terça-feira, 7 de outubro de 2014

Análise sobre uma imagem deste blog


Arlene Sant'Anna, uma das responsáveis por colaborações neste blog, é estudiosa de semiótica. Recentemente dei um presente a ela: um pôster contendo uma imagem que produzi usando Photoshop. Em função disso, ela resolveu fazer uma breve análise sobre a imagem, algo que certamente me compromete. Como gostei de sua análise, decidi reproduzi-la aqui com a devida autorização. Vale observar que o pôster contém uma assinatura digital personalizada e uma numeração específica, o que impede a reprodução por impressão, a partir da imagem acima, a qual já havia sido veiculada em postagem anterior

Com a palavra, minha imparcial irmã.
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Para parafrasear Lucy Niemeyer, a criação de uma obra é investida de significados e, quando entra em circulação, passa a ser elemento de informações de seu autor, sua visão de mundo, sua compreensão subjetiva de um universo em que está inserido.

O texto acima mostra um plano de fundo negro em que surgem cubos. Tais cubos vão surgindo do fundo negro e vão se mesclando em traços retos, duros de tamanhos variados. No primeiro plano, um cubo maior em que se notam, nas faces, um X em cada face e, no interior deste X, na face do cubo, linhas circulares, retas, sinuosas e decorativas. As cores definindo as linhas são acinzentadas, as células ao fundo das faces do cubo apresentam a cor alaranjada em nuances ígneas. 

A Semiótica postula que o texto diz o que diz, não importa o que o “autor quis dizer” e sim como o autor disse e como está dito.

Assim, em uma breve análise, entende-se o plano de fundo negro, como o vácuo que sustenta o investimento figurativo de primeiro plano, os cubos. Isso representa o universo do nada que faz surgir os cubos provenientes de inspiração, provenientes de um pseudo-nada, mas rico em trazer a subjetividade da criação. Os cubos vão surgindo em linhas retas, quadradas, de forma a se encaixar uns aos outros até o cubo maior quase perfeito, exceto pela ponta proeminente na parte superior. O que se entende a ponta como o trabalho inacabado e pronto para emergir em outra forma geométrica.

Os cubos são caixas, a figura geométrica fechada em si. Apresentam círculos, linhas retas e linhas sofisticadas em suas características decorativas, estas linguagens pertencem ao eixo semântico que nos diz: linhas retas nada mais são do que pontos em junção, representando a continuidade; os círculos, retas que se fecham, representando o fechamento de elementos subjetivos; linhas decorativas representam a sofisticação das retas de forma de beleza, tradição e antiguidade. Em outras palavras, se tem a polêmica, o controverso, a retidão, a riqueza, o cuidado, a intimidade fechada em compartimentos, os segredos, vontades, desejos, as paixões que movem o ser.

A cor ígnea remete à energia, ao consumo, à ascensão, ao apagamento, à ascendência e à decadência. As linhas acinzentadas, remete à depressão e melancolia, mas em vista da cor quente, a energia se destaca.

Ao se ler este texto, ao se entender que toda criação do ser humano traz o perfil do criador, sua ideologia, sua formação discursiva e, em face disto, pode-se ler o autor no momento da criação, quais foram suas condições de produção? Em que momento o processo criativo se deu? Mas a subjetividade de seu criador deixa inexoravelmente sua marca pessoal. Assim se revelou o texto.

2 comentários:

  1. Respondendo à enquete "Você se considera mais inteligente do que a média do povo brasileiro?"

    Definitivamente não, principalmente depois de conhecer Adonai e Cia., bem como outros membros deste blog.

    Se eu fosse inteligente, estaria em um nível técnico elevado o bastante para entender 100% de todo o conteúdo técnico das postagens técnicas neste blog, bem como teria escolhido um curso superior mais refinado e completo como matemática ou física, ao invés da pobre química, na época em que eu pouco me lixava para mercado de trabalho e coisas do gênero.

    Se eu fosse inteligente o bastante, mesmo com a tragédia declarada que foi minha tentativa de inserção no mercado de trabalho com a química, certamente teria dado um jeito de contornar a situação e "dado a volta por cima".

    Afinal de contas, o sujeito inteligente é aquele que, falando vulgarmente, "bebe álcool e mija napalm", ou então "faz do limão uma limonada".

    Quem dera eu fosse assim, ou sequer tivesse o nível intelectual de grandes pessoas.

    Sei que jamais terei ou serei isso, então talvez desde o começo eu tivesse que ter escolhido um curso voltado para os mundanos.

    Foi arrogância e prepotência demais da minha parte em acreditar que seria digno de me aproximar (ou mesmo se aventurar) de cursos com tamanha nobreza e refinamento como Matemática e Física.

    Participando deste blog, percebi que o meu nível é voltado apenas para áreas, digamos, mais populares e mundanas e isto, por si só, significa que minha inteligência seria, quando muito, mediana.

    Entretanto, como no contexto da média populacional existem muitas outras pessoas que conseguem enxergar além do que eu, imagino então que nem sequer na média eu esteja enquadrado.

    Verdade ou não, eu não sei dizer. Mas certamente é assim que me sinto.

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  2. Quanto à postagem, análise intrigante da Arlene.

    No entanto, se o ser humano é de fato tendencioso por natureza, então isto também vale para sua irmã.

    Em outras palavras, ela não seria tão imparcial como é dito.

    Entendo o contexto, mas soa estranho.

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