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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O Emprego de IA em Matemática


No final dos anos 1970 levei uma calculadora eletrônica para a escola onde eu estudava. Era uma máquina simples, com visor incandescente vermelho, que operava com uma bateria de nove volts e realizava adições, subtrações, multiplicações e divisões. Mostrei a um colega algumas contas triviais com o aparelho e ele imediatamente respondeu: maquininha inteligente, né! Fiquei imediatamente desanimado com a reação. Guardei a calculadora e não mostrei a mais ninguém da escola. 

Hoje em dia a bola da vez é a tal da Inteligência Artificial (IA), uma nova maquininha que causa espanto entre os impressionáveis desprovidos de qualquer referência sobre o que é inteligência. Vários problemas em aberto de matemática estão sendo resolvidos com o auxílio de IA. A partir de casos como esses está ocorrendo um alarde ridiculamente exagerado sobre a eventual substituição de humanos por máquinas para fazer pesquisa em matemática. O objetivo desta postagem é informar algo trivial mas que precisa ser dito principalmente aos jovens que ainda sonham em fazer contribuições significativas em matemática. 

Resumidamente, esta postagem coloca o seguinte: 

1) A pesquisa em matemática está mudando sim graças ao emprego de IA; 

2) Desenvolvimento relevante em matemática é inviável sem humanos.

Em primeiro lugar, os modelos atuais de IA (LLMs) surgiram graças à introdução da arquitetura Transformer em um artigo de 15 páginas escrito por oito cientistas da computação e engenheiros de software. A matemática por trás dessa impactante contribuição é álgebra linear (para processar simultaneamente bilhões de parâmetros), cálculo diferencial e integral (para ajustes de pesos em redes neurais, que minimizam erros de previsão), e probabilidades e estatística (para quantificar incertezas e fazer previsões). Quando uma IA está "pensando", ela está simplesmente realizando operações entre vetores e matrizes. Tais operações recebem como entrada informações que já estão de algum modo disponíveis em bancos de dados ou até mesmo na internet. 

Ou seja, toda IA é o resultado de aplicação de matemática concebida e desenvolvida por humanos. Essa matemática, como sempre ocorre, tem suas próprias limitações. Há coisas que podem ser feitas com álgebra linear e há aquelas que não podem ser feitas. É justamente a álgebra linear de toda IA que permite focar atenção, por exemplo, na palavra `banco' em frases como "o banco da praça está quebrado" e "o banco foi assaltado durante a manhã". A arquitetura Transformer atribui um valor maior de atenção para a palavra praça no caso da primeira frase. Mas atribui uma pontuação maior para a palavra assaltado no caso da segunda frase. Dessa forma a IA consegue manter um diálogo aparentemente coerente com o usuário a partir dessas pontuações. No entanto, nenhuma IA "sabe" o que é um banco em qualquer uma das situações. A IA trabalha com pesos atribuídos a palavras conforme uma arquitetura interna de processamento. Nada além disso. IAs não operam com semânticas. Nada que uma IA lê ou vê ou ouve tem significado no sentido usual de semântica de linguagens naturais. Nenhuma IA sentou em um banco de praça. Nenhuma IA assaltou um banco ou testemunhou um assalto a um banco. Por conta disso que IAs são desprovidas de senso de humor. Uma IA pode contar piadas que façam usuários rirem. Mas uma IA é absolutamente ingênua quando ela mesma é alvo de uma piada feita por humanos. Faça a experiência! Diga a uma IA de sua escolha a seguinte frase: "o banco da praça foi assaltado". Alguma IA terá o senso de humor de imaginar um banco de praça erguendo os braços diante de um ladrão armado? Cartunistas são obviamente mais espertos do que IAs quando o assunto é humor.

Certas IAs têm sido  usadas para resolver problemas matemáticos em aberto há décadas. O que isso nos diz? 

Há literalmente milhares de problemas matemáticos em aberto. Alguns matemáticos tentam resolvê-los. Outros propõem novos problemas e tentam resolvê-los. Outros investigam novas formas para resolver problemas já resolvidos simplesmente porque não gostam de soluções desnecessariamente complicadas. Outros preferem criar teorias novas e investigá-las com o propósito de entender matemática sob outros pontos de vista. Outros preferem apenas aplicar ferramentas matemáticas bem conhecidas para lidar com problemas tecnológicos, logísticos, financeiros, bélicos, sociais, entre outros. Aliás, este foi o caso da arquitetura Transformer. Outros ainda se ocupam de questões filosóficas da matemática. Outros preferem focar em aspectos históricos. Outros preferem investigar técnicas de ensino de matemática. Enfim, o fato de um problema de matemática estar em aberto durante muito tempo não reflete de forma alguma qualquer barreira intelectual que impede humanos de resolverem tal questão nos dias de hoje. Existe muito mais trabalho a ser feito em matemática do que mão de obra dedicada a todo esse trabalho. 

