sexta-feira, 9 de março de 2012

Ciência e Pseudociência



São muitos os autores que apontam para a miséria intelectual dos fundamentos da astrologia. Outros preferem questionar a cientificidade da homeopatia, da antropologia e da psicanálise. Há ainda aqueles que denunciam as frágeis bases epistemológicas e metodológicas da ufologia e da parapsicologia. Todas essas áreas citadas já foram associadas à pseudociência. Mas não serei capaz de definir claramente o que é pseudociência, pois sequer existe o conceito de ciência, de maneira a ser aceito pela ampla maioria da comunidade científica. O caminho que tento seguir aqui, portanto, para qualificar as diferenças entre ciência e pseudociência, é meramente pragmático. Ou seja, ciência é uma atividade exercida por uma comunidade profissional de pesquisadores e cientistas, os quais veiculam suas descobertas científicas e/ou tecnológicas em periódicos especializados que atendem aos seguintes requisitos básicos: têm que ter corpo editorial, sistema de avaliação promovida por pares, circulação internacional e indexação representativa (preferencialmente no Science Citation Index). No âmbito desta atividade, toda publicação científica está automaticamente sujeita ao espírito crítico e analítico da própria comunidade científica. Se uma dada contribuição publicada frutificar na forma de citações (seja por conta de aplicações, desenvolvimentos de novas ideias e teorias ou meros esclarecimentos), temos então um exemplo de trabalho científico relevante. 


Mesmo que este critério social possa parecer sensato à primeira vista, ainda é possível localizar estranhos focos de atividades suspeitas na rede social científica, mesmo quando se procura atender às exigências básicas citadas. Somos obrigados a perceber que a comunidade científica é uma intrincada rede social, cujos nós fundamentais são pessoas. E pessoas são sempre miseravelmente falíveis.


Cito o exemplo do brasileiro André Koch Torres Assis, professor livre docente de física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele é um exemplo muito sutil, ainda que ocasional, daquilo que chamo de pseudo-intelectualismo, e que poucos percebem. Mas é um exemplo de pseudo-intelectualismo que deve ser levado muito a sério, dado o fato da sua influência ser muito mais significativa do que a de um místico que publica uma coluna de astrologia em um jornal ou de um médico homeopata que cura fobias usando gotas de água. Parte do que se segue é parcialmente inspirado em um artigo que publiquei anos atrás na Scientific American Brasil.


Quando se estuda eletrodinâmica clássica na universidade, a abordagem usual é através das equações de Maxwell, um sistema de equações diferenciais que descreve a dinâmica do acoplamento entre campos elétricos e magnéticos. Mas a eletrodinâmica de Weber, também originada no século 19, fornece uma visão alternativa para fenômenos associados à dinâmica de cargas elétricas, e que não é compatível com a teoria de Maxwell. Então, uma pergunta natural é a seguinte: “Por que se estuda eletrodinâmica de Maxwell nas universidades e não a de Weber?”


Alguns anos atrás, André Assis provou um resultado fascinante, do ponto de vista dos fundamentos de teorias físicas. Ele mostrou que, se a eletrodinâmica de Weber estiver correta, então a massa inercial de uma carga elétrica depende da distribuição de cargas ao seu redor. Vale lembrar que a massa inercial é aquela associada à dificuldade de se exercer mudanças no estado de movimento de um corpo com massa de repouso não-nula.


O interessante é que esse efeito previsto por Assis não ocorre no âmbito da teoria de Maxwell. Ou seja, tal conseqüência lógica dos princípios da eletrodinâmica de Weber não deixa de fornecer um fascinante teste de comparação entre as duas formulações que descrevem a dinâmica de corpos com massa inercial e carga elétrica. Além disso, esse conhecimento pode contribuir até mesmo no estudo de história da física, principalmente na eventual comparação entre ideias que se consagraram e aquelas que foram esquecidas.
O surpreendente foi o fato de que V. F. Mikhailov publicou nos Annales de la Fondation Louis de Broglie um artigo no qual se afirma que essa dependência entre massa inercial e distribuição de cargas elétricas se confirma experimentalmente. Um artigo desses, se estivesse correto, estaria colocando em xeque vasta porção do conhecimento tradicional sobre física clássica. Como há, em diversas teorias usuais, uma equivalência entre massa inercial e massa gravitacional (essa última é a massa responsável pelos processos de atração gravitacional), tal resultado estaria fornecendo uma pista valiosa sobre uma possível unificação entre os campos gravitacional, elétrico e magnético, algo sonhado há muito tempo pelos físicos. 


