terça-feira, 6 de julho de 2010

Breve História Ilustrada da Educação Brasileira

Fazemos aqui uma breve discussão dos princípios que norteiam a educação em nosso país:

1) Matemática, ciências e línguas são ensinadas dogmaticamente, por meio de mandamentos impostos liturgicamente por professores e autores. Exemplo:


Professores afirmam sem pensar: "Não dividirás por zero!"

2) A visão fragmentada de nosso sistema de ensino não permite que alunos percebam as relações existentes entre diferentes áreas do saber. E mesmo em uma área específica como matemática, cada tópico é tratado de maneira independente dos demais. Exemplo:


Ensina-se teoria de conjuntos nas escolas, mas alunos e professores não têm ideia da importância estratégica dessa disciplina tanto em matemática quanto em português, história, artes e ciências. Consequentemente, nossa visão de mundo é deficiente e esteticamente horrorosa.

3) Nossos alunos não são estimulados a pensar criticamente. São simplesmente moldados à imagem e semelhança de seus mestres, por métodos que nada mais são do que adestramento. Exemplo:


Em tom épico, sustentado institucional e socialmente, docentes propagam: "Faça como eu faço e tudo ficará bem!" A criatividade dos nossos jovens é esmagada.

4) Consequentemente, nossos alunos demonstram um nível intelectual que os torna praticamente incapazes de inserção em uma sociedade cada vez mais globalizada. Exemplo:


Temos um dos piores desempenhos no PISA, teste internacional de educação comparada. Mas ainda temos esperança de que nosso sistema educacional seja melhor do que o etíope.

5) Devido a essa infame realidade, não valorizamos propriedade intelectual. Afinal, não existe tradição brasileira de concepção de ideias. Exemplo:



O Brasil combate a pirataria de forma incipiente, a população sequer sabe o que é pirataria, e o uso de produtos falsos e ilegais é uma prática cultural mais do que aceita pela população. Afinal, por que desenvolver ideias, se outros países o fazem tão bem? Eu mesmo estou fazendo uso de imagens com copyright sem me preocupar. Afinal, sou brasileiro!


6) A língua inglesa é ostensivamente lecionada em nossas escolas, vivemos em constante contato com a cultura norte-americana, nossos vizinhos latino-americanos falam predominantemente espanhol, mas ainda não conseguimos estabelecer comunicação com o mundo que existe além de nossas fronteiras. Exemplo:



Mesmo professores universitários encontram sérias limitações para ler, escrever, falar ou entender inglês e espanhol. Aliás, até mesmo em cursos universitários de letras, com ênfase em inglês e português, há inúmeros docentes que não conhecem sequer o básico da língua que o resto do planeta fala.


7) Não existe política meritocrática em nossas instituições de ensino. Exemplo:



A falta de estímulo real a profissionais de alto nível se reflete como uso extremamente inadequado de recursos. Reconhecimento é considerado elitismo que, por sua vez, é tido como politicamente incorreto. Nem mesmo alunos superdotados são tratados de forma diferenciada, apesar de deficientes físicos e mentais terem acesso cada vez mais sistemático a educação inclusiva.


8) Ainda não percebemos que a família é a base social da educação de nossos jovens. O exemplo familiar de valorização da cultura é fundamental para que nossos filhos se sintam estimulados a exigir cada vez mais de seus mestres. Exemplo:



Se você sabe o nome original dessa escultura, bem como do artista que a concebeu, talvez esteja sintonizado com a cultura mundial e, portanto, pode ser um bom exemplo para seus filhos. Mas se nem o básico você conhece, que pelo menos procure estimular intelectualmente aqueles cujo futuro depende de seu exemplo como ser humano.


9) A cultura da centralização de políticas e estratégias educacionais naturalmente afasta a população de suas responsabilidades nessa área. Com isso não percebemos a contradição de que queremos educação competitiva, mas nada fazemos para conquistá-la. O futuro promissor que tanto se propaga em nossa nação somente é possível se tivermos liberdade para nossas próprias decisões. Exemplo:


O ENEM foi mais um golpe cruel contra o direito à educação. Se nossos filhos querem ingressar em uma universidade, que tenham esse direito por mérito, e não por selvagem e incompetente critério de competição que abstrai toda e qualquer noção de realidade local. Governos devem criar mais universidades e mais vagas! Mas governos não devem assumir a péssima postura superprotetora que isenta a responsabilidade do cidadão.

10) Educação reside na crítica àquilo que se crê já estabelecido. Precisamos questionar até mesmo o que parece adequado. Exemplo:




Se você quer saber mais sobre alguns dos tópicos aqui apresentados, leia os demais posts deste blog. E se compartilha com pelo menos algumas das ideias aqui colocadas, divulgue esta página. Não aceite o país como está, não aceite o que aqui se escreve! Apenas inicie uma discussão e assuma sua responsabilidade social e familiar. Educação é importante demais para ficar nas mãos de professores, autores ou governos. Todos os segmentos sociais devem participar deste processo ativamente, a começar pela família.