Se uma IA consegue resolver um problema em aberto há muito tempo, isso é uma excelente notícia. Afinal, um problema a menos. Mas é um problema cuja solução emprega tão somente aquilo que já se sabe sobre matemática. 

O que uma IA não consegue fazer em termos de pesquisa em matemática? Segue uma breve lista:

1) Criar teorias novas que iluminem a atividade matemática conectando de forma surpreendente diferentes áreas do saber. Por exemplo, teoria de categorias permite conectar ramos da análise matemática com ramos da álgebra. Isso é algo que uma IA não seria capaz de fazer a partir de sua atual arquitetura. Afinal, a criação de teorias demanda criatividade. Não há criatividade em qualquer IA. Outro exemplo: o conceito de espaço vetorial viabilizou a atual IA. Quais teorias novas de matemática podem viabilizar novas formas de IA sem as atuais barreiras da própria IA? Uma IA jamais responderá a essa questão de maneira minimamente criativa e relevante. 

2) Discernir o que é relevante daquilo que não é. O julgamento de relevância matemática depende de fatores de caráter tecnológico, filosófico, pedagógico, histórico, logístico e até mesmo matemático, entre outros. IAs não contam com julgamentos autônomos. 

3) Autocrítica. IAs são desprovidas de autocrítica. Uma vez que uma IA apresente uma demonstração muito longa de um teorema, ela está sujeita a cometer erros de caráter lógico e até mesmo conceitual sem que `perceba'. Isso por conta da arquitetura computacional que minimiza erros mas jamais consegue zerá-los. Se não houver julgamento humano, não há como garantir que uma proposta de demonstração esteja correta. IAs focam em velocidade de processamento de grandes volumes de informações. IAs não conseguem "pensar" criticamente sobre essas informações.

4) Discernir o belo do deselegante. A forma como as equações de Maxwell foram originalmente concebidas é esteticamente deselegante. Oliver Heaviside conseguiu reescrever as mesmas ideias de Maxwell em apenas quatro equações vetoriais, revelando beleza e simplicidade. IAs não são capazes de contemplação sobre o belo.

Qual é a real contribuição de IA em matemática? A resposta é óbvia: agilizar a pesquisa e viabilizar mais tempo para humanos refletirem sobre o que realmente é importante na atividade matemática. 

IA é apenas uma calculadora com esteroides. Assim como calculadoras eletrônicas foram e são extremamente úteis, IA também é. Mas humanos são bem mais espertos do que qualquer máquina criada por eles mesmos. Enquanto um data center de grande porte consome algo entre dez megawatts e cem megawatts de potência, um cérebro humano consome meros vinte watts e faz muito mais. Um cérebro humano consome a mesma energia necessária para acender uma lâmpada LED econômica. Nada que doses moderadas de glicose e oxigênio não resolvam. 

Naturalmente existe outro problema bem mais grave provocado pelo emprego de IA em matemática: o futuro do mercado editorial científico. Uma nova onda de submissões de artigos de matemática está surgindo em periódicos especializados. Editores deverão lidar com isso. Mas matemática é uma atividade que transcende instituições. Provavelmente editores precisarão de mais glicose e oxigênio do que matemáticos para lidar com essa questão.

27 comentários:

  1. o banco da praça foi assaltado

    Gemini: Sério? E o que levaram, o encosto? 😄

    Como a palavra "banco" tem esse duplo sentido clássico, fica a dúvida se você está me contando uma piada ou relatando algo que acabou de acontecer de verdade.

    Se for uma ocorrência real (uma agência bancária localizada em uma praça), espero que ninguém tenha se machucado e que você esteja em segurança.

    Isso é o começo de uma piada ou uma notícia real da sua cidade?

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  2. Ótimo texto, Adonai. Em alguns momentos achei que você humanizou demais as "IA"s, mas creio que foi proposital, certo? Sugiro este post https://buttondown.com/maiht3k/archive/how-to-talk-about-ai-without-adding-to-the/

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    1. Oi, Adolfo. Legal reencontrar você por aqui. De fato, ao escrever coisas como "Nada que uma IA lê ou vê ou ouve tem significado" é, no mínimo, ridículo. Mas optei por esse caminho em uma tentativa de ser o mais breve possível na redação do texto. Adorei a postagem que você enviou. O impacto social de IAs deveria ser tema de estudo profundo em sociologia. Pessoas parecem sentir necessidade de deuses, sejam divinos, extraterrestres ou tecnologias que parecem mágicas. Parece que a maioria se recusa a pensar sobre o pensar. Roger Penrose é um dos poucos que percebe o termo IA como inadequado para se referir a tais tecnologias que apenas imitam alunos ruins em sala de aula. O duro é que vejo matemáticos talentosos se referirem ao emprego de IA como um "tsunami" na atividade de pesquisa. Não sei o que há de errado na cuca da maioria. Muita preguiça mental. Cansa ver todo esse alarde. Não há nada de excepcional em IA. O que há de preocupante é o comportamento humano diante de tecnologias novas. Neste sentido tenho gostado bastante dos alertas feitos na revista The Economist. O mundo está mudando a partir da falta de mudança na mentalidade de pessoas.