Posteriormente, porém, a revista Canadian Journal of Physics enviou para mim um artigo de Johann E. Junginger e Zoran D. Popovic, no qual os autores não apenas mostram a principal falha no experimento de Mikhailov, como também refazem a experiência corretamente e demonstram que a massa inercial de elétrons independe da distribuição de cargas ao redor, com uma margem de erro inferior a 1%. A revista canadense queria meu parecer sobre o artigo. Imagino que me procuraram porque anos antes eu havia publicado um texto (em parceria com Clóvis Maia) sobre algumas das idiossincráticas ideias de Assis na Foundations of Physics Letters, apontando erros fundamentais em sua obra sobre gravitação à la Weber. Recomendei a publicação do esclarecedor texto de Junginger e Popovic e o artigo acabou sendo veiculado pelo periódico canadense.


As discrepâncias experimentais entre as formulações de Weber e de Maxwell não param por aí. A força eletrodinâmica de Weber dá a direção errada da radiação gerada por uma carga elétrica acelerada e também não explica a luz síncroton, amplamente confirmada em aceleradores de partículas. 


Até aí não há problema algum, do ponto de vista científico. Apesar do fracasso da eletrodinâmica de Weber ser um fato experimental, não deixa de ser uma curiosidade fascinante a comparação entre duas formulações distintas para explicar um mesmo universo de fenômenos físicos, a saber, os que estão associados à dinâmica de cargas elétricas. O interesse filosófico sobre essas distinções epistemológicas é igualmente evidente.


Mas Assis resolveu ir além: abraçou a eletrodinâmica de Weber como projeto de vida em sua carreira, recusando-se a aceitar que eletrodinâmica de Weber é uma teoria que explica bem menos fenômenos do que o eletromagnetismo de Maxwell. E, além disso, desenvolveu um programa de descrição de forças gravitacionais, inspirado nas ideias de Weber para a eletrodinâmica, chamando-a de mecânica relacional. 


Assim como há semelhança em forma entre as leis de Coulomb e da gravitação universal de Newton, Assis investiu fervorosamente em uma proposta de “gravitacionalização” das equações de Weber, insistindo que suas ideias formam um novo mundo que coloca a teoria de relatividade geral de Einstein como ultrapassada. Aliás, pior do que ultrapassada, segundo Assis, a relatividade geral está errada!


Em seu livro Mecânica Relacional (CLE, 1998) Assis escreve à página 193 o seguinte: “Parece-nos que todos esses conceitos teóricos de contração de comprimento, dilatação do tempo, invariância de Lorentz, leis covariantes e invariantes, métrica de Minkowski, espaço-tempo quadridimensional, tensor energia-momento, geometria riemanniana aplicada na física, elemento de Schwarzschild, álgebras tensoriais em espaços quadridimensionais, quadri-vetores, tensor métrico, símbolos de Christoffel, super cordas, curvatura do espaço,..., desempenham o mesmo papel que os epiciclos na teoria ptolomaica.”


Em outras palavras, Assis simplesmente afirma que a maioria absoluta dos físicos é formada por tolos, mas que ele tem a solução para seus problemas. Pior do que isso, apesar de seu livro propor uma comparação entre sua mecânica relacional e a relatividade geral, o parágrafo acima promove uma confusão muito grande ao incluir o termo “super corda”, que nada tem a ver com qualquer uma das teorias aventadas. 


É claro que ciência não se faz por opinião ou votação entre cientistas. E, a princípio, podemos até admitir o caso de que Assis tenha razão, ou seja, que é um gênio à frente de praticamente todos os demais físicos do planeta, e que Einstein errou. 


