terça-feira, 2 de abril de 2013

Submissão



Ele e Ela são casados. Ele, então, faz uma pergunta para Ela, em tom de determinação: "Posso ter uma amante, além de você?". Ela fica nervosa. Nunca havia sequer pensado nesta possibilidade. Hesita por alguns instantes. Mas, injuriada, Ela finalmente responde: "Não!". 

Agora, vejamos o que existe nas entrelinhas do primeiro ato desta pequena história real. Jamais podemos esquecer que o primeiro ato de qualquer arquitrama encerra informações vitais para o desenvolvimento do segundo e do terceiro atos. E quando as personagens são absolutamente lineares, basta prestar muita atenção no primeiro ato para sabermos com antecedência como a história se desenvolve e termina. Vejo inúmeros exemplos disso no cinema de má qualidade (como o filme Ilha do Medo, de Martin Scorsese) e na vida pessoal e profissional de indivíduos que conheço.

O simples fato de que Ele fez essa pergunta, já demonstra claramente que Ele não está satisfeito apenas com Ela. Portanto, é inevitável o envolvimento extra-conjugal. Ele realmente quer uma amante. Ela, por outro lado, não reagiu instantaneamente. Hesitou. E a hesitação é uma porta entreaberta. 

Ele consegue uma amante, a qual já cobiçava há algum tempo. Logo em seguida, Ele apresenta a desejada amante para a esposa. Silenciosamente, Ela aceita a nova realidade. Afinal, Ela é dependente financeira e emocional d'Ele. Ela é submissa.

Ele a traiu? Depende do ponto de vista. Do ponto de vista d'Ele, não houve traição alguma. Afinal, desde o início Ele sabia que Ela aceitaria a realidade de uma amante. Aquela hesitação era tudo o que Ele precisava saber. Não são palavras que definem o caráter de pessoas, mas ações. Além disso, Ela realmente aceitou a amante, apesar de jamais ter sido a mesma esposa amorosa de outrora. Do ponto de vista d'Ela, porém, a confusão em sua mente é grande demais para definir se houve traição. Afinal, traição não permite espaço para perdão. 

E do ponto de vista do leitor deste blog? Houve traição?

Reproduzo esta história com o objetivo de estabelecer uma analogia com parte da realidade das universidades federais de nosso país. O sistema centralizado e paternalista das instituições públicas de ensino superior no Brasil produz a médio e longo prazo um corpo docente infantil. Isso porque usualmente crianças não enfrentam os seus pais quando sofrem com abusos. Afinal, elas são dependentes. Sentem-se pequenas demais em relação aos seus genitores e mantenedores.

Recentemente tomei conhecimento de um procedimento preliminar que está circulando na Comissão de Ética da Universidade Federal do Paraná. É um procedimento preliminar de 49 páginas, no qual há duas acusações contra mim. Vários leitores deste blog são citados neste documento: Susan Blum, Luisandro Mendes, Gilson Maicá, Solange Mancini, Adam Azevedo, Luis Augusto Trevisan, entre outros (que assinaram seus comentários com pseudônimos). 

Por mórbida coincidência, no mesmo dia em que eu soube a respeito deste procedimento preliminar, também recebi um pornográfico formulário da UFPR. De acordo com as novas regras para o plano de carreira das instituições federais de ensino superior (resultantes da mais longa greve da categoria), tenho o direito para progredir de Professor Associado II para Professor Associado III simplesmente porque obtive meu título de doutor há dezenove anos. Para "conquistar" esta progressão, basta eu preencher o formulário, anexar fotocópia de meu diploma conquistado com real mérito, e enviar para o órgão "competente" da UFPR. Não fiz isso. E não farei. Não existe mérito algum em tempo de serviço. 

Conheço muitos professores de universidades federais que pensam da seguinte maneira: "Se um acordo é estabelecido entre a minha instituição e o Governo Federal, não tenho escolha. Preciso seguir este acordo."

