sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma pequena dose de humor


A postagem especial (número 200), já anunciada anteriormente, está quase pronta. O tema é um modelo matemático recentemente criado e que justifica muitos dos problemas mais comuns de comunicação. Tal modelo, em princípio, encontra diversas aplicações em diferentes áreas do saber. 

Enquanto finalizo os últimos detalhes do próximo texto a ser publicado no blog Matemática e Sociedade (o que deve acontecer em breve), aproveito para relembrar uma anedota que veiculei anos atrás em um antigo blog meu, já desativado. É uma história ficcional que, a exemplo da história do Estudante Brilhante, mostra um pouco a respeito das confusões linguísticas do dia a dia de todos.

Desejo a todos uma leitura verbalizada. E espero que entre as linhas o leitor encontre as entrelinhas.
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Filosofia Hospitalar

Sala de jogos no hospício. Profundos pensadores estão em silêncio. 

Aristeu se inquieta e discursa para todos: "O cético é aquele que vê mistério na magia e por isso a nega. Logo, céticos são pessoas fantasiosas. Se magia pode até mesmo matar um ser humano é porque essa magia opera diretamente sobre as crenças pessoais da vítima, de forma análoga ao efeito do placebo em um processo de cura. Aquele que nega a magia não é um cético. É apenas um tolo."

Abreu se irrita com Aristeu e responde: "O cético é aquele que crê que está certo sobre seu ceticismo. Portanto, é um crente."

Aristeu reage com fúria contra Abreu: "O crente é aquele que crê que o cético está enganado. Portanto, é um descrente."

Pirineu interrompe com pompa: "Tanto crentes quanto céticos são egoístas."

Abreu aproveita a oportunidade e golpeia Aristeu na cabeça, gritando: "O egoísta é um escravo cujo dono é muito desatento."

Pirineu diminui o tom de voz, para tentar conquistar respeito: "O honesto é aquele que às vezes crê e às vezes duvida, conforme o incentivo dado."

Iseu se incomoda com a mudança de assunto e professa: "Ateu é aquele que depende da crença de outros em Deus. Sem os crentes o ateu não teria o que negar."

O alter ego de Iseu complementa apenas mentalmente: "Sem Deus, ateus sentiriam um vazio em suas vidas."

Inconsciente pelo golpe na cabeça, Aristeu sonha que ainda discursa: "É gratificante crer em Deus. Mas negar a Sua existência... isso sim é uma aventura."

Preocupado, Criseu examina Aristeu, ainda inconsciente, e confirma: "Crentes não precisam de ateus. Mas também não gostam deles."

Nereu explica calmamente para Eriseu: "Niilistas, por definição, não existem."

Eriseu pensa com inveja diante de Nereu: "Livre arbítrio é poder escolher a escravidão."

Eriseu responde com segurança a Nereu: "Escravidão é não conseguir parar de pensar em pipoca quando eu quero. Sou escravo de mim mesmo e isso machuca."

Aristeu finalmente desperta e conta a sua primeira piada, colocando a tônica na sílaba "pu" da última palavra: "Como evitar umacacofonia no computador?"

Nereu lê em um guardanapo jogado ao chão: "A palavra final não é a última. Afinal, a última palavra não foi final."

Aristeu retoma o discurso: "Se a fé remove montanhas, a lógica as contorna. É mais fácil."

Nereu responde no guardanapo: "A centésima pessoa a ler esta frase não sabe que foi a centésima pessoa a ler esta frase."

O subconsciente de Nereu reage: "Se você for a centésima pessoa a ler esta frase então não saberá que foi a centésima pessoa a ler esta frase. Portanto, você não sabe o que faz."

Criseu lê o guardanapo pelo reflexo nos olhos de Nereu e verbaliza: "Se você for a centésima pessoa a ler esta frase, então sabe que não sabe se é a centésima pessoa a ler esta frase. Portanto, você sabe o que faz."

Aristeu conclui a palestra solitária: "Jamais negarei seu direito de me contestar. Mas, por favor, não me processe."

Observando os filósofos do hospício, um enfermeiro pensa: "Quem não tem companhia, vira ventríloquo."

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