quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dr. Fantástico ou Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba



Na última sexta-feira finalmente recebi um ofício que eu aguardava há muito tempo. Não foi fácil extrair um interesse mínimo sobre a educação na inerte UFPR, mas finalmente consegui um pequeno fruto. Trata-se de um documento assinado pelo Professor Doutor Celso de Araujo Duarte, Coordenador do Curso de Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Tal ofício (143/2012) está anexado a um processo que tramita no Conselho do Setor de Ciências Exatas da UFPR, com cópia encaminhada à unidade onde estou lotado, o Departamento de Matemática. 

Um dos inúmeros problemas existentes na UFPR é sua falta de transparência perante a população que sustenta com pesados impostos os absurdos existentes no ensino público. Exatamente por isso, venho disponibilizando publicamente neste blog uma série de irregularidades que pude testemunhar. Agradeço ao Colegiado do Curso de Física da UFPR por viabilizar parte da transparência que tanto procuro alcançar. Quem sabe agora possamos iniciar uma discussão séria para efetivamente melhorar o ensino público superior. Mas isto somente será possível se tais discussões ultrapassarem as cercas de concreto que circundam o engessado Centro Politécnico, campus que abriga o Setor de Ciências Exatas da UFPR. Afinal, nenhuma universidade federal deste país tem autonomia para se transformar em uma instituição de ensino superior competitiva em âmbito internacional.

Seguem abaixo cópias do Ofício 143/2012 da Coordenação do Curso de Física da UFPR e de minha resposta que entreguei na manhã de ontem.

Aproveito a oportunidade para insistir que alunos de instituições federais de ensino superior continuem a colar cartazes em salas de aula e demais dependências dessas instituições com a frase 



É imperativo que se crie uma rede social suficientemente forte para romper definitivamente as mazelas fundamentais do ensino superior público. A maioria dos professores de instituições federais e estaduais de ensino superior vive em uma espécie de "Ilha da Fantasia", garantida única e exclusivamente pelo patético conforto da estabilidade de emprego. Não existe progresso onde há conforto garantido. O mundo real não funciona sem uma constante e árdua luta pelo incessante crescimento profissional. Os alunos e a maioria dos egressos de instituições públicas não contam com este conforto. Por que os professores deveriam ser tratados de forma diferente?

Observação: o uso de caracteres em itálico e negrito, bem como a estrutura gramatical e o emprego de pontuação na cópia do Ofício 143/2012 estão em acordo com o texto original. Boa leitura.


____________________


Curitiba, 09 de novembro de 2012

Of. 143/2012
Ao Prof. Adonai Schlup Sant'Anna
Departamento de Matemática
c/c Direção do Setor de Ciências Exatas e Chefia do Depto. de Matemática

Ref.: Disciplinas de Cálculo I ofertadas ao curso de Física

Sr. Professor,

Tendo em vista o seguinte conteúdo no sítio adonaisantanna.blogspot.com.br,

"Mas, uma vez que o REUNI está aí, atendendo à vontade da instituição onde trabalho, tomei uma decisão. Pelo menos neste semestre aprovarei todos os meus alunos de Cálculo Diferencial e Integral dos Cursos de Licenciatura e Bacharelado em Física, desde que realizem todas as provas. Aqueles que encerrarem o semestre letivo com média inferior a 50, estão automaticamente aprovados com média final 50. Ou seja, nem preciso realizar exame final. Já fiz isso antes, conforme relatei na postagem sobre a pobre APUFPR. E não ouvi uma única reclamação, fosse de aluno ou de coordenador de curso. Se o concordante silêncio da comunidade acadêmica continuar, darei prosseguimento a esta postura.

Não estou seguro se conseguirei atingir o índice de 90% de aprovação. Afinal, muitos alunos simplesmente abandonam cursos, sem dar satisfação alguma. Mas estou me empenhando para cumprir com o papel que a UFPR, o Governo Federal e a Andifes esperam de mim."

e tendo-se em vista também as aprovações constantes nos boletins das disciplinas CM201 - Cálculo Diferencial e Integral I e CM041 Cálculo I (cujas cópias integram o processo n.o 23075.041897/2012-03, que está sendo tramitado à Direção do Setor de Ciências Exatas para ciência do fato), o Colegiado do Curso de Física, por decisão em sua 102.a reunião decidiu por unanimidade pedir-lhe esclarecimentos sobre seu sistema de avaliação, e para esta solicitação dá-se o prazo de atendimento de 07 (sete) dias corridos.