Concordo que a vida oferece imposições difíceis de combater. Eventualmente somos também obrigados a nos submeter a muitas situações desagradáveis e indesejáveis. Por outro lado, isso não significa que devemos nos curvar sempre. A postura combativa faz parte do espírito científico. Durante séculos físicos se submeteram à mecânica clássica, enquanto descrição de certos fenômenos naturais. E isso ocorreu apesar das duras críticas promovidas por grandes pensadores, como Hertz, Helmholtz e Mach. Mas, com o passar do tempo, alternativas foram oferecidas e muitas vezes abraçadas, como a teoria da relatividade geral. 

No entanto, nas instituições federais de ensino superior de nosso país existe uma única situação que é sistematicamente questionada: dinheiro. Apesar dos discursos em favor de educação pública, gratuita e de qualidade, todas as greves são silenciadas com dinheiro. E quanto mais facilmente este dinheiro entrar, melhor. Tempo de serviço (como critério para obter aumento salarial), por exemplo, é algo que agrada aos mais velhos e se torna um sonho para muitos dos mais jovens. Nada além disso se questiona. Não existe espírito combativo nas instituições federais de ensino superior, a não ser quando o assunto é dinheiro. E dinheiro, por si só, não define educação e nem ciência. Em outras palavras, não existe senso crítico relevante nas instituições federais de ensino superior.

A postagem que mereceu destaque no procedimento preliminar da Comissão de Ética da UFPR foi aquela cujo título é REUNI, Andifes e demais mazelentos. Escrevi aquilo com o principal propósito de receber resposta. Como sei que professores universitários deste país encontram sérias dificuldades para ler entrelinhas, usei este fato para criar um instrumento de provocação. Demorou, mas finalmente funcionou. Aqueles que não contam com a estabilidade irrestrita do funcionalismo público, mas que precisam lutar diariamente pela sua inserção e manutenção na sociedade, sabem muito bem a diferença entre palavras e ações. Aqueles que fazem parte do mundo real, sabem que as importantes decisões são tomadas em bastidores e não em reuniões oficiais. Não foram reuniões oficiais que instituíram as ditaduras na América Latina. Não foram casamentos registrados em cartórios e prometidos diante de igrejas que garantiram a fidelidade de casais. É nos bastidores que a vida pública e a vida privada são definidas. 

Espero, a partir deste exemplo, que o leitor aprenda um pouco mais sobre as técnicas de manipulação das mentes ingênuas. E as instituições públicas de ensino deste país estão repletas de mentes ingênuas e submissas. 

Aproveitei este bizarro momento para convidar o Presidente da Comissão de Ética da UFPR (CE/UFPR) para conceder uma entrevista a este blog. Meu objetivo é tornar público as funções de tal comissão. A resposta que recebi por e-mail foi pragmática e sensata. A entrevista pode ser concedida, mas depois que a Comissão de Ética tomar uma decisão a respeito da presente demanda que me envolve. 

Enquanto isso não acontece, encaminho ao leitor cópia de carta que entreguei ontem para a CE/UFPR.
__________

Curitiba, 01 de abril de 2013

Ao Presidente da Comissão de Ética da Universidade Federal do Paraná

Professor Alexandre Knesebeck

Ref.: Procedimento Preliminar 43/2012 (ou 43/2013?)

Esta carta é minha resposta ao Procedimento Preliminar 43/2012 (ou 43/2013?), cuja cópia recebi no dia 26 de março de 2013. Não sei ao certo qual é o número do protocolo, pois em alguns documentos consta um número e, em outro, aparece um código diferente. Espero ter em mãos cópias dos documentos corretos. 

A acusação feita pela demandante, professora Silvia Helena Soares Schwab, se refere à minha conduta supostamente não compatível com os princípios enunciados no Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Reproduzo abaixo as alegações que supostamente sustentam tal acusação, seguidas de minhas respostas. Importante observar que existe uma estreita relação entre as duas alegações.

