quarta-feira, 28 de março de 2012

Comemore os 100 anos da UFPR mentindo sobre sua idade


Durante décadas a Universidade Federal do Paraná (UFPR) se vangloriou por ser a mais antiga universidade do país. Este ano ela estaria completando supostos 100 anos de existência. Mas o que me intriga é que a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) completou 100 anos em 2009. Afinal, quem está mentindo? A resposta é simples: ambas.

A UFPR nasceu em 1950, quando foi federalizada a antiga Universidade do Paraná (esta sim fundada em 1912, mas já extinta). E a UTFPR nasceu em 2005, por irresponsável decreto presidencial. Mas como ela foi fundada a partir do antigo CEFET-PR (também já extinto), automaticamente ficou mais velha do que a UFPR. Ou seja, no Brasil você pode ser mais velho se for mais novo.

Portanto, temos aqui mais mentiras perpetuadas por instituições universitárias brasileiras, neste caso, ambas paranaenses.

Isso significa que se você conhecer um bar que foi estabelecido antes de 1909, basta transformá-lo em universidade federal para que ele se torne a mais antiga universidade do país.

23 comentários:

  1. Hilário. Vou comemorar mentindo publicamente, aqui mesmo, que tenho 60 anos. Será que se eu fosse mais velha minhas opiniões seriam mais respeitadas?

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    1. Pois é, Aline

      Confesso que este foi o texto mais difícil de escrever em toda a minha vida. Eu não conseguia parar de rir. Tentei ler uma versão preliminar para meu filho, mas não conseguia. Eu ria o tempo todo. Essa história da UFPR como a universidade mais antiga do país sempre foi ridícula para mim. Mas meu receio era que as pessoas não compreenderiam meus argumentos. Por sorte, a UTFPR se tornou mais antiga do que a UFPR do dia para a noite, como uma mágica feita pelo Harry Potter. Aí sim não pude resistir. Com este fato, fica bem mais fácil perceber. Agora me pergunto: como pode o Reitor da UFPR falar a respeito dos 100 anos da UFPR sem rir? Ele deve ter um péssimo senso de humor.

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  2. Luis Augusto Trevisan29 de março de 2012 18:19

    Nesse caso, o Luis Inácio Lula da Silva tem quantos anos?

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    1. Pois é, Trevisan. Enquanto a Costa Rica contou com um Presidente ganhador do Prêmio Nobel, nós tivemos um Presidente ignorante apoiado pela ignorante massa acadêmica das ignorantes instituições públicas de ensino superior. Um dos resultados foi a ignorante criação da ignorante UTFPR, com um ignorante corpo docente quase que completamente despreparado para encarar a realidade de uma universidade.

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    2. Luis Augusto Trevisan4 de abril de 2012 11:07

      Uma mulher que casa , e adota o sobrenome do marido, deve mudar a data da certidão de nascimento?

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  3. Bom foi nosso "presidente sociólogo", lembro com saudade das polpudas verbas e investimentos feitos em sua época. Que saudades, Paulo Renato!

    Pelos lapsos de memória da velha senhora e de seus membros reacionários, a Universidade tem até mais de 100 Anos, mesmo que não cronológicos.

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  4. Professor,

    Entendo e concordo com a argumentação sobre a definição das idades das instituições federais de nosso estado. Fiquei com uma dúvida: qual teria sido a melhor maneira de aproveitar a estrutura do extinto CEFET-PR no lugar de transformá-lo em uma Universidade Tecnologica ? Qual a evidência para qualificar o corpo docente como ignorante?

    Lucas

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    1. Lucas

      O antigo CEFET-PR era uma excelente instituição de ensino técnico. As contribuições daquela escola para a sociedade eram tão óbvias, que o CEFET chegava a ganhar equipamentos caros e sofisticados, como presentes de reconhecimento dados por inúmeras empresas da iniciativa privada. Além disso, atendia a uma demanda de jovens talentosos que não queriam ou não podiam realizar curso superior. Ou seja, todo mundo ganhava. No entanto, uma universidade é uma instituição radicalmente diferente de uma escola técnica. O corpo docente era e é, em sua maioria, ignorante sobre como uma universidade deve se estruturar. Seria como exigir que eu trabalhasse, a partir de amanhã, em produções para a televisão. Sou um completo ignorante sobre televisão. Eu não seria capaz de fazer um bom trabalho nessa área.