Mas no momento em que Assis compara suas ideias próprias sobre gravitação com a teoria da relatividade geral de Einstein, ele claramente demonstra profunda ignorância sobre a última. Não posso me estender sobre todos os detalhes, os quais demandariam um livro inteiramente dedicado ao tema. E no passado troquei inúmeros e-mails e conversas com Assis, o qual sempre se mostrou muito simpático, apesar da mente impenetrável a críticas. Mas posso dar um breve exemplo ilustrativo da estranha mentalidade deste importante físico.  Afirma ele o seguinte: “Nada na física leva à conclusão de que a velocidade da luz deva ser constante qualquer que seja o movimento do observador ou do detector. [... isso] só pode gerar a necessidade de introduzir conceitos estranhos e desnecessários como os de dilatação do tempo, contração de comprimento [...].”


Assis demonstra, desse modo, desconhecer referências básicas de astrofísica e física de partículas, além de aplicações tecnológicas como o GPS (Sistema Global de Posicionamento). Se o sistema de localização global via GPS não levasse em conta efeitos relativísticos de velocidade do satélite relativamente à Terra e efeitos de diferença de potencial gravitacional (relevantes no âmbito da teoria da relatividade geral), jamais teríamos a precisão que este sistema oferece para posicionamento. O GPS funciona e funciona bem. E ele leva em conta efeitos previstos tanto da relatividade restrita quanto da relatividade geral. Contração de comprimento e dilatação do tempo são fenômenos reais, mensuráveis e mensurados em diversos testes independentes realizados ao longo de décadas pelo mundo todo, incluindo aqueles executados em aceleradores de partículas. 


Vale observar que o livro sobre mecânica relacional de Assis tem versão em inglês (publicada pela curiosa editora canadense Apeiron).


O mais incrível é que Assis foi membro notável durante anos da Natural Philosophy Alliance (NPA), uma instituição de dissidência em ciência. Isso mesmo! Dissidência não existe apenas em política, mas em ciência também. Naquela época constava no site oficial que a NPA era “devotada principalmente à ampla crítica, em seus mais fundamentais níveis, contra as doutrinas frequentemente irracionais e não-realistas da física moderna e da cosmologia, mantendo um espírito de mente aberta.” Ela também propunha a “substituição dessas doutrinas por ideias muito mais válidas desenvolvidas com completo respeito à evidência, à lógica e à objetividade.” 


Entre os membros da NPA há físicos e engenheiros, sendo que um dos ex-membros, Ronald Hatch, publicou um artigo em 1995 no qual afirma que o GPS fornece evidências contrárias às teorias de relatividade de Einstein. Duas curiosidades: (i) Hatch é especialista em GPS e (ii) ele publicou esse bizarro artigo na revista dissidente e não indexada Galilean Electrodynamics


Para aqueles que não conhecem física, vale observar que o próprio nome desse periódico é, por si só, uma afronta violenta ao bom senso. Isso porque a eletrodinâmica, como usualmente se entende, é incompatível com a visão galileana de física. As leis da eletrodinâmica clássica não são invariantes sob transformações de Galileu, usualmente empregadas em mecânica newtoniana. E as leis da física, relativamente a algum grupo de transformações de coordenadas, precisam ser invariantes do ponto de vista de diferentes observadores; caso contrário, não seriam leis. Por isso foram concebidas, há mais de um século, as transformações de Lorentz, que mais tarde foram empregadas por Einstein para compatibilizar eletrodinâmica de Maxwell com mecânica, criando-se assim a teoria da relatividade restrita. Ou seja, enquanto pessoas como Einstein procuraram por uma visão mais unificadora para a física, alguns grupos de pessoas tentam simplesmente provocar demais profissionais com periódicos de títulos meramente cômicos, como o Galilean Electrodynamics. Tanto é assim que os membros da NPA chegam a se referir ao conhecimento físico vigente como uma doutrina.