1) A demandante afirma que errei ao escrever em meu blog adonaisantanna.blogspot.com que o "Setor de Ciências Exatas não se opôs à adesão da UFPR ao REUNI". Ela sustenta seu questionamento na Ata da 515.a Reunião do Conselho Setorial realizada em 11/09/2007. Eu, por outro lado, sustento minha afirmação nas manobras políticas que não são registradas em atas, mas que testemunhei. A postura do Setor de Ciências Exatas foi exatamente a que narrei em meu blog: "Não somos favoráveis ao programa. Mas se a UFPR aderir, pode contar com o nosso apoio". Isso ocorreu em decorrência de forte pressão de instâncias superiores ao Setor de Ciências Exatas. Esta pressão era tão real e ampla que resultou na adesão da totalidade das universidades federais brasileiras ao REUNI. E, dado o caráter pedagogicamente ultrajante do REUNI, a adesão unânime das universidades federais a este obsceno programa apenas confirma a realidade política que simplesmente ignora supostas decisões democráticas registradas em atas. Além disso, o Setor de Ciências Exatas usufruiu dos benefícios financeiros do REUNI, sem demonstrar qualquer preocupação com o impacto futuro dessa decisão. Portanto, o registro em ata, mencionado pela demandante, não retrata com fidelidade a realidade política da UFPR, na qual frequentemente reuniões são meras formalidades que mascaram decisões feitas em bastidores. Se o Setor de Ciências Exatas fosse honestamente contra o REUNI, não teria usufruído dos benefícios financeiros deste programa.

2) A demandante questiona minha conduta de avaliação em disciplinas que ministrei para o curso de física desta UFPR durante o primeiro semestre de 2012, suportando seus argumentos a partir de fatos levantados no Processo 041847/2012-13 e em afirmações minhas publicadas no blog acima citado. Sobre isso posso dizer o seguinte: (i) Realizei duas provas escritas em cada uma das turmas e atribuí notas reais, conforme o desempenho de cada aluno; (ii) Aprovei com média 50 todos os alunos que não conquistaram média aritmética simples real de 50; (iii) Aprovei alunos com médias superiores a 50, nos casos em que esses alunos efetivamente conquistaram tais médias; (iv) Reprovei alunos que não compareceram em sala de aula durante a realização das provas regulares e de avaliações de segunda chamada; (v) Não houve o caso de algum aluno que tenha obtido nota máxima (100) em uma das provas e que tenha faltado à outra; mas, se houvesse, eu o teria aprovado com média 50; (vi) Não realizei exame final em qualquer uma das turmas; (vii) Não fiz controle de frequência em qualquer uma das turmas, até porque não faço controle de frequência desde 1994; (viii) Avisei meus alunos com a devida antecedência sobre meus critérios de avaliação. Minha justificativa para os critérios de avaliação adotados durante o primeiro semestre de 2012 já consta no Processo 041847/2012-13. Em resumo, apenas reagi à contradição entre exigências do REUNI e a realidade acadêmica no ensino de matemática. Ou seja, se um professor sozinho consegue manifestar na prática sua oposição contra o fato da UFPR ter assinado o contrato REUNI, não vejo motivos para que o Setor de Ciências Exatas não sustentasse sua suposta negação ao REUNI. Vale observar também que meus critérios de avaliação já foram submetidos para apreciação no Departamento de Matemática (unidade onde estou lotado) e na PROGEPE. Em nenhum dos casos minha conduta como professor foi de alguma forma reprovada.

Acrescento a seguir algumas considerações finais:

1) A demandante chegou ao ponto de registrar em cartório o testemunho de Juliano Cesar Gallice sobre o conteúdo publicado em uma das postagens de meu blog. Esta atitude sugere que a demandante tinha o receio de que eu deliberadamente mudasse o texto de minha postagem intitulada "REUNI, Andifes e demais mazelentos". Admito que já fiz alterações em textos publicados em meu blog. Mas tais alterações sempre foram da seguinte natureza: (i) correções de ortografia, pontuação e gramática; e (ii) acréscimo de informações complementares para facilitar a navegação em meu blog. Jamais fiz qualquer alteração que mudasse algum conteúdo relevante publicado.