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  3. Você tem muita sorte, Adonai! Onde eu trabalho a atual tecnologia imita alunos bastante bem acima da média.

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    1. Pois é, João Marcos. Professores comumente não são muito espertos para avaliar o que é um bom aluno. Sempre lembro de Paul Cézanne. No Collége Bourbon seus professores de arte não gostavam dele. Isso porque Cézanne não seguia as regras rígidas exigidas pelos seus "mestres". Ainda bem que Cézanne foi teimoso e acabou se tornando um dos mais consagrados artistas da história. Se fosse uma IA, Cézanne teria caído no esquecimento.

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    2. Verdade. Bem, eu sempre me esforcei muito para estimular todos os paulcézannes que encontrei ao longo da minha carreira. Mas foram poucos. Claro, sempre acontece de alguns passarem desapercebidos: a gente só consegue avaliar um aluno pelo que ele nos mostra.

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    3. Caríssimo João Marcos. Ser professor é como ser pai ou mãe. A gente faz mais besteira do que outra coisa. Por que acha que estou aliviado por ter me aposentado?

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  4. Obrigada por esse texto, professor. É sempre bom ler perspectivas. As pessoas costumam ser demasiadamente exageradas na internet. Recentemente, topei de manhã cedo com a opinião apocalíptica de um matemático sobre IA e mercado de trabalho -- eu não acredito em Deus, mas soou como o que eu acho que deve ser o toque das trombetas no Juízo Final. Eu só suspeito que afirmar que uma máquina jamais julgará relevância talvez seja subestimar o futuro, mas talvez eu realmente morra antes de ver isso acontecer, então nunca saberei o final dessa história.

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    1. Oi, Rayssa. Há uma cultura, entre alguns, de que um bom matemático deve saber resolver rapidamente problemas difíceis, desde que tenha uma boa cultura matemática em áreas estratégicas e habilidade intelectual para essa finalidade. Trata-se de um espírito cultivado, por exemplo, em olimpíadas de matemática. Esse tipo de visão deverá morrer uma vez que IAs fazem isso melhor do que humanos. Estamos sim em um momento de transição importante. Mas é um momento de transição que deverá oferecer novos caminhos sobre o papel de humanos no estudo e desenvolvimento de matemática.

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  5. Apresentei o blog para a minha namorada e agora temos mais uma diversão em comum. Obrigado pela postagem, professor.

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  6. Excelente texto professor. Recomendo o livro “more everything forever” de Adam Becker pra uma boa explicação das origens do alarde.

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    1. Caríssima, há quanto tempo não a vejo. Como está? Usei Gemini (ironias da vida) para resumir as ideias centrais do livro de Adam Becker, o qual não conheço. Fico pensando se a bomba atômica ou a viagem à Lua tivessem sido concebidas pela iniciativa privada sob o comando de um sedento por poder como Elon Musk. Credo! A Guerra Fria teria sido muito mais quente. Grato gratíssimo pela dica. Abbracci

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  7. O texto parte de uma premissa problemática ao confundir a mecânica atual das IAs com o seu limite potencial. Dizer que um modelo opera por meio de vetores, matrizes e probabilidades não demonstra que ele seja incapaz de produzir abstrações, descobrir padrões ou propor ideias novas. Afinal, a cognição humana também depende de processos físicos e eletroquímicos no cérebro, e nem por isso reduzimos nossos pensamentos a "apenas" biologia. A história da computação mostra justamente o contrário: capacidades que pareciam de domínio exclusivo humano têm sido progressivamente automatizadas.
    O mais curioso é que essa visão atual entra em contradição com posições que você mesmo já defendeu. No passado, você citou a criação de redes neurais — como a do Google, que aprendeu a diferenciar gatos de rostos humanos sozinha — como evidência de que máquinas poderiam aprender conceitos sem intervenção. Além disso, você ajudou a desenvolver uma teoria matemática que define a pragmática por meio de funções de propensão, modelando o contexto social. Se você mesmo provou que a ambiguidade das linguagens naturais pode ser rigorosamente calculada para simular interações, exigir que a IA tenha um corpo físico para processar semântica perde completamente o sentido.
    O mesmo vale para a minimização do impacto da IA na resolução de problemas antigos. Afirmar que isso é apenas combinar “aquilo que já se sabe” reduz excessivamente o fazer matemático, pois muitas descobertas humanas surgem exatamente da reorganização de conhecimentos existentes. Como você próprio já destacou ao defender a matemática experimental, computadores são valiosos para investigar propriedades e padrões que nos escapam. Desqualificar a IA como motor de novas conjecturas é ignorar sua capacidade de explorar a matemática em uma escala inatingível para nós — o que também torna frágil a comparação do consumo de um data center com os 20 watts de um cérebro, já que são sistemas com arquiteturas e objetivos completamente distintos.
    Por fim, lembro de um alerta seu em postagens anteriores sobre como a auto ilusão coletiva cega indivíduos e instituições. O fato de matemáticos e editores se unirem na crença de que a genialidade criativa será para sempre um monopólio biológico, tratando a máquina como mera ameaça editorial ou "calculadora com esteroides", soa como um mecanismo de defesa. Fica a reflexão: essa recusa em aceitar a IA como uma verdadeira parceira cognitiva seria apenas mais um sintoma da preguiça e desonestidade intelectual que você mesmo já criticou?