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  5. Adonai, embora a Costa Rica tenha tido um presidente ganhador de prêmio Nobel (da paz, por mediar conflitos na América Central) suas universidades não se destacam mais do que as brasileiras. Não vejo ligação entre o fato de o presidente ser ou não ganhador de prêmio Nobel da Paz e a qualidade do ensino superior do seu país.

    Além disso, realmente não acho que o grau de cultura formal que possua o presidente de um país, em geral, influa na atenção que ele dará ao ensino e às universidades. Lula, embora não tenha título universitário, foi o presidente que mais atenção deu a educação superior brasileira. Por exemplo, em seu governo foram criadas 14 universidades federais enquanto no governo do doutor FHC nenhuma. Além disso, durante os 8 anos de governo FHC as bolsas de mestrado e doutorado não subiram e no governo do Lula as bolsas de pós-graduação aumentaram muito, tanto em número (que dobrou) como em valor.

    Outro ponto: acho que muitas vezes não é simples julgar a ignorância. Em alguns casos isso pode ser bem complicado e os critérios de avaliação e são bem questionáveis. Existe uma quantidade muito grande de pessoas que são consideradas cultas por possuírem título universitário ou não cometerem erros de português, mas que ignoram totalmente a realidade atual e histórica do mundo em que vivem. Muitas vezes, esses não passam de pretensiosos pedantes que, no máximo, são especialistas em sua área de formação.

    Com relação ao CEFET do Paraná ter se convertido em universidade, a princípio isso me causou estranheza e desagrado. Afinal, soa estranho que uma universidade não possua cursos como filosofia, direito, medicina e não tenha estrutura para pesquisa científica em muitas áreas do conhecimento. No entanto, analisando o caso com mais cuidado percebi que ocorre o seguinte: é preciso criar novas universidades públicas. Existem duas maneiras de se fazer isso. Uma delas é o Estado adquirir um terreno e nele construir a partir do zero uma universidade. Isso é tremendamente caro e, dadas as condições econômicas e de capital humano do país, é algo muito difícil de ser feito (embora tenha sido feito isso também no governo do Lula e a UFABC é um exemplo). Uma alternativa é aproveitar instituições já existentes e com um potencial de se tornarem universidades. Toda a estrutura já está lá, porém é preciso libertar tais instituições das amarras burocráticas que as impedem de se desenvolver na direção de se tornar universidade (de qualidade) e que as mantém como, por exemplo, centros de educação tecnológica. Acho que foi isso que aconteceu no caso da criação da UTFPR. Não acredito que isso tenha sido decidido às cegas ou de maneira irresponsável, pois, além do CEFET do Paraná os CFET’s de Minas Gerais e do Rio de Janeiro também pleiteavam tornar-se universidades e após as avaliações feitas pelo governo federal seus pedidos foram negados.

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  6. André

    Se você não percebe a relação entre "o fato de o presidente ser ou não ganhador de prêmio Nobel da Paz e a qualidade do ensino superior do seu país" é porque desconhece completamente o significado social deste prêmio. Não o culpo, pois o Brasil é um país realmente isolado. Se você não acha que "o grau de cultura formal que possua o presidente de um país, em geral, influa na atenção que ele dará ao ensino e às universidades" é porque jamais teve contato real com instituições sérias de ensino. Não o culpo, pelo mesmo motivo já apontado.

    Você julga investimentos em educação a partir de uns poucos números que expressam quantidades e não qualidade. Ou seja, seus parâmetros coincidem com os do Governo Lula e de outras gestões. Isso significa que você está apenas se somando a uma imensa maioria que demonstra desconhecer por completo o que é educação.

    Eu vi a bagunça que você chama de UFABC. E vi também a bagunça que resultou a criação da UTFPR. E lamento o fim do CEFET-PR, uma das poucas instituições sérias que nosso país teve.

    Você pode discordar o quanto quiser de mim. O que vejo é que graças a mentalidades dominantes como a sua, é apenas uma questão de tempo para colhermos os frutos do que somos hoje. O Brasil não está propriamente afundando. Mas está encalhado. Enquanto isso, seus passageiros verbalizam discursos vazios, enquanto outras embarcações navegam adiante.

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    1. Luis Augusto Trevisan4 de abril de 2012 11:04

      Me desculpe Adonai, sem querer mudei o foco da discussão. Sobre o prêmio Nobel da Paz, alguns brasileiros foram cogitados a ganhar, como Zilda Arns. Eu prefiria que o Brasil tivesse 5 prêmios Nobeis ao pentacampeonato de futebol. O pentacampeonato veio pro causa do interesse do nosso povo pelo futebol. O Nobel vem por causa da cultura e educação do povo. Um povo culto e educado tem qualidade de vida.