2) A demandante demonstra uma postura obsessiva em relação aos meus critérios de avaliação de desempenho de alunos, o que caracteriza assédio moral. As evidências são as seguintes: (i) Ela afirma, em carta dirigida à Comissão de Ética, que os desdobramentos do processo 041847/2012-13 serão "eventualmente objeto de medidas administrativas de outro caráter, diferente do objeto desta representação que ora se apresenta, de caráter ético."; (ii) Ela dá prosseguimento a um processo iniciado por um colega seu do Departamento de Física (o então Coordenador do Curso de Física, Professor Celso de Araujo Duarte) e que, após avaliação em diferentes instâncias da UFPR, jamais resultou em qualquer atitude institucional contra a minha pessoa; (iii) Em nenhum momento, até agora, encontrei qualquer parecer de aluno ou ex-aluno meu que seja contrário aos critérios de avaliação que adotei durante o primeiro semestre de 2012; (iv) A demandante reproduziu de forma impressa, em dezenas de páginas do Procedimento Preliminar 43/2012 (ou 43/2013?), extensos trechos de meu blog que não têm relação alguma com as acusações que ela explicitamente levanta contra mim. Vale ainda observar que o item (i) acima sugere que a demandante não confia nos poderes conferidos à Comissão de Ética da UFPR.

3) Em momento algum o Professor Celso de Araujo Duarte ou a Professora Silvia Helena Soares Schwab conversaram pessoalmente comigo a respeito das acusações apresentadas no Processo 041847/2012-13 ou no Procedimento Preliminar 43/2012 (ou 43/2013?). Isso, por si só, já denuncia a maneira irregular como esses dois professores têm tratado aquilo que ambos parecem considerar como um problema em minha conduta profissional. 

4) Fiz muitas outras críticas em meu blog a respeito do Curso de Física da UFPR e que jamais foram citadas em processo algum desta universidade. Isso novamente sugere uma rivalidade pessoal da Professora Silvia Helena Soares Schwab contra mim, sem uma preocupação real a respeito de críticas à educação que promovo publicamente. Fiz também acusações contra outras instituições e empresas, sendo que algumas publicaram suas respostas em meu próprio blog. Em virtude disso já recebi ameaças de processo judicial, as quais jamais se concretizaram. Digo isso, como exemplo ilustrativo, porque é natural pessoas se irritarem quando seus erros são apontados, principalmente em público.

Coloco-me à disposição de todos aqueles que quiserem esclarecimentos a respeito de minhas atividades profissionais. E aproveito para avisar que esta carta será publicada em meu blog.

Atenciosamente

Adonai Sant'Anna
Matrícula 102806 - DMAT/UFPR

20 comentários:

  1. Prezado Professor Adonai, admiro e sempre admirarei a sua luta contra a hipocrisia, contra estas nossas universidades federais falidas cujas pesquisas são irrisórias e insignificantes. Seus argumentos lógicos e sua boa conduta moral mostra o grande homem que você é. Esta é a minha mensagem de apoio.

    Articulador do blog Fatos Matemáticos

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    1. Oi, Professor Paulo Sérgio

      Como você certamente deve saber, não é fácil tolerar isso tudo. Cansa. Seu suporte é importante.

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    2. Como chamar nossas universidades federais de "falidas" e com "pesquisas irrisórias e insignificantes" se produzimos 2,5% de todo o conhecimento mundial? É fácil criticar.... e difícil produzir algo de valor. É fácil puxar o saco... e difícil escrever um texto com opinião própria. Também admiro a coragem do Adonai em escrever o que bem entende e curto discordar dele na maioria das vezes.

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    3. Alexandre

      Peço que no futuro seja mais cuidadoso com o vocabulário. Apesar de eu ter dispensado qualquer moderação, continuarei deletando comentários que fazem uso de vocabulário chulo. Espero que mantenha-se atento a esta preciosa regra.