Atenciosamente,


Celso de Araujo Duarte
Coordenador do curso de Física
____________________


Curitiba, 13 de novembro de 2012


Ao Professor Doutor Celso de Araujo Duarte
Coordenador do Curso de Física
Universidade Federal do Paraná
c/c Direção do Setor de Ciências Exatas e Chefia do Dep. de Matemática

Sr. Coordenador

Esta carta é minha resposta ao Ofício 143/2012 da Coordenação do Curso de Física desta UFPR, conforme solicitado.

Apesar de seu ofício ser consideravelmente confuso, julgo que ele merece resposta. Isso porque aparentemente o documento citado transparece preocupação legítima sobre a qualidade do Curso de Física da UFPR, apesar de estar muito mal colocada.

A primeira confusão evidente de seu ofício está no seguinte trecho: "[...] e tendo-se em vista as aprovações constantes nos boletins das disciplinas CM201 - Cálculo Diferencial e Integral I e CM041 Cálculo I [...]". Acredito que o Sr. esteja se referindo às turmas CM201-B e CM041-J para as quais lecionei durante o primeiro semestre letivo deste ano. Se for este o caso, a primeira turma citada teve um índice de aprovação de 38%, e na segunda turma apenas 58% dos alunos foram aprovados. Tendo este fato em vista, espero que o Sr. ou o Colegiado do Curso de Física possam esclarecer o que significa a expressão "aprovações constantes". E insisto neste ponto: eu realmente quero saber o que são aprovações constantes. Para esta resposta concedo o prazo de 07 (sete) dias corridos.

A segunda confusão ocorre no seguinte trecho: "[...] o Colegiado do Curso de Física, por decisão em sua 102.a reunião decidiu por unanimidade pedir-lhe esclarecimentos sobre seu sistema de avaliação [...]". Tais esclarecimentos já estão colocados no próprio ofício 143/2012! Portanto, não faz sentido o Sr. ou o Colegiado solicitarem esclarecimentos sobre meu sistema de avaliação (assumindo que o Sr. esteja se referindo ao meu sistema de avaliação especificamente nas turmas CM201-B e CM041-J durante o primeiro semestre letivo de 2012). O que faria sentido, se me permite, é solicitar que eu confirme tais esclarecimentos através de documento oficial, como esta carta. Entendo que estou exercitando minha capacidade de mera adivinhação, ao colocar a resposta desta forma. Portanto, adianto minhas sinceras desculpas se adivinhei erroneamente sua confusa solicitação. No entanto, assumindo que o Sr. e o Colegiado do Curso de Física desejam genuinamente saber se confirmo meu critério de avaliação já descrito no sítio citado, a resposta é positiva. 

Recentemente a Universidade Federal do Paraná aderiu voluntariamente ao programa do Governo Federal conhecido como REUNI, o qual prevê um aumento gradual de conclusão de curso para o índice de 90%. Vale lembrar também que o próprio Conselho do Setor de Ciências Exatas não se opôs à adesão da UFPR ao REUNI. É fácil perceber que qualquer disciplina obrigatória que reprove acima de 10% dos alunos tornaria o índice de conclusão de curso do edital REUNI impraticável. Levando em conta que Cálculo Diferencial e Integral é tema abordado em disciplinas obrigatórias do Curso de Física e considerando que esta matéria apresenta elevados e crônicos índices de reprovação na UFPR e em demais instituições de ensino no Brasil e no resto do mundo, não vejo outra saída a não ser a tentativa de aprovação praticamente indiscriminada em disciplinas como CM201 e CM041. Por isso, repito meu critério de avaliação durante o primeiro semestre letivo de 2012: (i) todos os alunos que assinaram as duas avaliações escritas realizadas em ambas as turmas, foram automaticamente aprovados com média mínima de 50, independentemente das notas conquistadas em cada avaliação; (ii) os alunos que conquistaram meritocraticamente média aritmética simples superior a 50, tiveram essas médias fielmente registradas em seus respectivos boletins.