No entanto, a postura de Assis é evidentemente doutrinária. Ele afirma em seu livro sobre mecânica relacional que a teoria da relatividade geral de Einstein não é compatível com o princípio de Mach. Em seguida, mostra como sua mecânica relacional demonstra o princípio de Mach na forma de teorema, indicando uma vitória de suas ideias. No entanto, aquilo que Assis entende por princípio de Mach é apenas uma das diversas visões existentes na literatura sobre o tema. 


Ernst Mach foi um dos críticos mais contundentes da mecânica newtoniana. E uma das críticas que ele promovia se referia a fenômenos de inércia. Na opinião de Mach o fenômeno de inércia dos corpos com massa não estava fundamentado de maneira inequívoca na teoria de Newton para os fenômenos mecânicos. No entanto, Mach jamais escreveu explicitamente qualquer princípio físico de inércia que pudesse ser chamado de princípio de Mach, como hoje se insinua na literatura. Este nome se refere a toda uma classe de interpretações das ambíguas ideias de Mach sobre inércia. E Assis adota apenas uma das visões, ignorando as demais. Uma postura como essa é certamente doutrinária, praticamente isenta de crítica.


É surpreendente também saber que este mesmo livro de Assis sobre sua mecânica relacional foi publicado pelo Centro de Lógica e Epistemologia (CLE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a principal referência institucional em lógica e filosofia da ciência do Brasil. Isso novamente ilustra o quão distantes estão os filósofos da ciência em relação à ciência, principalmente aqui no Brasil. 


Mas meu objetivo principal não é simplesmente promover críticas à mecânica relacional ou à NPA, os quais estão sendo citados aqui apenas para firmar um ponto que julgo importante: “Como julgar se uma proposta intelectual está correta?”


O leitor poderia questionar o seguinte: “Tudo bem, Assis, Hatch e outros são meros dissidentes que são contrários às teorias físicas atuais simplesmente porque não as entendem; mas o autor desta postagem que agora leio também está nadando contra a corrente, a partir do momento em que usualmente se coloca contra a maioria dos autores e docentes de ensino médio, bem como uma boa parte de profissionais do ensino superior do Brasil. Não será Sant’Anna tão mal informado quanto os dissidentes da NPA?”


Minha resposta é uma só: “O leitor que decida isso!” 


É claro que só escrevo sobre aquilo que acredito. Se escrevo e publico é porque creio profundamente em tais ideias. Mas ciência e educação com responsabilidade se fazem com trocas de ideias. Ciência e educação são eventos sociais. Tolo é aquele que acha que tenho a pretensão de ditar o que é certo ou errado. Até porque minhas opiniões podem mudar e constantemente mudam, ao contrário do que vejo nos membros da NPA. Meu único propósito desde o início tem sido o de jogar sementes. Se tais sementes germinarem, ótimo. É sinal de que não errei tanto assim.


É claro que a mecânica relacional tem sido estabelecida por Assis e seguidores de maneira quase religiosa ou partidária. Mesmo assim, a experiência tem mostrado que ideias justificadas que funcionam bem são mais fortes do que a oposição de pessoas irracionais. Um exemplo interessante é o da teoria de conjuntos de Georg Cantor. Cantor enfrentou forte resistência durante quase toda a carreira, mas suas ideias apresentavam resultados tão convincentes que os matemáticos não tiveram escolha: passaram a estudar teoria de conjuntos, como disciplina legítima, e aplicá-la em inúmeros ramos da matemática. 


Eu mesmo me dispus a estudar mecânica relacional e até publiquei artigo nos Estados Unidos sobre o tema. Ou seja, não fechei os olhos para algo que apenas cheirava mal. Estudei, conheci, analisei, desenvolvi. Em parceria com um ex-aluno, provei, usando método axiomático, que certas ideias defendidas por Assis a respeito de inércia estavam erradas. Qualquer julgamento sobre qualquer atividade intelectual demanda exatamente o mesmo empenho. Isso porque os conteúdos abordados nesta postagem estão extraordinariamente distantes de se esgotarem. 


