais com pares de competência reconhecida internacionalmente.

Entre todos os trabalhos científicos e filosóficos que desenvolvi ao longo de minha carreira, nenhum deles demonstrou qualquer grau de importância remotamente comparável com lógicas paraconsistentes. Mas ainda insisto no desenvolvimento de ideias que creio serem novas

De forma alguma sugiro que um discípulo de Newton da Costa não deveria estudar lógicas paraconsistentes. Mas certamente insisto que, se o fizer, deve conduzir tais estudos de forma inovadora e relevante. E uma possível maneira de fazer isso é através de aplicações, como ocorre neste artigo.

Sem uma relação mestre-discípulo não existe desenvolvimento intelectual sério. Eventualmente mestre e discípulo podem estar separados no espaço por oceanos e no tempo por décadas ou até séculos. Mas tal relação deve existir, dada a fundamental importância do exemplo. No entanto, sem independência de pensamento, um suposto discípulo seria apenas uma fotocópia sem vida de seu suposto mestre.

3 comentários:

  1. A conclusão do seu texto me conforta, já que nunca considerei-me discípulo de ninguém que eu tenha conhecido pessoalmente. Tal constatação às vezes me incomoda.

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    1. Pois é, Gustavo. A ideia é usarmos como referência os grandes mestres, sejam vivos ou mortos. Isso porque as obras deles duram bem mais do que os seus corpos.

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  2. Pena que as aplicações de lógica paraconsistente pareçam tão pouco aplicadas...

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