Apesar disso, ainda estou muito longe de atingir o índice de aprovação de 90% (ambicionado pela UFPR), conforme relatado acima. Aparentemente o Curso de Física tem aceitado uma quantia considerável de alunos que simplesmente não aparecem em sala de aula. E enquanto não for apresentada qualquer outra solução para o dilema REUNI-UFPR versus realidade, continuarei a adotar este critério de avaliação ou variações dele em todas as disciplinas de graduação que eu lecionar na UFPR. Neste sentido, recomendo que os demais professores do Curso de Física adotem a mesma estratégia. É a única forma que vejo para que a promessa feita pela UFPR e pelo Setor de Ciências Exatas ao Governo Federal seja cumprida. 

Fico muito satisfeito ao saber que o Sr. e o Colegiado do Curso de Física acompanham meu sítio adonaisantanna.blogspot.com.br. Em outras postagens deste blog há várias críticas e recomendações feitas especialmente ao Curso de Física da UFPR. E considero que a mais importante recomendação a qualquer professor é a qualificação de discurso em suas atividades profissionais. No entanto, lendo o Ofício 143/2012 percebi, conforme brevemente discutido acima, uma perigosa falta de qualificação na redação do mesmo. Não se faz ciência ou educação de qualidade sem qualificação de discurso! Espero que as aulas ministradas pelos professores do Colegiado do Curso de Física tenham qualidade superior àquela que percebi na redação do Ofício 143/2012. 

Também espero que quaisquer decisões feitas pelo Colegiado do Curso de Física da UFPR e pelo Setor de Ciências Exatas sejam sustentadas pela razão. 

Coloco-me à disposição do Sr. e do Colegiado do Curso de Física para demais esclarecimentos, sejam de forma escrita ou verbal. É comumente um prazer discutir com responsabilidade sobre educação.

Atenciosamente,

Adonai Sant'Anna
Departamento de Matemática - UFPR
Matrícula 102806
___________

Para acompanhar o que aconteceu após os eventos narrados nesta postagem, clique aqui.

17 comentários:

  1. Acho bastante irresponsável aprovar alunos que somente assinam suas provas.

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    1. Pois é, André. Sua postura se resume a uma simples opinião: "Acho". Minha postura se sustenta em um contrato assinado pela UFPR.

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    2. André, como defesa (apesar de saber que ele não precisa disso) ao professor Adonai, uma vez ele me disse que uma aluna reprovada veio perguntar para ele: "o senhor não tem pena de reprovar uma aluna?" ao que ele respondeu: "tenho pena de mandar ao mercado alguém incapaz!" Ou seja, por vezes a "revolução" deve ser feita por caminhos "tortos".

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    3. A UFPR não assinou um contrato estipulando que os professores devem aprovar alunos que somente assinam suas provas.

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    4. André

      Agora sim você usou um argumento racional. Você tem absoluta razão ao afirmar que a UFPR não assinou contrato algum que estipulasse que os professores devem aprovar alunos que apenas assinam suas provas. No entanto, também é verdade que a UFPR nada fez até agora para atingir o índice de 90% de aprovação em todos os cursos. Ao mesmo tempo há o fato de que é impossível conquistar honestamente este índice de aprovação na maioria das disciplinas de matemática de qualquer curso universitário. Portanto, a UFPR se colocou deliberadamente em um dilema que reflete profunda irresponsabilidade, simplesmente por conta de dinheiro.

      Aliás, peço que se identifique. Escreva seu nome e sobrenome. Você é aluno ou professor? Escreva um pouco a seu respeito aqui. Neste fórum não se permite mais o anonimato.

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    5. Uma curiosidade que tenho: se a UFPR não faz nada para atingir a meta dos 90% de aprovação e essa meta é assim tão ruim, porque fazer do compromisso com tal meta um cavalo de batalha a ponto de aprovar alunos que somente assinam suas provas?