Ou seja, para o leitor que deseja genuinamente saber a diferença entre um trabalho intelectual sério e um pseudo-intelectual, só existe uma solução: escolha um tema de interesse e verdadeiramente se aprofunde nele. Não confie nas minhas palavras e nem nas palavras de pessoa alguma. Confie no seu discernimento e submeta suas ideias a críticas realizadas por pares profissionais. Ciência é uma batalha.

22 comentários:

  1. Adonai


    E o que dizer de publicações em periódicos menos importantes e sem impacto internacional?????

    Seriam necessariamente todos eles menos importantes ou menos científicos do que aqueles publicados em periódicos de impacto internacional??????

    Bom, até onde sei a História contém exemplos interessantes de importantes pesquisas e descobertas que, ou foram ignoradas por muito tempo, ou publicadas em periódicos de menor importância.

    Nesse sentido, temos o trabalho de Ludwig Boltzmann que foi ignorado por longos anos pela comunidade científica e do próprio Dmitri Mendeleiev (considerado personagem principal no desenvolvimento da Tabela Periódica dos Elementos Químicos) que, se não me engano, não recebeu a devida atenção e o impacto de quando da publicação do seu trabalho, no final do século XIX.

    Devem existir outros exemplos, dos quais não me lembro agora.

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    1. Leandro

      O objetivo de publicar nos melhores periódicos é justamente expor de maneira qualificada o trabalho realizado. Quando Agrawal e colaboradores desenvolveram o incrível algoritmo AKS, por exemplo, o trabalho causou enorme impacto antes mesmo de ser veiculado em periódico científico. Isso porque foi disponibilizado na internet. Mas a veiculação em periódico especializado opera na prática como um funil, que concentra a atenção de um público-alvo muito específico.

      Casos de pesquisadores inicialmente ignorados pela comunidade científica, mas depois reconhecidos, existem às dúzias. Por isso mesmo gosto do site de Juan Miguel Campanario (na lista de links recomendáveis deste blog). Em nota publicada na Nature ele faz uma lista de artigos recusados pela revista, mas que acabaram rendendo (após publicação em outros periódicos) milhares de citações (incluindo prêmio Nobel). Essa foi a resposta de Campanario à propaganda da Nature de que vários prêmios Nobel surgiram por conta de artigos lá publicados. Por isso acho hilário quando professores tentam lecionar metodologia científica nas universidades. Metodologia científica é um conceito extremamente vago.

      Ou seja, não há procedimento que garanta reconhecimento, no caso de trabalhos científicos relevantes. Mas a exposição para a comunidade científica internacional é fundamental.

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  2. Quanto à postura do Assis, concordo plenamente contigo!!!!!!

    A visão ptolomaica sobre Mecânica Celeste por exemplo, funcionava bem mas posteriormente surgiram fortes evidências de que haviam erros graves que não podiam ser detectados na época de Ptolomeu devido a uma não existência de telescópicos ou lunetas na época, mas que com Galileu e Copérnico tornou-se possível uma melhor observação e descrição dos astros, posteriormente.

    No entanto, foram observações concretas e corretas que Galileu e Copérnico usaram para contestar Ptolomeu, apesar do sistema geocêntrico funcionar bem no cálculo das previsões das posições relativas dos astros no céu noturno.

    Muito diferente de Assis, que estaria tentando fazer algo parecido com o que fizeram Galileu e Copérnico, mas partindo de ideias e resultados experimentais inconsistentes e errados para tentar desmistificar teorias consagradas da Física Moderna.

    Tentar derrubar a Relatividade, o conceito de universo multidimensional, entre outros, por meio de uma teoria de campo de Weber que, segundo vc, mostra-se incorreta e incompatível com a experimentação é, para mim pelo menos, um motivo de grande piada!!!!!!

    Galileu e Copérnico usaram dados experimentais consistentes e corretos para desmistificar Ptolomeu.

    Assis estaria usando dados inconsistentes e incorretos para desmistificar Einstein e outros.

    Agora, se o Assis tentou comparar sua postura à de Galileu e Copérnico, simplesmente "caiu do cavalo" se a eletrodinâmica de Weber realmente mostra-se inconsistente.