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    1. Oi, Daros. Infelizmente não terei condições de responder a todas as suas observações e críticas, as quais são excelentes. Mas tentarei focar naquilo que me parece mais importante em seu texto, pelo menos neste momento: 1) não existe ainda uma visão ampla e clara o bastante para compreender e modelar a mente humana. A teoria da cognição quântica, para citar apenas um exemplo, também emprega álgebra linear para modelar tomadas de decisões humanas (bem humanas, ou seja, irracionais!). No entanto, cognição quântica carece de bases epistemológicas para justificar a sua aplicabilidade. Longa história. 2) Semântica, no sentido linguístico usual, é algo que depende de processos cognitivos humanos que não são claramente compreendidos ainda. Logo, voltamos ao ponto 1 acima. 3) Eu mesmo estou tentando usar uma IA (Lean 4) para o desenvolvimento de um projeto meu de pesquisa. É óbvio que uma IA pode ser uma ótima ferramenta de pesquisa. Ferramenta, sim. Parceira, não. 4) A sua reflexão ao final é muito boa, mas cabível a todos os lados envolvidos. Espero que perdoe a brevidade de minha resposta ridiculamente curta. As ideias que você apresenta merecem maior atenção. Mas não estou em condições de abraçar longas discussões em fóruns da internet como já fiz no passado. Seja como for, obrigado por enriquecer a postagem.

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  8. Levando em conta os comentários feitos até aqui, uma observação que julgo relevante: máquinas carecem de motivação. Humanos são motivados. Máquinas, não. Até mesmo um humano suicida é motivado; motivado pela dor que sente para encerrar a própria vida. Máquinas não têm a iniciativa de ler um blog obscuro e comentar postagens. Humanos, por outro lado, têm inúmeras motivações. Essa é uma diferença crucial para entender as diferenças entre pessoas e máquinas.

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    1. O que me preocupa mesmo é quando começarem a misturar sistemas eletrônicos com sistemas biológicos, aí pode ser que começe a dar m****.

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    2. Olha, se novas formas de IA surgirem e se mostrarem melhores do que nós em termos de desenvolvimento civilizacional, não farei oposição alguma.

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  9. Texto excelente! Fiquei feliz em saber que o li um dia após a OpenAI anunciar que sua IA mais avançada havia resolvido o problema da equação de Navier-Stokes, um dos problemas do milênio. Seria ótimo se você escrevesse um texto sobre isso. Embora eu entenda que as empresas buscam lucro, a ausência de uma publicação para revisão em pares da resolução para que a comunidade científica possa avaliar me leva a acreditar que isso pode ser apenas uma estratégia de marketing.

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    1. Corrigindo: ao entrar no site da notícia publicado no próprio site da empresa encontra-se o artigo sobre a resolução.

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    2. Decerto a resolução só terá algum valor quando for examinada pela comunidade matemática e se mostrar correta.

      Grigori Perelman não publicou sua prova da Conjectura de Poincaré em uma revista científica tradicional com revisão por pares. Deixo-a no arXiv pra quem quisesse vê-la e examiná-la: https://arxiv.org/search/math?searchtype=author&query=Grisha+Perelman

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    3. Eu fiquei muito curioso por esse caso devida a proporção do problema resolvido e o possível plagio de potencial uso das anotações de matemáticos, como Tristan Buckmaster, para resolver o problema. Assim como a pouca transparência de como matemáticos que trabalham da empresa participaram desse processo de investigação.

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    4. uso das anotações de matemáticos para treinamento, como Tristan Buckmaster, para resolver o problema*

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  10. Baita texto, Adonai. Viu recentemente a suposta resolução de um dos problemas do milênio(Navier-Stokes) via gpt??

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