      Com relação à sua avaliação da produção científica brasileira, você está ignorando vários fatos importantes. Cito apenas dois, porque não quero me estender aqui. Em primeiro lugar, a relação custo-benefício da produção científica brasileira é uma das piores da América Latina. Em segundo lugar, o impacto da produção científica de nosso país está caindo. Recomendo fortemente que, antes de mais nada, você se sintonize com parâmetros mundiais de produção científica e depois avalie por que o Brasil tem apenas um Prêmio Nobel que, por sinal, jamais é lembrado. Qualidade de produção científica não se avalia por parâmetros unidimensionais, ainda mais por pessoas obviamente tendenciosas e inexperientes.

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  2. Que bom seria se educadores estivessem mais preocupados com a qualidade da educação do que com o próprio umbigo! Existe espírito combativo quando o assunto é dinheiro, sim. Mas também quando o assunto é a mudança profunda no sistema de ensino que implica na quebra da inércia e das vantagens pessoais.Uma pena. Mas estamos com você!

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    1. Pois é, Adriane

      Há tantas postagens aqui que considero muito mais relevantes, principalmente sobre conteúdos errados e incompletos que são lecionados, em particular no curso de física da UFPR. Absoluta perda de tempo este procedimento preliminar.

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  3. Olá prof. Adonai.

    Recebi com surpresa a notícia do procedimento preliminar em trâmite na Comissão de Ética da UFPR, principalmente porque, como mesmo foi mencionado, nenhum contato pessoal fora feito com o prof. Igual surpresa foi a citação de Susan Blum, Luisandro Mendes, Gilson Maicá, Solange Mancini, Adam Azevedo, Luis Augusto Trevisan, entre outros (que assinaram seus comentários com pseudônimos). Devemos esperar que sejamos convocados para esclarecimentos das postagens? Que consequências devemos esperar disso? Tudo que já escrevi, por ser verdade, não farei nenhum tipo de retratação.

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    1. Adam

      Quando recebi carta da Comissão de Ética, apenas enviei e-mail acusando recebimento e me colocando a disposição. Eu não sabia do que se tratava e nem estava interessado. Imaginei que era apenas a velha insistência sobre meus critérios de avaliação. Dias depois recebi telefonema do Presidente da Comissão, pedindo para que eu comparecesse e tomasse ciência do procedimento. Fiz isso e fiquei igualmente surpreso ao ver o seu nome nos documentos, bem como o de outros amigos e leitores deste blog. Mas não creio (e nem quero) que outras pessoas, além de mim, sejam convocadas pela Comissão. Nenhum participante deste blog merece esse tipo de tratamento.

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  4. Caro Adonai,
    Novamente vejo atitudes que de forma arbitrária tentam "acabar com a doença matando o indivíduo". As críticas, livre pensar a debate de idéias devem ser sempre estimuladas e em especial no ambiente acadêmico. Medidas intimidatórias certamente indesejáveis mudam o foco do problema real a uma personalização da discussão. Isto soa como o antigo e quisera ultrapassado "sabe com quem voce está falando?". Receba meu apoio e estímulo ao livre e franco debate.

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    1. Paulojus

      Você tocou na questão fundamental: o foco real que norteia a mim e a demais participantes deste blog é a relação entre ciência (particularmente matemática) e educação, com especial ênfase no Brasil. Há outras postagens bem mais interessantes que pretendo publicar por aqui. Uma pena ter que desperdiçar tempo com respostas a questionamentos tolos.

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  5. Adonai, você diz no texto que: "Conheço muitos professores de universidades federais que pensam da seguinte maneira: "Se um acordo é estabelecido entre a minha instituição e o Governo Federal, não tenho escolha. Preciso seguir este acordo.""
    Adonai, foi o que você fez ao aprovar os alunos, não? Por isso eu coloquei na época se não seria melhor fazer justamente o que você considera honesto: reprovar todos os que merecem a reprovação.
    Há um paradoxo aqui? Poderia me responder? (não precisa publicar)