      De qualquer forma, pesquisei um pouco e vi que existem várias medidas tomadas pela UFPR para avançar em direção à meta de 90% de aprovação. Por exemplo, desde o início da implementação do REUNI o número de cursos noturnos mais do que dobrou na UFPR. Isso faz com que muitos estudantes que antes desistiam do curso universitário porque precisavam trabalhar não mais desistissem o que, obviamente, contribui para a aproximação da realização da meta de 90% de aprovação. Outras medidas foram, por exemplo, concessão de bolsas a alunos de pós-graduação para que auxiliem alunos de graduação no processo de aprendizagem das disciplinas que os mesmos cursam, Programas de Bolsa Auxílio Moradia, Programa de Auxílio Alimentação e Programa de Bolsa Permanência.

      André Luiz Furtado, egresso da licenciatura em matemática da UFPR e do mestrado em Matemática Aplicada também da UFPR. Fiz o doutorado em matemática na USP e faço pós-doutorado em matemática na USP. Fui seu aluno na graduação e como sempre manifestei (inclusive na seção de agradecimentos da minha dissertação) o considero um dos melhores professores que já tive. No entanto, discordo de muito que tem sido dito aqui e, como ex-aluno da UFPR tenho bastante carinho por essa universidade e julguei que deveria opinar aqui de vez em quando.

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    6. André

      Agradeço por se identificar. E vejo que faz o seu papel, tanto do ponto de vista profissional quanto social. Aliás, lembro muito bem de você. Sempre foi um aluno brilhante e extremamente crítico. Meus sinceros parabéns por suas excelentes conquistas. Suas conquistas são motivo de orgulho para mim.

      Ainda não comecei batalha alguma, André. Isso porque ainda não decidi se realmente vale a pena batalhar neste sistema. Se eu começar qualquer batalha, garanto que você perceberá isso claramente.

      Os programas que você menciona já estavam sendo encaminhados antes do REUNI. Vejo que você e eu estamos em um daqueles impasses que ultrapassam a racionalidade. Se não se opuser, prefiro não me estender nesta discussão.

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    7. Obrigado, Adonai. Pode ter certeza que seu papel como professor foi muito importante para mim. Com relação aos programas que eu citei, é verdade que eles já existiam na UFPR antes do REUNI, porém também é verdade que eles cresceram bastante depois disso. Por exemplo, de 2007 a 2009 o número de cursos noturnos dobrou nesse (passando de 15 a 30) e o número de vagas noturnas cresceu 85% nesse período. Isso, justamente com os programas citados, certamente contribui para a diminuição das desistências de pessoas que precisam trabalhar e com a melhoria da sua aprendizagem e são exemplos de medidas concretas adotadas pela UFPR cque contribuem para o processo de cumprimento da meta dos 90%. Ao meu ver, ainda que tal meta não seja eventualmente factível, a tentativa (séria) de realizá-la tem tudo para ter conseqüências positivas.

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  2. Após ler estas considerações, não posso deixar de fazer alguns comentários:
    1. Uma pena que dita Instituição tenha demorado a se manifestar em relação a algo posto muito tempo atrás e que o próprio professor Adonai tanto esperava reação.
    2. Uma lástima que essa carta-ofício só tenha vindo agora que alunos (poucos, mas alguns - conscientes) estejam colando cartazes dentro da Instituição. Com isso, dando a entender (lamento se estou equivocada) que o professor Adonai "incomoda" muito mais por ser "subversivo" do que pela preocupação, indicada desde o primeiro post no blog, com o NÍVEL do ensino nas Federais.
    3. Certa "felicidade" que sinto por fazer parte de uma Instituição de Ensino Privada que preza pelo ensino e que me permite reprovar TODO e qualquer aluno que não atinja o limite de SETE pontos. Sempre que comento que geralmente metade (para cima) dos alunos ficam para final, muitos se assustam. Quando comento que muitos reprovam comigo, seja uma, duas ou três vezes, me perguntam se a Instituição me critica. Pelo contrário: me dão apoio frente às reclamações dos alunos e pais. Enfim, uma pena que a UFPR esteja decaindo. Poderiam ter chamado para a reunião. Poderiam ter solicitado sugestões de melhoria. Mas não. Querem apenas - e com uma escrita torta - "disciplinar" o professor.
    p.s. não precisa responder a este comentário, nem em sete dias, nem nunca.
    Continuo apoiando sua tentativa de melhoria no Ensino Superior! Conte comigo!