    Por fim, tenho uma dúvida:

    a Teoria de Supercordas realmente nada tem a ver com as demais teorias mencionadas anteriormente?????

    Pergunto isto, pois o físico Michio Kaku em seu livro "Hiperespaço" parece afirmar exatamente o contrário!!!!!!

    A menos que Kaku seja mais um desses rebeldes da Ciência!!!!!!

    Se for isto, gastei meu tempo e dinheiro à toa lendo o livro dele e, assim, estaria à beira de morder meu próprio rabo, se eu tivesse um!!!!!!

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    1. Leandro

      1) Tome cuidado com suas conclusões. Eu afirmo que as ideias de Assis (de que mecânica relacional é mais adequada do que relatividade geral) estão erradas. Mas o ponto que defendo na postagem não é este. O que defendo é que esse tipo de conclusão somente pode ser tirada após muito estudo e debate sobre o tema. Afinal, na opinião de Assis, eu estou errado.

      2) Nunca li o livro de Kaku, apesar de ter lido e ouvido críticas favoráveis ao texto. No entanto, temas como relatividade restrita, relatividade geral e mecânica clássica (seja newtoniana ou weberiana) podem ser perfeitamente estudados sem jamais se fazer qualquer referência a super-cordas.

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  3. "[...] Confie no seu discernimento e submeta suas ideias a críticas realizadas por pares profissionais."

    E como saber se os profissionais que avaliarão minha ideia saberão fazê-lo de modo coerente, lógico e consistente?????

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    1. Leandro

      Não há receita que garanta coerência, lógica e consistência nos debates científicos. Essa é a beleza da aventura da ciência!

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  4. Olá professor Adonai,

    Sou estudante de Física e em breve farei uma apresentação sobre a eletrodinâmica de Weber e gostaria de colocar pontos que ela possui problemas e os problemas nas descrições do Koch. Fiquei interessada nesse texto que o senhor disse que escreveu e gostaria de saber o título.
    "Imagino que me procuraram porque anos antes eu havia publicado um texto (em parceria com Clóvis Maia) sobre algumas das idiossincráticas ideias de Assis na Foundations of Physics Letters, apontando erros fundamentais em sua obra sobre gravitação à la Weber."


    Seu texto é excelente, uma grande fonte de informações para quem precisava de uma outra visão além da visão do Koch que é tão apaixonada.

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    1. Rubia

      Espero que minha demora para responder não tenho interferido negativamente em seu trabalho. A referência é

      A. S. Sant'Anna e C. A. S. Maia, "Axioms for Mach's Mechanics", Foundations of Physics Letters, volume 14, páginas 247-262 (2001).

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    2. Olá professor, estou dentro do prazo. Minha apresentação será só daqui algumas semanas. Veio em excelente hora seu artigo e texto aqui no blog.

      Agradeço imensamente.

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  5. Apesar de concordar e muito com o texto devo acrescentar que se nos apegarmos em pensar que as teorias que funcionam estão completamente certas e imutáveis vai ser difícil avançar, tudo é questionável nesse mundo, mesmo se ainda der certo, questione e questione, quando pararmos de questionar ai sim a ciência morre...
    Não questionavam a física de Newton (que é maravilhosa) veio Einstein e provou que ela não era assim tão maravilhosa (pelo menos não responde tudo aquilo que se desejava), acredito que colocar na cabeça que tal teoria está certo e ponto sem questionar é o mesmo que dizer "Por que Deus quis", claro que não defendo a ideia de sair questionando sem argumentos plausíveis, mas barrar toda as tentativas de questionar é ridículo.
    Em fim como estudante do curso de física vejo que as teorias que estão são boas e funcionam, mas todas as vezes que apenas menciono que acho a ideia de campo elétrico estranha logo milhares de estudantes "jogam pedra" como se eu tivesse ofendido o próprio Deus deles, não sou doutora no assunto, acabei aqui por que tenho que fazer um trabalho sobre a mecânica relacional (meu professor é um adorador do Assis) e apesar de não concordar com o trabalho vou ter de fazer mesmo...