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    1. Susan

      Sua pergunta é extremamente pertinente. Eu também percebo esta situação como um paradoxo. Por isso mesmo, resolvi aplicar de forma rudimentar (realmente rudimentar!) um princípio da lógica clássica: contradição implica em trivialização. Uma teoria formal é trivial quando toda e qualquer fórmula desta teoria é teorema. Apesar dos regimentos internos da UFPR não constituírem uma teoria formal, decidi me inspirar neste resultado bem conhecido de lógica formal. Isso porque há contradição entre exigências do REUNI e a realidade de sala de aula. Isso me deu liberdade para avaliar os alunos da forma que eu quisesse. Certamente eu poderia ter seguido o caminho que você sugere. Mas preferi seguir um caminho que despertasse atenção para o ridículo que existe no dia-a-dia das universidades federais. Afinal, durante décadas fui muito rigoroso em minhas avaliações. Na última turma em que lecionei antes de mudar meus critérios de avaliação, apenas duas alunas foram aprovadas em uma turma com cerca de 80 matriculados.

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    2. Pois é. Depois que enviei o post lembrei de você me explicando que queria dar um choque e ver se haveria reação. Lembro perfeitamente de suas avaliações. Obrigada por explicar aqui, para todos. Ainda tenho confiança que as pessoas perceberão os outros posts e verão sua ação com outros olhos. Lembro de você comentando que pretendia desistir do blog e eu insistindo na continuação. Eu sabia que era uma questão de tempo. E agora veja o número de visualizações. Como cresceu. Acho que você está no caminho certo! Aguardo as próximas postagens com alegria!

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  6. Relendo seu outro post, me dei conta:

    Anônimo26 de abril de 2012 11:22
    Se é que algum dia lecionar na universidade lhe teve alguma importância não é professor!?

    Não é difícil adivinhar quem seria este "anônimo"...

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    1. Bem... eu não tenho ideia de quem seja. Conheci muitos que não gostam de minhas aulas.

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    2. Por mais que muitos não gostem de suas aulas, muitos as entendem e o tomam, como professor, como um exemplo a ser seguido.
      Compreendo suas críticas contra as mediocridades da educação brasileira, e espero poder ajudar, não sendo o melhor professor, mas sendo o melhor que eu puder ser. Sua luta é mais que louvável, professor.

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  7. Caro Adonai,
    acho lamentável que esse tipo de procedimento ocorra, haja vista que vivemos numa democracia, em que deve imperar a liberdade de expressão. A atividade crítica também faz parte de um estado democrático e instituições democráticas, como a Universidade. De mais a mais, nunca vi neste blog qualquer expressão ofensiva a pessoas ou instituições. De qualquer forma vale lembrar aqui o poeta Virgílio citado por Kant: "As butucas afastam das cocheiras o rebanho ocioso."

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  8. Olá para todos. Tomo a liberdade de colocar aqui um link para meu blog. O texto inicial desta postagem de Adonai me fez pensar e acabei fazendo uma reflexão solta sobre ele. Mandei ao Adonai que respondeu o que segue: "Gostei de suas reflexões sobre parte de meu texto. Por mais simples que um texto possa parecer, comumente é fácil encontrar inúmeras mensagens conflitantes nele."
    Então, como disse, tomo a liberdade de postar o link:
    http://www.novelosnadaexemplares.blogspot.com.br/2013/04/ficcao-comunicacao-truncada.html
    Agradeço caso tenham comentários. Ele ficou solto, porque a intenção era de acréscimo para as aulas com meus alunos (sempre falo dos problemas da comunicação e não podia perder esta chance).

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  9. Caro Professor Adonai, li uma matéria sua na Scientific América Brasil e me identifiquei muito.
    Minha surpresa ao pesquisar seu nome é que reencontrei seu blog, que já conhecera antes, mas perdi contato por motivo qualquer.
    Sinto-me muito "energizado" com seus textos, onde chego a ter esperanças de que o Brasil tem jeito.
    Espero que continue assim, pois precisamos de pessoas que pensem, critiquem, estimulem o pensamento crítico e atuem e seus textos servem de inspiração a mim e, acredito, a várias outras pessoas.

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    1. Juliano

      Grato pelo apoio. Pretendo retomar as atividades do blog em breve.

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