9 comentários:

  1. UAU.... ainda sem condições de escrever algo... então.. apenas... UAU!!!!

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  2. Novamente venho lhe dar os parabéns pelas suas ideias. Escrevi algo sobre a Crise no Ensino, mas me sinto muito pequeno diante de tal exposição crítica e bem exemplificada, o que me faz lembrar as obras do filósofo Schopenhauer.

    Parabéns!

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  3. UAU digo eu! O Professor Paulo Sérgio foi muito generoso em seus comentários. E aos anônimos agradeço o apoio. O que realmente falta neste país é um movimento articulado para melhorar nossa educação. Ainda tenho esperança de que massa crítica existe. Ela só não está articulada em favor de um bem comum.

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  4. Em particular, o ítem 7 tem aparecido muito em minhas conversas. Afinal, por que a habilidade não pode ser reconhecida e incentivada? Pessoas com habilidades especiais não têm suas necessidades atendidas, mas pessoas supostamente injustiçadas pela sociedade (negros, alunos de escolas públicas...) são empurradas para as universisdades. Um aluno brilhante não tem o direito de acesso a mais recursos para estudar e produzir, entretanto um aluno medíocre pode se formar sem dificuldade. Acredito que esse ítem merece uma discussão mais extensa. Assim que possível pretendo fazer alguma contribuição mais elaborada no tópico. Esse comentário foi só uma "reclamação", por assim dizer.

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  5. Olá Adonai!

    Discordo, em parte, sobre suas assertivas nos itens 7 e 9;

    Acredito que alunos com um "dom especial" ou, com "alguma deficiência", devam ter os mesmos direitos a políticas de inclusão, além do tratamento adequado as suas necessidades.

    Políticas de inclusão social para alunos carentes, ou portadores de necessidades especiais, não são contrárias ao reconhecimento ou ao mérito, muito menos os exclui.

    O Estado não deve, apenas, criar mais universidades, e/ou, mais vagas. Deve, antes, promover as condições para o acesso ao ensino de qualidade, daqueles que não têm como competir com os que mais dispõe de recursos financeiros. A maioria dos alunos de nossas "universidades públicas" são oriundos de classes mais abastadas ou privilegiadas, que podem pagar por educação (privada) de qualidade, por cursos preparatórios, etc.

    No mais, necessário aprofundar o debate.

    Abraços!

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  6. Grande Julio Cezar

    É um grande prazer contar com sua colaboração por aqui! Há muito tempo que não nos falamos. Mas o fato é que você não está discordando do que escrevi. Explico... Com relação a alunos com deficiências mentais e/ou físicas e/ou financeiras e/ou sociais, nada digo contra isso. Pelo contrário, a educação inclusiva é fundamental em qualquer sociedade civilizada. O que digo é que alunos superdotados (o outro lado do espectro) não passam por qualquer processo diferenciado de educação. Eles também precisam de inclusão, pois a escola padrão é enfadonha para tais jovens. Essa postura de desprezo ao superdotado é preconceito social contra aqueles que demonstram desempenho escolar excepcional. O Brasil é um país que tenta nivelar todos ao mesmo patamar de nível médio. Mas nações prósperas não se fazem assim!

    Já com relação a vagas para negros e alunos de escola pública, isso não passa de armadilha do Governo Federal. Nossos governos falham em oferecer oportunidades para todos e distrai a grande maioria com discursos demagógicos de inclusão dos menos favorecidos. Ao invés de lutarmos entre nós por um pedaço de pão, precisamos TODOS de mais pão! Essa é a questão! Enquanto perdermos tempo com discussões sobre vestibular e critérios de seleção sobre quem tem direito à universidade, jamais teremos chance de oferecer oportunidade a todos, como ocorre na Finlândia e outros países.

    Acredito que você não discorde de qualquer um desses pontos.

    Abraço

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  7. Professor Adonai!
    Como anda a discussão nas universidades sobre os assuntos abordados?
    Att

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  8. Oi, anônimo

    As universidades públicas de nosso país carecem de qualquer noção de auto-crítica. As privadas são, em geral, meros supletivos de ensino superior. Já visitei diversas instituições de ensino superior no Brasil, mas não vejo discussões dessa natureza, muito menos ações efetivas nas direções aqui sugeridas. Por isso peço aos leitores a divulgação do blog! O Brasil precisa acordar de seu berço esplêndido e se comprometer com seriedade para o futuro.

    Em breve serão produzidos dois filmes de ficção com roteiros meus e que abordam muitos dos temas aqui expostos. Este blog é apenas uma tímida tentativa de iniciar algo que esses dois projetos cinematográficos devem consolidar melhor, pelo menos como sinal de alerta.

    Conto com toda a ajuda possível.

    Abracíssimos

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