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    1. Jade

      A situação aqui é bem mais sutil que você sugere. A física de Newton sempre foi questionada, desde o início e independentemente de Einstein. Basta ver os trabalhos de Mach, Helmholtz e Hertz, já citados neste blog em outras postagens. No entanto, tanto a mecânica quanto a gravitação de Newton ainda são teorias em pleno uso nos dias de hoje. Ninguém constrói prédios usando relatividade geral. Não é necessário, por enquanto.

      Com relação à mecânica relacional, certamente é uma teoria muito bonita, que prevê aplicações interessantes. O problema não é a mecânica relacional. O problema é a visão messiânica que Assis tem sobre esta teoria. Tal postura, definitivamente, não é científica, mas doutrinária.

      Se seu professor é adorador de Assis, apenas lamento que você tenha aula com alguém tão distanciado de uma postura científica. Mas isso não a impede de fazer um ótimo trabalho sobre mecânica relacional. Faço apenas uma importante observação: a explicação que Assis apresenta para o princípio de Mach não se deve ao uso de uma gravitação a la Weber (como defende ingenuamente Assis), mas sim ao uso de um conceito de força que parte do princípio de que força resultante em qualquer sistema é sempre nula. Posso afirmar isso seguramente a partir de um resultado que obtive em parceria com Clovis Maia (UnB) e publicado anos atrás em Foundations of Physics Letters. Se quiser mais detalhes, podemos conversar por e-mail.

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    2. Prof. Adonai, os questionamentos à física de Newton não foram levadas a sério até o desenvolvimento da termodinâmica e do eletromagnetismo. O Lakatos, inclusive, atribui à física de Newton a consolidação da epistemologia justificacionista. Temos pelo menos 2 séculos de inquestionabilidade da física newtoniana.

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    3. Julio

      Pois é. Entender os motivos desta inquestionabilidade pode render trabalhos interessantes. Até John Maddox publicou anos atrás (na Nature) um artigo fascinante, questionando se Isaac Newton conseguiria publicar suas ideias sobre gravitação nos dias de hoje.

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  6. E os livros sobre Equilíbrio (http://www.ifi.unicamp.br/~assis/Arquimedes.pdf) e Eletricidade (http://www.ifi.unicamp.br/~assis/Eletricidade.pdf) do Koch, podem ser adotados no Ensino Médio?

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    1. Julio

      Ainda não examinei as obras que você menciona. Mas posso garantir que Assis já escreveu muita coisa boa. O problema surge quando introduz suas ideologias em trabalhos científicos.

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  7. Adonai,
    Gostaria de transcrever esse texto para o fórum "Fisica2100", com os devidos créditos.
    Permite-me?
    [s]
    Jonas

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    1. Certamente, Jonas. Se fizer isso, peço apenas que me mantenha informado sobre as discussões. Fico curioso.

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    2. Grato, Adonai!
      Assim farei.
      [s]
      Jonas

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  8. Adonai,

    O senhor já conheceu a ciência(se é podemos chamar esse ente assim) da praxeologia? Se já gostaria de um comentário, ou mesmo texto se o senhor ainda tiver vontade de escrever no seu blog.

    Caso não tenha conhecimento acredito que lhe interessaria analisa-la, pois ela é fundamentada por completo em um único axioma! E é apriorista, ela rejeita os textes empíricos relatando que sua deduções refletem bem o comportamento da "ação humana"

    Obrigado.

    Att. Rodolfo Viegas

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    1. Não conheço, Rodolfo. Um dia, talvez, eu examine isso. Neste momento estou muito envolvido em novo projeto.

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  9. Muito interessante. Você poderia sugerir artigos interessante sobre a crítica a mecânica relacional ou talvez mesmo o(s) seu(s) artigo(s)?

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    1. Emmanuel

      A melhor critica que conheço à mecânica relacional está no artigo abaixo:

      http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-11172001000300002

      Eu também fiz um trabalho sobre o tema, apesar de menos abrangente. Ver, por exemplo, o link abaixo:

      http://link.springer.com/article/10.1023/A:1012282027068

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