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    1. Susan

      Conheci um pouco da Universidade Positivo, local onde você trabalha. É claro que aquela instituição enfrenta muitos problemas, como é de se esperar. Mas um dos problemas mais graves que a UP e demais instituições privadas enfrentam é a constante pressão do Governo Federal. Parece que o Governo Federal quer transformar todas as instituições de ensino superior em meros tentáculos de Brasília.

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  3. Acho que muito da voracidade por aprovações e índices de todas as instituições pública de ensino tem relação direta com as verbas que são destinadas a elas e administradas por seus gestores.
    Vejo há anos diretores usarem as verbas escolares (falo de CMEIS e Escolas de ensino fundamental onde trabalhei) para fazer "melhorias" que lhes rendam votos na próxima eleição, na verdade a voracidade é pelo poder, rsrsrsrs, acho ridículo alguém se sentir poderoso sendo diretor de um CMEI mas acredite, tudo isso eu já vi.
    Já ouvi falar também diretores e professores pedirem a alunos de baixo rendimento e alunos de inclusão faltarem nos dias de Provinha Brasil pois sua presença faria a média (já muito baixa) cair. É uma canalhice! E tudo isso pra poder receber mais alguns vinténs de verba.
    Sou professora há anos e tem dias que perco a esperança de dias melhores.
    Felizmente quando uma criança, pobre, já passada da idade, de família desestruturada, aprende a ler, (esse é meu ofício: sou alfabetizadora) a esperança renasce em mim.
    Como diria Odorico Paraguaçu "A esperança renasce talqualmente a Fênix que ressurge das cinzas". Perdoe sou noveleira desde pequena.
    Sempre, sem conhecer, achei que uma universidade tivesse outra realidade, mas pelo visto a mediocridade é a mesma.

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    1. Solange

      A mediocridade dos ensinos fundamental e médio é mero reflexo da mediocridade do ensino superior. O Brasil nunca foi um país sério. A questão é se um dia esta realidade mudará.

      No caso do REUNI, as universidades federais concordaram com o índice de aprovação de 90% em troca de dinheiro. É pura prostituição. Se eu colocasse aqui certas informações de bastidores da UFPR, acredito que nem mesmo seu trabalho como alfabetizadora seria capaz de lhe dar esperanças.

      No seu caso, conheço dois de seus filhos. E percebo que você fez um trabalho fantástico com eles. Ambos são seres humanos excepcionais que não se corrompem diante da mediocridade brasileira. Mas a má notícia é que, justamente por conta disso, os dois sofrerão muito ainda. Por isso mesmo o apoio aos dois tem que ser contínuo e inesgotável. O melhor que pessoas como você e eu podem fazer é educar os filhos da melhor maneira possível.

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    2. Eles já sofrem, principalmente o Douglas, que tem um enorme poder de indignação diante das "canalhices educacionais".
      Agradeço por falar de meus filhos, só tenho os dois, eles são mesmo surpreendentes principalmente levando em conta o fato terem sido criados por uma voraz assistidora de novelas globais.

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  5. Em breve teremos novidades sobre os conteúdos desta postagem. A Coordenação do Curso de Física da UFPR não desistiu ainda.

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  6. Adonai

    O que seria "qualificação de discurso" ?

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    1. Anônimo

      Qualificar um discurso significa circunstanciar criticamente aquilo que se afirma, da melhor maneira possível. Portanto, a qualificação de discurso mais se aproxima de um exercício de dialética (no sentido aristotélico) do que algo que possa ser efetivamente alcançado. As linguagens naturais são extraordinariamente limitadas como ferramentas de comunicação. O significado de afirmações depende muito frequentemente das experiências pessoais de quem fala e de quem ouve. Qualificar um discurso é tentar transcender essas limitações em favor de uma convergência de significados. Ou seja, qualificar um discurso é tentar garantir que o significado daquilo que se fala (ou escreve) seja o significado pretendido por quem falou (ou escreveu).

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