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  7. Adonai, não percebo a relação entre a qualidade do ensino superior de um país e o fato de seu presidente ser ou não ser ganhador de Prêmio Nobel da Paz, simplesmente porque essa relação não existe. Não há nenhum exemplo e nada minimamente plausível que aponte para tal relação. A qualidade do ensino superior da Costa Rica nunca superou a do Brasil. O mesmo se pode dizer da Libéria, hoje presidida por uma ganhadora do Prêmio Nobel da Paz que defende publicamente leis contra os homossexuais.

    Da mesma forma, não acho que o grau de cultura formal que possua o presidente do país, em geral, influa na atenção que ele dará ao ensino e às universidades porque, segundo minha avaliação, baseada em fatos (incluindo números), um presidente do Brasil sem título universitário fez muito mais pelo ensino superior que qualquer um dos outros presidentes anteriores e portadores de diploma universitário.

    Com relação à UTFPR não tenho mais nada a acrescentar além do que eu já expressei. Que a UFABC seja uma bagunça me parece bastante questionável, pois 100% dos seus professores são doutores e, segundo a SCImago Institutions Rankings, essa universidade possui fator de impacto médio em publicações científicas acima da média mundial.

    Tenho críticas bem contundentes a políticas educacionais e gerais do país e já expressei algumas delas aqui neste blog. No entanto, tais críticas não se relacionam de nenhum modo com o nível de educação formal do(a) presidente da República e tampouco com o fato dele(a) não ter sido laureado com o Prêmio Nobel da Paz.

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    1. André

      Remeto-o à postagem de 31 de março de 2012. Espero que compreenda.

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  8. Adonai, compreendo e respeito sua decisão.

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  9. Muito boa postagem!

    Em relação aos comentários, algumas pessoas tem que rever o significado de qualidade, universidade e ignorância.

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  10. Não sei por que eu ainda me "surpreendo", rs;
    .
    Me impressiona o ranço de nossas "elites", econômica e intelectual, contra o fato de um torneiro mecânico ter feito mais pelo nosso desenvolvimento em todos os aspectos, e pela nossa soberania, do que as dezenas de bachareis e "doutores" que ocuparam o comando político do país nos últimos 120 anos;
    .
    Também fico pensando cá com meus botões se não deveria enviar um "carta de repúdio" para Universidade de Harvard. Se quiserem ter "credibilidade", devem voltar a denominação inicial "New College", rs;
    .
    Isso sem falar em Princeton, pois não basta voltar a se chamar "College of New Jersey". Para manter a "tradição" devem se mudar para Elizabeth, já que lá está sua "pedra fundamental", rs;
    .
    Menos, por favor.

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    1. Julio

      Este seu discurso foi realmente confuso. Você não conseguiu qualificar: (i) quem seria o tal do torneiro mecânico que tanto admira; (ii) o que haveria de errado na Universidade de Harvard; (iii) o que haveria de errado em Princeton (que, por sinal, é uma cidade).

      Imagino que o torneiro mecânico seja o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o qual produziu resultados excelentes mas também outros tantos que foram simplesmente tolos.

      E se quiser escrever cartas de repúdio, espero que faça uma redação melhor qualificada do que este comentário.

      Além disso, recomendo que examine pelo menos as biografias na página Grandes Nomes da Ciência Brasileira. Descobrirá contribuições fundamentais e perenes à nossa nação e ao mundo. Caso nem mesmo assim consiga perceber, recomendo que abandone o uso da internet, a qual se deve ao trabalho dos intelectuais que tanto repudia.

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    2. Então, Adonai, eu tenho mesmo esse "defeito", rs;

      Por amor a brevidade, desconsiderei a "necessidade" de tecer maiores comentários sobre quem foi o tal torneiro mecânico a quem tanto admiro, o qual presidiu nosso país, diga-se de passagem, o ÚNICO operário a chegar ao posto político máximo, em toda nossa história;

      Apesar de não ter "educação formal", mas ter instrução como torneiro mecânico, pelo Senai, Lula também foi o único dos presidentes brasileiros a receber de parte da nossa "elite intelectual" eternas manifestações de desprezo, de ser taxado como um sujeito obtuso, ignorante, apedeuta, analfabeto, ou qq. desses adjetivos toscos que alguns intelectualóides, notadamente da velha imprensa reacionária, tanto usam para tentar "denegrir" a imagem do ex-presidente;

      Num país que foi governado durante mais de um século, por "milicos e/ou bacharéis ineptos", entre uma e outra quartelada, realmente não se pode culpar esses indivíduos reacionários, bem como sua claque, por toda sua pequenez;

      Quanto a "Harvard" e a "Princeton" (a universidade, não a cidade), também "mudaram de nome" ao longo dos seus ... séculos de existência, nem porisso são tratadas com desdém pela comunidade, pelo contrário, sua contribuição ao progresso científico e tecnológico as levou ao topo das instituições de ensino, admiradas em todo o planeta;

      Assim, considero que a UFPR e UTFPR, independentemente se mudaram de nome ao longo dos anos, seja lá por quais inconfessáveis motivos, também possuem inúmeras contribuições ao nosso progresso, sendo tais instituições de ensino merecedoras de todo o nosso respeito;

      Por fim, mas não menos importante, rs, gostaria de deixar claro que não repudio o trabalho de nenhum dos nossos intelectuais, mesmo daqueles cujo "ranço" político impede uma visão mais clara sobre as reais necessidades de nosso povo, do nosso futuro como nação realmente soberana;

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    3. Julio

      Sem dúvida há mérito pessoal nas conquistas de Lula. Neste sentido entendo sua admiração, a qual, aliás, compartilho. Mas não ignore o fato de que um presidente ignorante é um caráter sintomático do próprio país.

      Com relação às universidades de Harvard e Princeton, a comparação com as histórias da UFPR e da UTFPR não me parece feliz. Entenda que analogias não são argumentos racionais. Em nenhum momento sustentei meus argumentos em meras mudanças de nomes. Harvard nasceu como uma instituição privada de ensino superior e até hoje permanece assim. O que ocorreu com aquela instituição foi desenvolvimento de um simples college para uma universidade. Já a UFPR não se trata de uma evolução da antiga Universidade do Paraná. Simplesmente uma foi fundada após a extinção da outra.

      A Universidade de Princeton também nasceu como uma instituição de ensino superior (em 1746). Mudou de nome e de endereço, mas através de um processo evolutivo, o que é natural. Já a UTFPR se transformou em universidade por um lamentável decreto (do ex-Presidente Lula), sem qualquer preparo do corpo docente. Lamentavelmente perdemos uma excelente escola técnica.

      Deveria causar-lhe surpresa o fato de que a UTFPR ter sido fundada após a UFPR, automaticamente a tornou mais antiga do que a UFPR.

      A mais antiga universidade do nosso país é a USP.

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  11. Está claro que o critério relevante nessa discussão é o da continuidade.

    A página oficial da UFPR tem uma descrição que sugere continuidade: criada em 1912, então desmembrada em faculdades em 1920, que foram reunidas de novo em 1950, seguida da federalização no ano seguinte.

    Sem a apresentação de evidências históricas que contradigam essa narrativa, é natural aceitar a história oficial. A separação em faculdades poderia ser uma quebra forte o bastante mas, também nesse caso, evidências são necessárias.

    Já a UTFPR apresenta um bom exemplo de que obviamente continuidade de existência não basta, falamos de existência como instituição de ensino superior. Ou seja, a UTFPR pode comemorar seus muitos anos como instituição de ensino mas não como universidade, embora valha dizer que sua história não apresenta uma descontinuidade tão abrupta quanto se poderia imaginar. O CEFET-PR não era apenas uma escola técnica de ensino médio quando foi transformada em UTFPR em 2005: já nos anos 1970 havia cursos de graduação na instituição a nos 1980 de pós-graduação.

    Em qualquer caso, com uma escolha cuidadosa o bastante de palavras provavelmente ainda se pode comemorar, por exemplo, "os 100 anos de história" da UFPR.
    Afinal, numa sociedade que desesperadamente precisa aprender a dar mais valor ao conhecimento, esse tipo de publicidade pode dar sua pequena ajuda.

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    1. Pois é, Stafusa

      Antes da UTFPR virar universidade, reitores da UFPR afirmavam que esta era a mais antiga universidade do país. Hoje o discurso mudou. Vi recentemente um texto veiculado no site da UFPR no qual se dizia que "precisamos reconhecer a UFPR como a mais antiga do país".

      Ao meu ver, a universidade mais antiga do país é a USP. Mas não vejo tanta relevância nesta questão. O que devemos priorizar é excelência e não tradição.

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    2. "O que devemos priorizar é excelência e não tradição."
      Ponto pacífico.

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